Dom09152019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

10 Set 2011

A Vitória das Energias Renováveis

Escrito por 

Movida a energia solar, Juno é a mais enfática demonstração de viabilidade da única fonte realmente inesgotável, pelo menos durante os próximos cerca de cinco bilhões de anos, quando o Sol deverá entrar em colapso pelo esgotamento de seu combustível termonuclear – hidrogênio.

 

Lançada em cinco de agosto de 2001, a nave espacial Juno da NASA cobriu a distância da Terra à Lua, cerca de 402.000 quilômetros, em menos de um dia. Mas a Juno levará outros cinco anos para percorrer os 2.800 milhões de quilômetros que ainda a separam de Júpiter.

Movida a energia solar, Juno é a mais enfática demonstração de viabilidade da única fonte realmente inesgotável, pelo menos durante os próximos cerca de cinco bilhões de anos, quando o Sol deverá entrar em colapso pelo esgotamento de seu combustível termonuclear – hidrogênio.

Em última análise, essa é a base de todas as demais formas de energia, pois é o Sol que aquece o ar e forma os ventos, e seu calor também faz crescer a cana-de-açúcar da qual se produz o etanol. Pode-se dizer até mesmo que os combustíveis fósseis, embora poluentes, também são produto de nossa estrela mãe.

A melhor de todas as notícias, além do lançamento da Juno, é que no último leilão realizado pela ANEEL em 18 de agosto, a energia eólica saiu pelo valor médio de R$ 99,54 por  MWh (megawatt/hora), enquanto a das térmicas a gás ficou em R$103,30, a das hídricas em R$102,00, e a da biomassa em R$102,40.

Esses enormes ventiladores, chamados tecnicamente de aero geradores, têm hélices cujo comprimento chega a 45 metros, instaladas em mastros com inacreditáveis 70 metros, altura equivalente à de um prédio de 30 andares.

Apesar dos belos números acima, nesse particular o Brasil é ainda um anão, e nem mesmo figura entre os dez maiores países que utilizam a energia eólica, como informa a Associação Mundial de Energia Eólica (World Wind Energy Association - WWEA). O gigante, como não poderia deixar de ser, é a China, que nos últimos seis meses atingiu a marca de 43 % do mercado mundial de novos aero geradores, em comparação a 50 % durante todo o ano de 2010. Em junho de 2011, a China tinha uma capacidade total instalada por volta de 52 GW (1GW corresponde a 1.000 MW).

A capacidade mundial instalada total projetada para o segundo semestre de 2011 é de 240GW, um substancial acréscimo de 50% sobre o ano anterior (159,7GW).

A essa altura o leitor talvez esteja se perguntando: mas, quando a velocidade dos ventos varia o que ocorre?

As fontes solares tradicionais, como as células fotovoltaicas e as turbinas eólicas (de Éolo, deus grego dos ventos), sofrem essas alterações nas quantidades de energia captada ao longo do dia – as eólicas também funcionam à noite, embora sempre sujeitas a mudanças na velocidade dos ventos –, o que exige a adaptação da rede nacional de distribuição.

A empresa Siemens está desenvolvendo soluções visando a preparar a malha energética para energias renováveis, com um sistema que ajuda a controlar a pressão causada pelo excesso de eletricidade gerada pelas fontes, favorecendo a sua estabilidade. São as chamadas smart grids (redes inteligentes).

Segundo a empresa, para se ajustar ao crescimento da participação dessas fontes variáveis de eletricidade, que podem flutuar muito conforme as condições atmosféricas, seus pesquisadores, aliados aos da Universidade Técnica de Munique, Alemanha, estão desenvolvendo soluções que poderão preparar a malha para uma inundação de energia verde, nada menos que um aumento de cinquenta vezes em vinte anos.

Uma rede de distribuição com tensão estável é crucial para se evitar danos a equipamentos elétricos em geral, decorrentes das variações características dessas fontes alternativas, mas não das térmicas a gás, diesel, carvão, que são estáveis.

Se todos os telhados e áreas abertas adequadas da Alemanha fossem equipados com células fotovoltaicas a estimativa é que haveria uma geração total de até 168GW.

O que os pesquisadores buscam então, para fazer frente a esse tão desejado crescimento do emprego de fontes alternativas variáveis, é uma forma de adicionar mais eletricidade à rede de maneira menos dispendiosa, e os resultados prometem.

Hoje, dos 110 GW de potência instalada no Brasil, 5,7 GW são provenientes de energia eólica (5,18%), o que mostra que, em termos relativos, não estamos tão mal quanto parece; afinal, esse tipo de fonte energética representa no âmbito mundial, com seus 240GW, três por cento do total.

Em comparação, a hidrelétrica de Belo Monte terá capacidade instalada de 11,23GW de potência, com 4,57GW médios (fonte: Norte Energia S.A). A China sozinha adicionou, em 2011, 8GW de geração eólica à sua capacidade instalada, quase o dobro da capacidade média de Belo Monte e tem, hoje, 52GW no total dessa fonte, metade da capacidade total instalada do Brasil, em todas as formas de geração.

Outra modalidade de energia limpa, ainda pouco comentada no Brasil, são as torres solares, ou Energia Solar Concentrada (CSP), termelétricas que geram energia através da concentração dos raios solares por grandes conjuntos de espelhos parabólicos (helio stacks), que refletem a luz para tubulações com óleo ou sais derretidos, capazes de armazenar energia térmica por até 7,5 horas na ausência de Sol. A Torresol Energy está implantando duas unidades de 50MW cada, Valle 1 e Valle 2, em San José del Valle, Cádiz, Espanha.

Ao contrário das CSP que, embora estáveis, dependem de redes de transmissão mais extensas e investimentos maiores, os geradores eólicos e as células fotovoltaicas produzem energia que pode ser consumida localmente, evitando as perdas que ocorrem com a transmissão a grandes distâncias.

Como se vê, já existe tecnologia disponível e competitiva o suficiente para que sejam descartadas as perigosas usinas nucleares e as termelétricas poluentes, a carvão, óleo diesel, gás.

Cada qual com sua aplicação, como se deduz das informações da Fundação Desertec (www.desertec.org), para a qual o multibilionário projeto Helios de energia fotovoltaica pretendido pelo ministro grego do Meio Ambiente, George Papaconstantinou, não é viável. Justamente por causa da falta de capacidade de armazenamento dessa energia, mais adequada ao uso local.

Para a organização, a grande alternativa é a energia CSP, da qual, estranhamente, não se ouve falar no Brasil.

Última modificação em Terça, 11 Março 2014 17:46
Luiz Leitão

Luiz Leitão da Cunha é administrador e consultor de investimentos, sendo articulista e colunista internacional, especialmente para países lusófonos. É colaborador do Jornal de Brasília, Folha do Tocantisn, Jornal da Amazônia, Diário de Cuiabá, Publico (Portugal), entre outros.

1 Comentário

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.