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17 Abr 2004

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A recente reclassificação, para baixo, do risco de crédito do Brasil por parte de dois bancos internacionais, o J.P. Morgan e o Citibank, revela o que se sabe, que as autoridades econômicas do governo brasileiro não podem tudo, têm pouca margem de manobra com os instrumentos de política econômica.

A recente reclassificação, para baixo, do risco de crédito do Brasil por parte de dois bancos internacionais, o J.P. Morgan e o Citibank, revela o que se sabe, que as autoridades econômicas do governo brasileiro não podem tudo, têm pouca margem de manobra com os instrumentos de política econômica. A redução na taxa de juros, o afrouxamento na política salarial do setor público, a elevação do salário mínimo, tudo sinaliza na direção da irresponsabilidade fiscal. Não caberia outra atitude por parte dos banqueiros privados. Foi um alerta preventivo, que deve ser devidamente escutado.

Se eu fosse analista de alguma instituição bancária, outra não seria a minha recomendação. Quem tem a responsabilidade sobre o patrimônio dos investidores não pode assistir, de braços cruzados, à sucessão de medidas que garantem o desastre no futuro imediato, comprometendo a capacidade de o País honrar os seus compromissos com os credores.

Não cabe aqui qualquer bravata nacionalista e nem qualquer sentimento de perseguição por parte das autoridades. Foi uma recomendação técnica, baseada nos dados disponíveis. Quem acompanha as ações do governo brasileiro não poderia escapar a uma posição mais crítica diante dos fatos.

E foram até econômicos, se se considerar a rápida deterioração do governo Lula, a perda do respeito por parte dos aliados e da imprensa, a fraqueza revelada no âmbito legislativo, a pusilanimidade diante dos desafios administrativos, a falha moral essencial diante do episódio Waldomiro Diniz e do de Celso Daniel, a incapacidade do principal dirigente do Brasil para compreender as mínimas coisas que se passam e, por fim, a irresponsabilidade do partido governista, que não larga o discurso oposicionista, como se não fosse governo.

A sensação que dá ao observador é que não será mais possível reverter esse quadro. O governo Lula como que acabou, tendo sido aberta a contagem regressiva para entregar as responsabilidades de governo a um sucessor. Diante disso, eventuais aventuras populistas são previsíveis, até como tentativa de reverter o quadro e mostrar algum serviço diante da militância petista.

Rezo para que nenhum fato novo possa justificar o estouro da boiada, algo do tipo de uma demissão eventual do presidente do Banco Central. O governo hoje tem duas escoras bem nítidas, o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central. A saída de um deles será a sinalização definitiva de que a política econômica em curso será abandonada, para desespero geral da Nação.

Infelizmente, penso que é apenas uma questão de tempo isso acontecer. Os populistas nunca estiveram tão fortes no centro de decisão. A recente fala do ministro José Dirceu, dizendo que não valeria apenas governar se não se buscasse uma ação de governo igualitarista, vale dizer, socialista, apenas verbalizou o pensa a espinha dorsal do partido governista.

É esperar para ver.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 20:33
José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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