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05 Ago 2011

Sobre a Necessidade de Estudar o Islã

Escrito por 

Aprender uma língua sempre enriquece uma pessoa, e quem hoje sabe o árabe tem acesso a todo um universo que não podemos ignorar. Para um jornalista, conhecer o árabe é uma mão na roda.

Leitores me enviam, preocupados, proposição de um deputado petista, que pretende tornar obrigatório, nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, o ensino sobre a cultura árabe e a tradição islâmica. “O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo – diz o projeto de lei – incluirá o estudo de história dos povos árabes, a cultura e a religiosidade islâmica e o árabe na formação da sociedade contemporânea, resgatando a contribuição do povo árabe nas áreas social, econômica e política pertinente à história do Brasil e do mundo contemporâneo”.

Bom, eu sou um estudioso da cultura árabe. Em minha biblioteca não faltam o Corão e vários ensaios sobre islamismo. Nada contra estudar o islamismo. Desde que ninguém pretenda pregar catecismo. Por outro lado, tal estudo, a meu ver, deveria ser opcional. Não entendo a obrigatoriedade para estudantes do ensino fundamental e médio da cultura árabe. Antes da árabe, seria mais oportuno estudar outras culturas, que também influenciaram a nossa. Sem ir mais longe, as culturas grega, romana, hispânica, francesa, britânica e mesmo alemã, que muito mais têm a ver com a nossa, do que a maometana.

Aprender uma língua sempre enriquece uma pessoa, e quem hoje sabe o árabe tem acesso a todo um universo que não podemos ignorar. Para um jornalista, conhecer o árabe é uma mão na roda. Mas, pelo viés do projeto do deputado, estudo da língua não está em questão. O estudo do islamismo sempre pode ser interessante. Poderíamos entender, por exemplo, as pretensões dos muçulmanos a Jerusalém.

Que tem a ver Maomé com Israel? Ocorre que Maomé viajou, em uma noite, de Meca a Jerusalém, montado em uma besta alada chamada al Buraq, menor que um burro e maior que uma mula. Segundos os mulás, esta espécie de mula teria cabeça de anjo e rabo de pavão.

Até aí nada demais. Se o Deus de Israel arrasa cidades a ferro e fogo, abre mares e provoca dilúvios, por que o Deus dos árabes não poderia delegar uma de suas mulas aladas para levar, em velocidade de Boeing, seu profeta em rápido turismo a Jerusalém? Quem com Jeová fere, com Alá será ferido. O pepino é que Maomé decidiu apear da besta justo ao lado do Domo da Rocha, atrás do Muro das Lamentações. E dela subiu ao Sétimo Céu, sempre montado no Burak e guiado pelo anjo Gabriel. Com tantas rochas em Jerusalém, Maomé escolheu para aterrissar justo aquela em Abraão iria degolar Isaac em oferenda a Jeová. Deste singelo fato histórico, sempre negado pelos infiéis, decorre o direito dos muçulmanos a Jerusalém.

Interessante conhecer como os muçulmanos resolvem com singeleza situações que neste nosso mundo ocidental exigem advogados e muita burocracia. Por exemplo, a lei dos três talaks (repúdio), que simplifica extraordinariamente o divórcio. Pronunciado três vezes o repúdio pelo marido, a mulher está divorciada. Claro que o inverso é inimaginável. Mulher vale sempre metade no Islã. Se o Corão reconhece às mulheres o direito à herança, os doutores da lei decidiram que a mulher só pode receber metade da parte devida ao homem. O testemunho de um homem vale pelo testemunho de duas mulheres. Um homem pode ter quatro mulheres. A mulher, um só homem.

Em janeiro de 2007, o Corriere della Sera nos contava uma versão mais ágil do divórcio árabe. Uma professora de Literatura em Genova, casada em segundo matrimônio com um marroquino, descobriu-se divorciada por celular. Recebeu um singelo SMS com a mensagem: EU TE REPUDIO, EU TE REPUDIO, EU REPUDIO. O divórcio estava consumado. Em 2006, um tribunal de Manila, Filipinas, reconheceu que o direito dos maridos ao divórcio se poderá efetivar via SMS. A tecnologia unida ao Islã torna tudo mais rápido.

Isso sem falar na infibulação da vagina e na ablação do clitóris. Que história é essa de achar que a mulher tem direito ao prazer sexual? Melhor castrar as devassas antes de qualquer orgasmo. Estas mutilações estão hoje em todos os jornais. Mas nos anos 70, quando escrevi sobre o assunto no Brasil, fui tomado por delirante. Acusavam-me de estar denegrindo o islamismo. Hoje, sabe-se que a praga está se espalhando pela Europa, Estados Unidos e Canadá. Acho muito bom estudar a fundo o Islã.

Os alunos poderiam então entender que Maomé não conduziu os árabes à fé através da habilidade do bom discurso e de um raciocínio correto, mas pela violência e ameaça. Homem de guerra, o profeta liderou sete anos de sangrentas batalhas entre Medina, muçulmana, e sua cidade natal, Meca, cujos principais representantes eram pagãos. No transcurso de sua vida, Maomé comandou 27 expedições militares e organizou outras tantas, lideradas por seus subordinados. Quem não se rendesse ao Islã e pagasse o dízimo poderia ser roubado, escravizado ou morto pelos crentes.

Na batalha dos muçulmanos contra a tribo judaica de Bani Qurayzah, todos os homens foram condenados à morte e as mulheres e crianças à escravidão. Setecentos judeus foram decapitados com um golpe de espada e tiveram seus corpos jogados em valas. A matança durou o dia todo e o último grupo foi executado à luz de tochas. Quem entra em Meca, em janeiro de 630, não é um profeta imbuído de mensagens de paz, mas um Maomé conquistador à frente de um exército vitorioso. Maomé conseguiu, antes de sua morte, unificar praticamente toda a Arábia sob uma só religião, o Islã... a golpes de espada.

Não bastassem estes episódios históricos, o Alcorão concita os muçulmanos em várias de suas suras a exterminar os infiéis. Se algum dia estes fatos não puderem ser mencionados no Ocidente sob pena de guerra santa, nesse dia o Ocidente terá capitulado definitivamente frente ao islamismo.

Acho muito bom estudar a fundo o Islã. Sempre é bom saber a alta consideração que o Corão tem pelos escravos. Estão acima das infiéis. “Não desposem as mulheres politeístas a menos que elas decidam crer. Um escravo crente vale mais que uma mulher livre que não é crente, mesmo quando ela vos agrada. Da mesma forma, não casem suas filhas com não-crentes enquanto eles não passem a crer, pois o escravo crente é melhor que o não-crente, mesmo se este último vos seduz”.

Seria também interessante saber que a lei islâmica permite a venda de negros reduzidos à escravidão, porque de modo geral eles são infiéis. Que a venda de escravos se faz ordinariamente sob uma das seguintes condições: ou o vendedor oferece uma garantia pelos defeitos que porventura tiver o negro, ou bem ele especifica anteriormente que não é responsável por isso. Toda doença oculta, toda má inclinação, como a tendência ao roubo, todas as ações que denotam irascibilidade ou loucura são vícios redibitórios. Os negros acometidos destes males podem ser devolvidos a seus proprietários precedentes, a menos que a compra tenha sido concluída sob a condição de não-responsabilidade. Extraio estes dados de L'Esclavage en Temps d'Islam, de Malek Chebel.

O Islã é muito generoso em relação aos servos. Se alguém não tem condições de manter escravos, melhor vendê-los. O senhor deve suprir as necessidades de seus escravos, conforme seus meios. O imã Malek disse: “o Profeta estabeleceu que se deve prover conscientemente a manutenção e a alimentação do escravo, da mesma forma que não se lhe deve impor uma tarefa acima de suas forças”.

E por aí vai. Acho muito bom estudar a fundo o Islã.

Última modificação em Terça, 11 Março 2014 17:29
Janer Cristaldo

O escritor e jornalista Janer Cristaldo nasceu em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul. Formou-se em Direito e Filosofia e doutorou-se em Letras Francesas e Comparadas pela Université de la Sorbonne Nouvelle (Paris III). Morou na Suécia, França e Espanha. Lecionou Literatura Comparada e Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina e trabalhou como redator de Internacional nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Faleceu no dia 18 de Outubro de 2014.

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