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30 Jun 2011

Fusão e Confusão

Escrito por 

Assim funciona o capitalismo no Brasil, sempre dependendo do estado. Assim são os grandes empresários brasileiros, sempre se abrigando à sombra do estado. Assim é a economia brasileira, sempre pegando uma carona no trem-fantasma do estado. Capitalismo sem riscos, eis uma de nossas características.

 

Os grupos Pão de Açúcar – leia-se Abílio Diniz – e Carrefour anunciaram uma fusão que cria uma empresa com faturamento anual de R4 65,1 bilhões, apenas inferior ao da Petrossauro (R$ 213,2 bilhões) e ao da Vale (R$ 83,2 bilhões). A nova empresa, se a fusão passar pelo crivo do Cade, terá 32% das vendas do varejo no Brasil. Até aqui, são números, apenas números.

Mas o que está por trás deles é aterrador.

Bem, o Novo Pão de Açúcar terá como sócios o BTG Pactual e – aí é que está o problema – o BNDES, isso mesmo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e “Social”, que colocará no negócio nada mais nada menos do que R$ 4 bilhões! Nada a opor a fusões privadas, mas, quando entra dinheiro público, não posso permanecer quieto!

Como a aprovação do negócio ainda precisa do aval das autoridades brasileiras e do grupo francês Casino, que é sócio do Pão de Açúcar desde 1999 (e com quem Abílio Diniz sequer negociou a operação), ainda há esperança de que mais esta investida do capitalismo de estado sobre o cidadão brasileiro não venha a concretizar-se.

O BNDES apela para um motivo “nacionaleiro” para entrar no negócio, o de que, ao fazê-lo, estará “abrindo mercado” para produtos brasileiros. De minha parte, o BNDES, simplesmente, deveria ter sido extinto há muito tempo: é estímulo permanente à politicagem, ao tráfico de poder e aos maus empresários e um desestímulo à verdadeira função empresarial ensinada pela Escola Austríaca de Economia.

Assim funciona o capitalismo no Brasil, sempre dependendo do estado. Assim são os grandes empresários brasileiros, sempre se abrigando à sombra do estado. Assim é a economia brasileira, sempre pegando uma carona no trem-fantasma do estado. Capitalismo sem riscos, eis uma de nossas características.

Acho que não preciso escrever mais nada sobre o assunto. Todos entenderam.

Como diria o Boris Casoy, isto é uma vergonha!

Última modificação em Segunda, 10 Março 2014 21:44
Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

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