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08 Abr 2011

O Mal Que Se Esconde

Escrito por 

Nada justifica a atitude psicótica e selvagem de Wellington. Nada. Mas nos leva - ou ao menos deveria levar - a refletir sobre os dias atuais. São dias maus. São dias frios. São dias de desesperos individuais personificados em atitudes desesperadas que refletem no coletivo social do Brasil do século 21.

 

“Quem sabe o mal que se esconde nos corações humanos?”, perguntava O Sombra, personagem do rádio nos anos de ouro do veículo de comunicação de massa. Freud? Jung? Quem sabe aquilo que passa pela mente de alguém? Wellington Menezes de Oliveira, que matou 10 meninas e um menino e feriu mais dez meninas e três meninos numa escola municipal em Realengo, Rio de Janeiro, nos mostra em cores e via satélite a triste realidade.

Curioso é que imediatamente após a chocante notícia do massacre em um dos jornais da tevê veio o comercial de um automóvel. Imagens em alta definição contrastavam com as de pouca qualidade do cinegrafista amador que gravou os gritos assustadores que ecoavam de dentro da escola instantes após o ocorrido. Cenas de pessoas ensanguentadas e o corpo inerte do atirador na escadaria mais parecendo cenário de Hitchcock em nada lembravam os personagens felizes ou a trilha do Tears for Fears (nome sugestivo) que embalava a peça publicitária.

Talvez esse seja o nosso maior desafio: voltarmos a nos preocupar com o ser, e nos esquecermos um pouco do ter. O ter nunca fará alguém ser. Tampouco o ter resolverá carências do ser humano. Não somos massa, mas indivíduos.

Talvez Wellington, menino adotivo que andava só, calado, que há pouco perdeu a mãe, tido pelos colegas de bairro e familiares como alguém “muito estranho” fosse simplesmente “isso”. Um trecho de sua carta nos revela muito de sua raiva pavloviana: “os animais são seres muito desprezados e precisam muito mais de proteção e carinho dos que os seres humanos que possuem a vantagem de poder se comunicar, trabalhar para se sustentar”.

Nada justifica a atitude psicótica e selvagem de Wellington. Nada. Mas nos leva - ou ao menos deveria levar - a refletir sobre os dias atuais. São dias maus. São dias frios. São dias de desesperos individuais personificados em atitudes desesperadas que refletem no coletivo social do Brasil do século 21.

Que Deus nos ajude no retorno ao outro, na preocupação com o próximo, no ouvir, no tentar compreender a dor, tentar ajudar, aprender e repreender atitudes que vão de um simples passar pelo vermelho do farol até ao frio, calculado e sombrio assassinato de 11 inocentes. Que Deus nos ajude...

Última modificação em Segunda, 10 Março 2014 21:06
André Plácido

André Arruda Plácido nasceu em Pirajuí (SP) e é cidadão português. Reside em Londrina (PR) onde graduou-se em Relações Públicas e Teologia. Em Bauru (SP) concluiu o curso de Jornalismo. Fez especialização em Comunicação e Liderança em Missões Mundiais pelo Haggai Institute em Cingapura. É professor de comunicação, poeta, radialista, cronista e fotógrafo.

Website.: fotologue.jp/andrearrudaplacido

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