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12 Set 2004

É Muita Conta Para Pagar!

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Nos países africanos, repetidas vezes, aludindo à escravidão negra, Lula incluiu a "dívida histórica do Brasil para com a África" entre as razões de sua magnanimidade.

Nos últimos meses, o presidente Lula perdoou a dívida da Bolívia e depois saiu pela África, onde perdoou as dívidas de Cabo Verde, Gabão e 95% do débito de Moçambique (total: US$ 0,4 bilhões). Nos países africanos, repetidas vezes, aludindo à escravidão negra, Lula incluiu a "dívida histórica do Brasil para com a África" entre as razões de sua magnanimidade.

Na condição de membro da comunidade nacional devedora, incluída, sem dó, nas contas da banca internacional, alarmou-me saber que a tais débitos se somam trevosas obrigações junto a um continente que começa nas praias do Mediterrâneo e termina 14 mil quilômetros ao sul, lá onde Vasco da Gama fez a volta em 1498. E que a força dessas imprecisas contas se impõe, inclusive, para transformar em credores os nossos devedores.

Pois é, a fatura veio parar no ralado regaço nacional. Nem a Inglaterra, nem Espanha ou Portugal, nem os Estados Unidos ou o Canadá, nenhuma nação latino-americana para onde o braço escravo foi levado - de Cuba à Argentina - pensou em repartir com Lula um pedaço da fatura. Assumimos sozinhos a responsabilidade pela miséria do Gabão - cujo presidente é um ditador com 37 anos de "serviços prestados", ao longo dos quais se transformou em um dos chefes de Estado mais ricos do mundo - e de um inteiro continente! De acordo com essa estapafúrdia aritmética geopolítica e financeira, não fosse o tráfico, as nações africanas seriam prósperas e nós, os beneficiários desse fluxo, ainda mais pobres do que somos.

Eu preferiria que o espírito peronista que baixou em Lula como resultado das aulas de História que lhe deram se mantivesse nos contornos da prodigalidade com que Perón e Evita, no século passado, distribuíam dinheiro aos carentes do mundo. Faziam-no porque gostavam, não porque estivessem pagando contas.

Não sei se existe algum povo que desde os primórdios ocupe o mesmo território. A história de todos começa com sua fixação na foz do rio tal, aos pés do monte tal, e aí começam as guerras de conquista, os fluxos migratórios, os impérios que se formam e desfazem, a escravidão dos vencidos, os despojos.

Portanto, se os critérios de Lula forem válidos, nem dois séculos de reuniões da ONU bastarão para acertar as contas da História Universal. Aliás, se as análises de DNA que se fazem com a mutação M242 confirmarem as hipóteses vigentes, os primeiros humanos na América chegaram ao sul do continente vindos da Austrália e teriam sido, mais tarde, dizimados pelos fluxos oriundos da Ásia que entraram pelo norte. Mas não contem ao Lula. Ele é capaz de ir à Austrália e nos declarar devedores do opulento governo do primeiro-ministro John Howard.

Menos mal que em 1879 não nos metemos na Guerra do Pacífico, porque se assim fosse estaríamos devendo à Bolívia uma saída para o mar.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 16:58
Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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