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07 Set 2004

Os Brutos Também Amam

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O brutos também amam. Amam, sofrem e, sem vantagem pessoal, também se empenham por seus ideais os terroristas chechenos que acabam de matar duas centenas de crianças russas.

Primeiro foram os Diários de motocicleta, mostrando um Che Guevara ainda estudante, tendo sua sensibilidade despertada para elevadíssimos valores humanos - alma de criança, coração de poeta e conduta de santo. Nenhuma palavra ou cena a respeito da influência da ideologia que pouco depois o jovem Ernesto abraçou, sobre o empedernido assassino em que ele se transformou. Agora é o filme Olga, elevando à dignidade dos altares a espiã que se tornou amante de Prestes e cuja vida foi inteiramente posta ao serviço de um período do totalitarismo soviético que, se desconsiderarmos os mortos da Segunda Guerra, foi ainda mais genocida do que o regime de Hitler.

Com essa receita - a de uma mousse formada por meias verdades, alguns fatos reais, gotas de idealismo e consumidoras paixões - resulta perfeitamente possível não apenas encantar o paladar de platéias ingênuas, coisa que o cinema faz todos os anos em centenas de produções, mas atrair incautos para o infecto restaurante onde essas idéias são servidas.

O melhor exemplo do que afirmo está posto no comentário de Emir Sader sobre o filme. Seu texto anda circulando pela Internet e dele extraí as frases a seguir. Segundo Sader, o filme Olga incomoda, porque "incomoda saber que militantes comunistas são seres humanos, que amam, que sofrem, que são felizes, que se identificam profundamente com as causas pelas quais lutam, que não buscam nenhuma vantagem pessoal, mas sim a justiça e a solidariedade". E, mais adiante: "Olga incomoda porque revela a vida de militantes, de gente que optou por entregar o que tem de melhor pela revolução, pela luta anticapitalista".

Ora, ora, os brutos também amam. Amam, sofrem e, sem vantagem pessoal, também se empenham por seus ideais os terroristas chechenos que acabam de matar duas centenas de crianças em Moscou. Quantos oficiais da Gestapo se enquadrariam num perfil semelhante? Quantos líderes e membros da Ku Klux Klan também amaram suas esposas, seus filhos, seu país e agiram sob a convicção de estarem, sob risco pessoal, fazendo a coisa certa? Não eram humanos e não levaram suas convicções ao martírio os terroristas que se arremessaram contra as Torres Gêmeas?

Há nesse tipo de filme uma irritante malícia e um soberbo menosprezo ao discernimento das platéias. Assim como Prestes em 1935 comandou a Intentona Comunista na qual oficiais do exército brasileiro assassinaram colegas de farda enquanto dormiam, assim também as idéias pelas quais Olga e Prestes lutaram respondem pela morte de cem milhões de seres humanos no século passado e instituíram os regimes mais genocidas, prepotentes e retrógrados que a humanidade concebeu. Nas muitas nações em que foi instituído a ferro e fogo, o comunismo não produziu um único caso de sucesso e não pôde apresentar à civilização um só estadista. Mas isto jamais é dito.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 16:59
Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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