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20 Out 2010

Moral e Eleições

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Sua opinião não é novidade, porque é disseminada entre todos os setores que se autodenominam “progressistas”, para quem esse assunto seria uma questão de “saúde pública”... Pois não é de saúde pública, não senhor! É de saúde (ou doença) moral!

Um colega de universidade, em e-mail, reclamou contra o que chamou de “ação de fundamentalistas religiosos” – que seria, em sua visão, a inclusão no debate eleitoral da questão da descriminalização (ou descriminação, são palavras sinônimas) do aborto. Sua opinião não é novidade, porque é disseminada entre todos os setores que se autodenominam “progressistas”, para quem esse assunto seria uma questão de “saúde pública”...

Pois não é de saúde pública, não senhor! É de saúde (ou doença) moral! Mesmo se o feto não tivesse vida, não haveria argumentos para tratá-lo como simples extensão (indesejável) do corpo da mulher, sujeito, portanto, a seus caprichos ou aos do homem com quem o gerou, ou às conveniências de ambos. Mesmo que o feto ainda não tivesse vida (o que não é verdade), um dia certamente virá a tê-la e será alguém como qualquer um de nós, que precisa desde já ser tratado com o respeito e a dignidade devidos à pessoa humana.

Não se trata de “fundamentalismo religioso”, portanto, a inclusão no debate eleitoral de tema tão relevante. Deixar de lado temas como esse, isto sim, é fundamentalismo laico. Ademais, o chamado estado-laico não implica que os homens de estado joguem na lixeira os valores morais tradicionais, significa apenas que o estado e as religiões devem ser separados. Portanto, um político, digamos católico, ao abraçar a vida de homem público, tem o dever de carregar com ele suas convicções éticas e morais, o que não quer dizer que o estado esteja “se metendo” na política!

E as igrejas, ao instruirem seus rebanhos sobre os perigos do voto em candidatos favoráveis à descriminalização do aborto, estão cumprindo estritamente o seu dever. Por que razões a Igreja Católica e as evangélicas não poderiam manifestar-se nas eleições e o MST, por exemplo, não só pode como deve?

Ora bolas, a sociedade nada mais é do que a coexistência de três sistemas: econômico, político e ético-moral-cultural, sendo que este último, quando está em processo de apodrecimento, acaba invariavelmente contaminando os dois primeiros. Portanto, é imprescindível trazer para o debate, ao lado dos assuntos políticos e econômicos, as questões de natureza moral, sob pena de vermos a sociedade mergulhar – aí sim – no verdadeiro obscurantismo, aquele que nivela, a pretexto de um pseudo-progressismo, os seres humanos aos animais irracionais!

Última modificação em Segunda, 10 Março 2014 20:23
Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

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