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11 Abr 2004

A Velha Cidade

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A agricultura prospera, apesar daqueles que atentam contra o direito de propriedade.

Passei a última semana na cidade de Lisboa, em Portugal, visitando também algumas das suas cidades próximas. Propositadamente, desliguei-me do noticiário e da Internet. Dediquei-me aos passeios, à boa mesa, a descobrir os sítios da nossa história mais antiga.

Lisboa, como de resto Portugal, pareceu-me em prosperidade, sem sinais ostensivos de pobreza, muito bem cuidada e asseada, muito hospitaleira para com os seus muitos visitantes. O velho e o novo convivem em harmonia. As românticas margens do Tejo registram esse convívio entre a tradição e a modernidade. Ou melhor, é a modernidade colocada a serviço da tradição. É uma cidade progressista.

Ouvi seus fados. Quanta poesia! Nisso a minha alma continua lusitana, a comover-se com o cantar da saudade, dos amores impossíveis, da distância, da dor, do tormento daquele que ama e não pode ter a pessoa amada. Talvez por isso que os brasileiros sejam uns românticos incorrigíveis. A vida para nós, luso-brasileiros, somente pode ser entendida mesmo como um fado. É um fado.

Ir a Fátima foi uma emoção indescritível. A Virgem tinha mesmo que escolher um país pequeno, de um povo então pobre, representado por três humildes pastorinhos, para dar a graça de sua Visão. Cabe o registro da sua majestosa aparição para entes tão humildes. O templo é monumental, o lugar encanta, as pessoas circulam em multidão. Mas o local da aparição, com a sua minúscula capela, ao lado da árvore, é certamente o que mais toca. Muitos choram pelo simples fato de estar lá. É difícil conter a emoção. Ir a Fátima é uma experiência iluminadora.

Fui também a Óbidos, a Nazaré, a Sintra, a Estoril e algus outros sítios. Mas nada é comparável à Fátima. A doçura e a bênção da Mãe Santíssima é perceptível para toda gente que lá vai.

***

O noticiário, apesar do pouco tempo, mostrou uma sucessão de fatos importantes. No exterior, os revolucionários islâmicos continuam a sua loucura, tentando expulsar os americanos do Iraque. É fato que não conseguirão. Mas a imprensa engajada insiste em falar em um novo Vietnam. Nada mais falso. Até agora foram multiplicados os mortos no lado mulçumano. Eles não têm os meios para enfrentar o Ocidente. Não reconhecer essa realidade é pura loucura.

No Brasil, notícias sobre a queda mais acentuada da popularidade de Lula. Era de se esperar. Acabou-se a fantasia. O único setor da economia em evidente prosperidade é o agribusiness, longe de maior intervenção do Estado. O “Estadão” de hoje informa que um dos setores que mais cresce é a indústria de aviões agrícolas (9% a.a.). Era de se esperar, pois produtividade e competitividade não caem do céu, é preciso que se faça cair. O Brasil já tem a segunda maior frota do gênero no mundo. Nem tudo está perdido, como se vê.

O MST continua com a sua ação maoísta. Onde vai parar? Ninguém sabe, talvez nem eles. Mas, a cada invasão, vê-se a tragédia que se desenha no horizonte. O único instrumento de combate à anarquia é a força, que os diferentes níveis de governo recusam-se a usar. Será preciso que o desastre venha a ganhar grandes proporções para que os governantes façam alguma coisa.

É um contraste com a prosperidade que vive o nosso setor rural. Propor reforma agrária quando se vê o setor moderno da agricultura dar lições de empreendedorismo e competência é uma desses absurdos contraditórios que a nossa esquerda é mestra em promover. A agricultura prospera, apesar daqueles que atentam contra o direito de propriedade.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 20:33
José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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