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04 Out 2010

Segundo Turno: A Democracia Agradece

Escrito por 

Chegamos ao segundo turno da corrida presidencial! Contrariando os institutos de pesquisa e, principalmente, os prognósticos pernósticos do PT e seu líder messiânico, a disputa eleitoral ao cargo maior de nossa República será decidido em 31 de Outubro próximo.

 

Este fato é de vital importância à nossa democracia. Primeiro porque é um freio aos arroubos eleitoreiros dos petistas, que por certo se sentiriam à volonté para continuar seu projeto de poder; segundo, para conceder maior legitimidade ao vencedor, pois permitirá o verdadeiro embate de idéias entre dois candidatos, com tempo de propaganda rigorosamente igual entre ambos.

Cabe agora buscar compreender os próximos passos desta disputa presidencial, particularmente no que se refere à possibilidade de defenestrar o PT da presidência.

Inicialmente há uma perspectiva de que Marina Silva, e seus quase 20 milhões de votos, se posicionem em favor de um dos candidatos. A pura neutralidade não é característica da história político-eleitoral brasileira. Imaginar uma aproximação com Dilma é complicado, pois foi justamente do PT que Marina não somente se afastou como deixou de compor o governo Lula, enquanto ministro do Meio Ambiente. Por José Serra talvez não exista uma afinidade ideológica, mas sua aproximação neste segundo turno é mais palatável eleitoralmente. Em um eventual governo tucano, Marina poderia espraiar seu profícuo tema ambiental. No entanto, é muito provável que o PV, a instituição política, adote a postura de indicar a seus eleitores, o voto em José Serra. Por quê? Porque desde 2005 que o PV é oposição ao PT no cenário nacional. No entanto, ainda assim, devem os caciques tucanos voar em direção ao Partido Verde para assegurar referida postura dos “verdes”.

Este fato nos conduz a outra constatação: José Serra deve trazer para sua campanha o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que poderá, com sua reconhecida diplomacia, ser o canal de comunicação entre PSDB e PV. Ademais, afirmar ser ele, José Serra, o ministro de sucesso da gestão FHC, se alimentando dos créditos eleitorais do plano Real, da política econômica (a mesma herdada por Lula e por ele nunca reconhecida) e os medicamentos genéricos. Se Lula herdou estabilidade na área econômica, José Serra foi um dos fiéis do governo FHC. Isto é fato!

Da mesma forma, convocar o senador eleito por Minas Gerais Aécio Neves para reverter o quadro eleitoral do estado mineiro. Mesmo com avassaladora popularidade de Aécio na terra do pão de queijo, os mineiros deram à Dilma o primeiro lugar nos votos. É fundamental que Serra e Aécio formem, neste segundo turno, dupla que revertam o cenário eleitoral em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. Aécio, Anastasia e Itamar, com suas eleições asseguradas, terão tempo, e espera-se vontade, de fazer o dever de casa, ou seja, levar os mineiros a optar pelo tucano Serra. E a argumentação seria no sentido de, Aécio e Itamar no Senado poderiam contribuir para a boa governança de Serra frente á presidência, o que interessa a Minas e ao Brasil. E este cenário não é surreal, se considerarmos o que Aécio conseguiu com o próprio Anastasia!!!

Outro ponto fundamental para Serra vencer o segundo turno é o embate direto com Dilma. Em seu horário eleitoral, cujo tempo será igual a da petista, destacar sua vasta experiência como administrador: prefeito, governador, ministro. Apresentar ao eleitor, particularmente do Norte-Nordeste, os efeitos positivos de sua gestão frente à prefeitura de São Paulo e do governo de São Paulo. E especialmente como ministro, pois suas ações neste cargo são mais sensíveis à população, como por exemplo em relação aos “genéricos”. E nos debates, o enfrentamento direto com Dilma, em áreas temáticas sensíveis: ética, aborto, religiosidade e experiência administrativa. Não é preciso escandalizar a campanha, mas tocar, na hora certa, pontos sensíveis da campanha petista.

Focalizar ser Dilma uma candidata que, além da notória inexperiência administrativa, que precisa apresentar as realizações de Lula em seu espaço eleitoral por falta do que apresentar como realização administrativa, é artificial, ou seja, é uma candidata sem nenhum estofo político, que sobrevive no atual processo eleitoral, graças, somente, a presença ostensiva de Lula em sua campanha, que inclusive já custou ao próprio Lula, condenações pela justiça eleitoral.

Enfim, as cartas estão na mesa. O segundo turno é uma realidade.

Vamos aguardar os próximos movimentos. No entanto, o que é certo para Serra é que sua campanha, neste momento, deve ser mais incisiva em relação à candidata do PT. A passividade de sua participação, por exemplo, no último debate dos presidenciáveis antes do primeiro turno, se explicável pela razão de Serra antever sua ida ao segundo turno, evitando discussões desnecessárias àquela altura da eleição, não deve se repetir, em momento algum, neste segundo turno.

Neste sentido, seu primeiro discurso pós-primeiro turno, nas primeiras horas do dia 4 de Outubro, foi positivo. Nele, conclamou sociedade, partidos e lideranças políticas para o segundo turno. Reconheceu o papel de Marina para a continuidade do processo de sucessão presidencial, sem encerrar o pleito ainda em primeiro turno; salientou que durante a campanha, bem como em sua vida política, não tem nada escondido ou guardado em cofre, com posições claras e “uma única cara”. É um bom começo.

Enfim, segundo turno: a democracia agradece!

Última modificação em Segunda, 10 Março 2014 20:28
Alexandre Seixas

O Prof. Alexandre M. Seixas é formado em Direito pela PUC de Campinas, tendo realizado o curso de Aperfeiçoamento em Ciências Sociais, e Mestrado em Ciência Política na Unicamp. Realizou ainda os cursos de inglês, na Surrey Heath Adult Education Center, em Camberley, Inglaterra. É professor universitário com vinculação em Teoria Geral do Estado e Ciência Política.

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