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20 Ago 2004

A Jactância do Gabão

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O projeto totalitário está na ordem do dia. O PT não entregará o poder com facilidade, ao que parece, então é de temer-se pela ordem democrática

Lula chamou toda a classe jornalística de covarde, por não endossar a sua intenção de criar o Conselho Nacional de Jornalismo, órgão que reviveria o antigo DIPE, da época da ditadura Vargas. Ele, um gabão inveterado, que se jacta de falsas realizações e da mediocridade de seu governo, não cometeu ato falho, como o fez na recente visita ao ditador do Gabão. Lá ficou claro que planeja perpetuar-se no poder. O projeto totalitário está na ordem do dia. O PT não entregará o poder com facilidade, ao que parece, então é de temer-se pela ordem democrática. Amordaçar a imprensa é um instrumento precioso de manutenção do poder para os candidatos a ditadores.

Seriam os jornalistas brasileiros covardes, tirando evidentemente as exceções de regra? A resposta só pode ser dada em dois níveis. No caso aventado por Lula vimos que mesmo os mais medonhos esquerdistas, como Clovis Rossi e Alberto Dinis, desceram o cacete no presidente gabão. Afinal, numa ditadura a profissão de jornalista torna-se supérflua e a própria atividade algo extremamente perigoso. Jornais viram um órgão burocrático do Estado totalitário. Não há covardia alguma aqui, há até mesmo instinto de sobrevivência.

Visto por outro lado, todavia, o lado da desinformação sistemática que vem acontecendo há anos pelas mãos dos profissionais da imprensa, em ação gramsciana espúria e insidiosa, podemos dizer que a grande maioria dos jornalistas tem-se portado de maneira covarde, sim, mentindo, distorcendo os fatos, agredindo a tradição, apoiando descaradamente políticos como Lula et caterva, que prometem uma coisa e fazem exatamente o seu oposto quando chegam ao poder. É covardia com a opinião pública desarmada, especialmente com os desavisado, que têm nos jornais a sua única fonte de informação e na língua portuguesa a sua única maneira de ter acesso a dados (in)confiáveis.

A reação extremada dos agentes gramscianos na mídia passa duas mensagens. A primeira é que muitos deles aderiram ao complô esquerdista mais por modismo e por querer fazer parte da patota, estar in, do que propriamente por convicção. Não sabiam exatamente o que faziam. É como se desconhecessem as conseqüências nefastas do totalitarismo esquerdista embutidas no processo em curso. O totalitarismo é o passo lógico da tomada do poder por aqueles que são agentes do marxismo-leninismo. Não o fizeram por verdadeira crença, como se vê. Para lembrar a bela frase posta na boca de Morpheus, o personagem do filme Matrix: “Uma coisa é saber o caminho, outra é percorrer o caminho”. Brincar de fazer revolução acaba em ditadura, em supressão da liberdade, em derramamento de sangue. Sempre recomendo aos jovens entusiastas de Guevara e Lula que vejam o filme Dr. Jivago, do grande David Lean. É o retrato do quanto custa o bilhete de entrada para o comunismo.

A segunda mensagem é passada por aqueles de fato engajados na transformação da sociedade para o admirável mundo novo do comunismo. São os mentirosos cínicos, provavelmente os autores do projeto-de-lei de criação do Conselho, que dorme no Congresso há anos. Quando viram o clamor dos pares, dos companheiros de viagem inocentes, passaram a fazer coro com eles, rindo-se no íntimo da ingenuidade e da estupidez dos indignados. Não posso negar que há um lado satírico e satânico nessa história.

Observar os acontecimento tem-me trazido grande tédio. Nesse caso, além de tédio tive pena dos idiotas úteis, pois vão continuar sendo idiotas, ajudando a construir um império totalitário sob o Cruzeiro do Sul, achando que estão aperfeiçoando a Humanidade. É de rir-se.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 20:17
José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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