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19 Ago 2004

Exército de Foices Sem Martelos

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Como desvanecer os instintos selvagens da crueldade, se continuarmos a semear as superstições de que o Estado intrometido é a entidade responsável pela salvação humana?

"O medo é a maior fonte de superstição e uma das principais fontes da crueldade."
Bertrand Russell

O modelo comunista era o das granjas coletivas, o das grandes fazendas estatais. O resultado foi o que se viu, quando a Cortina de Ferro foi derretida pelas avalanches das liberdades - contidas, por cerca de 80 anos, na presunção idiota de que um novo Homem seria modelado pelo Estado...

No Brasil, em pleno Século XXI, ainda existem pensamentos radicais de esquerda e de direita, que consideram o Estado como o patrão ideal. Sem a educação familiar que estimule as liberdades com as devidas responsabilidades e com uma instrução na escola que, além de deficiente, ainda deforma as mentes imaturas com mensagens ideológicas retrógradas, o rumo do desenvolvimento psicopolítico do Indivíduo torna-se incerto e perigoso.

Como desvanecer os instintos selvagens da crueldade, se continuarmos a semear as superstições de que o Estado intrometido é a entidade responsável pela salvação humana?
A idade vetusta dos 500 anos da América lusita na, não foi capaz de nos envolver em razões básicas para uma sólida formação político-cultural face o necessário consenso político institucional. A grande obra da República sem republicanos, foi a criação de uma apressada mitologia guarnecida pelas ficções políticas e sociais, erguidas pelos esperrrrrtos...

A base para a formação da opinião oblíqua é a escola e boa parte da mídia, que não cultivam o Indivíduo, suas liberdades e responsabilidades, como a verdadeira base e objetivo do Estado democrático. Assim, hoje, qualquer bofe (ou boff?) aventureiro que lidere a invasão de uma propriedade privada, justificada pela volátil percepção ideológica de "interesse social", não será considerado uma ameaça à liberdade de ninguém, pois estaria a serviço dos humildes, socialmente excluídos, ou de necessitados oportunistas,supostamente vocacionados às lides rurais. A lenda inglesa do Robin Hood, é uma hoje uma lenda tornada brasileira, até com o padre de moral versátil, mas sem qualquer vestígio de nobreza e com 500 anos de atraso intelectual...

A nossa mitologia não é baseada no trabalho, na iniciativa própria em busca da felicidade. Não é filosófica. É a mitologia imperativa da Ordem e Progresso - a qualquer preço e a qualquer custo... Um lema perigoso , que mete medo, inspirado pelos sinistros desígnios metafísicos de um clube de pensamento ditatorial-republicano, cuja história cobriu-se de crueldades, de empáfias e de pífias realizações em prol das liberdades e de suas inerentes responsabilidades públicas e privadas.

A tal "Ordem e Progresso", serve para quaisquer objetivos: marchar ordenadamente em consonância às diretivas de um Deodoro mal informado e apoiado em decretos-lei, ou de um civil com cabeça de papel assinando milhares de Medidas Provisórias, dizendo que sem elas o País não oferecerá condições para a "governabilidade"...

Não adianta mais esconder que no Rio de Janeiro morreu mais gente por homicídio, em seis anos, do que americanos na guerra do Vietnã. Não bastasse o crescimento assustador do medo urbano, temos os calafrios dos produtores, os responsáveis pela âncora verde do Plano Real, face os juros da agiotagem oficializada e as invasões ideológicas de seus rincões sociais e econômicos. O empresário, de qualquer tamanho, só pensa no feliz dia em que puder repassar o abacaxi de seu negócio para outro incauto. Na espreita do novo desafiante, estarão os "lalaus" trabalhistas e os agentes do galopante terrorismo tributário, em plena temporada nacional de caça aos que possam edificar a prosperidade, produzindo e gerando empregos. Ele será punido por acreditar em si mesmo e no País. Se for exportador passará também a exportar impostos. Em breve, estará fora do mercado. E a culpa será creditada, pelos gazeteiros de plantão, ao misterioso fenômeno da "globalização" e às maldades do "neoliberalismo" (inventam cada coisa!) estrangulador...

Em Brasília, alguns políticos da corte mais conscientes de seus medos, devem estar tremendo quando percebem o isolamento da bastilha tupiniquim no planalto centralizador. Seria recomendável que os demais se dessem conta de que, em país subdesenvolvido mental, "democracia" poderá ser interpretada de mil maneiras diferentes, quando sobram milhões de foices nos arsenais das ideologias, que sobrevivem graças aos poucos e mal empregados recursos na instrução sem educação. Estamos formando um futuro exército de foiceiros, que nunca aprenderam a manejar um digno martelo, sequer na casa de mamãe...

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 20:17
Jorge Geisel

Advogado especialista em Direito Marítimo com passagem em diversos cursos e seminários no exterior. Poeta, articulista, membro trintenário do Lions Clube do Brasil. É um dos mais expressivos defensores do federalismo e da idéia de maior independência das unidades da federação.

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