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05 Nov 2008

O Triângulo das Bermudas

Escrito por 

Além da sordidez habitual da politicagem, não podia deixar de aparecer outra, digamos, arma de campanha.

Nas lutas travadas pelo poder, sejam elas de natureza econômica, política ou individual, ressalta a capacidade de empregar a hipocrisia, a mentira, a traição, a deslealdade, a violência. Mas, é na arena dos embates políticos, que esse agir se torna público.

Nestas eleições municipais chama atenção a exacerbação da torpeza. Destila-se como nunca o veneno da perfídia. Tenta-se de maneira vil enganar os eleitores com intrigas e maledicências sobre adversários. Em manobras asquerosas os algozes se transformam em vítimas. A religião é usada como recurso para obter comiseração social e a santificação dos libertinos.

Sempre foi assim, dirão, aqui e alhures, em todos os tempos e em todas as sociedades. Entretanto, parece que no Brasil chegamos ao ápice da degradação moral, que na política se manifestou através de constantes escândalos e que agora ressurge nas campanhas.

No Executivo, o episódio protagonizado por Waldomiro Diniz foi o início do ininterrupto espetáculo da desfaçatez sempre impune que passou por caixas dois, dólares na cueca, falsos dossiês e tudo mais que num país com outra cultura cívica não seria tolerado.

De modo também indigno se viu, com honrosas exceções, um Congresso subalterno e aviltado por “mensalões” e “mensalinhos”, descaramentos e falcatruas de toda espécie. Entretanto, a sociedade que deveria se enojar reconduziu ao poder “mensaleiros”, “sanguessugas”, trambiqueiros da pior espécie, o que leva a perguntar se vivemos numa canalhocracia onde eleitos e eleitores se merecem na reciprocidade malandra do jogo politiqueiro.

Na esteira desse processo de degradação, onde qualquer resquício de ética desapareceu, as campanhas municipais vão se processando. Entre ataques e baixezas havidos nos quatro cantos do país destacam-se por sua importância, inclusive, como os maiores colégios eleitorais e palcos que prenunciam os embates eleitorais de 2010, o chamado “Triângulo das Bermudas”: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Em Belo Horizonte, o jovem Leonardo Lemos Barros Quintão (PMDB), “azarão” que passou para o primeiro turno e está à frente do candidato Márcio Lacerda (PSB) fabricado pelo governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito Fernando Pimentel (PT), troca farpas com o adversário. A provável vitória de Quintão enfraquecerá o governador mineiro, cujas pretensões de concorrer à presidência da República em 2010 são notórias. Enfraquecido sairá o PT depois de um domínio de anos em Belo Horizonte, “santuário” mais importante do partido. É ficará provado mais uma vez que o presidente Lula da Silva, que deu seu aval a união PSDB/PT, não elege postes, como se pensava que faria, nem se importa mais com a “herança maldita”.

No Rio, a inesperada ida para o segundo turno do candidato do PV, Fernando Gabeira, que concorre com o ex-tucano e agora peemedebista Eduardo Paes, aquele que chamou Lula da Silva de chefe da quadrilha e suspeitou do enriquecimento rápido do seu filho Lulinha, desencadeou uma guerra suja onde só falta dizer que Gabeira põe maconha na merenda das criancinhas. Detalhe, Paes é apoiado pelo PT.

Mas nada simboliza tão perfeitamente o modo PT de fazer politicagem do que a eleição em São Paulo, na verdade, um interessante estudo de caso que ilustra a transformação da política em politicagem muito suja.

Naquele cenário, a petista Marta Suplicy (ou Favre ou Wermus), que ganhou o apelido de Martaxa por ter se excedido em taxações quando era prefeita, e que foi autora do famoso conselho “relaxa e goza” aos atormentados passageiros que sofriam nos aeroportos com o apagão aéreo, agora bateu seu recorde quando indagou, numa insinuação malévola, se o adversário Gilberto Kassab (DEM) é casado e tem filhos. Imagine-se se este retrucasse perguntando se o exótico Supla continua solteiro e sem filhos. Seria processado e no mínimo taxado estridentemente de preconceituoso.

Naquela costumeira tática de inverter a situação, a petista se colocou como vítima de preconceito e disse que não sabia sobre a venenosa insinuação. Ela mostrou, assim, ser exemplar cópia do presidente da República, que nunca sabe ou vê nada e se coloca como eterna vítima, apesar de ter sido eleito na quarta tentativa de chegar lá e reeleito.

Mas além da sordidez habitual da politicagem, não podia deixar de aparecer outra, digamos, arma de campanha: a violência. Em 2006, quando concorria à presidência Geraldo Alckmin, um inusitado terrorismo do PCC deixou os paulistanos apavorados. Agora, uma estranha manifestação de policiais civis, armados, politizados, incitados pela CUT e pela Força Sindical, que invadiu a área de segurança em frente do Palácio dos Bandeirantes, culminou em embates com a Polícia Militar, que cumpriu com seu dever de proteger o Palácio e o governador. Em que pesem as razões dos policiais civis que reivindicam melhores salários, esse ato violento e insuflado pelos apoiadores de Marta Suplicy não deixa de prenunciar o que virá em 2010. Os futuros adversários do PT que se cuidem.

Nas lutas travadas pelo poder, sejam elas de natureza econômica, política ou individual, ressalta a capacidade de empregar a hipocrisia, a mentira, a traição, a deslealdade, a violência. Mas, é na arena dos embates políticos, que esse agir se torna público.

Nestas eleições municipais chama atenção a exacerbação da torpeza. Destila-se como nunca o veneno da perfídia. Tenta-se de maneira vil enganar os eleitores com intrigas e maledicências sobre adversários. Em manobras asquerosas os algozes se transformam em vítimas. A religião é usada como recurso para obter comiseração social e a santificação dos libertinos.

Sempre foi assim, dirão, aqui e alhures, em todos os tempos e em todas as sociedades. Entretanto, parece que no Brasil chegamos ao ápice da degradação moral, que na política se manifestou através de constantes escândalos e que agora ressurge nas campanhas.

No Executivo, o episódio protagonizado por Waldomiro Diniz foi o início do ininterrupto espetáculo da desfaçatez sempre impune que passou por caixas dois, dólares na cueca, falsos dossiês e tudo mais que num país com outra cultura cívica não seria tolerado.

De modo também indigno se viu, com honrosas exceções, um Congresso subalterno e aviltado por “mensalões” e “mensalinhos”, descaramentos e falcatruas de toda espécie. Entretanto, a sociedade que deveria se enojar reconduziu ao poder “mensaleiros”, “sanguessugas”, trambiqueiros da pior espécie, o que leva a perguntar se vivemos numa canalhocracia onde eleitos e eleitores se merecem na reciprocidade malandra do jogo politiqueiro.

Na esteira desse processo de degradação, onde qualquer resquício de ética desapareceu, as campanhas municipais vão se processando. Entre ataques e baixezas havidos nos quatro cantos do país destacam-se por sua importância, inclusive, como os maiores colégios eleitorais e palcos que prenunciam os embates eleitorais de 2010, o chamado “Triângulo das Bermudas”: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Em Belo Horizonte, o jovem Leonardo Lemos Barros Quintão (PMDB), “azarão” que passou para o primeiro turno e está à frente do candidato Márcio Lacerda (PSB) fabricado pelo governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito Fernando Pimentel (PT), troca farpas com o adversário. A provável vitória de Quintão enfraquecerá o governador mineiro, cujas pretensões de concorrer à presidência da República em 2010 são notórias. Enfraquecido sairá o PT depois de um domínio de anos em Belo Horizonte, “santuário” mais importante do partido. É ficará provado mais uma vez que o presidente Lula da Silva, que deu seu aval a união PSDB/PT, não elege postes, como se pensava que faria, nem se importa mais com a “herança maldita”.

No Rio, a inesperada ida para o segundo turno do candidato do PV, Fernando Gabeira, que concorre com o ex-tucano e agora peemedebista Eduardo Paes, aquele que chamou Lula da Silva de chefe da quadrilha e suspeitou do enriquecimento rápido do seu filho Lulinha, desencadeou uma guerra suja onde só falta dizer que Gabeira põe maconha na merenda das criancinhas. Detalhe, Paes é apoiado pelo PT.

Mas nada simboliza tão perfeitamente o modo PT de fazer politicagem do que a eleição em São Paulo, na verdade, um interessante estudo de caso que ilustra a transformação da política em politicagem muito suja.

Naquele cenário, a petista Marta Suplicy (ou Favre ou Wermus), que ganhou o apelido de Martaxa por ter se excedido em taxações quando era prefeita, e que foi autora do famoso conselho “relaxa e goza” aos atormentados passageiros que sofriam nos aeroportos com o apagão aéreo, agora bateu seu recorde quando indagou, numa insinuação malévola, se o adversário Gilberto Kassab (DEM) é casado e tem filhos. Imagine-se se este retrucasse perguntando se o exótico Supla continua solteiro e sem filhos. Seria processado e no mínimo taxado estridentemente de preconceituoso.

Naquela costumeira tática de inverter a situação, a petista se colocou como vítima de preconceito e disse que não sabia sobre a venenosa insinuação. Ela mostrou, assim, ser exemplar cópia do presidente da República, que nunca sabe ou vê nada e se coloca como eterna vítima, apesar de ter sido eleito na quarta tentativa de chegar lá e reeleito.

Mas além da sordidez habitual da politicagem, não podia deixar de aparecer outra, digamos, arma de campanha: a violência. Em 2006, quando concorria à presidência Geraldo Alckmin, um inusitado terrorismo do PCC deixou os paulistanos apavorados. Agora, uma estranha manifestação de policiais civis, armados, politizados, incitados pela CUT e pela Força Sindical, que invadiu a área de segurança em frente do Palácio dos Bandeirantes, culminou em embates com a Polícia Militar, que cumpriu com seu dever de proteger o Palácio e o governador. Em que pesem as razões dos policiais civis que reivindicam melhores salários, esse ato violento e insuflado pelos apoiadores de Marta Suplicy não deixa de prenunciar o que virá em 2010. Os futuros adversários do PT que se cuidem.

Maria Lúcia V. Barbosa

Graduada em Sociologia e Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências, Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de Nicolau Maquiavel Florentino".
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br

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