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10 Out 2008

Fanático é o Cientificismo Que Te Pariu

Escrito por 

Por fim, frente ao que fora exposto nestas linhas, eu perguntaria aos “homens de razão”, o que seria especificamente esta centelha divina chamada razão?

A inconsciência é uma pátria; a consciência, um exílio. (Emil Cioran)

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É curioso como muitas pessoas adoram dar pitacos sobre assuntos concernentes a vida religiosa, em especial sobre o Catolicismo, sem conhecer patavina sobre o que é uma Religião, sobre Filosofia Perene e muito menos sobre a história das religiões.

O primeiro sinal que essas pessoas levianas manifestam, pessoas estas travestidas na forma de um simulacro de racionalidade superior e decantada, é a afirmação vomitada em nossos ouvidos onde reza-se que a fé seria apenas o ato de crer sem ver e que as religiões, principalmente o Catolicismo, não teriam como argumentar logicamente sobre a sua própria estruturação doutrinal. Quando alguém afirma isso, de cara, tenho plena convicção de que estou diante de uma besta ao cubo. Aliás, estes tipos, nos dias hodiernos, são bastante populares em nossa tagarelante sociedade.

Mas, dito isso, vamos por partes. Primeiramente, fé, não é o ato de crer sem ver, pois, se assim o fosse, seria algo muito estranho mesmo. Fé, em princípio é um gesto de confiança que, na maioria das vezes, se fundamenta na percepção de algumas evidências que permitem ao indivíduo confiar na veracidade ou na eficácia de algo.

Um bom exemplo do que estamos afirmando encontra-se na narrativa Bíblica quando São João Batista, preso, manda perguntar para seu Primo se o Messias veio e este ordena para que digam a ele que os cegos estão vendo e que os aleijados estão andando (Matheus, XI; 2-6). Ou seja, lhe apresentou sinais, evidências da presença Dele no mundo para que o Batista tivesse confiança.

Outro exemplo que julgamos ser muito relevante é a presença dos inumeráveis milagres que são nada mais, nada menos, do que evidências da Onipresença de Deus. Isso mesmo senhores 100% racionalistas, me expliquem em bases meramente racionalistas e materialistas, ou em demonstrações laboratoriais o “funcionamento” de um milagre e assim, desbanquem milhares de anos de evidencias acumuladas que dão sustentação para a fé de inúmeros fiéis humildes e outros tantos indignos como este que aqui escreve.

De mais a mais, é fundamental que seja destacado o fato de que a ciência moderna com toda a sua aura de superioridade epistêmica é tão repleta de fé (mundana neste caso) quanto todas as Tradições Religiosas reunidas. Um bom exemplo disso é a própria teoria do Big Bang de Friedmann-Robertson-Walker.

Com base em que a casta dos cientistas (e principalmente os leigos metidos a racionalistas e céticos) fundamentam a explicação aceita de que o Universo começou através de uma grande explosão de um ponto, do tamanho da cabeça de um alfinete, onde estava condensada toda a matéria e energia existentes? Ora com base em algumas evidências e outras tantas conjecturas que sustentam a crença de que o Universo surgiu assim a 13,7 bilhões de anos (nossa! Que precisão), permitindo que muitas pessoas confiem nesta explicação como válida.

Não? Então me digam uma coisa: quem aqui testemunhou, in loco, o gênese do Universo e da vida? Ninguém. Logo, todos crêem em algo que lhes dê confiança em relação ao surgimento de tudo. Uns em milhares de anos de testemunhos e evidências. Outros na observação e experimentação de um pequeno grupo de pessoas que crêem poder explicar tudo, mesmo que isso signifique a destruição de muitos.

Bem, dito isso, vejamos um outro exemplo das crenças cientificistas. Pegue um livro de biologia, ou de física, ou mesmo de química. Liste todas as teorias e as respectivas experiências que demonstram o que está sendo explicado sobre cada uma das disciplinas apontadas. Feito isso, aponte quais delas você poderá reproduzir para comprovar que aquilo que está sendo apresentado para você é digno de uma certeza razoável e quais das experiências que você não terá como realizar.

As que se enquadrarem no primeiro grupo serão conhecimentos apreendidos através de uma demonstração, os segundos, por sua deixa, serão apenas conhecimentos apreendidos através da confiança de você nutrirá de que realmente o livro é verossímil e que o resultado das experiências descritas são aquilo mesmo. Ou seja: saber apreendido mediante a fé que o indivíduo tem na casta dos homens de ciência, e nada mais.

Sobre este assunto, uma obra que eu recomendaria para o fomento de uma profícua reflexão sobre essa “onisciência” cientificista que há em nossa sociedade é o livro CONTRA O MÉTODO de Paul Feyerabend. Se você não confia no que estou escrevendo, leia Feyerabend ou mesmo Thomas Kuhn.

Por fim, frente ao que fora exposto nestas linhas, eu perguntaria aos “homens de razão”, o que seria especificamente esta centelha divina chamada razão? Não estamos indagando sobre o que é uma demonstração racional ou um argumento racional, pois tanto uma quanto o outro, são posteriores a própria razão e se, estes senhores (não os grandes cientistas, pois, estes, em sua maioria, sempre foram homens de fé) entendem por razão? QUID EST RATIO? Aliás, qual a diferença que há entre racionalismo, materialismo e RATIO? Ou é tudo a mesma coisa?

Olha, se o indivíduo “100% razão” não tiver com sua alma tomada pela vaidade, um bom começo seria a leitura da obra INTELIGÊNCIA E VERDADE de São Tomás de Aquino. Também recomendaria, do mesmo autor, a leitura da Suma Teológica – em especial as questões LXXXIV, LXXXV, LXXXVI, LXXXVII e LXXXIII.

Porém, não se esqueça que a indicação destas obras é apenas uma reles e pacóvia sugestão de um escrevinhador caipira. Todavia, se você não as conhece e nem pretende conhecê-las, pense pelos menos duas vezes antes macaquear algum cacoete mental decorado para dar a impressão de superioridade moral e intelectual.

Para finalizar, só por obséquio, não se esqueça nunca que fanático é o cientificismo parvo que te pariu.

E tenho dito. 

A inconsciência é uma pátria; a consciência, um exílio. (Emil Cioran)

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É curioso como muitas pessoas adoram dar pitacos sobre assuntos concernentes a vida religiosa, em especial sobre o Catolicismo, sem conhecer patavina sobre o que é uma Religião, sobre Filosofia Perene e muito menos sobre a história das religiões.

O primeiro sinal que essas pessoas levianas manifestam, pessoas estas travestidas na forma de um simulacro de racionalidade superior e decantada, é a afirmação vomitada em nossos ouvidos onde reza-se que a fé seria apenas o ato de crer sem ver e que as religiões, principalmente o Catolicismo, não teriam como argumentar logicamente sobre a sua própria estruturação doutrinal. Quando alguém afirma isso, de cara, tenho plena convicção de que estou diante de uma besta ao cubo. Aliás, estes tipos, nos dias hodiernos, são bastante populares em nossa tagarelante sociedade.

Mas, dito isso, vamos por partes. Primeiramente, fé, não é o ato de crer sem ver, pois, se assim o fosse, seria algo muito estranho mesmo. Fé, em princípio é um gesto de confiança que, na maioria das vezes, se fundamenta na percepção de algumas evidências que permitem ao indivíduo confiar na veracidade ou na eficácia de algo.

Um bom exemplo do que estamos afirmando encontra-se na narrativa Bíblica quando São João Batista, preso, manda perguntar para seu Primo se o Messias veio e este ordena para que digam a ele que os cegos estão vendo e que os aleijados estão andando (Matheus, XI; 2-6). Ou seja, lhe apresentou sinais, evidências da presença Dele no mundo para que o Batista tivesse confiança.

Outro exemplo que julgamos ser muito relevante é a presença dos inumeráveis milagres que são nada mais, nada menos, do que evidências da Onipresença de Deus. Isso mesmo senhores 100% racionalistas, me expliquem em bases meramente racionalistas e materialistas, ou em demonstrações laboratoriais o “funcionamento” de um milagre e assim, desbanquem milhares de anos de evidencias acumuladas que dão sustentação para a fé de inúmeros fiéis humildes e outros tantos indignos como este que aqui escreve.

De mais a mais, é fundamental que seja destacado o fato de que a ciência moderna com toda a sua aura de superioridade epistêmica é tão repleta de fé (mundana neste caso) quanto todas as Tradições Religiosas reunidas. Um bom exemplo disso é a própria teoria do Big Bang de Friedmann-Robertson-Walker.

Com base em que a casta dos cientistas (e principalmente os leigos metidos a racionalistas e céticos) fundamentam a explicação aceita de que o Universo começou através de uma grande explosão de um ponto, do tamanho da cabeça de um alfinete, onde estava condensada toda a matéria e energia existentes? Ora com base em algumas evidências e outras tantas conjecturas que sustentam a crença de que o Universo surgiu assim a 13,7 bilhões de anos (nossa! Que precisão), permitindo que muitas pessoas confiem nesta explicação como válida.

Não? Então me digam uma coisa: quem aqui testemunhou, in loco, o gênese do Universo e da vida? Ninguém. Logo, todos crêem em algo que lhes dê confiança em relação ao surgimento de tudo. Uns em milhares de anos de testemunhos e evidências. Outros na observação e experimentação de um pequeno grupo de pessoas que crêem poder explicar tudo, mesmo que isso signifique a destruição de muitos.

Bem, dito isso, vejamos um outro exemplo das crenças cientificistas. Pegue um livro de biologia, ou de física, ou mesmo de química. Liste todas as teorias e as respectivas experiências que demonstram o que está sendo explicado sobre cada uma das disciplinas apontadas. Feito isso, aponte quais delas você poderá reproduzir para comprovar que aquilo que está sendo apresentado para você é digno de uma certeza razoável e quais das experiências que você não terá como realizar.

As que se enquadrarem no primeiro grupo serão conhecimentos apreendidos através de uma demonstração, os segundos, por sua deixa, serão apenas conhecimentos apreendidos através da confiança de você nutrirá de que realmente o livro é verossímil e que o resultado das experiências descritas são aquilo mesmo. Ou seja: saber apreendido mediante a fé que o indivíduo tem na casta dos homens de ciência, e nada mais.

Sobre este assunto, uma obra que eu recomendaria para o fomento de uma profícua reflexão sobre essa “onisciência” cientificista que há em nossa sociedade é o livro CONTRA O MÉTODO de Paul Feyerabend. Se você não confia no que estou escrevendo, leia Feyerabend ou mesmo Thomas Kuhn.

Por fim, frente ao que fora exposto nestas linhas, eu perguntaria aos “homens de razão”, o que seria especificamente esta centelha divina chamada razão? Não estamos indagando sobre o que é uma demonstração racional ou um argumento racional, pois tanto uma quanto o outro, são posteriores a própria razão e se, estes senhores (não os grandes cientistas, pois, estes, em sua maioria, sempre foram homens de fé) entendem por razão? QUID EST RATIO? Aliás, qual a diferença que há entre racionalismo, materialismo e RATIO? Ou é tudo a mesma coisa?

Olha, se o indivíduo “100% razão” não tiver com sua alma tomada pela vaidade, um bom começo seria a leitura da obra INTELIGÊNCIA E VERDADE de São Tomás de Aquino. Também recomendaria, do mesmo autor, a leitura da Suma Teológica – em especial as questões LXXXIV, LXXXV, LXXXVI, LXXXVII e LXXXIII.

Porém, não se esqueça que a indicação destas obras é apenas uma reles e pacóvia sugestão de um escrevinhador caipira. Todavia, se você não as conhece e nem pretende conhecê-las, pense pelos menos duas vezes antes macaquear algum cacoete mental decorado para dar a impressão de superioridade moral e intelectual.

Para finalizar, só por obséquio, não se esqueça nunca que fanático é o cientificismo parvo que te pariu.

E tenho dito. 

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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