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11 Ago 2004

Sem Mecanismo Produtor Não Há Salvação

Escrito por 

"O mais delicioso dos privilégios é gastar o dinheiro dos outros" - John Randolph, constituinte na Convenção da Filadélfia, em 1797

Além da natureza que nos cerca, tudo o mais é produzido por um sistema que podemos bem chamar de  "mecanismo produtor-comercializador". Dê um olhada para si mesmo e verificará que o seu corpo foi envolvido pelos produtos do tal mecanismo - até o odor do desodorante e aquele frescor da barba bem feita são resultados de um mecanismo produtor, que engloba transporte, distribuição e a comercialização mediante  a venda e a transferência dos bens e serviços ao consumidor.

O mecanismo produtor é o único gerador da riqueza e do bem estar social, até agora conhecido. Desse mecanismo vem o dinheiro para todas as atividades políticas e sociais que edificamos para proteger nossa liberdade de continuar produzindo e consumindo  bens  e serviços, num círculo virtuoso que nos leva à prosperidade geral e na busca da felicidade e da realização pessoal de cada integrante da sociedade organizada. Esse precioso mecanismo produz,portanto,a totalidade dos recursos para todas as atividades da sociedade,  das  menores possíveis  às  mais complexas, sejam tecnológicas, judiciais, militares, científicas, educacionais, de segurança, políticas, culturais ou religiosas. Sim, não se duvide: nenhuma igreja funciona bem sem dádivas semeadoras de seus crentes, resultantes, afinal, do tal mecanismo produtor.

No Brasil, entretanto, criou-se uma estatocracia enorme que vive à custa do mecanismo produtor, esfolando-o com impostos crescentes e escorchantes,além de uma previdência social imprevidente,  liquidando com sua capacidade de produção e de reinvestimento. É o Estado Canibal, gulosamente burro, que devora o próprio mecanismo que lhe sustenta e matando a possibilidade de manutenção e de geração de novos empregos. Os adeptos do  Estado Canibal social-democrata e seus agentes da centralização descarada, que obram para construir o Estado como um fim em si mesmo, sempre desprezam as realidades do mecanismo produtor, e ainda divulgam aos quatro ventos, na maior cara de pau,  a gritante mentira de que o capitalismo, a economia de mercado, são voltados ao cruel exercício da exploração do homem pelo homem... Quanta ingratidão! Sem ele, nem teriam recursos para fazer sua deletéria propaganda.

Hayek, um dos maiores filósofos do Liberalismo, lembra muito bem  que "Num país onde o único empregador é o Estado, a oposição significa morte por inanição. O velho princípio de quem não trabalha n ão come é substituído por um novo princípio: quem não obedece não come."  Tais palavras devem ser lembradas quando formos às próximas urnas eletrônicas, para que não se vote nos candidatos adeptos do Estado Canibal, o monstro estatizante que não respeita o mecanismo produtor e a propriedade privada, a liberdade de falar e de escrever com liberdade, cruel e ingrato, centralizador e concentrador da renda nacional.

O objetivo dos proclamadores do atraso político e da opção preferencial pela pobreza, é de sacar cada vez mais o nosso suado dinheirinho para viver as delícias de um poder cada vez mais agigantado, até que  o mecanismo produtor esteja a serviço, não mais do Indivíduo e do Livre Mercado, mas do Estado e de seus apaniguados estatocratas, os privilegiados pelas coligações e alianças espúrias, empoleirados na vasta rede dos cargos públicos. Um país, como o nosso atual,  cuja sociedade é governada por pessoas que não sabem a diferença entre uma fatura e uma duplicata, mas que é conduzido pela filosofia  do predomínio do Estado e de seus apaniguados sobre uma população indefesa, desarmada e maltratada por uma burocracia arbitrária, inimiga  da produção e do consumo, pode acabar se dissolvendo na barbarie das crenças salvadoras de políticos feitos à facão, com promessas idiotas que apenas comprometem aqueles que nelas creem e o futuro de seus pobres descendentes.

Nossa vida de brasileiros, hoje contribuintes esfolados pela centralização de recursos nas mãos sinistras de um Estado voltado para si mesmo,  não pode continuar a ser regida por economistas teóricos e ou amadores, fazendo pose com esferográfica e papel(os tais "PAP economists"), que desconhecem os mecanismos de produção. A maior parte deles nunca entrou numa indústria ou numa lavoura de escala capitalista. Para não dizerem que não falei de flores, cito o exemplo da ministra confiscadora, Dra. Zélia, em sua primeira fala na televisão após a posse: "o único dinheiro de que uma empresa precisa é o da folha de pagamento"... Num governo que fosse representativo de um Estado com o devido respeito pelo mecanismo produtor-comercializador que lhe sustenta, a jocosa economista poderia ter g ozado de qualquer outro assento, desde que não fosse o ministerial.

Com uma tributação que já ultrapassa 40% do Produto Interno Bruto, a maioria da população não pode comprar produtos que deveriam estar ao alcance de qualquer cidadão, a não ser em prestações sob juros exorbitantes. A  limitação da produção aumenta os preços e  impede, na maioria dos casos,  a produção em escala. Gera preços altos, desemprego e problemas sociais crescentes e explosivos. Ora, até o tropeiro entende que para obter rendimento do seu burro ele só poderá suportar, no máximo, cem quilos de cada vez. Evita, assim, de carregá-lo com quatrocentos quilos, que o deixaria prostado e, possivelmente, imprestável para sempre. Da mesma forma, temos a renda fiscal sempre sujeita, como quase tudo na natureza, à lei  natural  dos  rendimentos decrescentes e, assim à saturação e colapso. Como os estatocratas são menos realistas que os tropeiros, colocaram nosso País à beira da quebradeira geral...

Ou o Brasil acaba de vez com a tortura fiscal e o terrorismo tributário, reduzindo o tamanho do Estado para o tamanho que caiba no figurino adequado ao seu mecanismo produtor, ou os investimentos tornar-se-ão desinteressantes, face o valor absurdo dos impostos e contribuições. Milhares de empresas, grandes e pequenas, estão desaparecendo do mapa do pernil verde-amarelo tupiniquim. Se, ainda por cima, os eleitores continuarem na onda das meras enganações, teimando em votar nas próximas eleições nos candidatos que prometem fazer pontes mesmo onde não haja rios, o Brasil afundará no rumo das aventuras, ao invés de haver enfrentado a dura realidade, com liberdade, na luta produtiva pela Vida, em busca da felicidade.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 20:18
Jorge Geisel

Advogado especialista em Direito Marítimo com passagem em diversos cursos e seminários no exterior. Poeta, articulista, membro trintenário do Lions Clube do Brasil. É um dos mais expressivos defensores do federalismo e da idéia de maior independência das unidades da federação.

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