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11 Ago 2004

Com o Pé Atrás

Escrito por 

Como a realidade não dá saltos, permito-me o ceticismo crítico. Em poucos dias a realidade não poderia ter sofrido uma transformação tão dramática sem uma causa aparente

10/08/2004

Duas pesquisas divulgadas hoje me deixaram com pulga atrás da orelha: a repentina subida de Marta Suplicy na pesquisa de opinião com os eleitores da cidade de São Paulo divulgada pelo Datafolha e a subida também repentina da popularidade do presidente Lula. Como a realidade não dá saltos, permito-me o ceticismo crítico. Em poucos dias a realidade não poderia ter sofrido uma transformação tão dramática sem uma causa aparente.

É bom lembrar que há um mês a sucessão de supostas boas notícias no front econômico tem sido repetida à exaustão todos os dias, em todos os meios de comunicação. Não nego que há um movimento cíclico de recuperação econômica, basicamente determinado pelas exportações. Mas é bom lembrar que não é de uma hora para outra que os desempregados são absorvidos pelo processo econômico e que a renda real da população se recupera. Em outras palavras, vemos muito barulho e poucos fatos. Há mais de propaganda do que de realidade.

E não podemos esquecer que o flagelo da inflação paira como ameaça solerte sobre todos, especialmente sobre os mais pobres. A sensação de empobrecer a olhos vistos é percebida por todos. Eu já esperava um formidável esforço de propaganda governamental em prol de fazer os seus quadros políticos e seus aliados ganharem as próximas eleições. Só subestimei a dimensão do que está acontecendo. Jamais, em toda a minha vida, vi uma orquestra tão afinada em termos de propaganda política. Será que conseguirão abolir o sentido de realidade da maioria?

Dizendo francamente, não acredito nessas pesquisas de opinião e não acho que esteja cometendo injustiça. Ao contrário. Tão grande esforço de propaganda só reforça a minha suspeição do que está acontecendo em termos políticos. É preciso reforçar a vigilância; é preciso garantir a lisura da apuração dos votos. Espero realmente que o processo democrático seja fortalecido com o pleito.

Ademais, diz o a adágio, ninguém morre por ter tomado precaução e caldo de galinha. É esperar para ver.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 20:18
José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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