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29 Jul 2008

Para Educar Sem Fingimentos

Escrito por 

Todos nós temos gravado em nossa memória inúmeras imagens de nossa infância, de momentos lúdicos, de situações onde passamos alguns apuros que não teríamos coragem de contar para nossos filhos e muito menos para os nossos alunos.

"O amor recíproco entre quem aprende e quem ensina é o primeiro e mais importante degrau para se chegar ao conhecimento". (Erasmo de Rotterdam)

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O filósofo renascentista Erasmo de ROTTERDAM em seu livreto DE PUERIS nos apresenta algumas considerações deveras significativas quanto a maneira de se educar uma criança e nos lembra, de modo muito profícuo, a importância que as pequenas historietas, fábulas, aforismos, etc., tem na formação de uma pessoa e, principalmente, o grande significado do o ato de rir (e chorar) no ensino de algo na formação de um indivíduo.

Atualmente, por ficarmos muito tempo com nossas vistas presas ao universo que edificamos em nossas salas de aula, acabamos nos esquecendo, ou mesmo desdenhando, as experiências vividas por todos nós fora do ambiente escolar, fora da sala de aula e distante da presença de um educador. Nos esquecemos o quanto que o riso, o clima de confraria e as situações difíceis nos marcavam a alma e, por isso mesmo, nos fizeram ser o que somos.

De um modo geral, uma sala de aula não seria mais tão só um simulacro do universo social, mas (i)legitimante tornou-se uma grande farsa sobre a vida, um grande engodo sobre a realidade, em fim, um ambiente de fingimento contínuo em meio a estatísticas que não convencem nenhum Barnabé.

Não estamos aqui, com estas considerações, menosprezando a importância do papel que um professor tem na formação de uma pessoa, não mesmo. O que desejamos com estas mal fadadas linhas é chamar a atenção para a importância que a sátira, que o riso e até mesmo as diatribes tem na formação de um indivíduo e que, muitas vezes, não damos a devida importância devido ao costume professoral que se faz presente em nossas escolas, ou devido a outros fatores que, sinceramente, não gostaríamos de tocar nestas indignas linhas deste breve libelo.

Por isso, sigamos em frente. Todos nós temos gravado em nossa memória inúmeras imagens de nossa infância, de momentos lúdicos, de situações onde passamos alguns apuros que não teríamos coragem de contar para nossos filhos e muito menos para os nossos alunos. Todos nós temos marcado a ferro e fogo em nossa alma os sermões que nossos pais, familiares e pessoas próximas nos passavam quando fazíamos o que não devíamos ter feito. Em fim, não nos esquecemos praticamente de nada que nos tenha tocado profundamente, pois, como a muito nos ensina Santo Tomás de Aquino, não nos esquecemos daquilo que amamos (como também não esquecemos daquilo que desgostamos).

Na maioria das vezes este sentimento de afeto ou desafeto fica reservado a figura do professor ou da instituição de ensino e, raras vezes, a situação que gerou o aprendizado de algo como ocorre nos casos em que temos as lições ministradas pela “escola da vida”. Este sim, seria um grande desafio que atribuiria uma grande carga significativa no conteúdo que estaria sendo ministrado em sala de aula.

Para exemplificar o que afirmamos, lembro aqui, das lições que me foram ministradas pelos meus Senseis que, em muitas ocasiões até se destemperavam no ministrar seus ensinamentos. Tal destempero emocional não me levavam a manifestar um sentimento de repulsa aos meus mestres, de modo algum. Mas tornavam aquelas lições inesquecíveis.

Sabia que, no final das contas, toda aquela fúria, era um teatrinho e que eu havia aceitado estudar aquela arte dentro daquelas regras que davam sentido ao jogo do aprendizado da mesma. Por essa razão, me indago cá com meus botões: quais são as regras que nossos alunos tem de se curvar para adentrarem no jogo do aprendizado em um ambiente escolar? Alias, em que consiste o jogo do aprendizado escolarizado?

Uma regra, em qualquer universo cultural, necessariamente tem que manter a bilateralidade atributiva e esta, corresponder a uma possível sansão, correto? Ora, me diga o que ocorre, via de regra, se um jovem não cumpre com as “regras” em um ambiente escolar hodierno? Ora, em um micro-sociedade como a escola onde todas as regras e metas são apenas tipos ideais etéreos, quimeras imaginadas, que um e outro conhecem e a maioria absoluta desdenha nada de significativo poderá ser aprendido a não ser o desrespeito generalizado pelos valores vigentes e, edificando-se mais e mais uma cultura de impunidade e transgressão, tal qual nós vemos crescer, dia após dia, em nossa sociedade.

Chegamos a tal ponto que um grupo de adolescentes pode agredir violentamente uma senhora de idade (servente do colégio), jogar carteiras no professor quando falta energia na Instituição de Ensino, atear fogo no cabelo da professora, colocar uma bomba na mesa do educador, furar os pneus de seu carro que nenhuma medida devidamente proporcional é tomada contra os “inocentes” mancebos. As lições ensinadas de maneira estéril serão esquecidas com o tempo, mas estas ficaram gravadas em seus corações, gostemos disso ou não.

Por isso, desescolarizar a escola é preciso, para salvar o pouco que resta de seu sentido educacional. Trazer de volta a realidade para o seu âmago. Não estamos afirmando que se deva falar sobre sexualidade, drogas, etc. Estamos falando da vida e de sua severa clareza, dando-se um basta a este joguinho de faz de conta que mais deturpa do que educa. 

"O amor recíproco entre quem aprende e quem ensina é o primeiro e mais importante degrau para se chegar ao conhecimento". (Erasmo de Rotterdam)

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O filósofo renascentista Erasmo de ROTTERDAM em seu livreto DE PUERIS nos apresenta algumas considerações deveras significativas quanto a maneira de se educar uma criança e nos lembra, de modo muito profícuo, a importância que as pequenas historietas, fábulas, aforismos, etc., tem na formação de uma pessoa e, principalmente, o grande significado do o ato de rir (e chorar) no ensino de algo na formação de um indivíduo.

Atualmente, por ficarmos muito tempo com nossas vistas presas ao universo que edificamos em nossas salas de aula, acabamos nos esquecendo, ou mesmo desdenhando, as experiências vividas por todos nós fora do ambiente escolar, fora da sala de aula e distante da presença de um educador. Nos esquecemos o quanto que o riso, o clima de confraria e as situações difíceis nos marcavam a alma e, por isso mesmo, nos fizeram ser o que somos.

De um modo geral, uma sala de aula não seria mais tão só um simulacro do universo social, mas (i)legitimante tornou-se uma grande farsa sobre a vida, um grande engodo sobre a realidade, em fim, um ambiente de fingimento contínuo em meio a estatísticas que não convencem nenhum Barnabé.

Não estamos aqui, com estas considerações, menosprezando a importância do papel que um professor tem na formação de uma pessoa, não mesmo. O que desejamos com estas mal fadadas linhas é chamar a atenção para a importância que a sátira, que o riso e até mesmo as diatribes tem na formação de um indivíduo e que, muitas vezes, não damos a devida importância devido ao costume professoral que se faz presente em nossas escolas, ou devido a outros fatores que, sinceramente, não gostaríamos de tocar nestas indignas linhas deste breve libelo.

Por isso, sigamos em frente. Todos nós temos gravado em nossa memória inúmeras imagens de nossa infância, de momentos lúdicos, de situações onde passamos alguns apuros que não teríamos coragem de contar para nossos filhos e muito menos para os nossos alunos. Todos nós temos marcado a ferro e fogo em nossa alma os sermões que nossos pais, familiares e pessoas próximas nos passavam quando fazíamos o que não devíamos ter feito. Em fim, não nos esquecemos praticamente de nada que nos tenha tocado profundamente, pois, como a muito nos ensina Santo Tomás de Aquino, não nos esquecemos daquilo que amamos (como também não esquecemos daquilo que desgostamos).

Na maioria das vezes este sentimento de afeto ou desafeto fica reservado a figura do professor ou da instituição de ensino e, raras vezes, a situação que gerou o aprendizado de algo como ocorre nos casos em que temos as lições ministradas pela “escola da vida”. Este sim, seria um grande desafio que atribuiria uma grande carga significativa no conteúdo que estaria sendo ministrado em sala de aula.

Para exemplificar o que afirmamos, lembro aqui, das lições que me foram ministradas pelos meus Senseis que, em muitas ocasiões até se destemperavam no ministrar seus ensinamentos. Tal destempero emocional não me levavam a manifestar um sentimento de repulsa aos meus mestres, de modo algum. Mas tornavam aquelas lições inesquecíveis.

Sabia que, no final das contas, toda aquela fúria, era um teatrinho e que eu havia aceitado estudar aquela arte dentro daquelas regras que davam sentido ao jogo do aprendizado da mesma. Por essa razão, me indago cá com meus botões: quais são as regras que nossos alunos tem de se curvar para adentrarem no jogo do aprendizado em um ambiente escolar? Alias, em que consiste o jogo do aprendizado escolarizado?

Uma regra, em qualquer universo cultural, necessariamente tem que manter a bilateralidade atributiva e esta, corresponder a uma possível sansão, correto? Ora, me diga o que ocorre, via de regra, se um jovem não cumpre com as “regras” em um ambiente escolar hodierno? Ora, em um micro-sociedade como a escola onde todas as regras e metas são apenas tipos ideais etéreos, quimeras imaginadas, que um e outro conhecem e a maioria absoluta desdenha nada de significativo poderá ser aprendido a não ser o desrespeito generalizado pelos valores vigentes e, edificando-se mais e mais uma cultura de impunidade e transgressão, tal qual nós vemos crescer, dia após dia, em nossa sociedade.

Chegamos a tal ponto que um grupo de adolescentes pode agredir violentamente uma senhora de idade (servente do colégio), jogar carteiras no professor quando falta energia na Instituição de Ensino, atear fogo no cabelo da professora, colocar uma bomba na mesa do educador, furar os pneus de seu carro que nenhuma medida devidamente proporcional é tomada contra os “inocentes” mancebos. As lições ensinadas de maneira estéril serão esquecidas com o tempo, mas estas ficaram gravadas em seus corações, gostemos disso ou não.

Por isso, desescolarizar a escola é preciso, para salvar o pouco que resta de seu sentido educacional. Trazer de volta a realidade para o seu âmago. Não estamos afirmando que se deva falar sobre sexualidade, drogas, etc. Estamos falando da vida e de sua severa clareza, dando-se um basta a este joguinho de faz de conta que mais deturpa do que educa. 

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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