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30 Jun 2008

Democracia Americana

Escrito por 

Por fim, se Thomas Jefferson tinha razão quando afirmava que um dos pontos fundamentais para se consolidar uma república é o livre acesso ao conhecimento.

"Quando alguém assume um cargo público deve considerar a si mesmo como propriedade pública." (Thomas Jefferson)


 


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Toda vez em que a mídia chique brasileira faz a “cobertura” de uma eleição presidencial nos Estados Unidos, imediatamente, somos obrigados a ter que ouvir os grunhidos daqueles (de)formadores de opinião que passam a falar sobre o sistema eleitoral estadunidense, sobre os USA e o quanto eles são pseudo-democráticos, visto que, as eleições presidenciais lá não são diretas, mas sim indiretas, através de seus “colégios eleitorais” só porque em três momentos de sua história, a decisão do Colégio Eleitoral foi diferente do visto nas urnas. No caso, foi nas eleições de 1876, 1888 e, mais recentemente, no ano de 2000.

Mas o que há de errado nisso? Pra começo de prosa, quem escolhe os delegados, não é o povo estadunidense? Segundo, o número de delegados para integrar o “colégio eleitoral” é proporcional ao número de eleitores do Estado e por essa razão simples nas duas ocasiões apontadas acima que o resultado das urnas foi diferente do “colégio”. De mais a mais, cada Estado da Federação tem liberdade para legislar sobre os procedimentos das eleições. Isso meus caros concidadãos brasileiros, não é pseudo-democracia, mas sim, plena autonomia. Coisa que nós, em nosso país de longa “tradição democrática”, (des)conhecemos na íntegra, não é mesmo?

Doravante, justo deve ser mesmo o nosso sistema eleitoral onde Estados com uma população ínfima em comparação com a de outros Estados da Federação tem, (des)proporcionalmente, uma quantidade maior de deputados e senadores. É, você já parou pra calcular o quanto um voto Acreano, por exemplo, vale mais que um voto paranaense? É só ver com quantos votos um acreano elege um Senador ou um deputado e comparar com a quantidade de votos que são necessários em nosso Estado para eleger uma pessoa para os mesmos cargos. Isso sim que é um calculo justo e proporcional, não é mesmo?

E tem mais! Desde que os Estados Unidos tornou-se uma nação independente nunca tiveram um golpe de Estado, nenhuma tentativa de violação do Estado Democrático de Direito. Já aqui nestas terras de Pindorama, faltam dedos para contar as tentativas de golpe e os golpes que foram bem sucedidos no seu intento de usurpar o poder. Isso sim, meus caros, que é uma bela demonstração de “civilidade democrática”.

É claro que mais uma vez nossos meios de (des)informação irão apresentar os seus cáusticos comentários sobre a “ineficiência” do sistema eleitoral deste país e ufanarão as nossas maravilhosas urnas eletrônicas e blá blá blá. Bem, mas e quem disse que a validade de um regime democrático se mede pela velocidade da apuração dos votos?

De mais a mais, nós em nossa vaidosa brasilidade, carente de força e de uma substância, poderíamos nestas eleições presidenciais dos USA prestar um pouco de atenção em um detalhe que, muitas das vezes, nossas vistas desdenham. Prestemos atenção nas escolas estadunidenses onde estarão instaladas as urnas para votação e compare a estrutura das escolas da América com as instituições de ensino de nossa Pátria.

Por fim, se Thomas Jefferson tinha razão quando afirmava que um dos pontos fundamentais para se consolidar uma república é o livre acesso ao conhecimento, podemos então, com certa intranqüilidade, pararmos com essa histeria patrioteira de ficar ufanando virtudes que inexistem em nosso ethos e passarmos a nos espelhar nas virtudes cívicas que realmente existem, mesmo que sejam virtudes que são vividas por um outro povo, em uma outra nação, pois, não há dignidade alguma em ufanar a própria vileza.

Para nos convencermos disso, você não tem que dar ouvidos a esse indigno escrivinhador. Basta apenas que volte as suas vistas para a sua volta e estude um pouco da formação histórica dos Estados Unidos. Alias, quantos livros você já leu sobre a história dos USA? Nenhum? E é com base nesse tipo de fundamentação que você constrói a “criticidade” brazuca, “criticidade” edificada no vácuo de sua ignorância congênita.

"Quando alguém assume um cargo público deve considerar a si mesmo como propriedade pública." (Thomas Jefferson)


 


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Toda vez em que a mídia chique brasileira faz a “cobertura” de uma eleição presidencial nos Estados Unidos, imediatamente, somos obrigados a ter que ouvir os grunhidos daqueles (de)formadores de opinião que passam a falar sobre o sistema eleitoral estadunidense, sobre os USA e o quanto eles são pseudo-democráticos, visto que, as eleições presidenciais lá não são diretas, mas sim indiretas, através de seus “colégios eleitorais” só porque em três momentos de sua história, a decisão do Colégio Eleitoral foi diferente do visto nas urnas. No caso, foi nas eleições de 1876, 1888 e, mais recentemente, no ano de 2000.

Mas o que há de errado nisso? Pra começo de prosa, quem escolhe os delegados, não é o povo estadunidense? Segundo, o número de delegados para integrar o “colégio eleitoral” é proporcional ao número de eleitores do Estado e por essa razão simples nas duas ocasiões apontadas acima que o resultado das urnas foi diferente do “colégio”. De mais a mais, cada Estado da Federação tem liberdade para legislar sobre os procedimentos das eleições. Isso meus caros concidadãos brasileiros, não é pseudo-democracia, mas sim, plena autonomia. Coisa que nós, em nosso país de longa “tradição democrática”, (des)conhecemos na íntegra, não é mesmo?

Doravante, justo deve ser mesmo o nosso sistema eleitoral onde Estados com uma população ínfima em comparação com a de outros Estados da Federação tem, (des)proporcionalmente, uma quantidade maior de deputados e senadores. É, você já parou pra calcular o quanto um voto Acreano, por exemplo, vale mais que um voto paranaense? É só ver com quantos votos um acreano elege um Senador ou um deputado e comparar com a quantidade de votos que são necessários em nosso Estado para eleger uma pessoa para os mesmos cargos. Isso sim que é um calculo justo e proporcional, não é mesmo?

E tem mais! Desde que os Estados Unidos tornou-se uma nação independente nunca tiveram um golpe de Estado, nenhuma tentativa de violação do Estado Democrático de Direito. Já aqui nestas terras de Pindorama, faltam dedos para contar as tentativas de golpe e os golpes que foram bem sucedidos no seu intento de usurpar o poder. Isso sim, meus caros, que é uma bela demonstração de “civilidade democrática”.

É claro que mais uma vez nossos meios de (des)informação irão apresentar os seus cáusticos comentários sobre a “ineficiência” do sistema eleitoral deste país e ufanarão as nossas maravilhosas urnas eletrônicas e blá blá blá. Bem, mas e quem disse que a validade de um regime democrático se mede pela velocidade da apuração dos votos?

De mais a mais, nós em nossa vaidosa brasilidade, carente de força e de uma substância, poderíamos nestas eleições presidenciais dos USA prestar um pouco de atenção em um detalhe que, muitas das vezes, nossas vistas desdenham. Prestemos atenção nas escolas estadunidenses onde estarão instaladas as urnas para votação e compare a estrutura das escolas da América com as instituições de ensino de nossa Pátria.

Por fim, se Thomas Jefferson tinha razão quando afirmava que um dos pontos fundamentais para se consolidar uma república é o livre acesso ao conhecimento, podemos então, com certa intranqüilidade, pararmos com essa histeria patrioteira de ficar ufanando virtudes que inexistem em nosso ethos e passarmos a nos espelhar nas virtudes cívicas que realmente existem, mesmo que sejam virtudes que são vividas por um outro povo, em uma outra nação, pois, não há dignidade alguma em ufanar a própria vileza.

Para nos convencermos disso, você não tem que dar ouvidos a esse indigno escrivinhador. Basta apenas que volte as suas vistas para a sua volta e estude um pouco da formação histórica dos Estados Unidos. Alias, quantos livros você já leu sobre a história dos USA? Nenhum? E é com base nesse tipo de fundamentação que você constrói a “criticidade” brazuca, “criticidade” edificada no vácuo de sua ignorância congênita.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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