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06 Ago 2004

Da Moral Atéia

Escrito por 

O Professor Nivaldo Cordeiro apresenta sua análise sobre o ateísmo.

Pontuando o texto escrito por Roberto Gomes de Aguiar Veiga (“Ateísmo, liberalismo e moral”), parece-me que parte das respostas foi dada nos textos subseqüentes que escrevi. De qualquer formar, seguem aqui mais alguns argumentos.

1- Não há uma incoerência no fato de alguém ser ao mesmo tempo liberal e ateu. De fato, o liberalismo é caudatário dos valores do cristianismo. Não posso discordar da afirmação. O liberalismo é a forma mais light de ateísmo.

2- Mas não há uma incompatibilidade entre a moral ateísta e a moral do liberalismo, que é baseada em grande parte em valores cristãos? Aqui se coloca a questão do fundamento da moral. Para os religiosos, e não apenas os cristãos, a moral está fundada na Revelação. Para o liberal ateu, na sua consciência íntima. Ora, sem um referencial fixo, não há como não cair no relativismo e, partir dele, no descenso moral. Os que têm referencial religioso não têm nenhuma dúvida de comportamento, pois ele vem da tradição. Os que não têm uma tradição, têm que criá-la. Liberais ateus imersos no meio cristão tendem a copiar seus costumes, mas não necessariamente. Ateísmo, de qualquer espécie, é relativismo moral.

3- Mas afinal de contas, o que é um ateu? Pergunta pertinente, que creio já ter sido respondida, mas não custa insistir. Ateísmo é uma forma de paganismo, que no universo cristão é conhecido como satanismo. Há os grandes ateus, como Nietzsche, Marx, Lênin, Gramsci. São os verdadeiros sacerdotes do ateísmo, seguidos por milhões de pessoas, muitas vezes sem o saber. Fundaram correntes de opinião que, em muitos países, como o nosso, formam uma sólida maioria política. Não se nega impunemente a tradição religiosa, pois necessariamente se cai no campo oposto. Um ateu, isolado, pode levar uma vida tranqüila, em paz com a sua consciência. Já quando se formam maiorias com força política tendem a moldar as leis e os costumes. É o caso do aborto, da família, do casamento, do homossexualismo e toda a chamada pauta progressista que vemos, a cada dia, “avançar”. Uma pessoa pia não tem como ter uma existência de acordo com os seus valores, pois abrir a janela ou ligar a tv equivale é ter que presenciar tudo aquilo que abomina e não deseja para os seus. Os ateus menores são seguidores, muitas vezes não sabendo bem porque o fazem.

4- E o que justifica a não crença em Deus? Em primeiro lugar, a crença no seu oposto. As seitas satânicas de todos os tipos prosperaram em nosso mundo como nunca. Em segundo, um orgulho desmesurado do indivíduo, combinado com uma ignorância abissal do que seja o religioso. Por isso que as ciências foram colocadas como uma religião substituta para muitos. Em terceiro, uma cegueira espiritual causada pela quebra do elo com a tradição. No meu caso, até os meus trinta anos eu me declarava orgulhosamente ateu, um atestado de ignorância que eu passava sob o manto mal escondido de um enorme complexo de superioridade. Em quarto, a falta de vivência de alguma experiência com o sagrado: não há ouvidos para ouvir nem olhos para ver. Em quinto, um infantilismo com as coisas sérias típicas de sociedades sem tradição. As pessoas são como que crianças e não querem amadurecer.

5- Mas sem o temor a Deus, o ateu não tende ao comportamento imoral? Essa é uma maneira de colocar a questão. A outra, que prefiro, é: sem o conhecimento de Deus, o ateu tende ao comportamento imoral? Sim, definitivamente sim. Sobretudo quando falamos dos comportamentos de massa. Alguns, mais burros ou mais cínicos, atribuem, por exemplo, os malefícios das drogas proibidas ao fato de serem proibidas. Ora, na prática não há proibição, pelo menos aquela que se esperaria eficiente. Quem quiser se drogar pode fazê-lo facilmente, a um custo competitivo. A proibição formal é ainda a última concessão que o vício faz à virtude. No mais, quem quiser fumar, fuma; quem quer cheirar, cheira, etc. O mesmo vale para as práticas sexuais. As clínicas de massagens em cada esquina, os sexshop, e os classificados de todos os jornais não me deixam mentir. Navios dionisíacos de homossexuais singram os mares. Orgias são anunciadas como um carnaval fora de época. Fala-se até em crise no mercado da prostituição, em face da concorrência “oficial”, que fez desabar os preços. É assim.

6- A militância ateísta é um perigo para o Ocidente? É evidente. Tirar as pessoas do bom caminho nunca produziu algo de bom, só ampliou o mal. O simples fato de eu ter escrito algumas linhas sobre o tema mostrou o quanto é forte a militância ateísta. Até a nota do autor pode ser uma prova do que é essa militância pode fazer.

7- Por que se associa tanto o ateísmo ao comunismo? Porque o comunismo será talvez a mais bem sucedida forma que o ateísmo assumiu. Conquistou Estados e impérios, conquistou multidões, a despeito de todo o mal praticado pelos seus seguidores.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 20:19
José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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