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24 Mai 2008

Noções Elementares Sobre

Escrito por 

"A política e os destinos da humanidade são forjados por homens sem ideais nem grandeza. Aqueles que têm grandeza interior não se encaminham para a política".

"A política é uma delicada teia de aranha em que lutam inúmeras moscas mutiladas". (Alfred de Musset)

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O filósofo francês Albert Camus nos lembra que: "A política e os destinos da humanidade são forjados por homens sem ideais nem grandeza. Aqueles que têm grandeza interior não se encaminham para a política". Talvez essa seja a primeira lição que nós devemos aprender quando nos dispomos a estudar e refletir sobre o fenômeno político, principalmente, quando nos decidimos a estudar a sua manifestação na sociedade hodierna.

Isso não significa de modo algum que os espaços de poder sejam sempre ocupados por pessoas que sejam simplesmente criaturas degradas e ignóbeis. Apenas significa que dificilmente veremos uma pessoa de alma aquilatada ocupar esses cargos, especialmente na sociedade em que vivemos hoje.

A razão para tal fato é muito simples. Um representante público, que ocupe um cargo, seja no executivo ou no legislativo, simplesmente é um espelho das tensões e valores que estão presentes no tecido social. Isso mesmo, todo governante simplesmente é o fruto dos valores que as pessoas de um modo geral pactuam e das tensões que estão ao redor destes ou geradas a partir dos objetos valorados que são cultivados pela maioria.

Até mesmo uma ditadura autoritária, ou mesmo totalitária é, nada mais, nada menos, que uma resposta para as manifestações destes valores que norteiam as relações sociais. Talvez, um exemplo bastante claro sobre o que estamos apontando seria o anti-semitismo que estava presente no discurso Nacional-Socialista Alemão nas décadas de 30 e 40. Tal elemento não era uma criação dos correligionários deste partido político, mas sim, um reflexo de um sentimento que se fazia presente em toda Alemanha e bem como em toda Europa, como nos lembra o sociólogo polonês Zygmunt Bauman em sua obra MODERNIDADE E HOLOCAUSTO.

Alias, anti-semitismo que se faz presente no mundo até hoje.

Doravante, quando pensamos as relações de poder de nossa localidade, sempre temos um olhar bastante atento para os mandos e desmandos dos nossos mandatários locais, entretanto, fazemos vista grossa para os nossos atos que, em si, são de modo similar, forjados pelos mesmos valores que dão forma aos atos das “otoridades” públicas.

Não é à toa que as pessoas mais aquilatadas se afasta da vida pública e de seus torpores e, quando se fazem próximas, acabam sendo condenadas ao ostracismo ou mesmo à morte por simplesmente anunciar algumas verdades que as pessoas, de um modo geral, não gostam de ouvir.

E eis aí a grande diferença entre as pessoas do primeiro e do segundo grupo apresentadas por Camus. As primeiras, as pessoas públicas, dizem simplesmente o que as multidões desejam ouvir ou, em casos mais degradados, sugerem a elas o que devem desejar ouvir. No segundo caso, que seria representado por pessoas santas e filósofos, simplesmente diriam as pessoas o que elas precisam ouvir, mesmo que não gostem do que está sendo dito.

Uma sociedade saudável, digamos assim, tem os dois grupos de pessoas (políticos e santos) muito bem distribuídos para que as multidões ouçam o que desejam, mas também curvem as suas cabeças uma vez ou outra diante da Verdade (mesmo que seja a contra gosto). Uma sociedade em que há apenas o segundo tipo seria apena uma quimera. Todavia, uma sociedade onde há unicamente os do primeiro gênero, inevitavelmente acaba se degenerando da maneira mais vil imaginável, pois, se o que determina o discurso dos mandatários em uma sociedade moderna é a superficialidade das massas e estas, neste caso, não encontram mais o equilíbrio através do anúncio regular da Verdade, o único cenário possível é a degeneração total de tudo e de todos, tal qual nos vemos ocorrer na sociedade brasileira onde a única coisa que faz sentido é a procura da satisfação de suas ambições pessoais ou grupais. Da satisfação dos instintos mais primários, mesmo que isso tenha um elevado custo.

O que virá depois disso, só Deus sabe.

"A política é uma delicada teia de aranha em que lutam inúmeras moscas mutiladas". (Alfred de Musset)

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O filósofo francês Albert Camus nos lembra que: "A política e os destinos da humanidade são forjados por homens sem ideais nem grandeza. Aqueles que têm grandeza interior não se encaminham para a política". Talvez essa seja a primeira lição que nós devemos aprender quando nos dispomos a estudar e refletir sobre o fenômeno político, principalmente, quando nos decidimos a estudar a sua manifestação na sociedade hodierna.

Isso não significa de modo algum que os espaços de poder sejam sempre ocupados por pessoas que sejam simplesmente criaturas degradas e ignóbeis. Apenas significa que dificilmente veremos uma pessoa de alma aquilatada ocupar esses cargos, especialmente na sociedade em que vivemos hoje.

A razão para tal fato é muito simples. Um representante público, que ocupe um cargo, seja no executivo ou no legislativo, simplesmente é um espelho das tensões e valores que estão presentes no tecido social. Isso mesmo, todo governante simplesmente é o fruto dos valores que as pessoas de um modo geral pactuam e das tensões que estão ao redor destes ou geradas a partir dos objetos valorados que são cultivados pela maioria.

Até mesmo uma ditadura autoritária, ou mesmo totalitária é, nada mais, nada menos, que uma resposta para as manifestações destes valores que norteiam as relações sociais. Talvez, um exemplo bastante claro sobre o que estamos apontando seria o anti-semitismo que estava presente no discurso Nacional-Socialista Alemão nas décadas de 30 e 40. Tal elemento não era uma criação dos correligionários deste partido político, mas sim, um reflexo de um sentimento que se fazia presente em toda Alemanha e bem como em toda Europa, como nos lembra o sociólogo polonês Zygmunt Bauman em sua obra MODERNIDADE E HOLOCAUSTO.

Alias, anti-semitismo que se faz presente no mundo até hoje.

Doravante, quando pensamos as relações de poder de nossa localidade, sempre temos um olhar bastante atento para os mandos e desmandos dos nossos mandatários locais, entretanto, fazemos vista grossa para os nossos atos que, em si, são de modo similar, forjados pelos mesmos valores que dão forma aos atos das “otoridades” públicas.

Não é à toa que as pessoas mais aquilatadas se afasta da vida pública e de seus torpores e, quando se fazem próximas, acabam sendo condenadas ao ostracismo ou mesmo à morte por simplesmente anunciar algumas verdades que as pessoas, de um modo geral, não gostam de ouvir.

E eis aí a grande diferença entre as pessoas do primeiro e do segundo grupo apresentadas por Camus. As primeiras, as pessoas públicas, dizem simplesmente o que as multidões desejam ouvir ou, em casos mais degradados, sugerem a elas o que devem desejar ouvir. No segundo caso, que seria representado por pessoas santas e filósofos, simplesmente diriam as pessoas o que elas precisam ouvir, mesmo que não gostem do que está sendo dito.

Uma sociedade saudável, digamos assim, tem os dois grupos de pessoas (políticos e santos) muito bem distribuídos para que as multidões ouçam o que desejam, mas também curvem as suas cabeças uma vez ou outra diante da Verdade (mesmo que seja a contra gosto). Uma sociedade em que há apenas o segundo tipo seria apena uma quimera. Todavia, uma sociedade onde há unicamente os do primeiro gênero, inevitavelmente acaba se degenerando da maneira mais vil imaginável, pois, se o que determina o discurso dos mandatários em uma sociedade moderna é a superficialidade das massas e estas, neste caso, não encontram mais o equilíbrio através do anúncio regular da Verdade, o único cenário possível é a degeneração total de tudo e de todos, tal qual nos vemos ocorrer na sociedade brasileira onde a única coisa que faz sentido é a procura da satisfação de suas ambições pessoais ou grupais. Da satisfação dos instintos mais primários, mesmo que isso tenha um elevado custo.

O que virá depois disso, só Deus sabe.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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