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02 Ago 2004

O Campo e Suas Exigências Vocacionais

Escrito por 

E esta nossa vida, livre da perseguição pública, encontra línguas em árvores, livros em céleres córregos, sermões nas pedras e bondade em tudo. (Shakespeare, As you like it)

O exercício da lide rural representa a mais fascinante de todas as atividades vocacionais, talvez porque nenhum programa pode dizer-se acabado. Cada meta atingida, para ser conservada, requer a vigilância, os cuidados específicos e de muita coragem consciente para reconhecer que não existirá obra definitiva. Ela prosseguirá, bem ou mal, atravessando os milênios das transformações impostas aos recursos naturais disponíveis, conforme a qualidade e a intensidade da própria ocupação humana sobre o espaço geográfico.

Um programa agrícola, pastoril, ou de seus consórcios, sempre abarca toda a ciência, uma filosofia pertinente e a própria consagração da vida. Por isso tudo, as pessoas envolvidas devem ser dotadas de muita compreensão, para uma mais perfeita interpretação possível dos complexos fenômenos naturais que pululam ao seu redor, pois cada fazenda, cada propriedade rural, é em si mesma um pequenino universo, com suas intrincadas in terações físico-químicas e biológicas, que acabam por determinar suas parcelas diárias na composição econômica e social das tragédias, comédias, sucessos ou farsas políticas. Cada dia encerra, em si mesmo, um período cíclico da história de cada metro cúbico de solo. Uma propriedade rural não é um quarteirão urbano, modular, com seu aproveitamento sócio-econômico de forma permanente, sujeito à ocupação social mensurável em face de outros quarteirões do mesmo bairro, para a cobrança de um confiscatório IPTU progressivo...

Os cientistas e técnicos que trabalham à mingua na Embrapa, sabem muito bem do que se está falando. Existem programas interrompidos, perdidos em tempo e dinheiro e outros que nunca passaram além do ar condicionado dos gabinetes que comandam ou legislam sobre orçamentos. As experiências dos desafios, fazem parte integrante da linguagem da natureza. No mundo político de Brasília, entretanto,as decisões estão sujeitas às restrições mentais dos discursos i deológicos voltados à demagogia social. Preferem desconhecer que conhecimento, pragmatismo, o trabalho árduo, vocação persistente e capital, são fatores cumulativos para a formação de uma herança lógica de segurança econômica, se administrados pelas técnicas de conservação dos recursos naturais, sejam eles renováveis ou não. Nada mais social do que a interação do produtor agropastoril com a natureza que o envolve em seu dia-a-dia de sobrevivência. E, para isso, a agropecuária moderna não dispensa tecnologia, conhecimento e aptidões profissionais inigualáveis, pouco encontradas em meros destruidores de fauna, flora, recursos hídricos e mesológicos em geral.

O caso do desaparecimento anual de bilhões de toneladas de nossos solos aráveis e da redução galopante de nossos recursos hídricos, ainda não está sendo bem contado. Apenas atesta a nossa cordial inapetência pelo que é sério e a vocação pelo subjetivismo dialético doentio, em recitais intermináveis sobre a exploraçã o do homem pelo homem.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 20:19
Jorge Geisel

Advogado especialista em Direito Marítimo com passagem em diversos cursos e seminários no exterior. Poeta, articulista, membro trintenário do Lions Clube do Brasil. É um dos mais expressivos defensores do federalismo e da idéia de maior independência das unidades da federação.

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