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25 Abr 2008

A Vaidade e o 3o. Mandato

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O plano de Lula é um e o do PT é outro. O do PT não se realiza sem a concordância de Lula. Contudo, para que a coisa ande como o PT quer, só falta Lula descobrir algo que sua vaidade obscurece.

A coisa, na presidência, funciona assim: quem está quer ficar, quem sai quer voltar. Aceite-se essa premissa e considere-se qualquer situação diferente como exceção a uma regra quase geral.

Vargas saiu, quis voltar e voltou. JK cumpriu cinco anos, saiu, queria voltar e só não voltou porque Jânio fez o que fez, e a posse de Jango deu no que se viu. Os generais tinham mandato de cinco anos, quiseram mais e passaram para seis. Sarney tinha um mandato de seis anos, iam reduzir para quatro e acabou fechando acordo em cinco para si e quatro para os que viessem depois dele. Fernando Henrique tinha, então, um mandato de quatro anos e conseguiu outro de igual tamanho. Na campanha sucessória, deixou José Serra ao deus dará, para favorecer a eleição de Lula (que na sua expectativa iria quebrar a cara) e garantir o próprio retorno em 2006. Saiu tudo errado porque Lula se deu bem, tinha quatro anos, conseguiu ficar mais quatro, e o tempo pesou na idade de FHC.

E agora? Depois de oito anos de poder petista, a turma da estrela vermelha contempla a cena sucessória, vê o chefe com quase 70% de aprovação e nenhum companheiro ou companheira com mais de 4% de apoio eleitoral. É carreira praticamente perdida em 2010. Um doloroso paradoxo!

Ora, se quem está quer ficar e quem sai quer voltar, é preciso separar a situação de Lula da situação do PT. Lula pensa assim: eu saio fora, quem disputar essa eleição pelo PT não vai levar, e eu volto, livre, leve e solto, para mais quatro ou oito anos em 2014. Já o PT, ou pelo menos a multidão instalada nos muitos e bons postos do governo, fundos de pensão e estatais, pensa assado: mais vale um mandato na mão em 2010 do que dois voando em 2014. E pede uma nova chance para Lula.

O plano de Lula é um e o do PT é outro. O do PT não se realiza sem a concordância de Lula. Contudo, para que a coisa ande como o PT quer, só falta Lula descobrir algo que sua vaidade obscurece. Diferentemente do que crê, nosso presidente está em lua de mel com a vida porque em relação a tudo o que importa vai tocando a quarta gestão do modelo FHC. A economia nacional não melhorou porque vinha mal e Lula arrumou; melhorou porque Lula não desarrumou. Esse raciocínio, contudo, tropeça no primeiro degrau da grande escadaria da vaidade.

As coisas, apesar disso, são como são. Quem vencer em 2010, se governar com a cabeça e não fizer política com os pés, tem grandes possibilidades de repetir a trajetória de seus dois antecessores, FHC e Lula, cada qual com dois mandatos. E aí, o Luiz Inácio (como diz o senador Mão Santa) ficaria na fila para 2018. Ora, 2018, na política brasileira, não é horizonte, é quase uma quarta dimensão. É abismo. Assim, só a vaidade nos salva de decidir sobre o terceiro mandato de Lula.

A coisa, na presidência, funciona assim: quem está quer ficar, quem sai quer voltar. Aceite-se essa premissa e considere-se qualquer situação diferente como exceção a uma regra quase geral.

Vargas saiu, quis voltar e voltou. JK cumpriu cinco anos, saiu, queria voltar e só não voltou porque Jânio fez o que fez, e a posse de Jango deu no que se viu. Os generais tinham mandato de cinco anos, quiseram mais e passaram para seis. Sarney tinha um mandato de seis anos, iam reduzir para quatro e acabou fechando acordo em cinco para si e quatro para os que viessem depois dele. Fernando Henrique tinha, então, um mandato de quatro anos e conseguiu outro de igual tamanho. Na campanha sucessória, deixou José Serra ao deus dará, para favorecer a eleição de Lula (que na sua expectativa iria quebrar a cara) e garantir o próprio retorno em 2006. Saiu tudo errado porque Lula se deu bem, tinha quatro anos, conseguiu ficar mais quatro, e o tempo pesou na idade de FHC.

E agora? Depois de oito anos de poder petista, a turma da estrela vermelha contempla a cena sucessória, vê o chefe com quase 70% de aprovação e nenhum companheiro ou companheira com mais de 4% de apoio eleitoral. É carreira praticamente perdida em 2010. Um doloroso paradoxo!

Ora, se quem está quer ficar e quem sai quer voltar, é preciso separar a situação de Lula da situação do PT. Lula pensa assim: eu saio fora, quem disputar essa eleição pelo PT não vai levar, e eu volto, livre, leve e solto, para mais quatro ou oito anos em 2014. Já o PT, ou pelo menos a multidão instalada nos muitos e bons postos do governo, fundos de pensão e estatais, pensa assado: mais vale um mandato na mão em 2010 do que dois voando em 2014. E pede uma nova chance para Lula.

O plano de Lula é um e o do PT é outro. O do PT não se realiza sem a concordância de Lula. Contudo, para que a coisa ande como o PT quer, só falta Lula descobrir algo que sua vaidade obscurece. Diferentemente do que crê, nosso presidente está em lua de mel com a vida porque em relação a tudo o que importa vai tocando a quarta gestão do modelo FHC. A economia nacional não melhorou porque vinha mal e Lula arrumou; melhorou porque Lula não desarrumou. Esse raciocínio, contudo, tropeça no primeiro degrau da grande escadaria da vaidade.

As coisas, apesar disso, são como são. Quem vencer em 2010, se governar com a cabeça e não fizer política com os pés, tem grandes possibilidades de repetir a trajetória de seus dois antecessores, FHC e Lula, cada qual com dois mandatos. E aí, o Luiz Inácio (como diz o senador Mão Santa) ficaria na fila para 2018. Ora, 2018, na política brasileira, não é horizonte, é quase uma quarta dimensão. É abismo. Assim, só a vaidade nos salva de decidir sobre o terceiro mandato de Lula.

Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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