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25 Jul 2004

Por que Ecofascistas odeiam o Eucalipto

Escrito por 

“De fato, para implementar estas doutrinas é necessário um significativo controle centralizado da terra e do uso da energia, da produção econômica e do consumo, da capacidade de inovação e iniciativa corporativa dos mercados, do transporte, do trabalho, do comércio, da moradia, dos processos de elaboração de políticas e da vida diária através das Nações Unidas, da U.E., E.U.A. e outras agências governamentais. Tudo isto é a antítese dos direitos de propriedade privada, ao capitalismo e a liberdade das nações, comunidades, companhias e indivíduos de tomar suas próprias decisões, de acordo com suas próprias preferências culturais o suas necessidades sociais – e desta maneira, gerar prosperidade, saúde humana e qualidade ambiental.” Eco-Imperialismo, Paul K. Driessen

Foi só aparecer algumas reportagens elogiando as ações de algumas entidades na recuperação da Mata Atlântica, que a mesma vinha se recuperando, assim como um bom aproveitamento turístico da mesma[1] que, logo depois, choveram matérias atestando o contrário, como a de que o Brasil estaria “perdendo um campo de futebol a cada quatro minutos” no mesmo ecossistema florestal[2]. Ora! Não é preciso ser muito inteligente para saber que alguém está mentindo, intencionalmente ou não. O interessante é que a informação negativa veio depois... Vamos refletir um pouco: se pertenceres a uma entidade ambientalista, suponhamos que seja a SPVS que atua em parceria com outra, americana, a TNC e a Texaco para recobrir o litoral norte paranaense com a floresta haverá chance de conseguir financiamento orçado em US$ 3 milhões para 40 anos em um projeto de recuperação da área[3]? Especialmente, se a floresta não se encontrar mais ameaçada? Ou outros R$ 15 milhões para a proteção da mata no estado do Rio de Janeiro e a criação de mais dois parques financiados pela KfW Bankengruppe do governo alemão com mais R$ 23 milhões?[4] Se a preservação da mata já deu resultados positivos de onde virá a sustentação técnica para o argumento de que se precisa de mais R$ 24 milhões[5] por ano para tanto? Não digo que tais projetos não tenham sentido ou eficácia, mas a sociedade brasileira precisa saber o que realmente tem sido feito e o que se vai fazer. Precisamos de transparência, de abrir a “caixa preta” das organizações não governamentais ambientalistas, cujos recursos chegam do exterior para parcerias com entidades que não são, a priori, representantes legítimas de nossos interesses. E, se forem admitidas como nossas representantes, o mínimo que se pode exigir delas, é que prestem contas de suas atividades. Inclusive, por que isto lhes daria legitimidade. Mas, a simples divulgação de dados negativos como estratégia para obterem mais fundos não parece sensato. Exceto é claro, se a própria obtenção de financiamentos se legitime para áreas mais ameaçadas do globo. Comprovada a afirmação inicial de que a Mata Atlântica estaria se recuperando, faria com que não se enquadrasse mais dentro das prioridades de agentes financiadores e fomentadores internacionais da recuperação ambiental. Alguma(s) coisa(s) não está(ão) cheirando bem por parte dessas ongs atuando no Brasil.
Não estamos sendo devidamente informados do que se passa, mas que algo estranho se passa, ah, isto se passa... Posso sugerir que o que está havendo é uma farra demagógica: alardeia-se dados negativos para se obter mais e mais verbas, “verdinhas para os verdes” é o objetivo último e não o reflorestamento ou a conservação. Portanto, nada mais inconveniente que afirmar que programas anteriores de recuperação ambiental já têm dado resultados positivos. Deveria ser o contrário, mas estes grupos parecem só saber operar com a difusão do medo, da ignorância, da mais pura desinformação.
Note-se que a imprecisão é tanta que vivemos uma guerra de números, divulgados sem precisão técnica ou confiabilidade estatística. O interesse também parte de quem almeja ganhar com o turismo: ora dizem que Ilhabela[6] é a campeã em conservação da floresta, ora dizem que é Florianópolis[7]... Na verdade, tudo não passa de um cassino para ver quem arrecada mais.
O que temos aqui é a velha discussão de se os fins justificam os meios. O que parece em perigo não é somente algum ecossistema ameaçado, mas o Estado Nação Brasileiro que mais uma vez é encampado por interesses particulares que agem com total opacidade. Conluio de burocratas e lobbies verdes que repartem recursos às expensas da sociedade e não dão nenhum sinal de quererem trabalhar com transparência administrativa e financeira. Se uma atividade econômica sustenta o fornecimento de madeira para serraria sem levar ao desmatamento dos ecossistemas, esta não é ambientalmente correta? Para alguns grupos de interesse, não. Vejamos:
“Quando o MST invade a Veracel, (...) está perguntando se as exportações brasileiras não têm produzido divisas para o Brasil a qualquer custo. O eucalipto é uma árvore exótica que ‘bebe' muita água. Em larga escala, seu cultivo leva ao secamento de cursos d'água e à perda de biodiversidade.
“A monocultura, seja florestal, seja agrícola, essa última introduzida no Brasil na década de 70 pela Revolução Verde, é um modelo perfeito para as exportações, mas representa diminuição das espécies, ocupação de áreas antes habitadas por pequenas comunidades rurais ou indígenas, êxodo rural e contaminações” (O dinheiro é verde. Carta Capital, 09 de Junho de 2004 - Ano X - Número 29).
Vejamos se eu entendi. Pleitear verbas para o governo federal, assim como para entidades e agências financiadoras internacionais é lícito. Não é lícito, no entanto, produzir madeira que limitaria, quando não impediria, o desmatamento da Mata Atlântica e outras florestas. Absurdo, não? Parece que temos aqui outra espécie ameaçada, só que pelo ódio ambientalista: o eucalipto.
Em um texto de 1973, o engenheiro agrônomo Ismar Ramos[8] revelava as vantagens do cultivo de eucalipto como madeira de serraria:
“A cobertura florestal da África do Sul é das menores do mundo; apenas o equivalente a 3,3% de sua superfície são cobertos por florestas. Isto é muito pouco, comparado aos 32% dos Estados Unidos, 34% da URSS, 45% do Canadá, 69% da Finlândia e 57% do Brasil.
“O baixo índice nacional de cobertura florestal da África do Sul poderia ser motivo para se perguntar o porquê de uma viagem de estudo florestal àquele país. Haveria o que ver e aprender numa região com índice florestal tão baixo? Para se responder, saiba-se que a quase metade das suas florestas é constituída de plantações artificiais, cujo inicio de plantio desta, industrialmente, de pouco mais de 50 anos.”
A África do Sul mantém similaridades com o Centro-Sul (sul de Goiás ao extremo sul) brasileiro no tocante à sua posição geográfica (latitude) e, conseqüentemente, climas que transitam do Tropical ao Subtropical. Este ambiente teria, assim como o Brasil meridional, aspectos favoráveis à introdução do eucalipto. Seu fornecimento de madeira isentaria nossa indústria madeireira de obtê-la em outras paragens, como a Amazônia ou a própria Mata Atlântica. Como eu já disse, o reflorestamento com madeira para serraria é a melhor maneira para se evitar o desmatamento de ecossistemas com uma vantagem sobremaneira: a de não necessitar de transferência de renda de projetos filantrópicos e/ou ambientalistas nacionais ou do exterior. Ele é baseado na produtividade, no lucro e na geração de empregos. Só um ignorante ou hipócrita para querer crer que o MST apresenta alguma racionalidade na destruição de uma propriedade produtiva baseada no cultivo desta espécie.
O que o MST, a Carta Capital e um sem-número de ongs ambientalistas em seu neoluddismo inconseqüente desconsideram é que o seu odiado eucalipto serve, entre outras finalidades, para fabricação de celulose, estacas roliças para casas populares, estacas para minas, postes etc. Depois de secada, a madeira ainda serve para marcenaria: portas, esquadrias, janelas, forros, tesouras de telhados, caibros, ripas, assoalhos inteiriços ou em parquetes pré-fabricados, assim como móveis de excelente qualidade. Depois de laminado ainda pode ser utilizado como madeira de estrutura e, uma vez coladas, fornecem enormes vigas, arcos e colunas estáveis para armazéns, depósitos, recintos de exposição e naves de igrejas, entre outros. Em contrapartida, o que propõem os ecofascistas? Que utilizemos a Mata Atlântica, cujas espécies levam cerca de 30 anos para se desenvolver comparadas ao eucalipto que atinge a maturidade em 7-8 anos? Esse pessoal com seus discursos demagógicos não entende nada do que apregoa. São clichês totalmente destituídos de conhecimento prático, o que numa economia de mercado só subsistiria com mais e mais subsídios. Uma pré-condição para o avanço do estatismo. Desprezam o conhecimento por que este levaria à total refutação de suas teses sem embasamento científico e tecnológico.
Do rico texto de Ismar Ramos temos um prognóstico feito na década de 70 que ainda se mantém extremamente atual:
“Atualmente, com as florestas naturais cada vez mais afastadas dos centros consumidores, precisamos substituir a sua produção para fins comerciais. Temos necessidade de produzir mais árvores a fim de atender o consumo crescente de madeira para múltiplos fins, dentro do ritmo acelerado do progresso sócio-econômico do país.
“Temos condição para promover o desenvolvimento florestal em proporções muito maiores do que as verificadas na África do Sul. Os recursos criados pelas Leis 5.106 e 1.134 permitiriam em 6 anos o plantio de mais 1 milhão de hectares de florestas de rendimento. Dispomos de enormes superfícies de terras aptas para florestamento e reflorestamento, próximas dos grandes centros de consumo e com uma infra-estrutura já montada de transporte, comunicação e outros melhoramentos. E – o que é mais importante – situam-se em climas adequados, com abundância de chuvas nas estações de crescimento.
“Há coisa de 10/15 anos, tínhamos em São Paulo três firmas empreiteiras de reflorestamento. Gente de boa vontade que queria ganhar dinheiro. Hoje distribuem-se, ao todo, pelo Brasil, 400 e tantas empresas reflorestadoras, e já plantamos em 5 anos o que a África do Sul levou 30 anos para plantar.
“(...) não basta apenas produzir e manter as grandes fábricas de celulose que serão aqui instaladas. Para elas, existe conhecimento técnico especializado. É necessário também experimentar e desenvolver as técnicas de serradura e de secagem da madeira para serraria, bem como desenvolver e difundir manejos florestais para melhor aproveitamento e valorização dos produtos florestais e para suprimento e desenvolvimento diversificado do nosso mercado consumidor” (op. cit., pp. 72-74).
O que é mais viável ao nosso mercado? O conhecimento logístico da engenharia florestal ou o romantismo infundado de quem defende a serraria nômade e primitiva baseada nas madeiras de lei de nossas matas naturais? A indústria precisa de estabilidade no fornecimento de matéria-prima. Esta ainda tem que estar próxima para reter em baixos níveis o custo do transporte, tão alto no país. Maquinário moderno e indispensável – como estufas secadoras – que abre as portas para desdobramentos técnicos à nossa capacidade nos traz uma atividade ambientalmente e mercadologicamente sustentáveis. Isto e não os sonhos utópicos e que não levam a lugar nenhum, exceto pela retórica e malversação de recursos e fundos públicos é que precisamos.
Qual é a raiz de tanta ignorância e desprezo pelo conhecimento adquirido durante séculos? Os ambientalistas erram e pecam redondamente ao acusar o “grande capital”, uma entidade mítica e imaginária, como responsável pela destruição da natureza. Noutro desses livros de ecologia verdadeira, antes da poluição socialista que infectou a ciência, Harald Sioli do Instituto Max-Planck de Limnologia[9], revelava os reais agentes do desmatamento na Amazônia: a população pobre destituída de “capital cultural”, leia-se conhecimento e técnica. Abaixo, o retrato da exploração predatória com fins de curto prazo a que nos referimos:

Acima: “Roça” de derrubada e queimada recentes com a finalidade de plantar mandioca. Abaixo, a plantação já de mandioca já desenvolvida nas margens do Rio Marauiá (fotos: Harald Sioli).

Não se trata de uma afirmação inquisitória, mas da necessidade de procurar entender o que ocorre. Se há alguma possibilidade de preservação e desenvolvimento sustentável ele reside, não tanto em maiores aportes de capital, mas sim no estudo, pesquisa, planejamento e empreendimento para a exploração adequada dos ambientes. Do contrário, permaneceremos vendo o tipo de aproveitamento ambiental registrado nas fotos acima. O capital em si é conseqüência e tão importante quanto à quantidade necessária para o investimento inicial é a forma como obtê-lo. Por que os ecofascistas falam tanto em “desenvolvimento ecologicamente sustentável” e não (também) em “desenvolvimento mercadologicamente sustentável”? Este “esquecimento conveniente” parte do pressuposto que o meio ambiente não pode coexistir com a economia de mercado. Malgrado o ambientalismo hoje, nascido como variante política da ciência ecológica, tornou-se reduto para as “viúvas socialistas”.
No caso das florestas tropicais, como já apontamos em outro texto, sua maior vocação está no extrativismo de frutos e produtos correlatos para fins industriais, sobretudo os de caráter medicinal, cosméticos e biomassa energética[10]. Isto já demonstra as grandes possibilidades de aliança entre a economia voltada para o consumo e não meramente dirigida por burocratas com os interesses de comunidades autóctones. Comunidades essas que têm suas vozes abafadas e representadas, muitas vezes à contra-gosto, por ongs como o Greenpeace.
A rejeição efusiva do plantio de eucalipto como feita por ecologistas deriva da suposição de que esta cultura seja para substituir matas nativas. Não é disto que se trata, ela é uma forma de agricultura.
Quando os ecofascistas falam em “desenvolvimento sustentável”, isto mais se assemelha a uma “ciência voodoo” e não ao importante conceito que é:
“Em poucas palavras, disse o Dr. Wilfred Beckerman, economista da Universidade de Oxford, o problema fundamental com o ‘desenvolvimento sustentável' é sua demanda de que se deva seguir prescrições radicais, para chegar a fins estreitamente definidos, que se determine que concessões se devam enfatizar e quais devam ser ignoradas. Aqui o conceito não tem nada que agregar. ‘Em efeito, ele chega ao objetivo de maximizar o bem-estar humano por que o slogan de desenvolvimento sustentável parece outorgar um manto de justificação a praticamente qualquer política desenhada para promover quase qualquer aspecto do bem-estar humano, sem tomar em conta outros aspectos do bem-estar'.”[11]
Como dizem os socialistas “somos radicais por que vamos a raiz dos problemas”... Mas, qual é a raiz? Com pressupostos equivocados, o diagnóstico também se torna equivocado. Tal é a situação dos ecologistas atualmente, na qual perderam toda a réstia de legitimidade que um dia detiveram. E não detêm legitimidade para falar por nós, nem por nenhuma comunidade autóctone. Democracia neles, isto é, que se submetam ao escrutínio popular e abram suas contas, prestando informações a quem quer que digam representar.

[1] Ecoturismo ajuda a recuperar a Mata AtlânticaNem tudo está perdido;
[2] Brasil perde um campo de futebol a cada quatro minutos.
[3] Projeto quer recuperar mata atlântica no Paraná. Folha de S. Paulo, 5 de setembro de 2001.
[4] Governo alemão recupera a mata atlântica. Folha de S. Paulo, 25 de setembro de 2000.
[5] Recuperação da mata atlântica precisa de R$ 24 milhões por ano. Folha de S. Paulo, 1 de dezembro de 2001.
[6] Ilhabela é campeã da Mata Atlântica, diz atlas.
[7] Florianópolis é capital da Mata Atlântica.
[8] África do Sul, horizonte florestal do Brasil: 1a viagem; O eucalipto, madeira de serraria na África do Sul: 2a viagem. São Paulo: Joruês, 1973, p. 15.
[9] Amazônia, fundamentos da ecologia da maior região de florestas tropicais. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1985.
[10] Mato também pode dar dinheiro. O Estado de S. Paulo, 2 de maio de 2004.
[11] DRIESSEN, Paul K. Eco-Imperialismo: poder verde – peste negra. Cómo los grupos de presión sin fines de lucro traen miseria y muerte al Tercer Mundo. Argentina: HACER (Hispanic American Center for Economic Research): Fundación Libertad: IDA (Instituto de Desarrollo Ambiental): Atlas Economic Research Foundation (colaboração), 2003, p. 25.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 20:20
Anselmo Heidrich

Professor de Geografia no Ensino Médio e Pré-Vestibular em S. Paulo. Formado pela UFRGS em 1987.

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