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09 Fev 2008

Tapando o Sol Com a Educação

Escrito por 

Quando o assunto é educação e a prenhe necessidade que este país tem dela, de pronto aparecem os Sumo Sacerdotes do Fracasso, proclamando a necessidade de uma Educação Pública de qualidade.

"Quem perde os seus bens, perde muito; quem perde um amigo, perde mais;

mas quem perde a coragem, perde tudo". (Miguel de Cervantes)

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Quando o assunto é educação e a prenhe necessidade que este país tem dela, de pronto aparecem os Sumo Sacerdotes do Fracasso, proclamando a necessidade de uma Educação Pública de qualidade.

E o mais legal disso tudo é que eles sempre falam em nome de uma determinada “coletividade”, do “bem comum”. Nunca tem coragem o suficiente para falar por si mesmos, para falar a verdade, para proclamar aquilo que realmente motiva as suas intenções.

São covardes dissimulados e, assim o são, porque sempre estão falando em nome de seus interesses mesquinhos, evocando palavras miúdas oriundas de suas almas tacanhas, por terem perdido o fio de Ariadne de sua consciência individual (vide: CARVALHO; 1987).

Ora, meus caros amigos, “[...]o indivíduo que se preza só deve satisfação à sua própria consciência; não se junta em milícias para tentar esmagar a diferenças ou anulá-las em nome de valores tornados sagrados porque coletivos ou partilhados por uma maioria. Isso é coisa de corja, de súcia, de delinqüentes morais, de mascates do ressentimento, da vulgaridade e da ignorância”, como muito bem nos lembra o jornalista Reinaldo Azevedo (2008).

Percebe-se com clareza que o que menos há nesta seara é coragem moral, visto que o que mais carece é a existência da dita, esquecida e totalmente desdenhada consciência moral.

São raras as pessoas no magistério que tem a coragem de dizer aquilo que deve ser dito como também são raras as almas que estejam, de fato, compromissadas com a verdade sobre si mesmas que, por sua deixa, é o ponto chave na formação do caráter humano e, por isso mesmo, ponto basilar do ato de educar, seja o agente educador um professor ou um pai.

Visto minha discordância frente à concordância geral da maioria dos pareceres de meus colegas de ofício e de meus concidadãos, lembro aqui que sigo o conselho de Machado de Assis, que nos diz que: “[...]as idéias, são como as nozes, e até hoje não descobri melhor processo para saber o que está dentro de umas e de outras, - senão quebrá-las”.

Quebrar nossas ilusões que tão afetuosamente chamamos de idéias sobre a educação é, em sim, educar. De fato, para repensar o estado que se encontra a educação, devemos nos abrir a possibilidade de quebrar com a falsa imagem que temos do professorado, dos pais, do papel da sociedade, do Estadossauro e, fundamentalmente, de nós mesmos enquanto educadores, enquanto indivíduos civicamente (des)comprometidos (vide: PACHECO; 1998).

Para tanto, há-se a necessidade de se ter coragem intelectual para assim não mais continuarmos a tapar o sol da verdade com uma imagem de educação que nem mesmo nós vivenciamos intimamente. Ora, se apenas se compreende a realidade de algo almejando a apreensão sobre a sua verdade, por que então não somos verdadeiros conosco mesmo?

Por isso a necessidade da coragem moral e intelectual.

Não podemos, de modo algum, temer a destruição de nossas falsas convicções. Alias, devemos desejar que a correção de nossas falhas, de nossas vacilações, pois, infeliz é o indivíduo que atrela a sua vida em um cíclico viciado pelo gesto de encobrir os seus rastros torvos. Rastros estes extremamente presentes em nossa sociedade, em nossas vidas e que, se nós, educadores e cidadãos, não começarmos a nos dedicar à reflexão sobre o real estado desta e sobre nossas atitudes cotidianas, continuaremos a andar em círculos, perdidos como cachorros de caíram de uma mudança, em meio ao deserto edificado pela omissão para com a verdade (vide: VARGAS; 2006).

Verdade que poderia nos desnudar e assim, nos libertar de nós mesmos.

Enquanto não tivermos coragem de sermos impopulares conosco mesmo, continuaremos a ser os mesmos bajuladores de nossos erros e, obviamente, continuaremos a nos sentir como sendo as grandes vítimas de uma situação que nós mesmos nos recusamos a enfrentar. Situação que nós mesmos construímos com nossos medos, fantasmas e ilusões

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Referências:

AZEVEDO, Reinaldo. Por que eles nos odeiam tanto? Blog Reinaldo Azevedo: Publicado em 28/01/2008. Disponível na Internet: http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

CARVALHO, Olavo de. O abando dos ideais. Aula do curso Introdução à Vida Intelectual: setembro de 1987. Disponível na Internet: http://olavodecarvalho.org.

PACHECO, José. Avaliação de quê? In: Jornal A PÁGINA: ano VII, nº 65, Fevereiro de 1998, p. 20. Disponível na Internet: http://apagina.pt.

VARGAS, Carlos Eduardo. Filosofia da Pessoa. [s/ed.]. Arquivo em formato Word, 2006.

"Quem perde os seus bens, perde muito; quem perde um amigo, perde mais;

mas quem perde a coragem, perde tudo". (Miguel de Cervantes)

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Quando o assunto é educação e a prenhe necessidade que este país tem dela, de pronto aparecem os Sumo Sacerdotes do Fracasso, proclamando a necessidade de uma Educação Pública de qualidade.

E o mais legal disso tudo é que eles sempre falam em nome de uma determinada “coletividade”, do “bem comum”. Nunca tem coragem o suficiente para falar por si mesmos, para falar a verdade, para proclamar aquilo que realmente motiva as suas intenções.

São covardes dissimulados e, assim o são, porque sempre estão falando em nome de seus interesses mesquinhos, evocando palavras miúdas oriundas de suas almas tacanhas, por terem perdido o fio de Ariadne de sua consciência individual (vide: CARVALHO; 1987).

Ora, meus caros amigos, “[...]o indivíduo que se preza só deve satisfação à sua própria consciência; não se junta em milícias para tentar esmagar a diferenças ou anulá-las em nome de valores tornados sagrados porque coletivos ou partilhados por uma maioria. Isso é coisa de corja, de súcia, de delinqüentes morais, de mascates do ressentimento, da vulgaridade e da ignorância”, como muito bem nos lembra o jornalista Reinaldo Azevedo (2008).

Percebe-se com clareza que o que menos há nesta seara é coragem moral, visto que o que mais carece é a existência da dita, esquecida e totalmente desdenhada consciência moral.

São raras as pessoas no magistério que tem a coragem de dizer aquilo que deve ser dito como também são raras as almas que estejam, de fato, compromissadas com a verdade sobre si mesmas que, por sua deixa, é o ponto chave na formação do caráter humano e, por isso mesmo, ponto basilar do ato de educar, seja o agente educador um professor ou um pai.

Visto minha discordância frente à concordância geral da maioria dos pareceres de meus colegas de ofício e de meus concidadãos, lembro aqui que sigo o conselho de Machado de Assis, que nos diz que: “[...]as idéias, são como as nozes, e até hoje não descobri melhor processo para saber o que está dentro de umas e de outras, - senão quebrá-las”.

Quebrar nossas ilusões que tão afetuosamente chamamos de idéias sobre a educação é, em sim, educar. De fato, para repensar o estado que se encontra a educação, devemos nos abrir a possibilidade de quebrar com a falsa imagem que temos do professorado, dos pais, do papel da sociedade, do Estadossauro e, fundamentalmente, de nós mesmos enquanto educadores, enquanto indivíduos civicamente (des)comprometidos (vide: PACHECO; 1998).

Para tanto, há-se a necessidade de se ter coragem intelectual para assim não mais continuarmos a tapar o sol da verdade com uma imagem de educação que nem mesmo nós vivenciamos intimamente. Ora, se apenas se compreende a realidade de algo almejando a apreensão sobre a sua verdade, por que então não somos verdadeiros conosco mesmo?

Por isso a necessidade da coragem moral e intelectual.

Não podemos, de modo algum, temer a destruição de nossas falsas convicções. Alias, devemos desejar que a correção de nossas falhas, de nossas vacilações, pois, infeliz é o indivíduo que atrela a sua vida em um cíclico viciado pelo gesto de encobrir os seus rastros torvos. Rastros estes extremamente presentes em nossa sociedade, em nossas vidas e que, se nós, educadores e cidadãos, não começarmos a nos dedicar à reflexão sobre o real estado desta e sobre nossas atitudes cotidianas, continuaremos a andar em círculos, perdidos como cachorros de caíram de uma mudança, em meio ao deserto edificado pela omissão para com a verdade (vide: VARGAS; 2006).

Verdade que poderia nos desnudar e assim, nos libertar de nós mesmos.

Enquanto não tivermos coragem de sermos impopulares conosco mesmo, continuaremos a ser os mesmos bajuladores de nossos erros e, obviamente, continuaremos a nos sentir como sendo as grandes vítimas de uma situação que nós mesmos nos recusamos a enfrentar. Situação que nós mesmos construímos com nossos medos, fantasmas e ilusões

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Referências:

AZEVEDO, Reinaldo. Por que eles nos odeiam tanto? Blog Reinaldo Azevedo: Publicado em 28/01/2008. Disponível na Internet: http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

CARVALHO, Olavo de. O abando dos ideais. Aula do curso Introdução à Vida Intelectual: setembro de 1987. Disponível na Internet: http://olavodecarvalho.org.

PACHECO, José. Avaliação de quê? In: Jornal A PÁGINA: ano VII, nº 65, Fevereiro de 1998, p. 20. Disponível na Internet: http://apagina.pt.

VARGAS, Carlos Eduardo. Filosofia da Pessoa. [s/ed.]. Arquivo em formato Word, 2006.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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