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23 Jan 2008

Dormindo Com o Inimigo

Escrito por 

Quando um turco se sente à vontade espancando um cidadão do país que o acolhe e se sente autorizado a chamá-lo de “alemão de merda”, os alemães já perderam a batalha.

Quem me acompanha sabe que, desde há muito, não nutro pelo Brasil esperança alguma. Apesar do cocoricó presidencial, o país afunda no caos a cada dia que passa. A guerrilha católica dos sem-terra, financiada pelo próprio governo, continua tomando terras, destruindo laboratórios, invadindo próprios da União. Os indígenas, apoiados por ONGs alienígenas, continuam ocupando territórios onde jamais viveram, fazendo reféns, interrompendo estradas, matando garimpeiros. Surgiu agora o movimento dos quilombolas. Qualquer negro – ou branco que se declare negro – pode sair a reivindicar terras nas quais nunca viveu. O tráfico tomou conta das favelas, transformando-as em bantustões onde a polícia só entra com reforços. Mananciais que deveriam ser áreas preservadas estão tomados por milhões de pessoas. O caos é tal que ultimamente surgiram até mesmo falsas favelas. Ou seja, vivaldinos montam barracos vazios junto a áreas de potencial valorização, para depois serem indenizados com o tal de cheque-despejo.

Quer dizer, o Brasil não tem cura. Estes problemas todos só tendem a agravar-se e eu não acredito que, no próximo século, o país conserve esta geografia à qual estamos habituados. Aliás, desde há muito defendo o separatismo. Se este país fosse dividido em quatro ou cinco, todos viveriam melhor. (De minha parte, esteja onde estiver, renuncio ao nome Brasil. Quem quiser que o leve). Se nunca consegui crer em um futuro glorioso para meu país, quando Lula foi eleito minha desesperança resvalou mais alguns metros rumo ao abismo. Com sua reeleição, não sobrou nada. Disto o Supremo Apedeuta não tem culpa. A culpa é deste poviléu infame que nele depositou seu voto. A desgraça do Brasil não é a saúva, como pensava Lobato. É o brasileiro.

Não, não deposito esperança alguma em meus compatriotas. Mas sempre me entusiasmei com a Europa. Lá pelo início dos 70, ainda jovem, conheci um continente cujos países respeitavam o cidadão, cujas cidades eram lindas, limpas e amenas, onde se podia passear à noite sem ter medo da própria sombra, onde havia boa imprensa e liberdade de expressão. Eram países onde me agradaria viver, e acabei vivendo em três deles: Suécia, França e Espanha. Eram países pelos quais valia a pena lutar. Estou usando os verbos no passado, embora essas condições ainda existam. Mas, ao que tudo indica, não existirão por muito tempo mais.

Acabei de ler um livro deprimente. Não que o livro seja em si deprimente. Deprimentes são os fatos narrados no livro. Falo de Os últimos dias da Europa – Epitáfio para um velho continente, do historiador alemão Walter Laqueur. Desde meus dias de Paris, nos anos 70, comecei a intuir que os muçulmanos ameaçavam o velho continente. Em 23 de março de 1979, eu escrevia minha primeira crônica sobre o assunto: “Islã preocupa franceses”. Na época, havia apenas uma apreensão. Hoje, existe a consciência de um desastre sem volta. Tive uma aguda percepção disto quando li, no jornal sueco Aftonbladet, há uns quatro ou cinco anos, esta manchete:

Stockholmarnas farligaste gator

Ou seja, as ruas mais perigosas de Estocolmo. Ora, quando vivi lá, em 71/72, não havia uma única rua perigosa na cidade. Agora, o Aftonbladet listava mais de cem. Que ocorrera de lá para cá? A invasão muçulmana. Laqueur, com sua visão privilegiada de cidadão da Alemanha, traça em seu livro um panorama desolador. É triste ver um continente, que sempre cultivou os ideais de liberdade, tendo seus judiciários, executivos e legislativos rendidos à barbárie islâmica.

“Quanto estamos preparados para suportar de uma pequena parcela de jovens violentos, freqüentemente de origem estrangeira?” perguntou recentemente Roland Koch, destacado membro do Partido Democrata Cristão alemão. Koch foi delicado. Seria mais preciso se falasse em jovens violentos de origem turca ou árabe. Melhor ainda se dissesse jovens muçulmanos. A Alemanha tem 15 milhões de habitantes de origem imigrante. Os muçulmanos são apenas 3,5 milhões. Mas jamais teremos notícias de agressões generalizadas da parte de imigrantes latinos ou brasileiros, chineses ou hindus.

Koch foi aplaudido por seus colegas ao exigir uma repressão aos “jovens criminosos estrangeiros”. (Leia-se criminosos árabes e turcos). Grupos de imigrantes e rivais políticos disseram que ele está brincando com fogo em um debate que revela a xenofobia. Ou seja, enunciar uma verdade singela passou a ser sinônimo de xenofobia. Cabe dizer que esta palavra é um neologismo que não corresponde muito bem à realidade que pretende expressar. Etimologicamente, xenofobia seria medo ao estrangeiro. Ora, não é que os europeus temam os estrangeiros. O que sentem, não pelo estrangeiro, mas por certo tipo de estrangeiros – leia-se muçulmanos – antes de ser medo é simplesmente asco.O pronunciamento foi motivado pela agressão a um aposentado de 76 anos, que sofreu uma fratura no crânio ao ser espancado por um alemão de 20 anos descendente de turcos e um imigrante grego de 17 anos em 20 de dezembro passado, depois de pedir a eles que parassem de fumar em um vagão do metrô em Munique, onde é proibido fumar.

Segundo o Der Spiegel, o aposentado se recuperou após um período no hospital e lembra de como cuspiram nele e o chamaram de “alemão de merda” antes de o chutarem na cabeça. A polícia prendeu os agressores logo depois e o caso foi encerrado como um ataque covarde por parte de dois criminosos violentos com longa ficha policial.

Em Os últimos dias da Europa, Walter Laqueur analisa os problemas da imigração africana e muçulmana na França, Alemanha, Reino Unido e Espanha. Para dar uma idéia do livro, vou ater-me ao Estado alemão que, a crer-se no relato do autor, rendeu-se definitivamente à barbárie islâmica.Os alemães começaram a receber turcos na segunda metade dos anos 50, em virtude de falta de mão-de-obra. Eram os gastarbeiter – trabalhadores convidados – que acabaram sendo hóspedes definitivos. Nos anos 70, a migração prosseguiu. Muitos pediram asilo político, quando em verdade fugiam das condições econômicas de seu país.

Os assistentes sociais “mostraram aos turcos como manipular a rede de seguro social – ou seja, como tirar o máximo de ajuda financeira e de outros tipos do Estado e das autoridades locais, dando um mínimo de contribuição ao bem comum”. O mesmo, diga-se de passagem, ocorreu na Dinamarca. Assistentes sociais adoram subdesenvolvidos.Ao contrário dos que imigraram para a França ou Grã-Bretanha, que de alguma forma arranhavam o francês ou o inglês, os turcos não falavam alemão e se isolaram em seus guetos. Seus filhos podiam até ir para as escolas alemãs, mas as filhas não podiam participar de atividades esportivas, excursões com as turmas ou aulas de biologia em que se falasse de sexo. “Insistiam no ensino islâmico na escola e ia aos tribunais para garantir seus direitos. Por fim, conseguiram. As autoridades alemães contrataram professores de religião, em sua maioria estrangeiros fundamentalistas e que que ou não falavam alemão ou tinham um domínio mínimo do idioma”. Como as autoridades alemães achavam que o ensino religioso devia ser ministrado em alemão, a isto se opuseram as organizações religiosas turcas e o próprio governo da Turquia. “Os tribunais alemães, na dúvida, decidiam em favor dos muçulmanos. Rejeitavam as denúncias de não-muçulmanos com relação ao barulho provocado pelos alto-falantes das mesquitas, que amplificavam as convocações e preces dos muezins”.

As conquistas turcas avançaram. Metin Kaplan, um criminoso turco condenado a quatro anos por incitamento ao assassinato, recebeu da cidade de Colônia mais de duzentos mil euros a título de assistência social. A Milli Goerus, organização turca incrustada na Alemanha, tem como projeto um país que viva segundo as estritas leis do Islã, mesmo que para isso seja preciso fazer certas concessões até que os muçulmanos constituam maioria. O grupo tem em torno de 220 mil militantes e dirige cerca de 270 mesquitas na Alemanha. “Ela visa substituir a ordem secular no país em que vivem por uma outra baseada na sharia – a lei islâmica – , primeiramente naquelas regiões em que os muçulmanos são maioria, ou uma minoria representativa, e posteriormente à medida que seu espaço se expanda”.

Laqueur nos traz relatos insólitos dos bairros de Kreutzberg, Wedding, Neukoelln e outros habitados por turcos. Neles existem bancos, agências de visagem, lojas e consultórios médicos turcos. “Rapazes param as pessoas nas ruas e lhes dizem que, se não são muçulmanas, devem deixar as redondezas. As crianças alemãs têm sido expulsas de playgrounds. Na escola, os não-muçulmanos são pressionados a jejuar durante o ramada, as garotas não-muçulmanas são coagidas a usar roupas parecidas com as das garotas muçulmanas ou, pelo menos, saias, calças ou camisetas que não sejam consideradas indecentes. Pais de estudantes tiveram conhecimento de que, sejam quais forem as orientações que a escola lhes dê, a mesquita e suas aulas têm sempre a prioridade”.

Ou seja, tá tudo dominado. Os alemães já não mandam mais no próprio país. Seus próprios filhos têm de submeter-se a evitar determinados bairros e aos costumes islâmicos. E a Alemanha continua convidando muçulmanos para seu leito. A Lei de Cidadania de 2000 tornou mais fácil para os turcos obter a cidadania alemã. “Cerca de 160 mil têm se beneficiado anualmente desse direito”. Não bastasse isto, o governo alemão gasta atualmente cem milhões de euros por ano para promover a integração… com o inimigo.

A situação na França, Reino Unido e Espanha não é menos alentadora. Para aqueles que, como eu, um dia se fascinaram pela Europa, recomendo vivamente a leitura de Laqueur. Quando um turco se sente à vontade espancando um cidadão do país que o acolhe e se sente autorizado a chamá-lo de “alemão de merda”, os alemães já perderam a batalha. Laqueur já aventa a possibilidade de regiões binacionais autônomas na França. Os muçulmanos poderiam fazer concessões com relação à sharia, e as autoridades francesas poderiam desistir do velho modelo republicano, com uma clara divisão entre Igreja e Estado. Em meio a isso, os judeus que se cuidem. Talvez muito em breve sejam forçados a um novo êxodo da Europa.

Me sinto até feliz por não me restarem mais muitos anos de vida. Me doeria profundamente ver aquele continente que tanto adoro totalmente rendido aos bárbaros. Eu não verei este horror, ainda resta muito de bom na Europa nas próximas duas ou três décadas. Mas minha filha certamente o verá.

Quem me acompanha sabe que, desde há muito, não nutro pelo Brasil esperança alguma. Apesar do cocoricó presidencial, o país afunda no caos a cada dia que passa. A guerrilha católica dos sem-terra, financiada pelo próprio governo, continua tomando terras, destruindo laboratórios, invadindo próprios da União. Os indígenas, apoiados por ONGs alienígenas, continuam ocupando territórios onde jamais viveram, fazendo reféns, interrompendo estradas, matando garimpeiros. Surgiu agora o movimento dos quilombolas. Qualquer negro – ou branco que se declare negro – pode sair a reivindicar terras nas quais nunca viveu. O tráfico tomou conta das favelas, transformando-as em bantustões onde a polícia só entra com reforços. Mananciais que deveriam ser áreas preservadas estão tomados por milhões de pessoas. O caos é tal que ultimamente surgiram até mesmo falsas favelas. Ou seja, vivaldinos montam barracos vazios junto a áreas de potencial valorização, para depois serem indenizados com o tal de cheque-despejo.

Quer dizer, o Brasil não tem cura. Estes problemas todos só tendem a agravar-se e eu não acredito que, no próximo século, o país conserve esta geografia à qual estamos habituados. Aliás, desde há muito defendo o separatismo. Se este país fosse dividido em quatro ou cinco, todos viveriam melhor. (De minha parte, esteja onde estiver, renuncio ao nome Brasil. Quem quiser que o leve). Se nunca consegui crer em um futuro glorioso para meu país, quando Lula foi eleito minha desesperança resvalou mais alguns metros rumo ao abismo. Com sua reeleição, não sobrou nada. Disto o Supremo Apedeuta não tem culpa. A culpa é deste poviléu infame que nele depositou seu voto. A desgraça do Brasil não é a saúva, como pensava Lobato. É o brasileiro.

Não, não deposito esperança alguma em meus compatriotas. Mas sempre me entusiasmei com a Europa. Lá pelo início dos 70, ainda jovem, conheci um continente cujos países respeitavam o cidadão, cujas cidades eram lindas, limpas e amenas, onde se podia passear à noite sem ter medo da própria sombra, onde havia boa imprensa e liberdade de expressão. Eram países onde me agradaria viver, e acabei vivendo em três deles: Suécia, França e Espanha. Eram países pelos quais valia a pena lutar. Estou usando os verbos no passado, embora essas condições ainda existam. Mas, ao que tudo indica, não existirão por muito tempo mais.

Acabei de ler um livro deprimente. Não que o livro seja em si deprimente. Deprimentes são os fatos narrados no livro. Falo de Os últimos dias da Europa – Epitáfio para um velho continente, do historiador alemão Walter Laqueur. Desde meus dias de Paris, nos anos 70, comecei a intuir que os muçulmanos ameaçavam o velho continente. Em 23 de março de 1979, eu escrevia minha primeira crônica sobre o assunto: “Islã preocupa franceses”. Na época, havia apenas uma apreensão. Hoje, existe a consciência de um desastre sem volta. Tive uma aguda percepção disto quando li, no jornal sueco Aftonbladet, há uns quatro ou cinco anos, esta manchete:

Stockholmarnas farligaste gator

Ou seja, as ruas mais perigosas de Estocolmo. Ora, quando vivi lá, em 71/72, não havia uma única rua perigosa na cidade. Agora, o Aftonbladet listava mais de cem. Que ocorrera de lá para cá? A invasão muçulmana. Laqueur, com sua visão privilegiada de cidadão da Alemanha, traça em seu livro um panorama desolador. É triste ver um continente, que sempre cultivou os ideais de liberdade, tendo seus judiciários, executivos e legislativos rendidos à barbárie islâmica.

“Quanto estamos preparados para suportar de uma pequena parcela de jovens violentos, freqüentemente de origem estrangeira?” perguntou recentemente Roland Koch, destacado membro do Partido Democrata Cristão alemão. Koch foi delicado. Seria mais preciso se falasse em jovens violentos de origem turca ou árabe. Melhor ainda se dissesse jovens muçulmanos. A Alemanha tem 15 milhões de habitantes de origem imigrante. Os muçulmanos são apenas 3,5 milhões. Mas jamais teremos notícias de agressões generalizadas da parte de imigrantes latinos ou brasileiros, chineses ou hindus.

Koch foi aplaudido por seus colegas ao exigir uma repressão aos “jovens criminosos estrangeiros”. (Leia-se criminosos árabes e turcos). Grupos de imigrantes e rivais políticos disseram que ele está brincando com fogo em um debate que revela a xenofobia. Ou seja, enunciar uma verdade singela passou a ser sinônimo de xenofobia. Cabe dizer que esta palavra é um neologismo que não corresponde muito bem à realidade que pretende expressar. Etimologicamente, xenofobia seria medo ao estrangeiro. Ora, não é que os europeus temam os estrangeiros. O que sentem, não pelo estrangeiro, mas por certo tipo de estrangeiros – leia-se muçulmanos – antes de ser medo é simplesmente asco.O pronunciamento foi motivado pela agressão a um aposentado de 76 anos, que sofreu uma fratura no crânio ao ser espancado por um alemão de 20 anos descendente de turcos e um imigrante grego de 17 anos em 20 de dezembro passado, depois de pedir a eles que parassem de fumar em um vagão do metrô em Munique, onde é proibido fumar.

Segundo o Der Spiegel, o aposentado se recuperou após um período no hospital e lembra de como cuspiram nele e o chamaram de “alemão de merda” antes de o chutarem na cabeça. A polícia prendeu os agressores logo depois e o caso foi encerrado como um ataque covarde por parte de dois criminosos violentos com longa ficha policial.

Em Os últimos dias da Europa, Walter Laqueur analisa os problemas da imigração africana e muçulmana na França, Alemanha, Reino Unido e Espanha. Para dar uma idéia do livro, vou ater-me ao Estado alemão que, a crer-se no relato do autor, rendeu-se definitivamente à barbárie islâmica.Os alemães começaram a receber turcos na segunda metade dos anos 50, em virtude de falta de mão-de-obra. Eram os gastarbeiter – trabalhadores convidados – que acabaram sendo hóspedes definitivos. Nos anos 70, a migração prosseguiu. Muitos pediram asilo político, quando em verdade fugiam das condições econômicas de seu país.

Os assistentes sociais “mostraram aos turcos como manipular a rede de seguro social – ou seja, como tirar o máximo de ajuda financeira e de outros tipos do Estado e das autoridades locais, dando um mínimo de contribuição ao bem comum”. O mesmo, diga-se de passagem, ocorreu na Dinamarca. Assistentes sociais adoram subdesenvolvidos.Ao contrário dos que imigraram para a França ou Grã-Bretanha, que de alguma forma arranhavam o francês ou o inglês, os turcos não falavam alemão e se isolaram em seus guetos. Seus filhos podiam até ir para as escolas alemãs, mas as filhas não podiam participar de atividades esportivas, excursões com as turmas ou aulas de biologia em que se falasse de sexo. “Insistiam no ensino islâmico na escola e ia aos tribunais para garantir seus direitos. Por fim, conseguiram. As autoridades alemães contrataram professores de religião, em sua maioria estrangeiros fundamentalistas e que que ou não falavam alemão ou tinham um domínio mínimo do idioma”. Como as autoridades alemães achavam que o ensino religioso devia ser ministrado em alemão, a isto se opuseram as organizações religiosas turcas e o próprio governo da Turquia. “Os tribunais alemães, na dúvida, decidiam em favor dos muçulmanos. Rejeitavam as denúncias de não-muçulmanos com relação ao barulho provocado pelos alto-falantes das mesquitas, que amplificavam as convocações e preces dos muezins”.

As conquistas turcas avançaram. Metin Kaplan, um criminoso turco condenado a quatro anos por incitamento ao assassinato, recebeu da cidade de Colônia mais de duzentos mil euros a título de assistência social. A Milli Goerus, organização turca incrustada na Alemanha, tem como projeto um país que viva segundo as estritas leis do Islã, mesmo que para isso seja preciso fazer certas concessões até que os muçulmanos constituam maioria. O grupo tem em torno de 220 mil militantes e dirige cerca de 270 mesquitas na Alemanha. “Ela visa substituir a ordem secular no país em que vivem por uma outra baseada na sharia – a lei islâmica – , primeiramente naquelas regiões em que os muçulmanos são maioria, ou uma minoria representativa, e posteriormente à medida que seu espaço se expanda”.

Laqueur nos traz relatos insólitos dos bairros de Kreutzberg, Wedding, Neukoelln e outros habitados por turcos. Neles existem bancos, agências de visagem, lojas e consultórios médicos turcos. “Rapazes param as pessoas nas ruas e lhes dizem que, se não são muçulmanas, devem deixar as redondezas. As crianças alemãs têm sido expulsas de playgrounds. Na escola, os não-muçulmanos são pressionados a jejuar durante o ramada, as garotas não-muçulmanas são coagidas a usar roupas parecidas com as das garotas muçulmanas ou, pelo menos, saias, calças ou camisetas que não sejam consideradas indecentes. Pais de estudantes tiveram conhecimento de que, sejam quais forem as orientações que a escola lhes dê, a mesquita e suas aulas têm sempre a prioridade”.

Ou seja, tá tudo dominado. Os alemães já não mandam mais no próprio país. Seus próprios filhos têm de submeter-se a evitar determinados bairros e aos costumes islâmicos. E a Alemanha continua convidando muçulmanos para seu leito. A Lei de Cidadania de 2000 tornou mais fácil para os turcos obter a cidadania alemã. “Cerca de 160 mil têm se beneficiado anualmente desse direito”. Não bastasse isto, o governo alemão gasta atualmente cem milhões de euros por ano para promover a integração… com o inimigo.

A situação na França, Reino Unido e Espanha não é menos alentadora. Para aqueles que, como eu, um dia se fascinaram pela Europa, recomendo vivamente a leitura de Laqueur. Quando um turco se sente à vontade espancando um cidadão do país que o acolhe e se sente autorizado a chamá-lo de “alemão de merda”, os alemães já perderam a batalha. Laqueur já aventa a possibilidade de regiões binacionais autônomas na França. Os muçulmanos poderiam fazer concessões com relação à sharia, e as autoridades francesas poderiam desistir do velho modelo republicano, com uma clara divisão entre Igreja e Estado. Em meio a isso, os judeus que se cuidem. Talvez muito em breve sejam forçados a um novo êxodo da Europa.

Me sinto até feliz por não me restarem mais muitos anos de vida. Me doeria profundamente ver aquele continente que tanto adoro totalmente rendido aos bárbaros. Eu não verei este horror, ainda resta muito de bom na Europa nas próximas duas ou três décadas. Mas minha filha certamente o verá.

Janer Cristaldo

O escritor e jornalista Janer Cristaldo nasceu em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul. Formou-se em Direito e Filosofia e doutorou-se em Letras Francesas e Comparadas pela Université de la Sorbonne Nouvelle (Paris III). Morou na Suécia, França e Espanha. Lecionou Literatura Comparada e Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina e trabalhou como redator de Internacional nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Faleceu no dia 18 de Outubro de 2014.

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