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21 Jul 2004

Em Defesa da Igreja

Escrito por 

Nosso objetivo neste pequeno artigo não é o de aprofundar a defesa do verdadeiro direito à vida nos moldes da doutrina da Igreja (para isso, basta ler as encíclicas sociais de João Paulo II, por exemplo), mas, também, o de apontar para os inimigos da moral católica, exibindo a sua verdadeira face.

Uma das instituições mais atacadas nos meios de comunicação,  com seguidas tentativas de denegri-la, de mostrar que estaria “ultrapassada” no mundo de hoje e de tentar abalar seus alicerces, é a Igreja Católica Apostólica Romana, a única que não foi fundada por um homem como outro qualquer, mas pelo próprio Deus, feito homem. A fúria dos seus atuais inimigos está longe de ser a primeira e tampouco será a última, conforme sabe quem estudou a sua história, recheada de calúnias, heresias e desvios de comportamento, tanto interna quanto externamente (ver, por exemplo, os volumes escritos por Daniel Rops). Se os ataques nunca prevaleceram contra ela, apesar dos erros humanos de alguns de seus membros, e se não haverão jamais de obter um êxito mais do que transitório,  é porque, ao longo de seus dois milênios de existência, não faltaram vozes para defender a doutrina ensinada por seu Fundador e legada aos apóstolos, amparadas na certeza de que,  conforme Ele próprio assegurou, a sua Igreja resistirá até o final dos tempos, imune às portas do mal.

Um exemplo dessa nova horda de ataques contra a fé verdadeiramente cristã é a discussão suscitada a partir de ato recente de um ministro do STF, especialmente conhecido por uma indiscutível atração pelos holofotes da fama,  declarando “legal” a prática do aborto eugênico no caso de fetos com anencefalia, inclusive com proibição expressa de outros magistrados ou tribunais decidirem o oposto. Em artigo publicado no site www.conjur.com.br, o Pe. Héctor Velarde Arrieta, SVC, explica que o assunto foi levado ao Supremo Tribunal Federal por ação denominada Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), patrocinada pelo advogado Luís Roberto Barroso e de autoria da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde.  O argumento dos autores baseia-se no fato de que a proibição do aborto de fetos anencéfalos agrediria um preceito fundamental da Constituição, pois vedar à gestante abortar o seu filho gravemente deficiente violaria os princípios da dignidade humana, da legalidade e da liberdade e autonomia da vontade, além daqueles relacionados com a saúde.

Não apenas os autores da ação, mas também os seus inúmeros defensores na mídia, com o objetivo precípuo, deliberado e planejado de enfraquecer os valores morais básicos de nossa própria civilização, precisam, para esse torpe fim, minar as forças da Igreja, para o que recorrem a subterfúgios de falsa lógica como os citados acima, que podem ser desmascarados um a um, a partir de uma e somente uma assertiva – que integra o próprio direito natural -, que é a do direito à vida, uma vez que, cientificamente, está mais do que comprovado que a vida não começa apenas no momento do parto, mas no da concepção da criança.

Um advogado defensor do aborto nos casos de anencefalia – cuja legalização, digamos de passagem, abre caminho para futuras tentativas de aprovação da eugenia e da eutanásia -, chegou ao desplante de escrever, em artigo publicado no Jornal do Brasil da semana passada, em que critica a defesa do direito à vida da criança anencéfala feito há alguns dias pelo eminente jurista Ives Gandra da Silva Martins no mesmo veículo de comunicação,  que o direito à vida seria relativo... Absurdo dos absurdos, principalmente quando professado por alguém que um dia jurou defender a justiça, talvez diante de uma família orgulhosa dos esforços que fez para que pudesse formar-se em Direito! Apela a argumentação do referido causídico para aspectos técnicos de nossa legislação que, segundo sua opinião, justificariam o crime do aborto sob circunstâncias especiais, passando simplesmente por cima do fato elementar de que, tanto no Direito como na sociedade, nem sempre o que é legal é justo. Dizer que a vida do nascituro não duraria mais do que alguns minutos ou horas, para justificar o aborto da mãe, além de ser uma mentira científica, é uma maldade psíquica. E usar os escudos da dignidade humana, da legalidade e da liberdade e autonomia da vontade, como os relacionados com a saúde – todos eles sob a pretensa ótica da mãe (e do pai) – é agredir a dignidade de uma vida indefesa, confundir legalidade com justiça e impor um conceito de liberdade positiva (liberdade para) sem levar em conta a liberdade negativa (liberdade de) da criança. É claro que, entre uma e outra das firulas técnicas com que lota o espaço do artigo, o referido advogado não perde a ocasião de mencionar o aspecto “obscurantista” da moral católica.

Nosso objetivo neste pequeno artigo não é o de aprofundar a defesa do verdadeiro direito à vida nos moldes da doutrina da Igreja (para isso, basta ler as encíclicas sociais de João Paulo II, por exemplo), mas, também, o de apontar para os inimigos da moral católica, exibindo a sua verdadeira face.

Há inimigos externos e internos. Entre os primeiros, há os ateus, especialmente aqueles que se revoltam não apenas contra a Igreja romana, mas contra qualquer religião, geralmente porque, levando o racionalismo às últimas conseqüências e interpretando-o incorretamente, crêem que só se poderia “chegar a Deus” por meio de um raciocínio lógico, tal como em uma demonstração de um teorema. Buscam estes a “demonstração da existência de Deus” e, como sua lógica positivista não permite que a encontrem, põem-se a atacar os “dogmas” da tradição de Pedro. Querem uma “religião” sem dogmas, sem sacramentos, sem valores morais inquestionáveis, em que tudo seria relativo, nos moldes de Nietzsche que, por conta própria, decretou a “morte de Deus”. Alguns são agressivos, outros respeitam a posição dos que crêem, mas todos desmentem Santo Agostinho que, após realizar a mesma busca, capitulou e encontrou a Verdade, sem que por isso tenha deixado de ser racional.

O segundo tipo, que podemos incluir no primeiro,  são os comunistas de carteirinha, aqueles que se assumem  como tal e, coerentemente com a ideologia em que se acham presos, seguem Lênin e acreditam que a religião é, de fato, o ópio dos povos.

O terceiro tipo de inimigos externos são os seguidores de certas seitas ou religiões, fanatizados por seus líderes e por eles ensinados a repudiar os ensinamentos da Igreja, interpretados de mil maneiras, tal como as mil prateleiras dos grandes supermercados.

Com relação aos três, basta esperar a passagem do tempo, ou para que se convençam, post mortem, de seus erros, ou para que percam progressivamente sua força e desapareçam na corrida de bastões que são as sucessivas gerações, como ocorre há dois mil anos. O mais perigoso deles, o comunismo, caiu fragorosamente, embora alguns ainda creiam – especialmente na América Latina e, particularmente, na Brasília de 2004 – que possa ressurgir...

Os inimigos internos são os piores, exatamente porque se imiscuem entre os membros da Igreja, com o objetivo deliberado de destruí-la. Alguns, como Lutero, retiraram-se e fundaram outras religiões, mas outros, como os “teólogos” da libertação, ocupam tribunas, jornais, revistas, acampamentos de sem-terra e cargos na hierarquia eclesiástica e dão, até, conselhos ao Presidente da República. São, a nosso ver, mais perigosos do que os demais, porque falam em nome da Igreja e  exercem grande influência nos meios de comunicação, apesar de ser sabido e notório que o Papa, desde que assumiu a cátedra de Pedro, em 1978, os desautorizou a faze-lo. Também desaparecerão com o tempo, sem alarde, sem choro e sem vela, na medida em que o marxismo com que buscaram contaminar a doutrina de Cristo for completamente desmoralizado.

Enganam-se os que pensam, sejam comunistas ou libertários, que as sociedades podem ser regidas pelo amoralismo. Se o mundo de hoje está podre – quem duvidará disto? – é exatamente porque tem acreditado nessa falácia. Enganam-se também os que pensam que a Igreja não é mais capaz de defender os valores morais insubstituíveis, herança deixada por Cristo a partir da tradição judaica, seja por falta de expressão, por estar “ultrapassada”, por contaminação ideológica ou por falta de pessoas com a coragem necessária para dar-lhe apoio.

Há e sempre haverá os que crêem na Vida e que lutarão sempre para que todos a tenham , e a tenham em abundância.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 20:21
Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

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