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15 Jan 2008

Confusão Geral

Escrito por 

“O orgulho é a fonte de todas as fraquezas, por que é a fonte de todos os vícios”. (Sto. Agostinho, Bispo de Hipona)

Ernesto Sabato adverte-nos sobre aqueles sujeitos que adoram falar de boca cheia que odeiam ou, no mínimo, desdenham a filosofia. Lembra-nos que estes que tanto se gabam desta chula posição, sem o saber, estão a fazer filosofia, porém, do pior qualidade possível (vide: HETERODOXIA).

Estes indivíduos assim procedem por alimentarem em suas almas a impressão de que somos seres humanos melhores que as inúmeras gerações que nos antecederam simplesmente pelo fato de termos em nossas mãos inúmeros brinquedinhos tecnológicos e uma enorme quantidade de informação acumulada em arquivos. E, por essa razão, um adolescente, e mesmo um adulto, pensa que sabe mais e até mesmo que compreende melhor o mundo e a si mesmo do que um Aristóteles, um Santo Agostinho ou do que um São Tomás de Aquino.

Sobre isso, um dado que julgamos ser relevante e que com o passar dos anos mais e mais se torna evidente em nossas observações é o de que quanto mais estúpidas são as pessoas, mais pretensiosas elas se tornam, na mesma proporção em que se convertem em uma caricatura ridícula do que é o ser humano nos idos hodiernos.

Não? Então vejamos: se hoje fôssemos indicar uma obra como a Suma Teológica de São Tomás de Aquino para um estudante ler ou mesmo para um adulto bem [de]formado, com diploma e tudo, seu cérebro iria apanhar feito cachorro sarnento logo nas primeiras páginas. Por isso mesmo nos lembra René Guénon que obras desta envergadura não eram escritas para eruditos, mas sim, para estudantes (vide: SÍMBOLOS FUNDAMENTALES DE LA CIENCIA SAGRADA).

Vejam só o tamanho da degradação que o intelecto humano atingiu e o quanto esse tipo descrito no primeiro parágrafo desta tosca e cáustica missiva abunda em nossa sociedade e o quanto se faz caricato. Os mesmo indivíduos que desdenham toda a tradição filosófica, toda a perenidade dos ensinamentos da scientia veritatis, gabam-se de ter lido livros como The Secret ou similar e presumem que estão aptos a “analisar” qualquer coisa.

Tudo bem se o indivíduo gosta deste tipo de leitura, entretanto, o que não dá para agüentar e ter que ouvir destes indivíduos os seus pareceres sobre os mais variados temas como se a sua impressão subjetiva da realidade objetiva tivesse alguma relevância. Alias, falam grosso para defender o seu sacrossanto direito de obrigar os outros a terem que “aceitar” os seus “eu acho” sobre tudo.

O homo sapiens brasiliensis, de um modo geral, tem uma aversão à profundidade, excetuado a do copo de cerveja, é claro. Mas, ao mesmo tempo, ama ouvir, mais do que ler, toda e qualquer revelação pseudo-esotérica sobre qualquer futilidade. Adora propagar nas rodas de conversa que ele sabe sobre a existência deste ou daquele plano de conspiração secreto. Tão secreto que até ele sabe. Adora falar do poder da mídia em manipular a sociedade e repete os mesmos cacoetes “críticos” (ou similares) que leu ali ou ouviu acolá.

De modo acertado o finado Pontífice João Paulo II nos ensina que uma sociedade vive das obras de sua própria cultura (vide: MEMÓRIA E IDENTIDADE). E, assim sendo, compreendemos perfeitamente porque a sociedade moderna, e a brasileira de modo especial, vêem-se a perambular pelos dias como se fosse um zumbi societal vagando sem ter um porto seguro e muito menos um destino desejável, ficando a vagar pelo ermo movido pelo desejo de destruir tudo que aparente ser melhor que seus mórbidos olhares.

Panacéia para isso, não há. Não mesmo. Porém, como nos lembra Efrén M. Ortiz (vide: LA EDUCACION DESDE LA LOGOTERAPIA), se passarmos a encarar a vida como uma pergunta a ser respondida, se passarmos a crer que a vida é inundada de possibilidades que podem ser levadas a cabo em qualquer situação, poderemos, quem sabe, nos tornar pessoas melhores do que somos.

Mas, se continuarmos a fiar nossas vidas na idéia pacóvia de que a melhor maneira de compreendê-la é a nossa incompreensão total, não conseguiremos ser melhor do que somos. E quem disse que é necessário isso, não é mesmo? Para nos sentirmos um ser humano melhor basta que achemos que todo o restante seja pior, que o mundo não é perfeito só porque ele não é do jeito que a gente queria que fosse. Ora, não é assim, em níveis variados, que a maioria das pessoas pensa?

Eis aí a confusa régua de valores do homem moderno.

Ernesto Sabato adverte-nos sobre aqueles sujeitos que adoram falar de boca cheia que odeiam ou, no mínimo, desdenham a filosofia. Lembra-nos que estes que tanto se gabam desta chula posição, sem o saber, estão a fazer filosofia, porém, do pior qualidade possível (vide: HETERODOXIA).

Estes indivíduos assim procedem por alimentarem em suas almas a impressão de que somos seres humanos melhores que as inúmeras gerações que nos antecederam simplesmente pelo fato de termos em nossas mãos inúmeros brinquedinhos tecnológicos e uma enorme quantidade de informação acumulada em arquivos. E, por essa razão, um adolescente, e mesmo um adulto, pensa que sabe mais e até mesmo que compreende melhor o mundo e a si mesmo do que um Aristóteles, um Santo Agostinho ou do que um São Tomás de Aquino.

Sobre isso, um dado que julgamos ser relevante e que com o passar dos anos mais e mais se torna evidente em nossas observações é o de que quanto mais estúpidas são as pessoas, mais pretensiosas elas se tornam, na mesma proporção em que se convertem em uma caricatura ridícula do que é o ser humano nos idos hodiernos.

Não? Então vejamos: se hoje fôssemos indicar uma obra como a Suma Teológica de São Tomás de Aquino para um estudante ler ou mesmo para um adulto bem [de]formado, com diploma e tudo, seu cérebro iria apanhar feito cachorro sarnento logo nas primeiras páginas. Por isso mesmo nos lembra René Guénon que obras desta envergadura não eram escritas para eruditos, mas sim, para estudantes (vide: SÍMBOLOS FUNDAMENTALES DE LA CIENCIA SAGRADA).

Vejam só o tamanho da degradação que o intelecto humano atingiu e o quanto esse tipo descrito no primeiro parágrafo desta tosca e cáustica missiva abunda em nossa sociedade e o quanto se faz caricato. Os mesmo indivíduos que desdenham toda a tradição filosófica, toda a perenidade dos ensinamentos da scientia veritatis, gabam-se de ter lido livros como The Secret ou similar e presumem que estão aptos a “analisar” qualquer coisa.

Tudo bem se o indivíduo gosta deste tipo de leitura, entretanto, o que não dá para agüentar e ter que ouvir destes indivíduos os seus pareceres sobre os mais variados temas como se a sua impressão subjetiva da realidade objetiva tivesse alguma relevância. Alias, falam grosso para defender o seu sacrossanto direito de obrigar os outros a terem que “aceitar” os seus “eu acho” sobre tudo.

O homo sapiens brasiliensis, de um modo geral, tem uma aversão à profundidade, excetuado a do copo de cerveja, é claro. Mas, ao mesmo tempo, ama ouvir, mais do que ler, toda e qualquer revelação pseudo-esotérica sobre qualquer futilidade. Adora propagar nas rodas de conversa que ele sabe sobre a existência deste ou daquele plano de conspiração secreto. Tão secreto que até ele sabe. Adora falar do poder da mídia em manipular a sociedade e repete os mesmos cacoetes “críticos” (ou similares) que leu ali ou ouviu acolá.

De modo acertado o finado Pontífice João Paulo II nos ensina que uma sociedade vive das obras de sua própria cultura (vide: MEMÓRIA E IDENTIDADE). E, assim sendo, compreendemos perfeitamente porque a sociedade moderna, e a brasileira de modo especial, vêem-se a perambular pelos dias como se fosse um zumbi societal vagando sem ter um porto seguro e muito menos um destino desejável, ficando a vagar pelo ermo movido pelo desejo de destruir tudo que aparente ser melhor que seus mórbidos olhares.

Panacéia para isso, não há. Não mesmo. Porém, como nos lembra Efrén M. Ortiz (vide: LA EDUCACION DESDE LA LOGOTERAPIA), se passarmos a encarar a vida como uma pergunta a ser respondida, se passarmos a crer que a vida é inundada de possibilidades que podem ser levadas a cabo em qualquer situação, poderemos, quem sabe, nos tornar pessoas melhores do que somos.

Mas, se continuarmos a fiar nossas vidas na idéia pacóvia de que a melhor maneira de compreendê-la é a nossa incompreensão total, não conseguiremos ser melhor do que somos. E quem disse que é necessário isso, não é mesmo? Para nos sentirmos um ser humano melhor basta que achemos que todo o restante seja pior, que o mundo não é perfeito só porque ele não é do jeito que a gente queria que fosse. Ora, não é assim, em níveis variados, que a maioria das pessoas pensa?

Eis aí a confusa régua de valores do homem moderno.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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