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06 Jan 2008

O Anticomunista Radical

Escrito por 

Portanto, pretendo continuar sendo um anticomunista “radical”, ou seja, intransigente com aqueles que odeiam a liberdade individual.

Extremismo na defesa da liberdade não é vício algum...

e moderação na busca pela justiça não é virtude alguma.” (Barry Goldwater)

 

Alguns leitores afirmam que gostam de boa parte do conteúdo daquilo que escrevo, mas criticam a forma com a qual me expresso, muitas vezes intolerante demais com os inimigos. Acusam-me de coisas como “radical” ou “extremista”, que não fazem muito sentido para mim. Afinal, radical em relação a que? Por que seria ruim ser radical na defesa da liberdade, por exemplo? Por que seria indesejável ser extremista no combate à tirania? Alegam que através de uma forma mais suave eu poderia conquistar mais gente com meus argumentos. Pode ser que sim. Eu li Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, de Dale Carnegie. Um manual para políticos pragmáticos. Mas nunca afirmei que a minha intenção era política, ou seja, influenciar a maior quantidade de pessoas possível. Deixo isso com os profissionais da área. Meu objetivo é sustentar com bons argumentos aquilo que considero verdadeiro. Quero defender o justo e ser livre para falar o que penso, sem preocupação com os aplausos da platéia ou com leitores ofendidos por meus pontos. Por isso digo o que entendo como certas verdades incômodas, sem papas na língua. Minha intenção não é agradar a todos.

Um dos principais motivos para esta reação infelizmente comum por parte dos leitores está sempre associado a minha agressividade verbal com os comunistas. Sim, reconheço que uso palavras duras contra eles. Mas como agir diferente tendo conhecimento dos fatos? Como alguém que sinceramente defende a liberdade deve tratar um defensor de Stalin ou Fidel Castro? Onde está o grande equívoco em chamar de hipócrita um notório hipócrita, como fiz no artigo sobre o idolatrado arquiteto comunista que nutre profunda amizade pelo genocida do Caribe? Por mais que eu me esforce, não consigo entender esses apelos. Não vejo virtude alguma em compactuar com essa podridão que torna certos tipos intocáveis pelas críticas. Não acho razoável ter que contemporizar com quem considero parte da escória humana. Meu mundo simplesmente não funciona assim. Nele, os pingos estão nos “is” e os bois têm nome correto. O uso de eufemismos nunca me atraiu. Ser simpático com quem não presta não faz parte do meu código de conduta.

Os temas religiosos costumam desfrutar dessa aura de proteção, tratados como sagrados mesmo por aqueles que não enxergam nada de sagrado ali. Se você questionar a racionalidade de quem realmente acredita que o vinho se transforma em sangue de Cristo, ou que o corpo de Maria literalmente subiu ao Céu, você é acusado de ofensivo. A ofensa não está na crença irracional, dizem, mas naquele que mostra a irracionalidade.* O que sempre valeu para os assuntos religiosos se estende agora também para a postura ideológica e política. Chamar um comunista de comunista, com o desdém que todo comunista merece, passa a ser visto como ofensa. Mas defender o regime mais assassino de toda a história não. Isso pode. Não dá para aceitar! Como devemos lidar com aqueles que, se poder tivessem, nos mandariam para um Gulag na Sibéria? Como tratar aqueles imorais para quem os fins justificam quaisquer meios? Sim, porque comunistas são cúmplices dessas atrocidades, ao menos nas idéias. E por mais que digam que aquilo que existiu na União Soviética, China, Camboja, Cuba, Coréia do Norte etc., não era comunismo, mas o “socialismo real”, estão fugindo do ponto. Comunismo como fim de fato nunca existiu, pois não é possível com o ser humano como é, ainda bem. Mas os meios defendidos para esta pura idealização da inveja, como o controle estatal dos meios de produção, são sim aqueles empregados por todos os países socialistas, que inexoravelmente levam ao caos, miséria, terror e escravidão.

O teste final que faço com todos que pedem mais tolerância e suavidade com comunistas normalmente é muito bem sucedido. Eu simplesmente pergunto se eles estão dispostos a conceder o mesmo tratamento aos nazistas. A resposta costuma ser o silêncio, pois poucos relativistas estão dispostos a ir tão longe no seu relativismo. No máximo, eles reagem com uma fuga tradicional, falando que não são coisas comparáveis, sem explicar os motivos, e insistindo que sou radical demais. Ora, por que a analogia não é válida? Por que devemos ser obsequiosos com os defensores do comunismo ou socialismo, responsáveis pelo extermínio de milhões de pessoas, mas devemos ser intransigentes com os nacional-socialistas? Por que tratar com respeito imerecido os seguidores de Lênin, Stalin, Pol-Pot, Mao ou Fidel Castro, mas abominar os seguidores de Hitler, farinha do mesmíssimo saco podre? Por que defender a proibição do uso da suástica como símbolo, mas aceitar, até mesmo em partidos oficiais, a foice e o martelo, ícones do regime mais nefasto que já existiu? Nunca tive uma boa resposta, com argumentos decentes. E quem deseja respeito por suas idéias, deve apresentar um bom motivo para tanto, ou seja, argumentos embasados.

Portanto, pretendo continuar sendo um anticomunista “radical”, ou seja, intransigente com aqueles que odeiam a liberdade individual. Lembro do alerta de Karl Popper aqui: “Não devemos aceitar sem qualificação o princípio de tolerar os intolerantes senão corremos o risco de destruição de nós próprios e da própria atitude de tolerância”. Ser radical contra o fanatismo islâmico, por exemplo, é uma virtude, não um vício. Ser radical contra os comunistas segue o mesmo princípio. Todo comunista é ou um completo ignorante ou um safado. Não há outra hipótese. O comunismo agride a lógica e os fatos empíricos. Um comunista inteligente, que domina o assunto econômico e político, e é honesto intelectualmente, além de íntegro como pessoa, existe tanto quanto unicórnios, gnomos e sereias. Por que devo medir minhas palavras ao constatar este fato? Por que é errado chamar um ignorante de ignorante ou um safado de safado? Por que a hipocrisia merece ser chamada por um nome mais belo? Por que devemos disfarçar a inveja como motivador daqueles que pregam a igualdade material? Para quem ainda discorda do meu “radicalismo”, sugiro o teste: tente pensar se seria capaz de respeitar um nazista como pessoa, considerando que ele pode ser tanto inteligente como íntegro. Boa sorte.

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* Para quem acha esse exemplo também radical, lembro que a doutrina da assunção da Virgem Santíssima foi definida como artigo de fé pelo papa Pio XII há pouco tempo, em 1º de novembro de 1950, e é obrigatória para todos os católicos. Ela afirma claramente que o corpo de Maria subiu ao Céu e foi reunido à sua alma. Richard Dawkins, em O Capelão do Diabo, diante destes fatos, pergunta: “Por que a nossa sociedade aquiesceu de maneira tão cordata na conveniente ficção de que as visões religiosas têm alguma espécie de direito automático e indiscutível a uma posição respeitável?” Ou ainda: “Por que nós temos que respeitá-las pela simples razão de que elas são religiosas?” Eu acrescento: Por que seria assim também com o comunismo? Considerando que o comunismo é uma seita, nem seria preciso, na verdade, acrescentar nada. Fica valendo a pergunta de Dawkins mesmo, até hoje sem uma boa resposta, além do apelo à quantidade de crentes.

Extremismo na defesa da liberdade não é vício algum...

e moderação na busca pela justiça não é virtude alguma.” (Barry Goldwater)

 

Alguns leitores afirmam que gostam de boa parte do conteúdo daquilo que escrevo, mas criticam a forma com a qual me expresso, muitas vezes intolerante demais com os inimigos. Acusam-me de coisas como “radical” ou “extremista”, que não fazem muito sentido para mim. Afinal, radical em relação a que? Por que seria ruim ser radical na defesa da liberdade, por exemplo? Por que seria indesejável ser extremista no combate à tirania? Alegam que através de uma forma mais suave eu poderia conquistar mais gente com meus argumentos. Pode ser que sim. Eu li Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, de Dale Carnegie. Um manual para políticos pragmáticos. Mas nunca afirmei que a minha intenção era política, ou seja, influenciar a maior quantidade de pessoas possível. Deixo isso com os profissionais da área. Meu objetivo é sustentar com bons argumentos aquilo que considero verdadeiro. Quero defender o justo e ser livre para falar o que penso, sem preocupação com os aplausos da platéia ou com leitores ofendidos por meus pontos. Por isso digo o que entendo como certas verdades incômodas, sem papas na língua. Minha intenção não é agradar a todos.

Um dos principais motivos para esta reação infelizmente comum por parte dos leitores está sempre associado a minha agressividade verbal com os comunistas. Sim, reconheço que uso palavras duras contra eles. Mas como agir diferente tendo conhecimento dos fatos? Como alguém que sinceramente defende a liberdade deve tratar um defensor de Stalin ou Fidel Castro? Onde está o grande equívoco em chamar de hipócrita um notório hipócrita, como fiz no artigo sobre o idolatrado arquiteto comunista que nutre profunda amizade pelo genocida do Caribe? Por mais que eu me esforce, não consigo entender esses apelos. Não vejo virtude alguma em compactuar com essa podridão que torna certos tipos intocáveis pelas críticas. Não acho razoável ter que contemporizar com quem considero parte da escória humana. Meu mundo simplesmente não funciona assim. Nele, os pingos estão nos “is” e os bois têm nome correto. O uso de eufemismos nunca me atraiu. Ser simpático com quem não presta não faz parte do meu código de conduta.

Os temas religiosos costumam desfrutar dessa aura de proteção, tratados como sagrados mesmo por aqueles que não enxergam nada de sagrado ali. Se você questionar a racionalidade de quem realmente acredita que o vinho se transforma em sangue de Cristo, ou que o corpo de Maria literalmente subiu ao Céu, você é acusado de ofensivo. A ofensa não está na crença irracional, dizem, mas naquele que mostra a irracionalidade.* O que sempre valeu para os assuntos religiosos se estende agora também para a postura ideológica e política. Chamar um comunista de comunista, com o desdém que todo comunista merece, passa a ser visto como ofensa. Mas defender o regime mais assassino de toda a história não. Isso pode. Não dá para aceitar! Como devemos lidar com aqueles que, se poder tivessem, nos mandariam para um Gulag na Sibéria? Como tratar aqueles imorais para quem os fins justificam quaisquer meios? Sim, porque comunistas são cúmplices dessas atrocidades, ao menos nas idéias. E por mais que digam que aquilo que existiu na União Soviética, China, Camboja, Cuba, Coréia do Norte etc., não era comunismo, mas o “socialismo real”, estão fugindo do ponto. Comunismo como fim de fato nunca existiu, pois não é possível com o ser humano como é, ainda bem. Mas os meios defendidos para esta pura idealização da inveja, como o controle estatal dos meios de produção, são sim aqueles empregados por todos os países socialistas, que inexoravelmente levam ao caos, miséria, terror e escravidão.

O teste final que faço com todos que pedem mais tolerância e suavidade com comunistas normalmente é muito bem sucedido. Eu simplesmente pergunto se eles estão dispostos a conceder o mesmo tratamento aos nazistas. A resposta costuma ser o silêncio, pois poucos relativistas estão dispostos a ir tão longe no seu relativismo. No máximo, eles reagem com uma fuga tradicional, falando que não são coisas comparáveis, sem explicar os motivos, e insistindo que sou radical demais. Ora, por que a analogia não é válida? Por que devemos ser obsequiosos com os defensores do comunismo ou socialismo, responsáveis pelo extermínio de milhões de pessoas, mas devemos ser intransigentes com os nacional-socialistas? Por que tratar com respeito imerecido os seguidores de Lênin, Stalin, Pol-Pot, Mao ou Fidel Castro, mas abominar os seguidores de Hitler, farinha do mesmíssimo saco podre? Por que defender a proibição do uso da suástica como símbolo, mas aceitar, até mesmo em partidos oficiais, a foice e o martelo, ícones do regime mais nefasto que já existiu? Nunca tive uma boa resposta, com argumentos decentes. E quem deseja respeito por suas idéias, deve apresentar um bom motivo para tanto, ou seja, argumentos embasados.

Portanto, pretendo continuar sendo um anticomunista “radical”, ou seja, intransigente com aqueles que odeiam a liberdade individual. Lembro do alerta de Karl Popper aqui: “Não devemos aceitar sem qualificação o princípio de tolerar os intolerantes senão corremos o risco de destruição de nós próprios e da própria atitude de tolerância”. Ser radical contra o fanatismo islâmico, por exemplo, é uma virtude, não um vício. Ser radical contra os comunistas segue o mesmo princípio. Todo comunista é ou um completo ignorante ou um safado. Não há outra hipótese. O comunismo agride a lógica e os fatos empíricos. Um comunista inteligente, que domina o assunto econômico e político, e é honesto intelectualmente, além de íntegro como pessoa, existe tanto quanto unicórnios, gnomos e sereias. Por que devo medir minhas palavras ao constatar este fato? Por que é errado chamar um ignorante de ignorante ou um safado de safado? Por que a hipocrisia merece ser chamada por um nome mais belo? Por que devemos disfarçar a inveja como motivador daqueles que pregam a igualdade material? Para quem ainda discorda do meu “radicalismo”, sugiro o teste: tente pensar se seria capaz de respeitar um nazista como pessoa, considerando que ele pode ser tanto inteligente como íntegro. Boa sorte.

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* Para quem acha esse exemplo também radical, lembro que a doutrina da assunção da Virgem Santíssima foi definida como artigo de fé pelo papa Pio XII há pouco tempo, em 1º de novembro de 1950, e é obrigatória para todos os católicos. Ela afirma claramente que o corpo de Maria subiu ao Céu e foi reunido à sua alma. Richard Dawkins, em O Capelão do Diabo, diante destes fatos, pergunta: “Por que a nossa sociedade aquiesceu de maneira tão cordata na conveniente ficção de que as visões religiosas têm alguma espécie de direito automático e indiscutível a uma posição respeitável?” Ou ainda: “Por que nós temos que respeitá-las pela simples razão de que elas são religiosas?” Eu acrescento: Por que seria assim também com o comunismo? Considerando que o comunismo é uma seita, nem seria preciso, na verdade, acrescentar nada. Fica valendo a pergunta de Dawkins mesmo, até hoje sem uma boa resposta, além do apelo à quantidade de crentes.

Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino é economista formado pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha desde 1997 no mercado financeiro, como analista de empresas e administrador de portfolio. É autor do livro "Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler.

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