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19 Jul 2004

A Importância dos Think Thanks

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O desenvolvimento de idéias é algo fundamental. Estas muitas vezes são responsáveis pelas bases de modelos que são implementados por grupos que chegam ao poder.

O desenvolvimento de idéias é algo fundamental. Estas muitas vezes são responsáveis pelas bases de modelos que são implementados por grupos que chegam ao poder. Não falo apenas do poder estatal, mas de uma forma mais ampla, dentro de entidades, institutos, federações, associações, ou mesmo dentro de uma empresa. Especialmente em função disso, os locais onde idéias germinam e são discutidas, os chamados “thinks thanks”, tem se apresentado com importantes centros de desenvolvimento de pesquisa e aperfeiçoamento profissional. Em locais como Estados Unidos, Reino Unido e mais recentemente na Espanha, já foram responsáveis por influenciar líderes e políticas públicas, moldando modelos de desenvolvimento que alcançaram êxitos históricos.

Um dos mais famosos e importantes destes centros está localizado em Washington, chamado Atlas Economic Research Foundation, responsável em desenvolver estudos e parcerias com outros institutos de estudos ao redor do mundo. Portanto, quando vários think tanks se reúnem para discutir suas teses e conhecerem a realidade de outros países, vemos um verdadeiro brainstorm de idéias e análises. Um exemplo claro desta iniciativa ocorreu recentemente em Madri, Espanha, onde Alex Chafuen, CEO da Atlas, juntou-se a Mario Vargas Llosa, da Fundación Internacional para La Liberdade e a Fundación Iberoamérica Europa para a realização do Primeiro Foro Atlântico, que discutiu os desafios da Europa e América no século XXI. Um verdadeiro brainstorm com a presença de representativos pensadores das Américas e europeus. O resultado, como não poderia ser diferente, foi brilhante. No Brasil, somente temos um evento semelhante, anual, o Fórum da Liberdade, desenvolvido pelo IEE – Instituto de Estudos Empresariais.

O ponto mais importante do Foro Atlântico foi a diversidade, propulsora, ao fim e ao cabo, do ideal democrático, resultante da diversidade. Lá estiveram pensadores de esquerda e direita, liberais, libertários e conservadores, entre diversas outras tendências políticas que podem ser traçadas. A platéia, seleta, da qual fiz parte representando o Instituto Liberdade, juntamente com nossa vice-presidente executiva Margaret Tse, foi constituída por importantes formadores de opinião, intelectuais e decision makers, ou seja, aqueles responsáveis pela formulação de estudos e políticas de desenvolvimento em seus países.

Começamos ouvindo um dos mais representativos pensadores franceses, Jean François Revel, autor da obra “A Obsessão Antiamericana”, que explica as falsas assertivas que sustentam o antiamericanismo. Dissertou sobre a capacidade da sociedade norte-americana de se autocriticar, base de seu sistema democrático, algo que faz falta para vários outros países. Memoráveis também foram as conferências de Carlos Alberto Montaner, que dissertou sobre a importância de delegar para a sociedade o desenvolvimento de um país, retirando esta prerrogativa do Estado, e Álvaro Vargas Llosa, que alertou com propriedade sobre o neopopulismo na América Latina, presente em Estados como Venezuela, Bolívia, Argentina e a possibilidade de chegar ao poder em países como México e Uruguai. Também é impossível não mencionar o irreverente cientista político italiano Giovanni Sartori, que cunhou a seguinte frase: “Se você quer guerra, prepare a paz, mas se você quer paz, prepare a guerra”.

O atual vive-presidente de Governo e Ministro da Economia e Fazenda da Espanha, Pedro Solbes Mira, do PSOE, também esteve presente, defendendo a política de desenvolvimento do partido socialista. Foi sucedido na mesa pelo embaixador norte-americano Curtin Winsor, que defendeu a política republicana atual na Casa Branca. O painel seguinte terminou com um grande embate entre libertários e socialistas espanhóis, alojados respectivamente no PP e PSOE, numa acalorada discussão sobre política exterior entre Rafael Bardají e Trinidad Jimenéz. A palestra final, proferida pelo ex-chefe de Governo espanhol José María Aznar, ovacionado pela platéia, mostra que seu prestígio ainda continua em alta, dentro e fora da Espanha.

Tão importante quanto o encontro entre think tanks é o desenvolvimento de novos centros de estudo, pesquisas e formação de lideranças realmente comprometidas com teses claras de desenvolvimento. O sucesso do PP espanhol e seu centro de estudos, a FAES, é um claro exemplo disto. É preciso discutir e votar em propostas de políticas, ao contrário de votar em políticos. O Foro Atlântico de Madri é um exemplo a ser seguido.

Artigo redigido em 09.07.2004
Em Porto Alegre, RS.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 20:21
Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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