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12 Dez 2007

Lula e Yeda

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Enquanto o presidente Lula, em Brasília, compra, escandalosamente, apoio parlamentar, a governadora Yeda mantém com os demais poderes de Estado uma relação tensa, mas digna e respeitosa.

O Presidente Lula, falando em Macapá, disparou: "Nós estamos percebendo, agora, lá no Senado Federal, que tem algumas pessoas, não todas, dos partidos de oposição, que não querem, não aceitam, que este país dê certo". E, mais adiante: "Me parece que, lamentavelmente, tem gente que acha que não pode dar certo, que o Brasil precisa de uma crise, porque sem crise a gente não tira proveito de nada". A cena, exibida na tevê, mostrou Lula irritado, com dedo em riste. Mas aquele dedo deveria estar apontando, muito especialmente, para o passado de seu próprio partido e para seus companheiros no Rio Grande do Sul.

De fato, foram os longos anos de militância oposicionista, através dos quais ele e o partido que comandou se permitiram todas as bravatas (para usar as mesmas palavras com que Lula se refere àqueles tempos) que acabaram por fazer do presidente uma metamorfose ambulante (como ele próprio se define). Eram tempos em que os petistas investiam contra qualquer um que sentasse nas cadeiras que eles queriam. O evento de Macapá, aliás, foi renovada evidência disso. Ninguém, ali, foi tão elogiado, exaltado e valorizado na fala presidencial quanto o senador Sarney! Todos os hotéis de Brasília, juntos, são insuficientes para acomodar o contingente daqueles a quem Lula e seu partido dedicavam os piores adjetivos e hoje estão na copa e na cozinha do governo. E eram também, aqueles anos oposicionistas, tempos em que o PT arremeteu contra tudo que foi feito para que a economia brasileira tomasse jeito: privatizações, pagamento dos compromissos da dívida externa, Plano Real, abertura dos mercados, agronegócio, superávit primário e por aí afora. Se o presidente quiser saber o que é lutar para que o país não dê certo, lembre-se, então, daqueles anos e daquelas mobilizações de seu partido. E não as retire da própria consciência como se tivessem sido meras bravatas. Não foram.

Por fim, observe o presidente a conduta de seus companheiros. Em Brasília, lutam por uma CPMF que apenas vai adicionar mais carne para o leão, mais verbas para serem distribuídas aos parceiros, mais mordomias aos companheiros e mais recursos para o neocoronelismo oficial. No Rio Grande do Sul, se multiplicam em esforços - não alguns, mas todos os seus companheiros - para impedir a governadora Yeda Crusius de corrigir o terrível desequilíbrio fiscal, cujas causas estão postas no artigo que escrevi recentemente.

Enquanto o presidente, em entrevista a O Globo no dia 27 de novembro, afirma que não dá para governar "sem aumentar os gastos da máquina", o Rio Grande do Sul, com o menor ICMS do Brasil, só corta gastos, há cinco anos. E o PT tira disso todo proveito que pode. Enquanto o presidente Lula, em Brasília, compra, escandalosamente, apoio parlamentar, a governadora Yeda mantém com os demais poderes de Estado uma relação tensa, mas digna e respeitosa. Por enquanto, a austeridade e a honradez estão em desvantagem operacional.

O Presidente Lula, falando em Macapá, disparou: "Nós estamos percebendo, agora, lá no Senado Federal, que tem algumas pessoas, não todas, dos partidos de oposição, que não querem, não aceitam, que este país dê certo". E, mais adiante: "Me parece que, lamentavelmente, tem gente que acha que não pode dar certo, que o Brasil precisa de uma crise, porque sem crise a gente não tira proveito de nada". A cena, exibida na tevê, mostrou Lula irritado, com dedo em riste. Mas aquele dedo deveria estar apontando, muito especialmente, para o passado de seu próprio partido e para seus companheiros no Rio Grande do Sul.

De fato, foram os longos anos de militância oposicionista, através dos quais ele e o partido que comandou se permitiram todas as bravatas (para usar as mesmas palavras com que Lula se refere àqueles tempos) que acabaram por fazer do presidente uma metamorfose ambulante (como ele próprio se define). Eram tempos em que os petistas investiam contra qualquer um que sentasse nas cadeiras que eles queriam. O evento de Macapá, aliás, foi renovada evidência disso. Ninguém, ali, foi tão elogiado, exaltado e valorizado na fala presidencial quanto o senador Sarney! Todos os hotéis de Brasília, juntos, são insuficientes para acomodar o contingente daqueles a quem Lula e seu partido dedicavam os piores adjetivos e hoje estão na copa e na cozinha do governo. E eram também, aqueles anos oposicionistas, tempos em que o PT arremeteu contra tudo que foi feito para que a economia brasileira tomasse jeito: privatizações, pagamento dos compromissos da dívida externa, Plano Real, abertura dos mercados, agronegócio, superávit primário e por aí afora. Se o presidente quiser saber o que é lutar para que o país não dê certo, lembre-se, então, daqueles anos e daquelas mobilizações de seu partido. E não as retire da própria consciência como se tivessem sido meras bravatas. Não foram.

Por fim, observe o presidente a conduta de seus companheiros. Em Brasília, lutam por uma CPMF que apenas vai adicionar mais carne para o leão, mais verbas para serem distribuídas aos parceiros, mais mordomias aos companheiros e mais recursos para o neocoronelismo oficial. No Rio Grande do Sul, se multiplicam em esforços - não alguns, mas todos os seus companheiros - para impedir a governadora Yeda Crusius de corrigir o terrível desequilíbrio fiscal, cujas causas estão postas no artigo que escrevi recentemente.

Enquanto o presidente, em entrevista a O Globo no dia 27 de novembro, afirma que não dá para governar "sem aumentar os gastos da máquina", o Rio Grande do Sul, com o menor ICMS do Brasil, só corta gastos, há cinco anos. E o PT tira disso todo proveito que pode. Enquanto o presidente Lula, em Brasília, compra, escandalosamente, apoio parlamentar, a governadora Yeda mantém com os demais poderes de Estado uma relação tensa, mas digna e respeitosa. Por enquanto, a austeridade e a honradez estão em desvantagem operacional.

Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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