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07 Dez 2007

O Plebiscito na Venezuela

Escrito por 

Mais uma vez ficou provado também que as chamadas forças de mercado pouco podem diante do poder político

Certamente a vitória do “Não” na Venezuela é um resultado surpreendente e alvissareiro. Dá alento para que as forças democráticas de oposição continuem a lutar para anular o poder opressor de Hugo Chávez. Contudo, não se deve iludir nem ao povo venezuelano e nem aos observadores externos: a Venezuela continua sob o tacão do totalitarismo comunista, sem ter um Poder Legislativo constituído digno do nome e com uma Poder Judiciário manietado pelo Executivo. A liberdade de fato deixou de existir no vizinho do Norte, apesar do resultado do plebiscito.

Ainda uma vez ficou patente que aqueles que alcançam postos ditatoriais perdem-se por causa da própria arrogância. Julgam-se deuses e que podem tudo. Anseiam, paradoxalmente, pela aprovação coletiva de suas loucuras, precisam do conforto das massas. Por isso Hugo Chávez chamou o plebiscito, certo de que seria um passeio pois está convicto de ser o redentor de sua gente. Surpreendeu-me que deixasse ser um pleito limpo, não uma mera farsa, tão certo ele estava de sair vitorioso. Quando ficou patente que seria derrotado era tarde demais para abortar o processo.

Não creio que Hugo Chávez venha a passar o poder ao sucessor de forma democrática. De lá, feito um pequeno Hitler, só sairá para a tumba ou para o exílio. Esta última hipótese é remota porque o apoio que lhe é dado pelo governo brasileiro impede qualquer ajuda externa substantiva à oposição e esta não tem os meios materiais para correr com o ditador. É um erro achar que o caos que está se instalando na economia venezuelana possa ser o motor das mudanças. Ditadores fazem do caos a sua razão de ser, a desculpa para a sua eternização no poder. Eleger inimigos externos e internos como bode expiatório de seus espalhafatos é o método clássico que usam para justificarem a sua tirania.

Assim, é de se esperar que a frustração da afeição das massas ao ditador o jogue para o ressentimento e a paranóia. Para que palanques novamente? Para que manter a farsa da democracia plebiscitária? Para quer correr o risco de ver a própria imagem torta no espelho, amargar o sabor acre da derrota? Não mais! O endurecimento do regime é o passo lógico a se esperar e não o contrário, como foi a opinião de muitos analistas hoje na imprensa brasileira. Temo pelo pior, pela escalada da violência política, pelos assassinatos seletivos, pela vida dos heróis que o estão enfrentando, como Alejandro Peña Esclusa, o general Raúl Baduel e o governador Manuel Rosales. Esses corajosos precisarão mais do que da coragem para o enfrentamento, necessitarão de apoio internacional e meios materiais para continuar sua luta. Pena que o governo brasileiro esteja do lado errado da contenda.

Aliás, os aliados de Chávez no Planalto Central têm a comemorar o fato de provarem que os métodos espalhafatosos do ditador, de fazer um assalto frontal ao poder, não serem os melhores. Melhor manter a aparência de normalidade democrática e ir, pouco a pouco, destruindo o sistema jurídico e o élan das forças de oposição, por assimilação e pelo cansaço. O Brasil hoje vive uma forma branda de ditadura instaurada pelo sistema jurídico, pela supertributação, pela exorbitância policalesca dos que governam de forma argentária, sufocando os que trabalham, tomando-lhe tudo o que podem. Nem ditadura e nem mensalão, pensam os que comanda o PT, o negócio é cooptar quantos puder e paulatinamente formatar o sistema jurídico para instaurar o “socialismo do século XXI”.

Mais uma vez ficou provado também que as chamadas forças de mercado pouco podem diante do poder político. Se o resultado foi o “Não” foi porque a oposição ficou de atalaia, corajosamente enfrentando a adversidade e os perigos do embate com os esbirros da ditadura. O mercado é inerme diante do poder político, que só pode ser enfrentado e civilizado dentro do seu próprio campo, ou seja, constituindo-se uma força política organizada. É ilusão achar que desordem econômica favorece àqueles que querem o bem-comum. O caos alimenta aqueles que querem o totalitarismo.

De qualquer modo devemos saudar o povo venezuelano pela enorme vitória. É uma alegria ver a contrariedade de um ditador que usurpou tantos poderes e eles se mostraram inúteis diante dos lutadores da liberdade.

Viva a Venezuela!

Certamente a vitória do “Não” na Venezuela é um resultado surpreendente e alvissareiro. Dá alento para que as forças democráticas de oposição continuem a lutar para anular o poder opressor de Hugo Chávez. Contudo, não se deve iludir nem ao povo venezuelano e nem aos observadores externos: a Venezuela continua sob o tacão do totalitarismo comunista, sem ter um Poder Legislativo constituído digno do nome e com uma Poder Judiciário manietado pelo Executivo. A liberdade de fato deixou de existir no vizinho do Norte, apesar do resultado do plebiscito.

Ainda uma vez ficou patente que aqueles que alcançam postos ditatoriais perdem-se por causa da própria arrogância. Julgam-se deuses e que podem tudo. Anseiam, paradoxalmente, pela aprovação coletiva de suas loucuras, precisam do conforto das massas. Por isso Hugo Chávez chamou o plebiscito, certo de que seria um passeio pois está convicto de ser o redentor de sua gente. Surpreendeu-me que deixasse ser um pleito limpo, não uma mera farsa, tão certo ele estava de sair vitorioso. Quando ficou patente que seria derrotado era tarde demais para abortar o processo.

Não creio que Hugo Chávez venha a passar o poder ao sucessor de forma democrática. De lá, feito um pequeno Hitler, só sairá para a tumba ou para o exílio. Esta última hipótese é remota porque o apoio que lhe é dado pelo governo brasileiro impede qualquer ajuda externa substantiva à oposição e esta não tem os meios materiais para correr com o ditador. É um erro achar que o caos que está se instalando na economia venezuelana possa ser o motor das mudanças. Ditadores fazem do caos a sua razão de ser, a desculpa para a sua eternização no poder. Eleger inimigos externos e internos como bode expiatório de seus espalhafatos é o método clássico que usam para justificarem a sua tirania.

Assim, é de se esperar que a frustração da afeição das massas ao ditador o jogue para o ressentimento e a paranóia. Para que palanques novamente? Para que manter a farsa da democracia plebiscitária? Para quer correr o risco de ver a própria imagem torta no espelho, amargar o sabor acre da derrota? Não mais! O endurecimento do regime é o passo lógico a se esperar e não o contrário, como foi a opinião de muitos analistas hoje na imprensa brasileira. Temo pelo pior, pela escalada da violência política, pelos assassinatos seletivos, pela vida dos heróis que o estão enfrentando, como Alejandro Peña Esclusa, o general Raúl Baduel e o governador Manuel Rosales. Esses corajosos precisarão mais do que da coragem para o enfrentamento, necessitarão de apoio internacional e meios materiais para continuar sua luta. Pena que o governo brasileiro esteja do lado errado da contenda.

Aliás, os aliados de Chávez no Planalto Central têm a comemorar o fato de provarem que os métodos espalhafatosos do ditador, de fazer um assalto frontal ao poder, não serem os melhores. Melhor manter a aparência de normalidade democrática e ir, pouco a pouco, destruindo o sistema jurídico e o élan das forças de oposição, por assimilação e pelo cansaço. O Brasil hoje vive uma forma branda de ditadura instaurada pelo sistema jurídico, pela supertributação, pela exorbitância policalesca dos que governam de forma argentária, sufocando os que trabalham, tomando-lhe tudo o que podem. Nem ditadura e nem mensalão, pensam os que comanda o PT, o negócio é cooptar quantos puder e paulatinamente formatar o sistema jurídico para instaurar o “socialismo do século XXI”.

Mais uma vez ficou provado também que as chamadas forças de mercado pouco podem diante do poder político. Se o resultado foi o “Não” foi porque a oposição ficou de atalaia, corajosamente enfrentando a adversidade e os perigos do embate com os esbirros da ditadura. O mercado é inerme diante do poder político, que só pode ser enfrentado e civilizado dentro do seu próprio campo, ou seja, constituindo-se uma força política organizada. É ilusão achar que desordem econômica favorece àqueles que querem o bem-comum. O caos alimenta aqueles que querem o totalitarismo.

De qualquer modo devemos saudar o povo venezuelano pela enorme vitória. É uma alegria ver a contrariedade de um ditador que usurpou tantos poderes e eles se mostraram inúteis diante dos lutadores da liberdade.

Viva a Venezuela!

José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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