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04 Dez 2007

Choque de Gestão: Como Fazer Cada Vez Menos Com Cada Vez Mais

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Se, como nosso ilustre Presidente, fosse eu dado à produção de inusitadas metáforas, faria uma comparação do Estado brasileiro nas mãos do PT com esses excelentes corredores quenianos, esses que vêm sempre para a São Silvestre e quase sempre arrebentam a boca do balão.

Se, como nosso ilustre Presidente, fosse eu dado à produção de inusitadas metáforas, faria uma comparação do Estado brasileiro nas mãos do PT com esses excelentes corredores quenianos, esses que vêm sempre para a São Silvestre e quase sempre arrebentam a boca do balão. O que há de comum entre eles e o Estado brasileiro nas mãos do PT? Ora, é tão óbvio que nem precisaria ser explicitado. Entre outras coisas, ambos são lépidos, enxutos e assaz eficazes.

No entanto, certos espíritos mal intencionados não se cansam de veicular outra, e bem diferente comparação: a do Estado brasileiro com um tumor que não pára de inchar, juntamente com seu altíssimo custo. Mas isto é um problema do contribuinte-sem- retribuinte. Dizem eles que o Estado brasileiro tem mais gente do que a barca do inferno, segundo Gilberto Gil, perdão: Gil Vicente; tem mais gente do que fila para almoçar a R$1,00 (Um real!) no Bob’s, perdão: no Garotinho’s. Uma prova de que there’s no such, a thing as free lunch, como asseverava o saudoso Milton Friedman!

Num de seus inolvidáveis discursos de improviso na Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro - uma ilha de pesquisa científica cercada de favelas por todos os lados e com alto risco de um pesquisador interromper sua pesquisa ao ser alvejado por uma bala perdida – o Presidente alçou sua potente voz barítono gripado e teceu considerações sobre o futuro da ciência no Brasil e os buracos negros do espaço sideral, minto: sobre a questão do tamanho do Estado e a eficiência esperada deste mesmo. E, infelizmente, nenhuma bala perdida o encontrou, nem ele a ela... Disse então “o supremo apedeuta” [trade mark de Janer Cristaldo, a quem cabe todos os direitos autorais]:

É preciso parar com a mania de achar que contratar gente para trabalhar para o Estado brasileiro é inchaço da máquina, porque se vendeu a falsa idéia, num período não muito distante, de que o servidor público era marajá”.
De fato, nada mais falso do que essa comparação de servidores públicos com marajás. Se não estou enganado, a metáfora é da lavra de Fernando Collor, o “cassador de marajás” que acabou sendo cassado por eles. Com ela, ele justificou o provérbio: Um dia é do cassador e outro do cassado. Posteriormente, Fernando II nada mais fez do que endossar a expressão de Collor comparando funcionários públicos com livros numa estante: quanto mais altos menos úteis. Mas disse ainda nosso preclaro Presidente Lulla:

Qualquer empresa pagaria o dobro do que a gente paga para qualquer funcionário nosso, seja da Petrobras, seja da Receita (...) Esse é o dado concreto. (...) As pessoas passam para a sociedade a idéia de que é possível fazer um choque de gestão diminuindo o número de pessoas que trabalham (no Estado). Na verdade o choque de gestão será feito quando a gente contratar mais gente, mais qualificada, mais bem remunerada (...)” [Antonio Machado, Jornal do Commercio, 3/9/2007].

De fato, como já havia recentemente pontificado o grande filósofo ianque-baiano, Mangabeira Unger, “o Estado brasileiro é raquítico” e o que ele mais precisa é de “audácia”. Evidentemente, o ilustre pensador não queria fazer referência à audácia do Boff, infelizmente ainda não esquecido.

Novamente, espíritos mal intencionados que só querem ver a caveira de Lulla e do PT, andaram insinuando que nosso insigne Presidente, com essa estória de Estado raquítico, estava dando uma mensagem ao Senado, após este mesmo ter recusado a medida provisória que criaria a SPLP (Secretaria de Planejamento de Longo Prazo) sob a alegação keynesiana de que “a longo prazo todos estaremos mortos”. E ao menos nesta John Maynard acertou na mosca!

E ainda ficam as más línguas vituperando que esse governo do PT - que nada tem a ver com o Presidente da República, diga-se en passant - vai inventando quimeras e fábulas tais como essa de “planejamento de longo prazo”, quando ele se mostra totalmente incapaz de fazer até mesmo um planejamento de curto prazo. Carpe diem (Horácio) tradução: “Vamos curtir o momento presente e que tudo o mais vá pro inferno” – é a máxima do hippie pós-moderno Lulinha Paz e Amor. A única coisa que ele planeja - e o faz maquiavelicamente - é a estratégia para assumir o Poder na próxima eleição presidencial: fazer plebiscito, apoiar um candidato do PMDB ou propor Dilma Roussef? Argh! Sinceramente, dona Marisa Letícia é muito mais simpática! E por que não adotar a estratégia Garotinho-Kirchner?!

E o que é pior é essa imprensa, burguesa e carente de civismo, que está sempre contra Lulla e o PT; jornalistas que não conseguem perceber que o Estado brasileiro é um Estado mínimo, que necessita de mais ministérios, mais secretarias e secretárias, mais gente e mais bem paga, et caetera. Como é possível fazer omelete sem quebrar os ovos ou fazer buxada de bode sem buxo? Vivem reclamando dos serviços prestados pelo Estado – educação pública, segurança pública, fiscalização, etc. – mas não querem contratar mais gente, porém cortar gastos considerados supérfluos. Vejam só o que disse um jornalista de má vontade com o governo do PT, provavelmente mais um desses execráveis seguidores desse tal de neoliberalismo que está se alastrando na América Latina e envenenando corações e mentes:

A expansão dos gastos públicos correntes e de custeio é a grande ameaça que se avista no horizonte para a permanência da inflação dentro da meta atual , assim como está no desregramento fiscal os motivos da sufocante carga tributária que onera os juros, tira a competitividade das exportações, dificulta os investimentos e faz o poder aquisitivo dos salários valer menos do que deveria, já que não há bem ou serviço que não tenha preço de 15% a mais de 50% somente devido à incidência de impostos.

Se não fossem os motivos fiscais a exigir parcimônia do governo na criação de novos gastos, e com pessoal são gastos permanentes e irredutíveis, impossíveis de cortar, caberia questionar o que o governo sabe sobre a produtividade do pessoal que emprega. Deve saber muito pouco se Lula aparenta desconhecer que não há no governo um único salário, na média, menor que no setor privado. E choque de gestão é fazer mais com menos, não com mais” [Antonio Machado, Jornal do Commercio, 3/9/2007].

E ainda tem gente que fica dizendo por aí que o governo do PT (Perda Total, no jargão das companhias de seguros) só sabe fazer cada vez menos com cada vez mais. Que infâmia! E depois da bolsa-educação, bolsa-moradia, bolsa-família, bolsa-cultura do ministro-cantor baiano, usw, vem aí a bolsa ou a vida – mais um assalto aos vampirizados contribuintes-sem-retribuintes. Arre égua!

APÊNDICE I: SUCESSÃO, UM GRANDE SUCESSO

Todo mundo sabe que Lulla não postula um terceiro mandato. Como ele mesmo disse: “Com democracia não se brinca!” Talvez estivesse querendo dizer que a rotatividade do Poder é uma das feições básicas de um regime autenticamente democrático. Mas se o povo quer mais do mesmo? Por que não atender o clamor das ruas? Afinal, democracia não quer duzer “governo do povo”(pelo povo e para o povo)?!

O problema de Lulla não é que ele não queira ser Presidente até morrer (e que o destino lhe dê uma longérrima vida), o problema é que ele está sentindo que sua imagem já está gasta nas telas de TV e seus discursos de improviso cada vez mais carentes de arrebatadoras metáforas. Precisa dar um tempinho, para voltar nos braços da galera!

Neste caso, parece só haver uma saída: assim como Garotinho elegeu Garotinha, Nestor Kirchner elegeu Cristina Kirchner, Luiz Inácio Lulla da Silva elegeria facilmente Dilma Roussef, perdão: dona Marisa Letícia da Silva. Logo já pode ir lançando o slogan:

PARA UM FUTURO SORRIDENTE: DONA MARISA PRA PRESIDENTE

Se, como nosso ilustre Presidente, fosse eu dado à produção de inusitadas metáforas, faria uma comparação do Estado brasileiro nas mãos do PT com esses excelentes corredores quenianos, esses que vêm sempre para a São Silvestre e quase sempre arrebentam a boca do balão. O que há de comum entre eles e o Estado brasileiro nas mãos do PT? Ora, é tão óbvio que nem precisaria ser explicitado. Entre outras coisas, ambos são lépidos, enxutos e assaz eficazes.

No entanto, certos espíritos mal intencionados não se cansam de veicular outra, e bem diferente comparação: a do Estado brasileiro com um tumor que não pára de inchar, juntamente com seu altíssimo custo. Mas isto é um problema do contribuinte-sem- retribuinte. Dizem eles que o Estado brasileiro tem mais gente do que a barca do inferno, segundo Gilberto Gil, perdão: Gil Vicente; tem mais gente do que fila para almoçar a R$1,00 (Um real!) no Bob’s, perdão: no Garotinho’s. Uma prova de que there’s no such, a thing as free lunch, como asseverava o saudoso Milton Friedman!

Num de seus inolvidáveis discursos de improviso na Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro - uma ilha de pesquisa científica cercada de favelas por todos os lados e com alto risco de um pesquisador interromper sua pesquisa ao ser alvejado por uma bala perdida – o Presidente alçou sua potente voz barítono gripado e teceu considerações sobre o futuro da ciência no Brasil e os buracos negros do espaço sideral, minto: sobre a questão do tamanho do Estado e a eficiência esperada deste mesmo. E, infelizmente, nenhuma bala perdida o encontrou, nem ele a ela... Disse então “o supremo apedeuta” [trade mark de Janer Cristaldo, a quem cabe todos os direitos autorais]:

É preciso parar com a mania de achar que contratar gente para trabalhar para o Estado brasileiro é inchaço da máquina, porque se vendeu a falsa idéia, num período não muito distante, de que o servidor público era marajá”.
De fato, nada mais falso do que essa comparação de servidores públicos com marajás. Se não estou enganado, a metáfora é da lavra de Fernando Collor, o “cassador de marajás” que acabou sendo cassado por eles. Com ela, ele justificou o provérbio: Um dia é do cassador e outro do cassado. Posteriormente, Fernando II nada mais fez do que endossar a expressão de Collor comparando funcionários públicos com livros numa estante: quanto mais altos menos úteis. Mas disse ainda nosso preclaro Presidente Lulla:

Qualquer empresa pagaria o dobro do que a gente paga para qualquer funcionário nosso, seja da Petrobras, seja da Receita (...) Esse é o dado concreto. (...) As pessoas passam para a sociedade a idéia de que é possível fazer um choque de gestão diminuindo o número de pessoas que trabalham (no Estado). Na verdade o choque de gestão será feito quando a gente contratar mais gente, mais qualificada, mais bem remunerada (...)” [Antonio Machado, Jornal do Commercio, 3/9/2007].

De fato, como já havia recentemente pontificado o grande filósofo ianque-baiano, Mangabeira Unger, “o Estado brasileiro é raquítico” e o que ele mais precisa é de “audácia”. Evidentemente, o ilustre pensador não queria fazer referência à audácia do Boff, infelizmente ainda não esquecido.

Novamente, espíritos mal intencionados que só querem ver a caveira de Lulla e do PT, andaram insinuando que nosso insigne Presidente, com essa estória de Estado raquítico, estava dando uma mensagem ao Senado, após este mesmo ter recusado a medida provisória que criaria a SPLP (Secretaria de Planejamento de Longo Prazo) sob a alegação keynesiana de que “a longo prazo todos estaremos mortos”. E ao menos nesta John Maynard acertou na mosca!

E ainda ficam as más línguas vituperando que esse governo do PT - que nada tem a ver com o Presidente da República, diga-se en passant - vai inventando quimeras e fábulas tais como essa de “planejamento de longo prazo”, quando ele se mostra totalmente incapaz de fazer até mesmo um planejamento de curto prazo. Carpe diem (Horácio) tradução: “Vamos curtir o momento presente e que tudo o mais vá pro inferno” – é a máxima do hippie pós-moderno Lulinha Paz e Amor. A única coisa que ele planeja - e o faz maquiavelicamente - é a estratégia para assumir o Poder na próxima eleição presidencial: fazer plebiscito, apoiar um candidato do PMDB ou propor Dilma Roussef? Argh! Sinceramente, dona Marisa Letícia é muito mais simpática! E por que não adotar a estratégia Garotinho-Kirchner?!

E o que é pior é essa imprensa, burguesa e carente de civismo, que está sempre contra Lulla e o PT; jornalistas que não conseguem perceber que o Estado brasileiro é um Estado mínimo, que necessita de mais ministérios, mais secretarias e secretárias, mais gente e mais bem paga, et caetera. Como é possível fazer omelete sem quebrar os ovos ou fazer buxada de bode sem buxo? Vivem reclamando dos serviços prestados pelo Estado – educação pública, segurança pública, fiscalização, etc. – mas não querem contratar mais gente, porém cortar gastos considerados supérfluos. Vejam só o que disse um jornalista de má vontade com o governo do PT, provavelmente mais um desses execráveis seguidores desse tal de neoliberalismo que está se alastrando na América Latina e envenenando corações e mentes:

A expansão dos gastos públicos correntes e de custeio é a grande ameaça que se avista no horizonte para a permanência da inflação dentro da meta atual , assim como está no desregramento fiscal os motivos da sufocante carga tributária que onera os juros, tira a competitividade das exportações, dificulta os investimentos e faz o poder aquisitivo dos salários valer menos do que deveria, já que não há bem ou serviço que não tenha preço de 15% a mais de 50% somente devido à incidência de impostos.

Se não fossem os motivos fiscais a exigir parcimônia do governo na criação de novos gastos, e com pessoal são gastos permanentes e irredutíveis, impossíveis de cortar, caberia questionar o que o governo sabe sobre a produtividade do pessoal que emprega. Deve saber muito pouco se Lula aparenta desconhecer que não há no governo um único salário, na média, menor que no setor privado. E choque de gestão é fazer mais com menos, não com mais” [Antonio Machado, Jornal do Commercio, 3/9/2007].

E ainda tem gente que fica dizendo por aí que o governo do PT (Perda Total, no jargão das companhias de seguros) só sabe fazer cada vez menos com cada vez mais. Que infâmia! E depois da bolsa-educação, bolsa-moradia, bolsa-família, bolsa-cultura do ministro-cantor baiano, usw, vem aí a bolsa ou a vida – mais um assalto aos vampirizados contribuintes-sem-retribuintes. Arre égua!

APÊNDICE I: SUCESSÃO, UM GRANDE SUCESSO

Todo mundo sabe que Lulla não postula um terceiro mandato. Como ele mesmo disse: “Com democracia não se brinca!” Talvez estivesse querendo dizer que a rotatividade do Poder é uma das feições básicas de um regime autenticamente democrático. Mas se o povo quer mais do mesmo? Por que não atender o clamor das ruas? Afinal, democracia não quer duzer “governo do povo”(pelo povo e para o povo)?!

O problema de Lulla não é que ele não queira ser Presidente até morrer (e que o destino lhe dê uma longérrima vida), o problema é que ele está sentindo que sua imagem já está gasta nas telas de TV e seus discursos de improviso cada vez mais carentes de arrebatadoras metáforas. Precisa dar um tempinho, para voltar nos braços da galera!

Neste caso, parece só haver uma saída: assim como Garotinho elegeu Garotinha, Nestor Kirchner elegeu Cristina Kirchner, Luiz Inácio Lulla da Silva elegeria facilmente Dilma Roussef, perdão: dona Marisa Letícia da Silva. Logo já pode ir lançando o slogan:

PARA UM FUTURO SORRIDENTE: DONA MARISA PRA PRESIDENTE

Mario Guerreiro

Mario Antonio de Lacerda Guerreiro nasceu no Rio de Janeiro em 1944. Doutorou-se em Filosofia pela UFRJ em 1983. É Professor Adjunto IV do Depto. de Filosofia da UFRJ. Ex-Pesquisador do CNPq. Ex-Membro do ILTC [Instituto de Lógica, Filosofia e Teoria da Ciência], da SBEC [Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos].Membro Fundador da Sociedade Brasileira de Análise Filosófica. Membro Fundador da Sociedade de Economia Personalista. Membro do Instituto Liberal do Rio de Janeiro e da Sociedade de Estudos Filosóficos e Interdisciplinares da Universidade. Autor de Problemas de Filosofia da Linguagem (EDUFF, Niterói, 1985); O Dizível e O Indizível (Papirus, Campinas, 1989); Ética Mínima Para Homens Práticos (Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1995). O Problema da Ficção na Filosofia Analítica (Editora UEL, Londrina, 1999). Ceticismo ou Senso Comum? (EDIPUCRS, Porto Alegre, 1999). Deus Existe? Uma Investigação Filosófica. (Editora UEL, Londrina, 2000). Liberdade ou Igualdade (Porto Alegre, EDIOUCRS, 2002).

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