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04 Dez 2007

Meninos Eu Vi

Escrito por 

A sociedade contemporânea não passa de um cipoal de hipocrisias em um misto com um emaranhado nojento de covardia e arrogância e este que vos escreve não fica fora deste baralho pérfido de modo algum.

A humanidade é decepcionante. A sociedade contemporânea não passa de um cipoal de hipocrisias em um misto com um emaranhado nojento de covardia e arrogância e este que vos escreve não fica fora deste baralho pérfido de modo algum. Todavia, os pequenos incautos, ainda não infectados com nossa desídia intelectual e com nossa decrepitude moral, nos surpreendem de tal maneira que nos levam a renovar a nossa esperança na vida e em nós mesmos.

Na semana que findou nasceu meu sobrinho Pedro Henrique. Um belo garotinho. Mas o causo que eu tenho para contar não do Pedrinho. É do Johann, meu dileto filho que tanta alegria traz para minh´alma iníqua.

No correr da gestação, o meu pequeno João de Deus, sempre conversa com seu primo na barriga de minha cunhada e sempre dizia: “Pedro! Eu vou puxar você daí e vou colocar uma roupa de batman pra gente poder brincar”. E, dito isso, acariciava a barriga com um suave afago e dava um tchau.

Logo, quando este chegou da maternidade, fomos vê-lo e, não preciso nem dizer quem estava mais ansioso. Chegando no quarto reparei que o meu filho estava quieto e, com os olhos a marejar em lágrimas com as mãozinhas perdidas, sem saber o que fazer. E, em meio a este não saber o que fazer eis que minava de âmago de seu ser um suspirar entremeado por um constante palpitar de alegria.

Estava ele com um presentinho que minha esposa entregou para a mãe do pequeno e, mais que depressa, o nosso herói pega de volta o dito presente e coloca-o calmamente o dentro do berço, junto aos pés de Pedro.

De repente minha esposa resolveu pegar o bebê no colo e sentou-se na cama. Aí, eu lhes pergunto: o que o Johann fez? Estendeu lentamente os braços na direção do Pedro para pegá-lo no colo. Estendeu os braços bem certinho. Detalhe: Johann tem apenas três anos de idade.

Colocamos ele sentado ao pé da cama e colocamos um pequenino no colo do outro. E os olhos dele brilharam. E um sorriso singelo e primaveril iluminou o roso do meu indiosinho. Pedi que ele desse um beijo na testa do nenê e disse: “Que Deus lhe abençoe”. E ele o fez. E meninos, confesso: eu vi. Vi meu pequeno Johann descobrir o sentido e a beleza da vida.

Creio que meu filho, com o passar dos anos, não mais se lembrará desta cena. Todavia, eu nunca esquecerei desta imagem. Tenho pela convicção de que nunca esquecerei da lição que meu pequeno batman (que também é, de vez enquanto homem-aranha) me ensinou.

Quanto a lição, esta (e todas as outras que ele me ensina) só a mim e a meu filho interessa e a ninguém mais. Agora pergunto a você meu amigo, quantas lições você deixou de aprender com o seu filho por não dar a devida atenção ao seu jeito inocente de ser o que é?

Não estou falando da correria do trabalho não. Alias, usar a correria do trabalho para justificar o mau desempenho do papel de pai é uma baita de uma canalhice. É justificar a sua insatisfação com a vida e mesmo com as suas escolhas equivocadas na pessoa de uma criança. Dizer que não tem tempo por causa de seu filho é culpá-lo pelo que você é e faz.

Estou me referindo aos dias de folga que você troca a sua família pelos seus amigos, pela cervejinha, pela conversa fiada e vulgar do happy hour. Me refiro aos momentos que há sim possibilidade de se estar com o moleque e de aprender com ele aquilo que torna a vida digna de ser vivida e que você deixou de estar com ele porque a sua satisfação era mais importante que o sorriso contagiante do pequeno.

E o tempo passa meu amigo. Passa que a gente nem vê e por não ver, deixamos de aprender lições que nossos filhos nunca mais poderão nos ensinar porque o tempo da lição já terá findado. Pior que isso, é ficarmos feito abobalhados sem saber a razão do porque nossos filhos e alunos dão tão pouca atenção para os nossos rompantes e disparates moralistas. Nos esquecemos que eles aprendem muito bem a lição que lhes é ensinada quando trocados por qualquer futilidade do mundo adulto, não é mesmo?

A humanidade é decepcionante. A sociedade contemporânea não passa de um cipoal de hipocrisias em um misto com um emaranhado nojento de covardia e arrogância e este que vos escreve não fica fora deste baralho pérfido de modo algum. Todavia, os pequenos incautos, ainda não infectados com nossa desídia intelectual e com nossa decrepitude moral, nos surpreendem de tal maneira que nos levam a renovar a nossa esperança na vida e em nós mesmos.

Na semana que findou nasceu meu sobrinho Pedro Henrique. Um belo garotinho. Mas o causo que eu tenho para contar não do Pedrinho. É do Johann, meu dileto filho que tanta alegria traz para minh´alma iníqua.

No correr da gestação, o meu pequeno João de Deus, sempre conversa com seu primo na barriga de minha cunhada e sempre dizia: “Pedro! Eu vou puxar você daí e vou colocar uma roupa de batman pra gente poder brincar”. E, dito isso, acariciava a barriga com um suave afago e dava um tchau.

Logo, quando este chegou da maternidade, fomos vê-lo e, não preciso nem dizer quem estava mais ansioso. Chegando no quarto reparei que o meu filho estava quieto e, com os olhos a marejar em lágrimas com as mãozinhas perdidas, sem saber o que fazer. E, em meio a este não saber o que fazer eis que minava de âmago de seu ser um suspirar entremeado por um constante palpitar de alegria.

Estava ele com um presentinho que minha esposa entregou para a mãe do pequeno e, mais que depressa, o nosso herói pega de volta o dito presente e coloca-o calmamente o dentro do berço, junto aos pés de Pedro.

De repente minha esposa resolveu pegar o bebê no colo e sentou-se na cama. Aí, eu lhes pergunto: o que o Johann fez? Estendeu lentamente os braços na direção do Pedro para pegá-lo no colo. Estendeu os braços bem certinho. Detalhe: Johann tem apenas três anos de idade.

Colocamos ele sentado ao pé da cama e colocamos um pequenino no colo do outro. E os olhos dele brilharam. E um sorriso singelo e primaveril iluminou o roso do meu indiosinho. Pedi que ele desse um beijo na testa do nenê e disse: “Que Deus lhe abençoe”. E ele o fez. E meninos, confesso: eu vi. Vi meu pequeno Johann descobrir o sentido e a beleza da vida.

Creio que meu filho, com o passar dos anos, não mais se lembrará desta cena. Todavia, eu nunca esquecerei desta imagem. Tenho pela convicção de que nunca esquecerei da lição que meu pequeno batman (que também é, de vez enquanto homem-aranha) me ensinou.

Quanto a lição, esta (e todas as outras que ele me ensina) só a mim e a meu filho interessa e a ninguém mais. Agora pergunto a você meu amigo, quantas lições você deixou de aprender com o seu filho por não dar a devida atenção ao seu jeito inocente de ser o que é?

Não estou falando da correria do trabalho não. Alias, usar a correria do trabalho para justificar o mau desempenho do papel de pai é uma baita de uma canalhice. É justificar a sua insatisfação com a vida e mesmo com as suas escolhas equivocadas na pessoa de uma criança. Dizer que não tem tempo por causa de seu filho é culpá-lo pelo que você é e faz.

Estou me referindo aos dias de folga que você troca a sua família pelos seus amigos, pela cervejinha, pela conversa fiada e vulgar do happy hour. Me refiro aos momentos que há sim possibilidade de se estar com o moleque e de aprender com ele aquilo que torna a vida digna de ser vivida e que você deixou de estar com ele porque a sua satisfação era mais importante que o sorriso contagiante do pequeno.

E o tempo passa meu amigo. Passa que a gente nem vê e por não ver, deixamos de aprender lições que nossos filhos nunca mais poderão nos ensinar porque o tempo da lição já terá findado. Pior que isso, é ficarmos feito abobalhados sem saber a razão do porque nossos filhos e alunos dão tão pouca atenção para os nossos rompantes e disparates moralistas. Nos esquecemos que eles aprendem muito bem a lição que lhes é ensinada quando trocados por qualquer futilidade do mundo adulto, não é mesmo?

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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