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26 Nov 2007

No Zóio do Furacão

Escrito por 

O grande problema de nossa incultura não está junto aos populares com suas práticas e crenças. O grande problema está justamente em nossa dissimulada classe letrada que muito mais se preocupa com o status de sua titulação do que com a efetiva superioridade de sua formação que, nestas terras de Pindorama, não passa de uma vulgar ficção.

Não é de estranhar que a capacidade de compreensão do brasileiro médio, de um modo geral, é limitada. Não estou aqui fazendo alusão as pesquisas que demonstram que, boa parte das pessoas, não compreendem nem mesmo uma simples frase que acabaram de ler. Estou sim me referindo a algo que qualquer pessoa pode e deve constatar em seu cotidiano, pois, de pouca valia é toda crítica que antes não seja duramente feita a nós mesmos.

A experiência é bastante simples. Liste as palavras que você usa freqüentemente para se comunicar com os seus pares. Feito isso, você poderá perceber a quantidade minguada de palavras que utilizamos em nosso repertório o que, por sua deixa, comprovará a pesquisa que aponta para o fato de nossos jovens e adolescentes usarem, em média, apenas quarenta palavras para se comunicarem.

Se formos ousados e não temermos ser desnudos no tribunal de nossa consciência, podemos ir mais adiante em nosso experimento. Feito a listagem das palavras de uso ordinário, procure definir de modo preciso e claro o significado de cada uma delas.

Feito isso, vamos um pouco mais adiante se o pânico não tomar conta de nossa alma, é claro. Apontados os significados, procure reconstruir o caminho que você fez para aprender estes significados. Ou, trocando por dorso (miúdos e cia.), procure lembrar quais foram as fontes que você usou para construí-los. Se você leu algum livro, artigo, ensaio ou se simplesmente ouviu na rua, no rádio, na televisão e simplesmente foi repetindo como um bom papagaio cívico brasilienses.

Como a covardia é o vício (disfarçado de virtude) número um em nosso país, com toda certeza a maioria das pessoas não sobreviveria aos primeiros cinco minutos deste experimento e, logo de cara, acusariam o proponente do mesmo dos mais indecorosos adjetivos.

De minha parte, tudo bem, pouco me importa a ufanada opinião de gente que nem ao menos conhece as palavras que usa em seu dia a dia e, de mais a mais, xingar-me pode aliviar a sua sensação de culpa, porém, em nada contribui para que este saia de sua patética condição.

E pior! São estas pessoas que arrotam suas opiniões aos quatro ventos e possam com ares de superioridade olímpica frente aos demais. São estes que propõem as mais estapafúrdias reformas para a sociedade. São estes que dizem estar analisando criticamente (melhor seria dizer cretinamente) os problemas da sociedade.

Lembramos aqui, neste ínterim, que não estamos a nos referir as pessoas incultas e que não tiveram acesso à devida escolarização. Não mesmo. Estamos sim a nos referir a todos aqueles que concluíram os seus estudos formais até o ensino médio e, também, àqueles que concluíram um curso superior. Estamos nos referindo a todos aqueles que possuem um relativo monopólio da fala e que se gabam de serem detentores de uma pseudo-cultura de medalhão machadiana.

O grande problema de nossa incultura não está junto aos populares com suas práticas e crenças. O grande problema está justamente em nossa dissimulada classe letrada que muito mais se preocupa com o status de sua titulação do que com a efetiva superioridade de sua formação que, nestas terras de Pindorama, não passa de uma vulgar ficção.

Mas é claro que esses pusilâmines irão jogar sobre minha pessoa o jargão de “elitista” para assim melhor camuflar a sua nesciedade e covardia fazendo um mesquinho jogo de relativização dos valores. Alias, o que esperar de pessoas que relativizam o conhecimento em nome da ufanação da própria incapacidade e arrogância? Apenas isso e, obviamente, um diploma para cobrir as suas vergonhas.

Não é de estranhar que a capacidade de compreensão do brasileiro médio, de um modo geral, é limitada. Não estou aqui fazendo alusão as pesquisas que demonstram que, boa parte das pessoas, não compreendem nem mesmo uma simples frase que acabaram de ler. Estou sim me referindo a algo que qualquer pessoa pode e deve constatar em seu cotidiano, pois, de pouca valia é toda crítica que antes não seja duramente feita a nós mesmos.

A experiência é bastante simples. Liste as palavras que você usa freqüentemente para se comunicar com os seus pares. Feito isso, você poderá perceber a quantidade minguada de palavras que utilizamos em nosso repertório o que, por sua deixa, comprovará a pesquisa que aponta para o fato de nossos jovens e adolescentes usarem, em média, apenas quarenta palavras para se comunicarem.

Se formos ousados e não temermos ser desnudos no tribunal de nossa consciência, podemos ir mais adiante em nosso experimento. Feito a listagem das palavras de uso ordinário, procure definir de modo preciso e claro o significado de cada uma delas.

Feito isso, vamos um pouco mais adiante se o pânico não tomar conta de nossa alma, é claro. Apontados os significados, procure reconstruir o caminho que você fez para aprender estes significados. Ou, trocando por dorso (miúdos e cia.), procure lembrar quais foram as fontes que você usou para construí-los. Se você leu algum livro, artigo, ensaio ou se simplesmente ouviu na rua, no rádio, na televisão e simplesmente foi repetindo como um bom papagaio cívico brasilienses.

Como a covardia é o vício (disfarçado de virtude) número um em nosso país, com toda certeza a maioria das pessoas não sobreviveria aos primeiros cinco minutos deste experimento e, logo de cara, acusariam o proponente do mesmo dos mais indecorosos adjetivos.

De minha parte, tudo bem, pouco me importa a ufanada opinião de gente que nem ao menos conhece as palavras que usa em seu dia a dia e, de mais a mais, xingar-me pode aliviar a sua sensação de culpa, porém, em nada contribui para que este saia de sua patética condição.

E pior! São estas pessoas que arrotam suas opiniões aos quatro ventos e possam com ares de superioridade olímpica frente aos demais. São estes que propõem as mais estapafúrdias reformas para a sociedade. São estes que dizem estar analisando criticamente (melhor seria dizer cretinamente) os problemas da sociedade.

Lembramos aqui, neste ínterim, que não estamos a nos referir as pessoas incultas e que não tiveram acesso à devida escolarização. Não mesmo. Estamos sim a nos referir a todos aqueles que concluíram os seus estudos formais até o ensino médio e, também, àqueles que concluíram um curso superior. Estamos nos referindo a todos aqueles que possuem um relativo monopólio da fala e que se gabam de serem detentores de uma pseudo-cultura de medalhão machadiana.

O grande problema de nossa incultura não está junto aos populares com suas práticas e crenças. O grande problema está justamente em nossa dissimulada classe letrada que muito mais se preocupa com o status de sua titulação do que com a efetiva superioridade de sua formação que, nestas terras de Pindorama, não passa de uma vulgar ficção.

Mas é claro que esses pusilâmines irão jogar sobre minha pessoa o jargão de “elitista” para assim melhor camuflar a sua nesciedade e covardia fazendo um mesquinho jogo de relativização dos valores. Alias, o que esperar de pessoas que relativizam o conhecimento em nome da ufanação da própria incapacidade e arrogância? Apenas isso e, obviamente, um diploma para cobrir as suas vergonhas.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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