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13 Nov 2007

Reinaldo Azevedo Felizmente Plagia Cronista Independente

Escrito por 

Fico grato pela difusão que Reinaldo Azevedo tem dado à minha trouvaille. É bom que a palavrinha chegue à grande imprensa.

A Folha de São Paulo de hoje traz reportagem que muito me alegra. Pela primeira vez na grande imprensa, surge a palavra apedeuta como definição de Lula. No ano mesmo de sua eleição, em crônica intitulada "Eu sou o que sou", publicada no Baguete Diário, jornal eletrônico de Porto Alegre (29/03/2002), pareceu-me oportuno qualificá-lo como apedeuta:

"Até hoje as esquerdas são pródigas em contar piadas sobre a falta de cultura de Costa e Silva. Mas Costa e Silva fez Escola Militar, cujo acesso não é para qualquer apedeuta".

Em 19 de agosto do mesmo ano, no mesmo jornal, na crônica intitulada "O neoaparatchik", voltei ao tema:

"Existe uma raça de apedeutas que se sentem muito eruditos quando usam proparoxítonas ou quadrissílabos. No debate organizado pela Folha de São Paulo, na segunda feira-passada, ele se superou. Lá pelas tantas, arrotou erudição: 'Entretanto, há coisas a serem feitas concomitantemente'. Embriagado pelo próprio verbo, feliz pelo heptassílabo, perguntou ao interlocutor: 'Gostou do concomitantemente?'"

Em 17 de março de 2003, no artigo "Armadilha para negros", publicado no jornal eletrônico MSM, escrevi:

"O atual presidente da República está longe de ser o primeiro apedeuta a assumir o poder neste país. Câmara e Senado estão repletos de analfabetos jurídicos, que nada entendem da confecção de leis nem sabem sequer distinguir lei maior de lei menor".

Na tradução do artigo para o inglês, "A Trap for Blacks", publicada na revista Brazzil, de Los Angeles, o tradutor teve um feliz achado: First Ignoramus.

Our current President is far from being the first ignoramus to take office in this country. Both the House and the Senate are full of juridical illiterates who understand nothing about lawmaking and can't even distinguish major from minor laws.

Em 01 de agosto de 2004, no artigo "In Brazil, Good News Is No News", publicado na mesma revista, eu escrevia:

For sure, Brazil's government would take pleasure in installing its own peculiar form of dictatorship. Marxism has always run in the veins of the Workers' Party. It's in the DNA. Not by chance, every so often, ghostwriters for President Lula, the Supreme Ignoramus, find room to insert a Stalinist author amidst his fastidious speeches.

E mais adiante:

Nor do I deem possible that any party, no matter how obsolete, can drag this country into a communist regime. Will the Supreme Ignoramus manage to transform this pluralistic society into a single party regime? Do away with elections and replace them with a one candidate farce?

Em "Fala, ó metamorfose ambulante", publicado também no MSM, em 20 de setembro de 2004, lá está:

"Durante solenidade em Brasília, o Supremo Apedeuta disse que 'o ser humano não tem que ter medo de ser uma eterna metamorfose ambulante', fazendo referência a um dos sublimes autores que embasam sua erudição".

Em julho de 2006, na mesma Brazzil, eu escrevia:

Again, the quotas. The white guild wants to protect the corporation. While the country was getting thrilled and distracted by the World Cup, the project was approved almost clandestinely in Congress. It now depends only on a veto or an approval by the Supreme Ignoramus, the president. It's amazing that such a rule would appear now in these Internet days, a time in which any citizen can start his blog and do journalism the way he pleases.

Em suma, para meu prazer, a expressão foi fazendo fortuna na mídia eletrônica. Tanto o Supremo Apedeuta como o Supreme Ignoramus. Nada lisonjeia tanto um jornalista como ver seus achados correndo mundo. Em agosto de 2006, o ator Carlos Vereza, em entrevista a Jô Soares, largou pela primeira vez a expressão na televisão. No dia 21 do mesmo mês, o cronista chapa-branca tucano papista Reinaldo Azevedo escrevia em seu blog:

Memórias do PT 3 - Vereza e a "glamourização do Apedeuta". Reparem na platéia
O ator Carlos Vereza era um dos entusiasmados assinantes da extinta Primeira Leitura. Chegamos a nos falar duas vezes. Ele tinha grande admiração pela revista. No auge do mensalão, foi entrevistado no Programa Jô Soares e fez um discurso muito interessante. O vídeo está em dois tempos, vejam até o fim. Num dado momento, Vereza diz que "Lula é a glamourização do apedeuta (uma palavrinha importante para nós, hehe), a glamourização da ignorância". E tanto ele como Jô Soares falam do partido "tentacular". Prestem atenção à reação da plateía. Como foi que a oposição deixou passar aquele momento???


Bom, a palavrinha importante para nós não é achado do Vereza. De 2003 para cá, escrevi pelo menos 21 crônicas, onde uso as expressões apedeuta ou Supremo Apedeuta. Mais tarde, lendo ao azar a revista tucana Primeira Leitura, vi que o jornalista chapa-branca tucanopapista a empregava várias vezes. Maravilha, pensei, minha trouvaille já é de conhecimento dos partidos de oposição. Ocorre que, conversando com outros jornalistas, fiquei sabendo que o autor do artigo reivindicava a autoria da expressão. Na ocasião, escrevi:

- Alto lá, senhor Reinaldo Azevedo. Supremo Apedeuta é cria minha, e isto qualquer pesquisa rápida no Google pode comprovar. Use e abuse da expressão, quantas vezes quiser, divulgue-a aos quatro ventos, isto só me faz feliz. Mas não pretenda tê-la criado. Isto é muito feio para um jornalista. Ou, para usarmos uma palavra da moda, é antiético. E não fica bem para o porta-voz de um partido que pretende dar um banho de ética no partido que se dizia dono da ética tomar atitudes assim antiéticas. O Supremo Apedeuta é meu.

Na reportagem de hoje da Folha, leio:

"Apedeuta"
Em seu blog, Reinaldo Azevedo não vive sem provocar polêmicas. Entre suas expressões favoritas estão "chutar o traseiro dos adversários" e "petralha', neologismo que diz ser "a variação petista dos Irmãos Metralha: sempre de olho na caixa-forte". A palavra campeã de audiência é a usada para se referir ao presidente Lula: "apedeuta" (pessoa sem instrução, ignorante).


Fico grato pela difusão que Reinaldo Azevedo tem dado à minha trouvaille. É bom que a palavrinha chegue à grande imprensa. É bom também saber que o cronista tucanopapista se inspira na leitura de cronistas independentes, que não são capachos de partido nenhum.

A Folha de São Paulo de hoje traz reportagem que muito me alegra. Pela primeira vez na grande imprensa, surge a palavra apedeuta como definição de Lula. No ano mesmo de sua eleição, em crônica intitulada "Eu sou o que sou", publicada no Baguete Diário, jornal eletrônico de Porto Alegre (29/03/2002), pareceu-me oportuno qualificá-lo como apedeuta:

"Até hoje as esquerdas são pródigas em contar piadas sobre a falta de cultura de Costa e Silva. Mas Costa e Silva fez Escola Militar, cujo acesso não é para qualquer apedeuta".

Em 19 de agosto do mesmo ano, no mesmo jornal, na crônica intitulada "O neoaparatchik", voltei ao tema:

"Existe uma raça de apedeutas que se sentem muito eruditos quando usam proparoxítonas ou quadrissílabos. No debate organizado pela Folha de São Paulo, na segunda feira-passada, ele se superou. Lá pelas tantas, arrotou erudição: 'Entretanto, há coisas a serem feitas concomitantemente'. Embriagado pelo próprio verbo, feliz pelo heptassílabo, perguntou ao interlocutor: 'Gostou do concomitantemente?'"

Em 17 de março de 2003, no artigo "Armadilha para negros", publicado no jornal eletrônico MSM, escrevi:

"O atual presidente da República está longe de ser o primeiro apedeuta a assumir o poder neste país. Câmara e Senado estão repletos de analfabetos jurídicos, que nada entendem da confecção de leis nem sabem sequer distinguir lei maior de lei menor".

Na tradução do artigo para o inglês, "A Trap for Blacks", publicada na revista Brazzil, de Los Angeles, o tradutor teve um feliz achado: First Ignoramus.

Our current President is far from being the first ignoramus to take office in this country. Both the House and the Senate are full of juridical illiterates who understand nothing about lawmaking and can't even distinguish major from minor laws.

Em 01 de agosto de 2004, no artigo "In Brazil, Good News Is No News", publicado na mesma revista, eu escrevia:

For sure, Brazil's government would take pleasure in installing its own peculiar form of dictatorship. Marxism has always run in the veins of the Workers' Party. It's in the DNA. Not by chance, every so often, ghostwriters for President Lula, the Supreme Ignoramus, find room to insert a Stalinist author amidst his fastidious speeches.

E mais adiante:

Nor do I deem possible that any party, no matter how obsolete, can drag this country into a communist regime. Will the Supreme Ignoramus manage to transform this pluralistic society into a single party regime? Do away with elections and replace them with a one candidate farce?

Em "Fala, ó metamorfose ambulante", publicado também no MSM, em 20 de setembro de 2004, lá está:

"Durante solenidade em Brasília, o Supremo Apedeuta disse que 'o ser humano não tem que ter medo de ser uma eterna metamorfose ambulante', fazendo referência a um dos sublimes autores que embasam sua erudição".

Em julho de 2006, na mesma Brazzil, eu escrevia:

Again, the quotas. The white guild wants to protect the corporation. While the country was getting thrilled and distracted by the World Cup, the project was approved almost clandestinely in Congress. It now depends only on a veto or an approval by the Supreme Ignoramus, the president. It's amazing that such a rule would appear now in these Internet days, a time in which any citizen can start his blog and do journalism the way he pleases.

Em suma, para meu prazer, a expressão foi fazendo fortuna na mídia eletrônica. Tanto o Supremo Apedeuta como o Supreme Ignoramus. Nada lisonjeia tanto um jornalista como ver seus achados correndo mundo. Em agosto de 2006, o ator Carlos Vereza, em entrevista a Jô Soares, largou pela primeira vez a expressão na televisão. No dia 21 do mesmo mês, o cronista chapa-branca tucano papista Reinaldo Azevedo escrevia em seu blog:

Memórias do PT 3 - Vereza e a "glamourização do Apedeuta". Reparem na platéia
O ator Carlos Vereza era um dos entusiasmados assinantes da extinta Primeira Leitura. Chegamos a nos falar duas vezes. Ele tinha grande admiração pela revista. No auge do mensalão, foi entrevistado no Programa Jô Soares e fez um discurso muito interessante. O vídeo está em dois tempos, vejam até o fim. Num dado momento, Vereza diz que "Lula é a glamourização do apedeuta (uma palavrinha importante para nós, hehe), a glamourização da ignorância". E tanto ele como Jô Soares falam do partido "tentacular". Prestem atenção à reação da plateía. Como foi que a oposição deixou passar aquele momento???


Bom, a palavrinha importante para nós não é achado do Vereza. De 2003 para cá, escrevi pelo menos 21 crônicas, onde uso as expressões apedeuta ou Supremo Apedeuta. Mais tarde, lendo ao azar a revista tucana Primeira Leitura, vi que o jornalista chapa-branca tucanopapista a empregava várias vezes. Maravilha, pensei, minha trouvaille já é de conhecimento dos partidos de oposição. Ocorre que, conversando com outros jornalistas, fiquei sabendo que o autor do artigo reivindicava a autoria da expressão. Na ocasião, escrevi:

- Alto lá, senhor Reinaldo Azevedo. Supremo Apedeuta é cria minha, e isto qualquer pesquisa rápida no Google pode comprovar. Use e abuse da expressão, quantas vezes quiser, divulgue-a aos quatro ventos, isto só me faz feliz. Mas não pretenda tê-la criado. Isto é muito feio para um jornalista. Ou, para usarmos uma palavra da moda, é antiético. E não fica bem para o porta-voz de um partido que pretende dar um banho de ética no partido que se dizia dono da ética tomar atitudes assim antiéticas. O Supremo Apedeuta é meu.

Na reportagem de hoje da Folha, leio:

"Apedeuta"
Em seu blog, Reinaldo Azevedo não vive sem provocar polêmicas. Entre suas expressões favoritas estão "chutar o traseiro dos adversários" e "petralha', neologismo que diz ser "a variação petista dos Irmãos Metralha: sempre de olho na caixa-forte". A palavra campeã de audiência é a usada para se referir ao presidente Lula: "apedeuta" (pessoa sem instrução, ignorante).


Fico grato pela difusão que Reinaldo Azevedo tem dado à minha trouvaille. É bom que a palavrinha chegue à grande imprensa. É bom também saber que o cronista tucanopapista se inspira na leitura de cronistas independentes, que não são capachos de partido nenhum.

Janer Cristaldo

O escritor e jornalista Janer Cristaldo nasceu em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul. Formou-se em Direito e Filosofia e doutorou-se em Letras Francesas e Comparadas pela Université de la Sorbonne Nouvelle (Paris III). Morou na Suécia, França e Espanha. Lecionou Literatura Comparada e Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina e trabalhou como redator de Internacional nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Faleceu no dia 18 de Outubro de 2014.

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