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12 Nov 2007

Por Uma Nova Aurora

Escrito por 

Ora, o que significa afirmar que uma obra é atual? Simplesmente que ela seja capaz de responder de modo consistente aos anseios e indagações do homem de uma época.

O culto a novidade, advinda do imediatismo que amordaça a alma do homem contemporâneo é algo que literalmente inviabiliza qualquer intento de uma discussão séria sobre qualquer assunto, visto que, todo e qualquer dialogo quando colocado dentro do seu devido lugar, nos apresenta uma contenda de idéias e mesmo a resolução de problemas já apresentada através dos séculos e que, devido a essa crença nos pseudo-poderes do “que há de novo”, acabamos por deixar tais pontos escaparem por entre nossos dedos como se o legado da civilização fosse apenas uma fina areia.

Isso mesmo. Quando, por exemplo, nos dispomos a discutir sobre o tema educação temos, pelo menos, seis mil anos de produção bibliográfica e de experiências realizadas em torno. Todavia, o que fazemos? Limitamos nosso horizonte unicamente na chula perspectiva das últimas publicações que se fundamentam nas mais recentes publicações sobre o tema.

Tal postura intelectual poderia ser comparada tranqüilamente a imagem de um cão pitoco correndo atrás de seu próprio rabo. Correndo atrás de algo que ele apenas tem uma vaga impressão. Isso sem falar que tudo isso é uma demonstração de profunda arrogância. Crer que apenas por ter decorado algumas expressões chaves repetidas a exaustão nas publicações hodiernas o indivíduo está habilitado a poder julgar e condenar todo o restante das obras produzidas pela humanidade classificando-as como retrógradas, reacionárias ou, simplesmente, como desatualizadas.

Ora, o que significa afirmar que uma obra é atual? Simplesmente que ela seja capaz de responder de modo consistente aos anseios e indagações do homem de uma época e, neste sentido, as obras esquecidas no fundo das bibliotecas tidas como ultrapassadas tem muito mais a contribuir na compreensão dos problemas da educação do que os disparates atualizadissimos.

Há algumas ocasiões em que os clássicos até são lembrados (em sala), todavia, apenas como uma curiosidade ilustrativa e nada mais. Como algo acessório na formação do indivíduo e não como uma obra a ser lida e meditada em seus conceitos de modo atento e tendo a sua atualidade devidamente refletida.

No lugar disso, o que se faz com grande freqüência com relação a estas obras? Aponta-se reles comentários baseados em outros comentários ou em artigos sobre a mesma que, na maioria das vezes, abarca apenas uma pequena dimensão da grandiosidade da obra ou mesmo reduz a grandiosidade desta a pequenez da alma de seu comentador e a mediocridade daquele que se recusou a ler os originais, contentando-se em apenas fingir ser senhor do conhecimento da mesma. De um modo geral, é assim que se desenrolam as discussões em torno do ex ducere nesta pátria de despatriados.

O filósofo brasileiro Mário Ferreira dos Santos nos ensina através de suas obras (mais de 100 publicadas e 30 manuscritos. Praticamente todas desdenhadas pela Academia) que um dos maiores erros que se faz presente nas discussões contemporâneas se deve ao fato do desdém que se tecem em relação as obras clássicas, pois, se essas estivessem sendo estudadas os erros estupidamente repetidos não ocorreriam, visto que, estes erros já haviam sido refutados pelos filósofos da Gregos, da patrística e pelos da escolástica.

É claro que a não realização de uma discussão nestas bases não significa que estamos diante do fim do mundo, mas também não significa, de modo algum, que se esteja fazendo algo dignificante e que venha a elevar a alma humana. Estamos apenas demonstrando de modo cabal a perversidade de nosso ridículo original, da literal concretização da teoria do medalhão de Machado de Assis.

Se realmente queremos edificar uma nova aurora na seara da educação, comecemos então, com humildade, a ler as obras daqueles que estão condenados ao ostracismo para assim, quem sabe, podermos perceber a fragilidade de nossas concepções e a enormidade de nossa insignificância.

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Obs.: Nosso programa de rádio na Internet agora está em site próprio com inserções constantes e com o arquivamento dos áudios. O endereço é: http://eagorajose.k6.com.br  ou através de nosso site http://dartagnanzanela.k6.com.br

O culto a novidade, advinda do imediatismo que amordaça a alma do homem contemporâneo é algo que literalmente inviabiliza qualquer intento de uma discussão séria sobre qualquer assunto, visto que, todo e qualquer dialogo quando colocado dentro do seu devido lugar, nos apresenta uma contenda de idéias e mesmo a resolução de problemas já apresentada através dos séculos e que, devido a essa crença nos pseudo-poderes do “que há de novo”, acabamos por deixar tais pontos escaparem por entre nossos dedos como se o legado da civilização fosse apenas uma fina areia.

Isso mesmo. Quando, por exemplo, nos dispomos a discutir sobre o tema educação temos, pelo menos, seis mil anos de produção bibliográfica e de experiências realizadas em torno. Todavia, o que fazemos? Limitamos nosso horizonte unicamente na chula perspectiva das últimas publicações que se fundamentam nas mais recentes publicações sobre o tema.

Tal postura intelectual poderia ser comparada tranqüilamente a imagem de um cão pitoco correndo atrás de seu próprio rabo. Correndo atrás de algo que ele apenas tem uma vaga impressão. Isso sem falar que tudo isso é uma demonstração de profunda arrogância. Crer que apenas por ter decorado algumas expressões chaves repetidas a exaustão nas publicações hodiernas o indivíduo está habilitado a poder julgar e condenar todo o restante das obras produzidas pela humanidade classificando-as como retrógradas, reacionárias ou, simplesmente, como desatualizadas.

Ora, o que significa afirmar que uma obra é atual? Simplesmente que ela seja capaz de responder de modo consistente aos anseios e indagações do homem de uma época e, neste sentido, as obras esquecidas no fundo das bibliotecas tidas como ultrapassadas tem muito mais a contribuir na compreensão dos problemas da educação do que os disparates atualizadissimos.

Há algumas ocasiões em que os clássicos até são lembrados (em sala), todavia, apenas como uma curiosidade ilustrativa e nada mais. Como algo acessório na formação do indivíduo e não como uma obra a ser lida e meditada em seus conceitos de modo atento e tendo a sua atualidade devidamente refletida.

No lugar disso, o que se faz com grande freqüência com relação a estas obras? Aponta-se reles comentários baseados em outros comentários ou em artigos sobre a mesma que, na maioria das vezes, abarca apenas uma pequena dimensão da grandiosidade da obra ou mesmo reduz a grandiosidade desta a pequenez da alma de seu comentador e a mediocridade daquele que se recusou a ler os originais, contentando-se em apenas fingir ser senhor do conhecimento da mesma. De um modo geral, é assim que se desenrolam as discussões em torno do ex ducere nesta pátria de despatriados.

O filósofo brasileiro Mário Ferreira dos Santos nos ensina através de suas obras (mais de 100 publicadas e 30 manuscritos. Praticamente todas desdenhadas pela Academia) que um dos maiores erros que se faz presente nas discussões contemporâneas se deve ao fato do desdém que se tecem em relação as obras clássicas, pois, se essas estivessem sendo estudadas os erros estupidamente repetidos não ocorreriam, visto que, estes erros já haviam sido refutados pelos filósofos da Gregos, da patrística e pelos da escolástica.

É claro que a não realização de uma discussão nestas bases não significa que estamos diante do fim do mundo, mas também não significa, de modo algum, que se esteja fazendo algo dignificante e que venha a elevar a alma humana. Estamos apenas demonstrando de modo cabal a perversidade de nosso ridículo original, da literal concretização da teoria do medalhão de Machado de Assis.

Se realmente queremos edificar uma nova aurora na seara da educação, comecemos então, com humildade, a ler as obras daqueles que estão condenados ao ostracismo para assim, quem sabe, podermos perceber a fragilidade de nossas concepções e a enormidade de nossa insignificância.

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Obs.: Nosso programa de rádio na Internet agora está em site próprio com inserções constantes e com o arquivamento dos áudios. O endereço é: http://eagorajose.k6.com.br  ou através de nosso site http://dartagnanzanela.k6.com.br

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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