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06 Nov 2007

O Calcanhar de Aquiles

Escrito por 

Porém, se você é daqueles que construiu toda a sua vida sobre enganos maquiados com um pálido verniz de pseudo-erudição para enganar aos outros e, acima de tudo, a si mesmo, sugiro que continue agrilhoado em seu simulacro e continue aninhado em seus devaneios e em sua fingida sapiência.

Infelizmente, não é raro os momentos em que ouvimos pessoas expressarem suas opiniões com grande gosto e satisfação. Alias, na maioria das vezes essas mesmas pessoas nutrem um sentimento de forte afeto por uma opinião (de)formada que ela julga sua. Pior. Para cada assunto que lhe é apresentado a mesma apresenta uma nova.

Caramba, mas quem disse que ter opinião sobre um e outro assunto é motivo de ufanismo? Ora, opinião, como muitas vezes frisamos, seria apenas uma mera impressão subjetiva da realidade onde o sujeito se apropria de alguns recortes sobre o assunto em pauta e fala simplesmente o que sente em relação ao mesmo e não sobre o que este algo realmente é.

Ora, em termo cognitivos, isso e nada é a mesma coisa.

Para apreender a realidade dos fatos pouco importa se eu concordo ou não com o que está diante de minhas vistas e menos ainda se eu gosto ou não da resposta obtida. O que interessa é justamente que, de modo sincero, procuremos compreender o que está diante de nós e não simplesmente afirmar o que nós desejamos que esse algo seja.

Por essa mesma razão que o filósofo Mário Ferreira dos Santos em sua obra ORIGEM DOS GRANDES ERROS FILOSÓFICOS (pág. 90) afirmava que, “só pode haver opinião onde não se alcança a estrutura eidética do ser, ou quando pairam ainda probabilidades outras de alguma coisa ser outra que o que julgamos ser”. Ou seja, deveríamos apenas alimentar opiniões em assuntos que nosso aparato cognitivo não esteja armado para poder construir uma clara compreensão do assunto. Todavia, dia após dia, estamos vendo cada vez mais a redução da reflexão sobre todo e qualquer assunto a um mero jogo de trocas e emissões fortuitas de opiniões, uma tão rasa quanto a outra.

Lemos uma manchete de jornal ou ouvimos falar sobre um determinado assunto e já nos julgamos habilitados a apontar juízos de valor. Se isso não fosse o suficiente, nos sentimos imbuídos e até mesmo autorizados a tomarmos uma posição prol ou contra, mas sempre de acordo com a voz tosca da maioria bestializada. Todavia, com base em que meu Deus do Céu?

Mais adiante, na mesma obra, o filósofo acima citado nos lembra ainda que: “O que tem impedido o espírito humano de alcançar situações superiores é a influência que exerceu a confusão entre verdade material e verdade formal, e, também, de certos esquemas históricos, que atuam preconceituosamente, viciando de antemão o próprio processo filosófico” (pág. 92). Viciando todo processo de compreensão.

Para averiguar tais pontos basta que você se pergunte sobre os pré-supostos que sustentam os seus pontos de vista e com base em que eles se sustentam para verificar esse dado aterrador. Reflita sobre as suas concepções históricas, sobre as bases de seus entendimentos sobre o devir humano através do tempo. Quer dizer, faça isso se você não tem medo de abandonar as suas parvas opiniões.

Porém, se você é daqueles que construiu toda a sua vida sobre enganos maquiados com um pálido verniz de pseudo-erudição para enganar aos outros e, acima de tudo, a si mesmo, sugiro que continue agrilhoado em seu simulacro e continue aninhado em seus devaneios e em sua fingida sapiência.

Mas, pense nas opiniões que você for emitir, para assim, ao menos, não mais fingir que está pensando.

________________________________________________________________________________________

Obs.: É com grande alegria que comunicamos a todos que estamos com um talk show, um modesto programa de rádio, na internet que vai ao ar todos os sábados a partir das 21:00 horas. Para ouvir o mesmo (inclusive os programas anteriores) basta acessar o nosso site.

http://dartagnanzanela.k6.com.br – ou diretamente em nosso blog – http://zanela.blogspot.com

Infelizmente, não é raro os momentos em que ouvimos pessoas expressarem suas opiniões com grande gosto e satisfação. Alias, na maioria das vezes essas mesmas pessoas nutrem um sentimento de forte afeto por uma opinião (de)formada que ela julga sua. Pior. Para cada assunto que lhe é apresentado a mesma apresenta uma nova.

Caramba, mas quem disse que ter opinião sobre um e outro assunto é motivo de ufanismo? Ora, opinião, como muitas vezes frisamos, seria apenas uma mera impressão subjetiva da realidade onde o sujeito se apropria de alguns recortes sobre o assunto em pauta e fala simplesmente o que sente em relação ao mesmo e não sobre o que este algo realmente é.

Ora, em termo cognitivos, isso e nada é a mesma coisa.

Para apreender a realidade dos fatos pouco importa se eu concordo ou não com o que está diante de minhas vistas e menos ainda se eu gosto ou não da resposta obtida. O que interessa é justamente que, de modo sincero, procuremos compreender o que está diante de nós e não simplesmente afirmar o que nós desejamos que esse algo seja.

Por essa mesma razão que o filósofo Mário Ferreira dos Santos em sua obra ORIGEM DOS GRANDES ERROS FILOSÓFICOS (pág. 90) afirmava que, “só pode haver opinião onde não se alcança a estrutura eidética do ser, ou quando pairam ainda probabilidades outras de alguma coisa ser outra que o que julgamos ser”. Ou seja, deveríamos apenas alimentar opiniões em assuntos que nosso aparato cognitivo não esteja armado para poder construir uma clara compreensão do assunto. Todavia, dia após dia, estamos vendo cada vez mais a redução da reflexão sobre todo e qualquer assunto a um mero jogo de trocas e emissões fortuitas de opiniões, uma tão rasa quanto a outra.

Lemos uma manchete de jornal ou ouvimos falar sobre um determinado assunto e já nos julgamos habilitados a apontar juízos de valor. Se isso não fosse o suficiente, nos sentimos imbuídos e até mesmo autorizados a tomarmos uma posição prol ou contra, mas sempre de acordo com a voz tosca da maioria bestializada. Todavia, com base em que meu Deus do Céu?

Mais adiante, na mesma obra, o filósofo acima citado nos lembra ainda que: “O que tem impedido o espírito humano de alcançar situações superiores é a influência que exerceu a confusão entre verdade material e verdade formal, e, também, de certos esquemas históricos, que atuam preconceituosamente, viciando de antemão o próprio processo filosófico” (pág. 92). Viciando todo processo de compreensão.

Para averiguar tais pontos basta que você se pergunte sobre os pré-supostos que sustentam os seus pontos de vista e com base em que eles se sustentam para verificar esse dado aterrador. Reflita sobre as suas concepções históricas, sobre as bases de seus entendimentos sobre o devir humano através do tempo. Quer dizer, faça isso se você não tem medo de abandonar as suas parvas opiniões.

Porém, se você é daqueles que construiu toda a sua vida sobre enganos maquiados com um pálido verniz de pseudo-erudição para enganar aos outros e, acima de tudo, a si mesmo, sugiro que continue agrilhoado em seu simulacro e continue aninhado em seus devaneios e em sua fingida sapiência.

Mas, pense nas opiniões que você for emitir, para assim, ao menos, não mais fingir que está pensando.

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Obs.: É com grande alegria que comunicamos a todos que estamos com um talk show, um modesto programa de rádio, na internet que vai ao ar todos os sábados a partir das 21:00 horas. Para ouvir o mesmo (inclusive os programas anteriores) basta acessar o nosso site.

http://dartagnanzanela.k6.com.br – ou diretamente em nosso blog – http://zanela.blogspot.com

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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