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29 Out 2007

Falando Sério

Escrito por 

De mais a mais, como bem nos lembra o grande professor chinês Confúcio: “as palavras sinceras não são elegantes; as palavras elegantes nunca são sinceras”.

Já faz algum tempo que estamos dedicando o espaço desta coluna que nos é disponibilizado para discutir alguns pontos sobre este tema encantador e enfadonho que é a educação.

Fazemos isso por ser um ponto nevrálgico da sociedade hodierna e, por essa mesma razão, faz-se centro de inúmeras discussões. Muitas delas profícuas, outras não tanto e, a maioria, totalmente imersa na superficialidade do vulgo.

Poderia estar aqui a deitar minha pena informatizada para entoar bravatas e tecer análises sobre o quadro político da decrepita sociedade brasileira. Poderia, porém, faço minhas as palavras do escritor Humberto de Campos que, quando vivo, afirmava que os nossos políticos são como nossa fauna. Não há gigantes. E, para piorar, o maior animal de nossa fauna é a anta, como muito bem me lembrou um amigo meu em determinada ocasião. Então, para que discutir algo que não nutrimos esperança? Para que escrever sobre algo que desdenhará por completo suas considerações? Para que jogar pérolas (baratas, mas pérolas) no tártaro?

É por essas e outras que escrevo sobre o ato de educar e sobre outros temas que podem levar a elevação da dignidade humana, pois, a indignidade, em si, não tem cura e em nada eleva a alma.

Entretanto, esse lamaçal, superficialmente político e, em suas entranhas, moral, perpassa obviamente pelo educar que é um dos principais responsáveis por esse clima de hipocrisia e decrepitude geral. Alias, responsável direto, não secundário, desta perversão que hoje vivemos. Para tanto, basta ver quais são os valores que reproduzimos nas práticas educativas formais e informais.

Por esta razão trago a baila nesta linhas turvas as palavras do filósofo alemão Athur Schopenhauer que, nos idos do século XIX, já vislumbrava essa decadência do humano na sociedade de seu tempo e afirma que se fossemos observar a grande quantidade de instituições de ensino e bem como a grande quantidade de educadores e educandos seria possível acreditarmos que a humanidade atribui grande importância a instrução e ao conhecimento da verdade. Hahaha! Como as aparências neste caso nos engana, não é mesmo? Pior! Como nos auto-enganamos.

E o filósofo citado é pontual e ácido em suas colocações, pois, segundo o mesmo, o professor ensina para: “[...] ganhar dinheiro e não se esforça pela sabedoria, mas pelo crédito que ganha dando a impressão de possuí-la. E os alunos não aprendem para ganhar conhecimento e se instruir, mas para poder tagarelar e para ganhar ares de importantes. A cada trinta anos, desponta no mundo uma nova geração, pessoas que não sabem nada e agora devoram os resultados do saber humano acumulado durante milênios, de modo sumário e apressado, depois querem ser mais espertas do que todo o passado. É com esse objetivo que tal geração frequenta a universidade e se aferra aos livros, sempre os mais recentes, os de sua época e próprios para sua idade. Só o que é breve e novo! Assim como é nova a geração, que logo passa a emitir seus juízos”.

Terão aqueles que poderão afirmar que tais palavras são duras por demais. Entretanto, como podemos afirmar que somos pessoas críticas, que somos educadores críticos, se nos esquivamos da mesma? Como podemos ensinar a refletir se somos incapazes de refletirmos sobre nossa condição enquanto professor e aluno? Ora, como podemos afirmar que vivemos na época mais elevada de todos os tempos se somos incapazes de refletir sobre nossa condição com vistas a nos tornarmos pessoas melhores do que somos? Que elevação há do peido que fala do arroto? Qual?

De mais a mais, como bem nos lembra o grande professor chinês Confúcio: “as palavras sinceras não são elegantes; as palavras elegantes nunca são sinceras”. E, falando sério, neste ponto, Schopenhauer foi profundamente sincero com a sociedade moderna, muito mais do nós somos conosco mesmo.

Já faz algum tempo que estamos dedicando o espaço desta coluna que nos é disponibilizado para discutir alguns pontos sobre este tema encantador e enfadonho que é a educação.

Fazemos isso por ser um ponto nevrálgico da sociedade hodierna e, por essa mesma razão, faz-se centro de inúmeras discussões. Muitas delas profícuas, outras não tanto e, a maioria, totalmente imersa na superficialidade do vulgo.

Poderia estar aqui a deitar minha pena informatizada para entoar bravatas e tecer análises sobre o quadro político da decrepita sociedade brasileira. Poderia, porém, faço minhas as palavras do escritor Humberto de Campos que, quando vivo, afirmava que os nossos políticos são como nossa fauna. Não há gigantes. E, para piorar, o maior animal de nossa fauna é a anta, como muito bem me lembrou um amigo meu em determinada ocasião. Então, para que discutir algo que não nutrimos esperança? Para que escrever sobre algo que desdenhará por completo suas considerações? Para que jogar pérolas (baratas, mas pérolas) no tártaro?

É por essas e outras que escrevo sobre o ato de educar e sobre outros temas que podem levar a elevação da dignidade humana, pois, a indignidade, em si, não tem cura e em nada eleva a alma.

Entretanto, esse lamaçal, superficialmente político e, em suas entranhas, moral, perpassa obviamente pelo educar que é um dos principais responsáveis por esse clima de hipocrisia e decrepitude geral. Alias, responsável direto, não secundário, desta perversão que hoje vivemos. Para tanto, basta ver quais são os valores que reproduzimos nas práticas educativas formais e informais.

Por esta razão trago a baila nesta linhas turvas as palavras do filósofo alemão Athur Schopenhauer que, nos idos do século XIX, já vislumbrava essa decadência do humano na sociedade de seu tempo e afirma que se fossemos observar a grande quantidade de instituições de ensino e bem como a grande quantidade de educadores e educandos seria possível acreditarmos que a humanidade atribui grande importância a instrução e ao conhecimento da verdade. Hahaha! Como as aparências neste caso nos engana, não é mesmo? Pior! Como nos auto-enganamos.

E o filósofo citado é pontual e ácido em suas colocações, pois, segundo o mesmo, o professor ensina para: “[...] ganhar dinheiro e não se esforça pela sabedoria, mas pelo crédito que ganha dando a impressão de possuí-la. E os alunos não aprendem para ganhar conhecimento e se instruir, mas para poder tagarelar e para ganhar ares de importantes. A cada trinta anos, desponta no mundo uma nova geração, pessoas que não sabem nada e agora devoram os resultados do saber humano acumulado durante milênios, de modo sumário e apressado, depois querem ser mais espertas do que todo o passado. É com esse objetivo que tal geração frequenta a universidade e se aferra aos livros, sempre os mais recentes, os de sua época e próprios para sua idade. Só o que é breve e novo! Assim como é nova a geração, que logo passa a emitir seus juízos”.

Terão aqueles que poderão afirmar que tais palavras são duras por demais. Entretanto, como podemos afirmar que somos pessoas críticas, que somos educadores críticos, se nos esquivamos da mesma? Como podemos ensinar a refletir se somos incapazes de refletirmos sobre nossa condição enquanto professor e aluno? Ora, como podemos afirmar que vivemos na época mais elevada de todos os tempos se somos incapazes de refletir sobre nossa condição com vistas a nos tornarmos pessoas melhores do que somos? Que elevação há do peido que fala do arroto? Qual?

De mais a mais, como bem nos lembra o grande professor chinês Confúcio: “as palavras sinceras não são elegantes; as palavras elegantes nunca são sinceras”. E, falando sério, neste ponto, Schopenhauer foi profundamente sincero com a sociedade moderna, muito mais do nós somos conosco mesmo.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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