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29 Out 2007

E Se Africano Fosse Mais Inteligente?

Escrito por 

A África - e particularmente a África muçulmana - vive ainda na era das teocracias, lapidações e ablação de clitóris.

Leio manchete na Folha de São Paulo de quinta-feira passada:

AFRICANO É MENOS INTELIGENTE, DIZ NOBEL

Na linha fina, o redator já toma suas precauções e emite opinião antecipada sobre a notícia, como se o leitor fosse incapaz de julgá-la por si só:

Americano James Watson, co-descobridor da estrutura do DNA, dá declaração de cunho racista a jornal

Vamos à notícia:

Uma entrevista do biólogo James Watson, 79, com declarações racistas anteontem a um jornal britânico atraiu uma enxurrada de críticas de cientistas, sociólogos, políticos e ativistas de direitos humanos. Watson, ganhador do Prêmio Nobel por ter descoberto a estrutura do DNA juntamente com Francis Crick, em 1953, afirmou ao jornal britânico The Sunday Times que africanos são menos inteligentes do que ocidentais e, em razão disso, se declarou pessimista em relação ao futuro da África.

Todas as nossas políticas sociais são baseadas no fato de que a inteligência deles [dos negros] é igual à nossa, apesar de todos os testes dizerem que não”, afirmou o cientista. “Pessoas que já lidaram com empregados negros não acreditam que isso [a igualdade de inteligência] seja verdade”.

A declaração verbal foi apenas um jeito um pouco menos delicado de expor o que ele já havia escrito em seu recém-lançado livro Avoid Boring People (Evite Pessoas Chatas): “Não há razão firme para crer que as capacidades intelectuais de pessoas geograficamente separadas evoluam de maneira idêntica. Nosso desejo de considerar poderes iguais de raciocínio como uma herança universal da humanidade não vai se prestar a isso”.

Tivesse feito esta declaração no Brasil, Watson já estaria processado por crime de racismo. No entanto… olhe para os países africanos… e olhe para os países europeus. Olhe para as cidades esplendorosas do Velho Continente… e para as cidades miseráveis do continente negro. Você jamais encontrará um Mozart ou um Cervantes nas culturas africanas. Mas encontrará às pampas os Idi Amin Dadas e Mobutus Sessos da vida. Na Europa há Estados constituídos. Na África há arremedos de Estado e tribos e guerras tribais. Democracia é flor que viceja na Europa. Não há democracia em países africanos.

A África - e particularmente a África muçulmana - vive ainda na era das teocracias, lapidações e ablação de clitóris. No Ocidente, há muito chegou-se à noção de direitos humanos. Teocracia é obsolescência do passado, lapidação não é admissível como pena e ablação do clitóris é crime. Compare a cultura e a tecnologia produzidas pela Europa, e a cultura e tecnologia produzidas pela África. O óbvio salta aos olhos. É claro que o branco europeu é mais inteligente que o negro africano.

Outra pergunta é se o branco, tout court, é mais inteligente que o negro. Watson não expõem dados que comprovem isto e, em artigo posterior, desautorizou qualquer interpretação genética de suas afirmações. Veio em seu socorro Bruce Lahn, estudioso da relação entre genes e inteligência. Segundo o geneticista da Universidade de Chicago, "não há dúvida" de que genes podem ser ligados à inteligência. Lahn ainda afirma que há estudos mostrando em grupos africanos um desempenho inferior em testes cognitivos como o QI. "É possível que cor de pele e inteligência estejam ligados, mas de maneira indireta e não-causal", disse. Em 2005, publicou artigos no periódico Science defendendo que africanos e leste-asiáticos têm incidência mais baixa de dois genes relacionados à inteligência, o ASPM e o MCPH1.

Em entrevista à Folha, comentando as declarações de Watson, disse:

- Não sei o quanto ele estudou esse assunto. Contudo, a questão sobre se há diferenças biológicas inatas (incluindo as cognitivas) entre grupos raciais e quão grandes elas são tem sido um tópico de estudo legítimo (apesar de sensível) por muitos anos. Há de fato muitos estudos mostrando desempenho inferior de certos grupos (incluindo pessoas de origem africana subsaariana) em relação a outros grupos em testes cognitivos, como o QI. A causa disso está sendo debatida, e algumas pessoas argumentam que há uma base genética nisso, em certa medida. Não estou muito atualizado com a literatura sobre isso, então não quero tomar uma posição sobre o assunto, sobretudo em razão da delicadeza do tema.

Em meus dias de Suécia, observei um caso interessante. Em Lidingö, ilha chique de Estocolmo, conheci dois negrinhos brasileiros, que haviam feito uma ponta em Orfeu Negro, filme de 1959, de Marcel Camus. Eram o que hoje chamaríamos de meninos de rua e o cineasta, sem querer, salvou-os da miséria e da violência. Um casal sueco viu o filme, se comoveu com os meninos e os adotou. Encontrei-os em 71, já com mais de 20 anos, cosmopolitas e poliglotas, falando sueco, inglês e português com aisance, jogando tênis e esquiando. Lembro que um deles cursava economia. O outro, vim reencontrar mais tarde, como alto funcionário da SAS no Rio de Janeiro.

Ou seja, tivessem ficado atirados nas ruas, é óbvio que teríamos prováveis trombadinhas, soldados do tráfico, futuros assassinos. Uma vez acolhidos por uma sociedade que lhes deu educação, oportunidades de trabalho e um futuro, diferiam dos suecos apenas na altura e cor da pele. Resgatados do ambiente miserável, demonstravam a mesma inteligência e cultura dos hiperbóreos Sveas. Pessoalmente, penso que um Mozart até pode ser negro. O que não pode é ser africano.

Volto à questão cultural. Não vemos europeus arriscando suas vidas na travessia do Mediterrâneo, em busca das excelências da cultura negra nem dos Estados construídos pelos africanos. Par contre, há centenas de milhares de negros arriscando suas peles, em precárias pateras, para chegar ao continente cuja cultura foi construída pelos brancos. Imigrante não se engana. Os africanos sabem o que é bem bom.

Mas o óbvio constitui crime para os adeptos do politicamente correto. A título de raciocínio, invertamos a afirmação de Watson. Suponhamos que ele tivesse afirmado, contra todas as evidências:

AFRICANO É MAIS INTELIGENTE

É claro que ninguém acusaria Watson de racismo, nem universidades e instituições estariam cancelando suas palestras. Nem a Folha estaria preocupada em alertar o leitor para o teor da notícia. Talvez lhe propusessem até mesmo um segundo prêmio Nobel.

Leio manchete na Folha de São Paulo de quinta-feira passada:

AFRICANO É MENOS INTELIGENTE, DIZ NOBEL

Na linha fina, o redator já toma suas precauções e emite opinião antecipada sobre a notícia, como se o leitor fosse incapaz de julgá-la por si só:

Americano James Watson, co-descobridor da estrutura do DNA, dá declaração de cunho racista a jornal

Vamos à notícia:

Uma entrevista do biólogo James Watson, 79, com declarações racistas anteontem a um jornal britânico atraiu uma enxurrada de críticas de cientistas, sociólogos, políticos e ativistas de direitos humanos. Watson, ganhador do Prêmio Nobel por ter descoberto a estrutura do DNA juntamente com Francis Crick, em 1953, afirmou ao jornal britânico The Sunday Times que africanos são menos inteligentes do que ocidentais e, em razão disso, se declarou pessimista em relação ao futuro da África.

Todas as nossas políticas sociais são baseadas no fato de que a inteligência deles [dos negros] é igual à nossa, apesar de todos os testes dizerem que não”, afirmou o cientista. “Pessoas que já lidaram com empregados negros não acreditam que isso [a igualdade de inteligência] seja verdade”.

A declaração verbal foi apenas um jeito um pouco menos delicado de expor o que ele já havia escrito em seu recém-lançado livro Avoid Boring People (Evite Pessoas Chatas): “Não há razão firme para crer que as capacidades intelectuais de pessoas geograficamente separadas evoluam de maneira idêntica. Nosso desejo de considerar poderes iguais de raciocínio como uma herança universal da humanidade não vai se prestar a isso”.

Tivesse feito esta declaração no Brasil, Watson já estaria processado por crime de racismo. No entanto… olhe para os países africanos… e olhe para os países europeus. Olhe para as cidades esplendorosas do Velho Continente… e para as cidades miseráveis do continente negro. Você jamais encontrará um Mozart ou um Cervantes nas culturas africanas. Mas encontrará às pampas os Idi Amin Dadas e Mobutus Sessos da vida. Na Europa há Estados constituídos. Na África há arremedos de Estado e tribos e guerras tribais. Democracia é flor que viceja na Europa. Não há democracia em países africanos.

A África - e particularmente a África muçulmana - vive ainda na era das teocracias, lapidações e ablação de clitóris. No Ocidente, há muito chegou-se à noção de direitos humanos. Teocracia é obsolescência do passado, lapidação não é admissível como pena e ablação do clitóris é crime. Compare a cultura e a tecnologia produzidas pela Europa, e a cultura e tecnologia produzidas pela África. O óbvio salta aos olhos. É claro que o branco europeu é mais inteligente que o negro africano.

Outra pergunta é se o branco, tout court, é mais inteligente que o negro. Watson não expõem dados que comprovem isto e, em artigo posterior, desautorizou qualquer interpretação genética de suas afirmações. Veio em seu socorro Bruce Lahn, estudioso da relação entre genes e inteligência. Segundo o geneticista da Universidade de Chicago, "não há dúvida" de que genes podem ser ligados à inteligência. Lahn ainda afirma que há estudos mostrando em grupos africanos um desempenho inferior em testes cognitivos como o QI. "É possível que cor de pele e inteligência estejam ligados, mas de maneira indireta e não-causal", disse. Em 2005, publicou artigos no periódico Science defendendo que africanos e leste-asiáticos têm incidência mais baixa de dois genes relacionados à inteligência, o ASPM e o MCPH1.

Em entrevista à Folha, comentando as declarações de Watson, disse:

- Não sei o quanto ele estudou esse assunto. Contudo, a questão sobre se há diferenças biológicas inatas (incluindo as cognitivas) entre grupos raciais e quão grandes elas são tem sido um tópico de estudo legítimo (apesar de sensível) por muitos anos. Há de fato muitos estudos mostrando desempenho inferior de certos grupos (incluindo pessoas de origem africana subsaariana) em relação a outros grupos em testes cognitivos, como o QI. A causa disso está sendo debatida, e algumas pessoas argumentam que há uma base genética nisso, em certa medida. Não estou muito atualizado com a literatura sobre isso, então não quero tomar uma posição sobre o assunto, sobretudo em razão da delicadeza do tema.

Em meus dias de Suécia, observei um caso interessante. Em Lidingö, ilha chique de Estocolmo, conheci dois negrinhos brasileiros, que haviam feito uma ponta em Orfeu Negro, filme de 1959, de Marcel Camus. Eram o que hoje chamaríamos de meninos de rua e o cineasta, sem querer, salvou-os da miséria e da violência. Um casal sueco viu o filme, se comoveu com os meninos e os adotou. Encontrei-os em 71, já com mais de 20 anos, cosmopolitas e poliglotas, falando sueco, inglês e português com aisance, jogando tênis e esquiando. Lembro que um deles cursava economia. O outro, vim reencontrar mais tarde, como alto funcionário da SAS no Rio de Janeiro.

Ou seja, tivessem ficado atirados nas ruas, é óbvio que teríamos prováveis trombadinhas, soldados do tráfico, futuros assassinos. Uma vez acolhidos por uma sociedade que lhes deu educação, oportunidades de trabalho e um futuro, diferiam dos suecos apenas na altura e cor da pele. Resgatados do ambiente miserável, demonstravam a mesma inteligência e cultura dos hiperbóreos Sveas. Pessoalmente, penso que um Mozart até pode ser negro. O que não pode é ser africano.

Volto à questão cultural. Não vemos europeus arriscando suas vidas na travessia do Mediterrâneo, em busca das excelências da cultura negra nem dos Estados construídos pelos africanos. Par contre, há centenas de milhares de negros arriscando suas peles, em precárias pateras, para chegar ao continente cuja cultura foi construída pelos brancos. Imigrante não se engana. Os africanos sabem o que é bem bom.

Mas o óbvio constitui crime para os adeptos do politicamente correto. A título de raciocínio, invertamos a afirmação de Watson. Suponhamos que ele tivesse afirmado, contra todas as evidências:

AFRICANO É MAIS INTELIGENTE

É claro que ninguém acusaria Watson de racismo, nem universidades e instituições estariam cancelando suas palestras. Nem a Folha estaria preocupada em alertar o leitor para o teor da notícia. Talvez lhe propusessem até mesmo um segundo prêmio Nobel.

Janer Cristaldo

O escritor e jornalista Janer Cristaldo nasceu em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul. Formou-se em Direito e Filosofia e doutorou-se em Letras Francesas e Comparadas pela Université de la Sorbonne Nouvelle (Paris III). Morou na Suécia, França e Espanha. Lecionou Literatura Comparada e Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina e trabalhou como redator de Internacional nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Faleceu no dia 18 de Outubro de 2014.

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