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27 Out 2007

Elegia ao Educar

Escrito por 

Tornou-se lugar comum apontar a falência do sistema educacional, em especial, devido a ênfase que muitas das vezes se dá a forma desdenhosa que o professor é tratado pela sociedade e bem como e principalmente pelo Estado.

Tornou-se lugar comum apontar a falência do sistema educacional, em especial, devido a ênfase que muitas das vezes se dá a forma desdenhosa que o professor é tratado pela sociedade e bem como e principalmente pelo Estado. Desdém este sempre seguido do devido tapinha nas costas em volto da afirmação de que o mesmo, o professor, é a pedra angular da sociedade e blá blá blá.

Muito bem, penso eu que tal tratamento em uma sociedade massificada e dominada pela idiotia já é mais do que esperado. Essa postura hipócrita (a do tapinha nas costas) em uma sociedade medíocre desde os seus fundamentos também corresponde tranqüilamente as devidas expectativas. O que assusta e mesmo aponta para a falência do sistema educacional é a forma como o professor, que está no centro deste colóquio flácido pra boi dormir, assimila o mesmo discurso e faz-se de vítima, de coitadinho ou personagem deste gênero que abunda em nossa sociedade.

Por isso, lembramos que o professor só é um derrotado, um fracassado e desdenhado frente aos torpores desta sociedade se quiser e se ele desejar. Afirmamos isso, pois, o seu fazer existencial não deve ser de modo algum pautado em uma mera perspectiva imediatista, mas sim, guiado por um viés que ilumine sua visão de si e do mundo, visto que, ser professor, antes de qualquer coisa, é um sacerdócio e, como tal, exige muitas das vezes, uma certa dose de sacrifício.

Essa é a beleza de nosso ofício. Esta é a grande magia do magistério.

Como nos lembra Eça de Queiroz: “Para um homem, o ser vencido ou derrotado na vida depende não da realidade aparente a que chegou, mas do ideal íntimo a que aspirava”. E, desta maneira, todo aquele que apenas firmou a sua visão sobre o sentido do ser professor unicamente pelo viés da realização profissional, obviamente que está fadado ao fracasso enquanto tal, enquanto pessoa e, conseqüentemente, este acaba irradiando o seu sentimento de frustração para todos aqueles que estão direta e indiretamente ligados a sua pessoa.

Com toda certeza muitos irão logo nas primeiras linhas desta modesta missiva rechaçar o meu ponto de vista por não terem diante de seus horizontes uma visão de longo prazo de seus atos e por se importarem pouco com as conseqüências do que está sendo gestado hoje.

Por essa razão que partilho das palavras de Miguel de Unamuno que, em seu ensaio MI RELIGIÓN, dizia esperar pouco para o enriquecimento do tesouro espiritual do gênero humano daqueles homens e daqueles povos que por sua superficialidade, por seu cientificismo, ou seja lá por que vileza, se apartam das grandes e eternas inquietações do coração.

Ora, e o que fazemos hoje em torno do educar? Qual é a postura adotada por nós educadores dentro e fora de sala de aula? Nos esquecemos, ou pelo menos fingimos não saber, que nosso papel vai além da sala de aula. Não nos damos conta que mesmo sendo relativamente desdenhados pelas potestades estatais nós somos, de um jeito ou de outro, um dos pontos centrais da sociedade e, por isso mesmo, um dos responsáveis por muitos dos males que assolam a educação e, conseqüentemente, a sociedade.

Não? Então meu caro, gentilmente lhe peço que compare o seu fazer e o seu viver com o fazer e o viver dos grandes mestres da sociedade ocidental. Compare a sua vida e sua prática pedagógica com a dos padres jesuítas ou com a dos frades dominicanos. Alias, compare a sua vida e sua obra enquanto professor com a vida e a obra de Sto. Agostinho, São Tomás de Aquino, Pedro Abelardo e, especialmente, com a vida e a obra educacional de Sócrates.

Sei que a nossa sociedade está corrompida até a medula, que todo o nosso tecido social é turvo, mas é nisso que pautaremos a nossa vida ou no que de melhor a humanidade nos legou? Que tipo de educação desejamos edificar com base em um derrotismo covarde como este?

Ah! Quanto aos confetes pelo dia do professor, esse eu deixo para os Estatólatras e parasitas do Estadossauro que adoram bajular todo mundo para assim melhor corromper todos. De minha parte, prefiro ficar com os estratos da realidade mesmo que estes façam aflorar as minhas faltas.

Tornou-se lugar comum apontar a falência do sistema educacional, em especial, devido a ênfase que muitas das vezes se dá a forma desdenhosa que o professor é tratado pela sociedade e bem como e principalmente pelo Estado. Desdém este sempre seguido do devido tapinha nas costas em volto da afirmação de que o mesmo, o professor, é a pedra angular da sociedade e blá blá blá.

Muito bem, penso eu que tal tratamento em uma sociedade massificada e dominada pela idiotia já é mais do que esperado. Essa postura hipócrita (a do tapinha nas costas) em uma sociedade medíocre desde os seus fundamentos também corresponde tranqüilamente as devidas expectativas. O que assusta e mesmo aponta para a falência do sistema educacional é a forma como o professor, que está no centro deste colóquio flácido pra boi dormir, assimila o mesmo discurso e faz-se de vítima, de coitadinho ou personagem deste gênero que abunda em nossa sociedade.

Por isso, lembramos que o professor só é um derrotado, um fracassado e desdenhado frente aos torpores desta sociedade se quiser e se ele desejar. Afirmamos isso, pois, o seu fazer existencial não deve ser de modo algum pautado em uma mera perspectiva imediatista, mas sim, guiado por um viés que ilumine sua visão de si e do mundo, visto que, ser professor, antes de qualquer coisa, é um sacerdócio e, como tal, exige muitas das vezes, uma certa dose de sacrifício.

Essa é a beleza de nosso ofício. Esta é a grande magia do magistério.

Como nos lembra Eça de Queiroz: “Para um homem, o ser vencido ou derrotado na vida depende não da realidade aparente a que chegou, mas do ideal íntimo a que aspirava”. E, desta maneira, todo aquele que apenas firmou a sua visão sobre o sentido do ser professor unicamente pelo viés da realização profissional, obviamente que está fadado ao fracasso enquanto tal, enquanto pessoa e, conseqüentemente, este acaba irradiando o seu sentimento de frustração para todos aqueles que estão direta e indiretamente ligados a sua pessoa.

Com toda certeza muitos irão logo nas primeiras linhas desta modesta missiva rechaçar o meu ponto de vista por não terem diante de seus horizontes uma visão de longo prazo de seus atos e por se importarem pouco com as conseqüências do que está sendo gestado hoje.

Por essa razão que partilho das palavras de Miguel de Unamuno que, em seu ensaio MI RELIGIÓN, dizia esperar pouco para o enriquecimento do tesouro espiritual do gênero humano daqueles homens e daqueles povos que por sua superficialidade, por seu cientificismo, ou seja lá por que vileza, se apartam das grandes e eternas inquietações do coração.

Ora, e o que fazemos hoje em torno do educar? Qual é a postura adotada por nós educadores dentro e fora de sala de aula? Nos esquecemos, ou pelo menos fingimos não saber, que nosso papel vai além da sala de aula. Não nos damos conta que mesmo sendo relativamente desdenhados pelas potestades estatais nós somos, de um jeito ou de outro, um dos pontos centrais da sociedade e, por isso mesmo, um dos responsáveis por muitos dos males que assolam a educação e, conseqüentemente, a sociedade.

Não? Então meu caro, gentilmente lhe peço que compare o seu fazer e o seu viver com o fazer e o viver dos grandes mestres da sociedade ocidental. Compare a sua vida e sua prática pedagógica com a dos padres jesuítas ou com a dos frades dominicanos. Alias, compare a sua vida e sua obra enquanto professor com a vida e a obra de Sto. Agostinho, São Tomás de Aquino, Pedro Abelardo e, especialmente, com a vida e a obra educacional de Sócrates.

Sei que a nossa sociedade está corrompida até a medula, que todo o nosso tecido social é turvo, mas é nisso que pautaremos a nossa vida ou no que de melhor a humanidade nos legou? Que tipo de educação desejamos edificar com base em um derrotismo covarde como este?

Ah! Quanto aos confetes pelo dia do professor, esse eu deixo para os Estatólatras e parasitas do Estadossauro que adoram bajular todo mundo para assim melhor corromper todos. De minha parte, prefiro ficar com os estratos da realidade mesmo que estes façam aflorar as minhas faltas.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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