Seg02242020

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

15 Out 2007

Ex Ducere Caritas Est (II)

Escrito por 
Jiddu Krishnamurti, em muitas suas obras e preleções apresentou os seus pareceres sobre o papel da educação para a formação do indivíduo.

Existem coisas que, para as saber, não basta tê-las aprendido”. (Sêneca)

- - - - - - - - - - - - - - - - - -

Jiddu Krishnamurti, em muitas suas obras e preleções apresentou os seus pareceres sobre o papel da educação para a formação do indivíduo e, de todas as suas consideração tecidas, julgamos que uma delas é fundamental e que, infelizmente, na sociedade hodierna, com sua crendice racionalista, desdenha cada vez mais.

Segundo Krishnamurti, a educação é fundamentalmente um ato religioso que deve guiar o indivíduo iniciado para o exercício da liberdade. É difícil falar disso numa época em que o laicismo passou a ser o credo vigente e, por essa mesma razão, relembrar esse ponto simples é necessário. Mesmo retirado todo o conteúdo de formação religiosa das instituições de ensino estas continuaram a exercer uma função sacerdotal de instruir as tenras gerações na arte de viver. De um novo modo, mas, estruturalmente, com intento similar.

Obviamente que as escolas estão apenas refletindo um fenômeno que se apresenta junto a sociedade. O mundo e a vida foram sendo dessacralizados de modo acelerado desde o século das Luzes (o século XVIII, que na verdade é o século das trevas). E, no lugar do fundamento que nos era apresentado pela milenar tradição judaico-cristã foi sendo criado novos valores que literalmente foram inventados por um grupelho de auto-proclamados iluminados.

Quanto ao que tange a essa característica da educação tomemos um pequeno exemplo para ilustrar o que desejamos chamar a atenção. Na educação contemporânea um comportamento exaltado como sendo digno de um bom cidadão é o de reivindicar, de protestar, etc. Alias, há escolas em que isso é ensinado literalmente, com técnicas de todos os gêneros, desde as mais simples até as mais grotescas.

Mas aí, esse que voz escreve pergunta: foi ensinado a esse bom aluno como que se deve estudar? Esse bom cidadão foi instruído quanto ao modo que ele deve agir para pensar os temas que lhe são sugeridos para só depois tomar uma posição sobre? Não. Foi apenas lhe doutrinado que ele deve tomar uma posição, de preferência a do professor, é claro. Alias, tomar uma posição sem ao menos saber claramente o que essa posição implica.

Ora, para se poder realmente desenvolver determinadas qualidades cognitivas é fundamental o exercício da meditação e para tanto é fundamental ensinar o indivíduo a condicionar a sua mente para que ela possa manter-se serena e silenciosa. Trocando por dorso: desenvolver a capacidade de concentração profunda e continuada é pré-requisito basilar para o desenvolvimento integral do indivíduo.

Os antigos monges de todas as grandes tradições religiosas haviam desenvolvido inúmeras técnicas de meditação que lhes permitiam desenvolver um poder de concentração fenomenal. Alguns ascetas hindus e muitos místicos cristãos e muçulmanos eram e são capazes de se concentrar por horas em uma única palavra s em turvar a sua mente para nenhum outro ponto. Já nós, por nossa deixa, somos incapazes de nos concentrar por cinco minutos.

Estas práticas eram realizadas não apenas por homens e mulheres que se enclausuravam. Todas as pessoas nas sociedades tradicionais nos mais variados ofícios praticavam uma gama significativa de exercícios deste gênero o que lhes permitia ter uma mente reta e sã devido ao seu poder de auto-controle.

Hoje em dia, tais práticas são consideradas como um conjunto de superstições, como saberes indignos de se fazerem presentes em uma sala de aula. Todavia, confesso: não sei o que é mais patético, se é uma profunda tradição que nos legou um amplo manancial de experiências exitosas ou um sistema educacional que forma pessoas que são incapazes de, após ter lido um texto, lembrar do parágrafo anterior ao último, mas que, estão muito bem instruídas na arte de reclamar sem saber ao certo o que realmente desejam como se fossem um bebê recém chegado neste mundo.

Por fim, em nossa arrogância racionalista estamos dia após dia terminando de matar as últimas centelhas do logos que habita a alma humana. A isso chamamos orgulhosamente de progressismo.

Existem coisas que, para as saber, não basta tê-las aprendido”. (Sêneca)

- - - - - - - - - - - - - - - - - -

Jiddu Krishnamurti, em muitas suas obras e preleções apresentou os seus pareceres sobre o papel da educação para a formação do indivíduo e, de todas as suas consideração tecidas, julgamos que uma delas é fundamental e que, infelizmente, na sociedade hodierna, com sua crendice racionalista, desdenha cada vez mais.

Segundo Krishnamurti, a educação é fundamentalmente um ato religioso que deve guiar o indivíduo iniciado para o exercício da liberdade. É difícil falar disso numa época em que o laicismo passou a ser o credo vigente e, por essa mesma razão, relembrar esse ponto simples é necessário. Mesmo retirado todo o conteúdo de formação religiosa das instituições de ensino estas continuaram a exercer uma função sacerdotal de instruir as tenras gerações na arte de viver. De um novo modo, mas, estruturalmente, com intento similar.

Obviamente que as escolas estão apenas refletindo um fenômeno que se apresenta junto a sociedade. O mundo e a vida foram sendo dessacralizados de modo acelerado desde o século das Luzes (o século XVIII, que na verdade é o século das trevas). E, no lugar do fundamento que nos era apresentado pela milenar tradição judaico-cristã foi sendo criado novos valores que literalmente foram inventados por um grupelho de auto-proclamados iluminados.

Quanto ao que tange a essa característica da educação tomemos um pequeno exemplo para ilustrar o que desejamos chamar a atenção. Na educação contemporânea um comportamento exaltado como sendo digno de um bom cidadão é o de reivindicar, de protestar, etc. Alias, há escolas em que isso é ensinado literalmente, com técnicas de todos os gêneros, desde as mais simples até as mais grotescas.

Mas aí, esse que voz escreve pergunta: foi ensinado a esse bom aluno como que se deve estudar? Esse bom cidadão foi instruído quanto ao modo que ele deve agir para pensar os temas que lhe são sugeridos para só depois tomar uma posição sobre? Não. Foi apenas lhe doutrinado que ele deve tomar uma posição, de preferência a do professor, é claro. Alias, tomar uma posição sem ao menos saber claramente o que essa posição implica.

Ora, para se poder realmente desenvolver determinadas qualidades cognitivas é fundamental o exercício da meditação e para tanto é fundamental ensinar o indivíduo a condicionar a sua mente para que ela possa manter-se serena e silenciosa. Trocando por dorso: desenvolver a capacidade de concentração profunda e continuada é pré-requisito basilar para o desenvolvimento integral do indivíduo.

Os antigos monges de todas as grandes tradições religiosas haviam desenvolvido inúmeras técnicas de meditação que lhes permitiam desenvolver um poder de concentração fenomenal. Alguns ascetas hindus e muitos místicos cristãos e muçulmanos eram e são capazes de se concentrar por horas em uma única palavra s em turvar a sua mente para nenhum outro ponto. Já nós, por nossa deixa, somos incapazes de nos concentrar por cinco minutos.

Estas práticas eram realizadas não apenas por homens e mulheres que se enclausuravam. Todas as pessoas nas sociedades tradicionais nos mais variados ofícios praticavam uma gama significativa de exercícios deste gênero o que lhes permitia ter uma mente reta e sã devido ao seu poder de auto-controle.

Hoje em dia, tais práticas são consideradas como um conjunto de superstições, como saberes indignos de se fazerem presentes em uma sala de aula. Todavia, confesso: não sei o que é mais patético, se é uma profunda tradição que nos legou um amplo manancial de experiências exitosas ou um sistema educacional que forma pessoas que são incapazes de, após ter lido um texto, lembrar do parágrafo anterior ao último, mas que, estão muito bem instruídas na arte de reclamar sem saber ao certo o que realmente desejam como se fossem um bebê recém chegado neste mundo.

Por fim, em nossa arrogância racionalista estamos dia após dia terminando de matar as últimas centelhas do logos que habita a alma humana. A isso chamamos orgulhosamente de progressismo.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.