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05 Out 2007

Ex Ducere Caritas Est

Escrito por 
Justificamos o fracasso pessoal, no êxito de outrem. Justificamos o fracasso de nosso sociedade na bem-aventurança de outras que passam a ser objeto de nossa fúria expiatório.

"Quão monótona é a semelhança que une todos os grandes tiranos e conquistadores;

quão gloriosa é a diferença dos santos!" (C. S. Lewis)

- - - - - - - - - - -

Como muito bem nos lembra C. S. Lewis, vivemos em um mundo de perdeu a sanidade. Um mundo que tem como única perspectiva possível de ser pensada a transformação do mundo sem a transformação de si como se nós não fizéssemos parte deste mundo, como se todos os cenários existentes não tivessem nenhuma relação com o que nós sentimos, com o que nós somos.

Exigimos do mundo, das instituições, da sociedade uma perfeição quimérica, perfeição esta que se faz inatingível por nós mesmos. Nas sociedades tradicionais que celebravam os exemplos de santidade, havia um nome muito claro para isso: hipocrisia. Exigir de outrem o que nós somos incapazes de cumprir. Na sociedade hodierna o mesmo fenômeno tem outros nomes. Não mais hipocrisia, mas sim, criticidade ou cidadania. Tal a degradação da modernidade.

O aluno que questiona o sistema cola para poder passar de ano. O professor que entoa bravatas contra o fato de os alunos lerem pouco ou não saberem escrever não lêem e muito menos conseguem escrever com desenvoltura um simplório artigo. Os pais que condenam as escolas nunca se dispuseram a, voluntariamente, colaborar com a mesma. Somos hipócritas e ensinamos a sê-lo no mesmo ritmo desta opereta vagabunda que dia a dia compomos com nossos gestos mesquinhos.

Justificamos o fracasso pessoal, no êxito de outrem. Justificamos o fracasso de nosso sociedade na bem-aventurança de outras que passam a ser objeto de nossa fúria expiatório. Em fim, não somos mais responsáveis por nada e, como bem nos aponta Kathleen Norris: “O fato de termos declarado obsoleta a noção de pecado não diminuiu o sofrimento humano. E as respostas fáceis - colocar a culpa na tecnologia ou, por que não, nas religiões do mundo - não resolveram o problema”. O problema somos nós, por mais que neguemos esse fato.

Alias, o ato de não resolvermos os problemas que a vida nos apresenta e simplesmente projetá-los em um bode expiatório tornou-se uma pedra angular na sociedade contemporânea. Aquilo que durante muito tempo era sinônimo de infantilidade, passou a ser um comportamento tranqüilamente aceito como normal.

O brutal descaso para com o aprimoramento do intelecto em um misto com o desdém para com a retidão dos atos fazem-se cada vez mais uma regra societal, tornando a possibilidade de uma vida virtuosa uma grande chacota pelo fato de os olhares sorumbáticos dos biltres serem os pontos de referência para ditar o que seria reto e turvo.

E nesta inversão de valores, a última a ter direito a palavra e a primeira a levar pau é justamente a verdade em sua majestade para que, deste modo, possa a sociedade, seguir em seu desterro societário sem ser incomodada.

"Quão monótona é a semelhança que une todos os grandes tiranos e conquistadores;

quão gloriosa é a diferença dos santos!" (C. S. Lewis)

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Como muito bem nos lembra C. S. Lewis, vivemos em um mundo de perdeu a sanidade. Um mundo que tem como única perspectiva possível de ser pensada a transformação do mundo sem a transformação de si como se nós não fizéssemos parte deste mundo, como se todos os cenários existentes não tivessem nenhuma relação com o que nós sentimos, com o que nós somos.

Exigimos do mundo, das instituições, da sociedade uma perfeição quimérica, perfeição esta que se faz inatingível por nós mesmos. Nas sociedades tradicionais que celebravam os exemplos de santidade, havia um nome muito claro para isso: hipocrisia. Exigir de outrem o que nós somos incapazes de cumprir. Na sociedade hodierna o mesmo fenômeno tem outros nomes. Não mais hipocrisia, mas sim, criticidade ou cidadania. Tal a degradação da modernidade.

O aluno que questiona o sistema cola para poder passar de ano. O professor que entoa bravatas contra o fato de os alunos lerem pouco ou não saberem escrever não lêem e muito menos conseguem escrever com desenvoltura um simplório artigo. Os pais que condenam as escolas nunca se dispuseram a, voluntariamente, colaborar com a mesma. Somos hipócritas e ensinamos a sê-lo no mesmo ritmo desta opereta vagabunda que dia a dia compomos com nossos gestos mesquinhos.

Justificamos o fracasso pessoal, no êxito de outrem. Justificamos o fracasso de nosso sociedade na bem-aventurança de outras que passam a ser objeto de nossa fúria expiatório. Em fim, não somos mais responsáveis por nada e, como bem nos aponta Kathleen Norris: “O fato de termos declarado obsoleta a noção de pecado não diminuiu o sofrimento humano. E as respostas fáceis - colocar a culpa na tecnologia ou, por que não, nas religiões do mundo - não resolveram o problema”. O problema somos nós, por mais que neguemos esse fato.

Alias, o ato de não resolvermos os problemas que a vida nos apresenta e simplesmente projetá-los em um bode expiatório tornou-se uma pedra angular na sociedade contemporânea. Aquilo que durante muito tempo era sinônimo de infantilidade, passou a ser um comportamento tranqüilamente aceito como normal.

O brutal descaso para com o aprimoramento do intelecto em um misto com o desdém para com a retidão dos atos fazem-se cada vez mais uma regra societal, tornando a possibilidade de uma vida virtuosa uma grande chacota pelo fato de os olhares sorumbáticos dos biltres serem os pontos de referência para ditar o que seria reto e turvo.

E nesta inversão de valores, a última a ter direito a palavra e a primeira a levar pau é justamente a verdade em sua majestade para que, deste modo, possa a sociedade, seguir em seu desterro societário sem ser incomodada.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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