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28 Set 2007

Conspiração, Eu Quero Uma Pra Viver

Escrito por 
Você sabia que a estrela de cinco pontas do PT alude ao pentagrama, símbolo de seitas demoníacas? Símbolo datado do século XVIII por adoradores de Satanás?

(…)
we've got mars on the horizon
says the national midnight star
(it's true)
what you believe is what you are
a pair of dancing shoes
the soviets are the blues
the reds
under your bed
lying in the darkness
dead ahead
and the mercury is rising
barometer starts to fall
you know it gets to us all
the pain that is learning
and the rain that is burning
feel red
still...go ahead
you see black and white
and i see red
red
(not blue)

Red Lenses, Rush

 

 http://www.thepeoplescube.com/

Você sabia que a estrela de cinco pontas do PT alude ao pentagrama, símbolo de seitas demoníacas? Símbolo datado do século XVIII por adoradores de Satanás?

Não é uma triste sina para este povo, cuja terra tomada pelos portugueses foi dedicada à Santa Cruz? Como o pentagrama existe nos jardins do Palácio do Alvorada parece uma prova incontestável que não somos governados por mãos santas.

Na verdade, a estrela dos adoradores do demo é de cinco pontas sim, mas invertida. Para entender o porquê da estrela, a imaginemos composta por cinco triângulos, suas pontas... O triângulo apontado para baixo representaria uma barbicha; os dois triângulos nas posições aproximadas de quatro e oito horas representariam as orelhas baixas de um bode; e os demais triângulos nas posições de uma e onze horas representariam os chifres. Invertida, a estrela simboliza o rosto de um caprino macho que, por sua vez, era o símbolo de Satanás que as tribos da atual região de Israel expiavam, afugentando-o para as montanhas. Era um ritual que simbolizava "bater no demônio" se redimindo de seus pecados.

Querer ver no comunismo uma associação com o satanismo é puro delírio de conservadores religiosos. Fosse assim, a acusação (igualmente paranóica) das esquerdas de que o Pentágono representa o demoníaco pentagrama também valeria: unindo-se os vértices do prédio que é sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos também temos um pentagrama. Nada mais conveniente do que isto para os comunistas.

Na verdade o comunismo é muito pior do que qualquer satanismo. E se fossemos levar a sério à teoria sobre a estrela, os Estados Unidos têm cinqüenta delas em sua bandeira. Mas, para tudo, os teóricos da conspiração têm sua resposta, "alguns dos founding fathers eram adeptos do Iluminismo, também ligado ao satanismo!" E há literatura especializada a respeito, como o romeno Richard Wurmbrand, pastor preso e torturado por Nicolau Ceaucescu, ditador da Romênia. O autor de Era Karl Marx um satanista?, sustenta que o ateísmo e materialismo do comunismo são apenas fachada para um culto de ódio a deus. Segundo os teóricos da conspiração, Karl Marx não era ateu. Se há alguma citação em carta a Engels proferindo ódio a deus está comprovado o culto satânico. Assim como desprezo pela humanidade também pode ser lido através de alguma citação em que demonstra desprezo ao estado atual do proletariado.

Eu só conheço o Marx que li e é este que realmente importa, não os devaneios de quem lê entrelinhas. Quando jovem, bem jovem eu já acreditei em mitos como o Triângulo das Bermudas que forrou os bolsos de gente como Charles Berlitz e também acreditei que os deuses eram astronautas porque li Erich von Däniken. Como se vê minha infância foi muito imaginativa. Talvez para compensar o fato de que eu era muito ruim jogando bola. Mas, deixei de acreditar em tudo isto quando soube que o Caribe é pródigo em ventanias e que há uma seção densa em sargaços. Também recusei a bobagem de uma engenharia fora do nosso alcance, feita por deuses ao ver uma foto de blocos de pedras empilhadas cheias de imperfeições no interior de uma pirâmide egípcia. Por maior que seja nosso apreço pelo sobrenatural, somos demasiados humanos. Nosso desespero ou o que, em doses comedidas, chamamos de "necessidade" é o que nos move. Seja através do lançamento de foguetes em Cabo Canaveral, seja atravessando um mar pleno em furacões e tubarões para chegar à Flórida.

Pelo visto, os satânicos tentáculos já teriam alcançado as elites políticas de nossa sincrética cultura, pois o numero de casas de umbanda em Brasília é tão grande quanto na Bahia. Brasília seria um centro de adoração do demônio. Bem, se há algum "diabo", o safado é o verdadeiro responsável por inflacionar o preço das amantes...

Levar isto na brincadeira e na curiosidade, tudo bem, mas quando cheia às raias da cientificidade de quem vê provas, intenções ocultas é demais. Quem explica o Brasil não são os teóricos de direita ou esquerda, não são politicólogos e outros especialistas. Quem explica o país são antropólogos. Eu já vi por aqui até luterano se converter ao catolicismo para casar no religioso. O mesmo ex-luterano freqüentaria, mais tarde, um terreiro para ajudar um dos filhos. Isto não tem nada a ver com satanismo, isto tem a ver com cultura brasileira.

Parece que todos precisamos temer algo para justificar um polvo com seus tentáculos manipulando tudo ao seu redor. Tal é a leitura satanista de Marx. Interpretação fantasmagórica similar é a que atribui a Darwin, a origem sobre o nazismo porque era comum a sua época se expressar utilizando o termo "raça", o que fez de forma análoga ao de "espécie" em sua teoria da Seleção Natural quando se referiu à humanidade. Novamente, conveniência pouca é bobagem se meu intento é atacar a teoria da Evolução e salvaguardar o Criacionismo. Nesta querela ideológica, todos instrumentos se mostram úteis.

Digam-me, o que a irmandade americana Skull and Bones tem além de um clubinho colegial? Recentemente, ela adquiriu notoriedade devido à antiga participação dos Bush. Qualquer fato ou mera suposição pode muito bem se adequar à teoria, como o de que alunos que não tenham cursado nenhuma faculdade de Direito da Ivy League serem preteridos em grandes firmas de advocacia nos Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, a pluralidade cultural se dá de forma burocrática, com seitas, organizações, clubes. Aqui em nosso país é mais "fluída". Um território continental, antes povoado por tribos em estado neolítico, recebeu levas de africanos e seus descendentes não ficariam imunes ao animismo. Também não me basta o argumento de que a urbanização e o "progresso" diluem isto tudo. Um exemplo de reciclagem de mitos está nesta onda de eco-turismo, fototerápicos, engajamento ambientalista, nutrição "natural" etc., na qual a referência ao culto pagão de Wicca não passa imune. O bom nisto tudo é sua apropriação via mercado, mas por outro lado, também é sintomático que qualquer fiel assentado em crenças mais tradicionais, veja aí algo demoníaco, o retorno daquilo pelo qual sua Igreja lutou durante séculos. É um pavor, não pode ser gratuito, tem que haver alguém por trás manipulando tudo. Simplesmente não se pode aceitar a espontaneidade de várias ações somadas, tem que haver uma "mente inteligente" que tira proveito da situação e, logo, induziu ao atual estado de coisas.

Uma das mais interessantes é a de que o atentado ao WTC seria obra do próprio governo Bush e seus falcões, para obter apoio do congresso americano e fazer suas estripulias no Oriente Médio. E, mais doida ainda é a que aponta uma conspiração dos Democratas para atacar a administração atual. A primeira, obra da esquerda americana que foi, paranóica e devidamente, rechaçada por outra de igual pendor, a de que opositores estariam imiscuídos de um bem articulado plano para reduzir, quando não derrubar mesmo a influência dos Republicanos no governo do país. Choques espetaculares de aviões, implosões controladas, tudo para obter o monopólio do petróleo no Oriente Médio.

E os intentos de tão magnânima operação? O óbvio, o "ouro negro". Como Alan Greenspan afirmou que a guerra do Iraque é pelo petróleo está revelada toda a causa do conflito. Apesar de simplista, a afirmação, o que isto teria de conspiratório? Uma vez que seria o argumento mais previsível, declarado e exposto de todos? "Conspiração" pressupõe segredo, o que não há no caso das declarações do ex-presidente do Federal Reserve. Apenas há a asseveração taxativa de alguém que analisa tudo por uma lógica economicista. Pouco importa, novamente, que foi no governo Clinton que o boicote ao petróleo iraquiano tenha ocorrido e, com uma commodity destas escasseando seu preço tenderia a subir. Ora, se a locomotiva mundial precisa de petróleo mais que tudo a preços baixos, por que boicotá-lo? Para depois, se gastar ainda mais no saco sem fundo da guerra? Simplesmente, não faz sentido. Dizer também que as administrações Clinton e Bush têm estratégias distintas não faz jus às políticas americanas que, em se tratando de ações de longo prazo, não são de governo, mas de estado.

Ainda há outra hipótese, a conspiração cristã por um messias... Seria o próprio Bush? Antes do 11 de Setembro, a prioridade americana estava na China. Por exemplo, o incidente com o EP-3 Orion de reconhecimento e caças chineses. No Oriente Médio, o problema era o Irã com fome de Iraque. A simples possibilidade de este ser tomado, especialmente o sul, na proximidade dos campos petrolíferos sauditas já fazia a luz vermelha acender em Washington. Para os americanos, não se tratava de tomar mais campos petrolíferos, mas assegurar o fornecimento dos atuais, tal como foi o motivo da 1ª Guerra do Golfo por ocasião da invasão iraquiana do Kuwait. Com poucas divisões norte-americanas na região, daí sim uma operação de envergadura se faria necessária sem um necessário atentado ao próprio território.

Não se trata de confiar ou não em Bush, de toma-lo por sábio, ignorante, "iluminado" ou o que quer que seja. Uma coisa é o Bush, sua administração, outra bem diferente é o atentado que alguns chamam de "plano bem arquitetado". Lembre-se que, os maiores inimigos dos ordotodoxos na Europa Oriental não eram os muçulmanos. Os inimigos costumam estar mais próximos do que pretendemos que estejam. No caso dos ortodoxos eram os católicos mesmo. Quero dizer com isto que na briga com Bush e os Republicanos estão os Democratas, como rivais imediatos. Nesta disputa, a primeira vitima é a verdade. Então, se profere a idéia de complôs. Complô para tomar o petróleo, para atacar o Iraque... Ora, Washington não precisaria de tanta acrobacia para atacar quem quer que seja. Razões mais tangíveis poderiam ser alegadas, especialmente com uma oposição mal das pernas, como demonstravam os Democratas.

E o argumento técnico? O Airbus da TAM colidiu com um prédio que não tinha estrutura de aço e o mesmo não ruiu, já o WTC veio abaixo. E o impacto do Airbus foi equivalente aos dos jumbos no WTC? O desmoronamento lá de cima, com todo o peso não traria uma maior força ribanceira abaixo que um avião tentando frear na pista de Congonhas? Sem entrar em considerações técnicas que não são a minha praia, eu pergunto se um plano tão bem arquitetado, caso o fosse, não teria que ter todos seus passos já previstos e tomados? Como então, não pensaram nisto e planejaram mal as quedas das torres deixando que transparecessem ser estruturas frágeis?

Lutar contra o terrorismo pode ser propaganda. Longe de ser consensual, realmente há assessores na Casa Branca que criam nisto. Vide as divergências entre Wolfowitz e Cheney. O primeiro vê os EUA como tendo uma causa, o segundo mais pragmático se importava com o numero de soldados no Iraque.

Se bin Laden não tivesse capacidade operacional para uma operação de tal monta, se não houve divergências entre a CIA e o FBI que levaram a falhas na segurança, então os atentados às embaixadas americanas na África também não teriam sido obra dos fundamentalistas. Bali na Indonésia, Zamboanga nas Filipinas, também não teriam sido obras de grupos simpatizantes a al Qaeda? Seria uma obra do Pentágono... É o que falta aos teóricos conspiracionistas alegarem, assim como dizer que o caso de Wacko no Texas em 1993 pelos davidianos teria sido também algo forjado.

As alianças que correspondem a planos são conhecidas, tal é o caso do apoio americano a Saddam para retaliar Khomeini. Mas, nada aí de ultra-secretas conspirações que ninguém fica sabendo. Apenas, simples realismo político que dita os métodos da Realpolitik entre estados beligerantes, o que não significa que tais estratégias não sejam discutíveis ou condenáveis.

Se admitíssemos que a engenharia norte-americana tivesse que prever tudo, mesmo uma colisão de jumbos, por que uma ponte também não teria que ser projetada para agüentar a pressão e atrito dos veículos até 40 anos depois? O incidente às margens do Mississipi, no estado de Minnesota joga um banho de água fria nas teorias conspiratórias sobre a impossibilidade estrutural das torres ruírem. Não sou físico, mas contra o argumento conspiratório basta um pouco de lógica. Por que em um dos casos de desmoronamento, temos que ter confiança na engenharia que não poderia ter falhado e noutro podemos perdoar a falha ao admitir que foi um mero acidente? Se um raciocínio conspiratório vale para o WTC, por que não deveria valer igualmente para uma ponte na qual alguém também deveria ter tramado sua ruptura? Se não há "algo mais" para se levar em consideração, os "patriotas" só têm paranóia ao acusar os Democratas de conspirarem contra Bush ao derrubarem o WTC. Esta é novidade para mim, eu só ouvira falar da conspiração neocon ou de Israel já que se alegou que "não havia nenhum judeu nas torres que caíram"... Mas, paranóia por paranóia, agora se inventa outra de direita para retrucar a original, de esquerda.

O canal HBO anda veiculando um excelente documentário Protocolos de Sião de 2005, que aborda o ressurgimento do anti-semitismo. A paranóia é tanta que chega a ser hilária. Em determinado momento um jovem afirma que todos os poderosos são judeus, inclusive o ex-prefeito de Nova York, Rudolf Giuliani. Sua prova consistente é a primeira sílaba do sobrenome de Rudolf, "Giu" pronunciada como jew, judeu em inglês. Não é demais?! Não adianta tentar argumentar, sempre se terá justificativas para qualquer conspiração.

Enquanto que algumas teorias da conspiração nunca saem de moda, como atribuir os males do mundo aos judeus, outras são inovadoras, mais ou menos consistentes que, como as demais, são cheias de falhas. A teoria conspiratória da moda no Brasil é a do Foro de São Paulo, organização que congrega lideranças latino-americanas em prol do comunismo, embora os velhos comunistas tenham preferido denominar seu objetivo de modo mais suave como "socialismo". Seus investigadores, articulistas da mídia alternativa em grande parte, blogueiros, uma direita não raro tão ensandecida quanto uma velha esquerda comunista acusam a grande maioria dos cidadãos de ser presa de uma grande conspiração. Reiteram que estamos em plena revolução comunista gramscista onde não se propõe mais uma revolução via proletariado ao estilo bolchevique, nem a do tipo rural, maoísta, mas sim uma cultural. Tomando os centros de divulgação das idéias, das universidades ao mainstream midiático, teríamos a preparação do terreno para a inoculação de idéias marxistas sem que se perceba. Antes de tomarmos ciência do ocorrido já estaríamos todos vivendo em pleno comunismo. "As provas estão aí", dizem. Um exemplo incontestável estaria nas atas do último congresso nacional do PT, nas quais o Foro é citado. Vejamos como é secreta tal conspiração: tão secreta que é mencionada em congresso feito pelo partido governista e veiculada pelos meios de comunicação!

Vejamos um testamento do site Pravda:

É nesse preciso momento que o PT lança a formidável proposta de criar o Foro de São Paulo, trincheira onde nós pudéssemos encontrar os revolucionários de diferentes tendências, de diferentes manifestações de luta e de partidos no governo, concretamente o caso cubano. Essa iniciativa, que encontrou rápida acolhida, foi uma tábua de salvação e uma esperança de que tudo não estava perdido. Quanta razão havia, transcorreram 16 anos e o panorama político é hoje totalmente diferente.

Claro que não se trata do jornal soviético. O famoso jornal teve suas propriedades confiscadas pelo ex-presidente Boris Ieltsin, cujos jornalistas, na sua grande maioria pediram demissão. E o tradicional jornal não tem a ver com novas versões de dissidentes comunistas.

Mas, pesquisando na versão do "Pravda", que muitos tomam como a nova voz do Kremlin, repassada como verdade pelos quatro cantos do mundo virtual, me deparo com um link curioso (em 23 de setembro de 2007) que deve estar contribuindo em muito para a causa desta "revolução continental":

Bárbara Paz vai ser a gostosa de setembro

Tem mais:

Elvis Presley está vivo e mora na Argentina

E, para que não pensem que o site não tem caráter científico vejamos a seção correspondente:

Pescadores russos capturaram um alienígena e comeram-no (vídeo)

A notícia acima pode fazer parte de alguma conspiração comunista também. Subliminarmente, há uma apologia ao velho regime: os russos agora estão tendo que apelar para alienígenas para aplacar sua fome. Como me lembraram alguns amigos, nos áureos tempos soviéticos, seu cardápio mais diversificado incluía apenas criancinhas. Ou pode ser um alienígena-filhote... Já nem sei se é conspiração comunista ou capitalista. Comer alienígenas pode ser retratado como uma evolução gastronômica, já que outrora o mais freqüentemente encontrado, era um bolinho de carne de cavalo estupidamente apimentado no meio de um prato com sopa rala (para comer devagar). Destarte temos inegáveis subsídios para compreender os mecanismos ocultos, que regulam nosso mundo evidenciados na internet: Elvis, alienígenas, Foro de São Paulo... Realmente, Shakespeare tinha razão em dizer que há muito mais entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia.

Parece que o mundo inteiro virou comunista. Quem ajuda ou, em interesse próprio, negocia com a América Latina acaba beneficiando lideranças que são membros do Foro. Logo, em Bruxelas, na sede da União Européia, devemos ter uma seção desta intrincada rede de conspiradores. Entre 2007 e 2010, o bloco europeu irá destinar US$ 614 milhões ao comércio externo para a América Latina. Ora, quem diria? Estão financiando o Foro! Tampouco importa que Evo Morales, presidente da Bolívia tenha lesado o Brasil ao estatizar uma refinaria da Petrobrás. Trata-se de uma "ação entre amigos". Morales, o cocalero bem que poderia ter prometido a redenção aos seus companheiros incas através do mote "a coca é nossa!" Mas, não se fazem mais típicos idiotas latino-americanos como antigamente... Que coca que nada! O que é isto para quem pode ter uma refinaria de graça! O resguardo de ativos de empresas se torna um eufemismo para a perda da soberania nacional. Então, um roubo institucionalizado se faz em nome do populismo e com o aval do Foro. No Brasil, setores de esquerda como nossa CUT que impregnam a Petrobras estariam ganhando na parada, pois são "farinha do mesmo saco". Para rescindir contratos sem aviso prévio basta que não seja mais interessante ao governo em questão e, dane-se a empresa contratada. Ou seja, a Petrobras influenciada pela CUT jogou contra si mesma. Se as mudanças nas leis que regem gás e petróleo na Bolívia e na Venezuela causaram perdas financeiras para a Petrobras em 2006, de mais de mais de R$ 1 bilhão em relação a 2005, tudo não passou de "jogada". Não seria muito mais fácil criar uma linha de crédito para estes países? Precisava toda uma acrobacia geopolítica para lesar uma empresa em benefício de uma organização de propaganda ineficaz de dinossauros comunistas? Alguém perdeu, mas em que pese fatos em contrário, o que vemos não é o que vemos: tudo se explica pelo avesso na lógica conspiratória.

Não vejo racionalidade econômica nas ações bolivianas. Por outro lado há uma centralização política a exemplo do que ocorre na "revolução bolivariana" na Venezuela. Ao se aliar à Venezuela, Chávez tem Lula e Morales nas mãos, se tornando o principal fornecedor de hidrocarbonetos. O caudilho venezuelano, isto é verdade, tem objetivo e seu principal inimigo não são os Estados Unidos, mas o Brasil. Alguém crê que a compra de armamentos por Chávez possa fazer frente aos porta-aviões, submarinos e marines americanos? Não sejamos ingênuos. No entanto, contra o Brasil e suas forças armadas estagnadas e sucateadas, têm sentido os sinais de atrito que se formam ao norte do cone sul. Chávez ainda soube manipular a ideologia ao colocar a Bolívia em sua órbita de influência e tornar o país sem saída marítima um sócio-dependente. Ao descartar a possibilidade de se tornar o principal fornecedor de energia externa ao Brasil, a Bolívia selou seu destino econômico. Se há alguma racionalidade em pertencer ao Foro, ela é antieconômica. Chávez é a real pedra no sapato dos liberais e, ele tem que ser deposto de alguma forma. Sua recente aproximação ao Irã, ora em curso, é um risco inaceitável.

Outro demagogo que perdura no poder é o presidente argentino Nestor Kirchner que instou os argentinos a boicotarem a Shell fechando a empresa no país, para abri-la tão logo a empresa se comprometesse com o investimento em "medidas ambientais". É bom que se diga que a clausura da empresa não tinha nada a ver com meio ambiente, mas com preços reajustados em 4,2%. De um sonoro "não compre nem uma lata de óleo da empresa", o macho de fôlego-curto porteño orçou a liberação da empresa em um módico suborno de US$ 60 milhões. Isto não me parece objetivo nem tática comunista, mas caudilhismo puro. Houve aí uma moeda de troca bem visível em que o estado surrupiou os ativos da empresa para depois barganhar sua devolução. Diferente de uma estatização geral comunista, o que vimos foi mais uma excrescência latino-americana onde contratos e propriedade não valem nada.

Querem apostar que o saldo final da ação de grupelhos esquerdistas que querem reestatizar a Vale do Rio Doce redundará em uma "saída de consenso", na qual a empresa será obrigada a pagar mais por sua atuação? Esta não é uma nova forma de arranjo produtivo, é apenas o típico despotismo do cone sul. Por outro lado, no Brasil, antes de um setor produtivo se firmar, como é o caso da infra-estrutura, a empresa privada é incentivada a ampliar sua presença. É o caso das estradas que podem ter mais concessões à iniciativa privada. Onde está o comunismo aí? Nosso risco real é de uma "mexicanização política", com um partido se sustentando por décadas através do puro fisiologismo na criação de dezenas de milhares de cargos comissionados. Este aparelhamento do estado brasileiro, seguido igualmente em esferas estaduais e municipais visa tornar a máquina pública um mero instrumento partidário.

Esse negócio de Foro está fora de foco. Pois o que se vê são ações parciais, ora estatizantes, ora tributaristas, ora liberalizantes às vezes dentro de um mesmo país. O que importa é arrecadar, arrecadar e arrecadar e quando não há capital constituído se incentiva o mesmo para depois, quem sabe, lesa-lo. Isto vem de antes de qualquer Foro, isto vem de Vargas, Peróns i tutti quanti.

Mas, agora que o influente jornalista Ali Kamel comentou a manipulação político-ideológica nos livros didáticos, muitos setores que acusam as teorias conspiratórias têm sua prova. Embora o jornalista, sabiamente, rejeite a formulação conspiratória no inicio de seu texto, muitos dos que leram, interpretaram o que quiseram. Há tempos venho afirmando isto em relação às provas de vestibular, assim como outros antes de mim em relação à educação de uma forma geral. Doutrinação esquerdista nas escolas não têm a ver com um plano, uma conspiração bem montada que só agora se revela. Veio bem antes de qualquer Foro, assim como leis ambientais não são fruto de uma conspiração de ONGs estrangeiras e da ONU para formatar um governo mundial antinacional. Algumas de nossas leis de preservação ambiental foram criadas durante o regime militar. O Código Florestal, por exemplo, data de 1965, ora bolas! Vão me dizer agora que os militares brasileiros também eram comunistas?

Há quem atribua a Gramsci a autoria desta estratégia. Isto é ingênuo. É puro delírio atribuir ao preso político do fascismo, um plano que está em plena execução na América Latina. Alguém aí já leu Gramsci? Eu li A Questão Meridional sobre o Mezzogiorno italiano, muito referenciado por "geógrafos" para "entender" o Nordeste. Fora deste círculo, nas "Ciências Sociais", o livro passa desapercebido. Se há algum "mérito" em Gramsci é ter analisado a esfera política como portadora de uma "autonomia relativa", como não o fez Marx devido a sua carga teórica economicista.

Outra é dizer que FHC é especialista em Gramsci… Bem, se for tão "especializado" como foi em suas teorias sobre o desenvolvimento feitas para a Cepal, isto não significa muita coisa. Mais uma: "Marilena Chauí é a intelectual que embasa o PT". Lendo a professora de filosofia, eu apenas vejo uma caroneira em defesa do partido, nada mais. Seus argumentos não chegam nem a ser um escorregadio wishful thinking, de tão toscas que são suas tentativas de justificar as falcatruas petistas. Isto não quer dizer nada, o que diz algo é o que acontece. Por exemplo, o Chile não destruindo reformas via Pinochet, Colômbia em rota de colisão com uma Venezuela (já dividida internamente)… A América Latina se explica mais pelo que conhecemos, o caudilhismo (travestido de comunismo com nova roupagem chavista) que qualquer outra coisa.

Atualmente, o Chile da "esquerdista" Bachelet está prestes a integrar o grupo Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) e intensificar políticas liberalizantes no comercio externo. Alguma coisa não bate... Depois que o Partido Revolucionário Institucional (PRI) foi derrotado pelo Partido da Ação Nacional (PAN) no México, alegaram que o país estava se submetendo ao Consenso de Washington em reformas liberais. Mas, agora o mesmo PAN propõe um novo imposto de 5,5% aos combustíveis a partir do ano que vem. Alguma coisa não bate de novo. Isto é América Latina, onde o estado sempre se antepôs à sociedade. Não há liberalismo strictu sensu por que não há movimentos antiestatistas legítimos. Em que medida um PL é liberal? Em que medida o PSDB traçou política social-democrata? Nada, nada e nada. São somente rótulos. E mesmo os que se dizem liberais, ao tomar o estado se vêem premidos por uma crise de governabilidade devido à falta de fundos carcomidos pela burocracia. Comunismo? Não, parasitismo mesmo.

Imagine se o PT (no governo federal) vai querer estatizar, ao invés de, simplesmente, tributar mais. A segunda opção é muito mais eficaz para seu roubo institucionalizado. Ao invés de pôr os brasileiros a trabalhar para o estado, apenas se toma o fruto do trabalho criado sob a égide produtiva do setor privado. Quer melhor do que isto? Vejo o que acontece e não o que direita e a esquerda dizem que vai acontecer. Hoje, o Brasil "apenas" exagera seus vícios de longa data que, aliás, não deixaram de existir em plena ditadura militar. Durante o período, estes apenas foram mais centralizados.

Voltando à manipulação na educação... A maioria dos estudantes não engole nenhum lixo didático denominado "livro", como o descrito por Kamel. A maioria não engole nada. Nos áureos tempos do comunismo, o materialismo histórico e dialético era ensinado como educação moral e cívica no extinto paquiderme soviético: os estudantes saíam aliviados das salas de aula por mais uma sessão de tortura mental encerrada. Nada além disto.

Acho engraçado quando alegam que os professores universitários, notadamente da USP terem lido Gramsci, seria uma prova incontestável de seus intentos manipulatórios. Ainda bem que eles, professores da USP, leram Gramsci, pois é obrigação de um politicólogo ou sociólogo conhecê-lo. Eu também li. Vai ver que é por isso então que estou argumentando em contrário: fui infectado!

Em Maquiavel, a Política e o Estado Moderno, Gramsci nada mais faz do que tentar justificar Maquiavel para os marxistas. O que faz mal, pois para Maquiavel o fim justificava os meios e para marxistas, em geral, o método tem que ser "dialético" (entre aspas, por favor).

O que explica a realidade não é, nunca foi e nunca vai ser um medíocre como Gramsci. É Maquiavel quem explica. Por isto gosto de maquiavelistas (o que difere do simples adjetivo "maquiavélico"), aquela linha da ciência política que, realmente, objetiva a pesquisa percebendo formas de dominação em qualquer estrutura política. Nos dando, assim, a chance de escolher a "menos pior".

A educação marxista não foi casual, o que não quer dizer que foi "arquitetada". Ela se deu porque é mais facilmente digerível. Tem uma "lógica" própria onde "tudo se explica". Desobriga o sujeito a pensar muito. Como disse Popper, uma vez que a coisa toda parecia ser científica até mesmo, cientistas fora do circuito das humanidades (biologia etc.), se diziam "marxistas".

Portanto, nada de estratégia como se a educação fosse um detalhe de um plano maior de domínio. Ela antecedeu tudo isto. E hoje, tudo o que resta é uma acrobacia teórica para tentar justificar fenômenos familiares como a corrupção, patrimonialismo, nepotismo, fisiologismo como "de esquerda" enquanto que são apenas, tipicamente, brasileiros.

Não creio em Marx satanista. Não creio nos custos justificáveis de atentados forjados para se ativar uma operação militar. Não creio em congregações de chefes de estados-pária como tendo sinergia geopolítica. Não creio em um polvo chamado "ONU" e seus tentáculos de ONGs. Não creio na organização inteligente do professorado, esta classe que vê educação apenas como um reflexo de seus contra-cheques. Não creio na perspicácia e articulação de tantos agentes com interesses díspares que são facilmente cooptáveis, seja por um cargo de confiança, seja pelo sinal de crédito fácil a título de saneamento ambiental. Não creio em nada, apenas creio que muita gente precisa acreditar nisto tudo.

Tais crenças não são coisas antigas e datadas. São elementos bem atuais, assim como a aspirina, com a diferença de que a necessidade de explicar o mundo com urgência nos trai. Caros crentes, vocês não têm nada a temer, o mundo cético e empirista não triunfará. Vocês têm o mundo em sua imaginação.

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* Agradeço a André Balsalobre as dicas sobre a situação geopolítica envolvendo os Estados Unidos no contexto pré-2ª Guerra do Golfo e durante o decurso das operações.

(…)
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 http://www.thepeoplescube.com/

Você sabia que a estrela de cinco pontas do PT alude ao pentagrama, símbolo de seitas demoníacas? Símbolo datado do século XVIII por adoradores de Satanás?

Não é uma triste sina para este povo, cuja terra tomada pelos portugueses foi dedicada à Santa Cruz? Como o pentagrama existe nos jardins do Palácio do Alvorada parece uma prova incontestável que não somos governados por mãos santas.

Na verdade, a estrela dos adoradores do demo é de cinco pontas sim, mas invertida. Para entender o porquê da estrela, a imaginemos composta por cinco triângulos, suas pontas... O triângulo apontado para baixo representaria uma barbicha; os dois triângulos nas posições aproximadas de quatro e oito horas representariam as orelhas baixas de um bode; e os demais triângulos nas posições de uma e onze horas representariam os chifres. Invertida, a estrela simboliza o rosto de um caprino macho que, por sua vez, era o símbolo de Satanás que as tribos da atual região de Israel expiavam, afugentando-o para as montanhas. Era um ritual que simbolizava "bater no demônio" se redimindo de seus pecados.

Querer ver no comunismo uma associação com o satanismo é puro delírio de conservadores religiosos. Fosse assim, a acusação (igualmente paranóica) das esquerdas de que o Pentágono representa o demoníaco pentagrama também valeria: unindo-se os vértices do prédio que é sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos também temos um pentagrama. Nada mais conveniente do que isto para os comunistas.

Na verdade o comunismo é muito pior do que qualquer satanismo. E se fossemos levar a sério à teoria sobre a estrela, os Estados Unidos têm cinqüenta delas em sua bandeira. Mas, para tudo, os teóricos da conspiração têm sua resposta, "alguns dos founding fathers eram adeptos do Iluminismo, também ligado ao satanismo!" E há literatura especializada a respeito, como o romeno Richard Wurmbrand, pastor preso e torturado por Nicolau Ceaucescu, ditador da Romênia. O autor de Era Karl Marx um satanista?, sustenta que o ateísmo e materialismo do comunismo são apenas fachada para um culto de ódio a deus. Segundo os teóricos da conspiração, Karl Marx não era ateu. Se há alguma citação em carta a Engels proferindo ódio a deus está comprovado o culto satânico. Assim como desprezo pela humanidade também pode ser lido através de alguma citação em que demonstra desprezo ao estado atual do proletariado.

Eu só conheço o Marx que li e é este que realmente importa, não os devaneios de quem lê entrelinhas. Quando jovem, bem jovem eu já acreditei em mitos como o Triângulo das Bermudas que forrou os bolsos de gente como Charles Berlitz e também acreditei que os deuses eram astronautas porque li Erich von Däniken. Como se vê minha infância foi muito imaginativa. Talvez para compensar o fato de que eu era muito ruim jogando bola. Mas, deixei de acreditar em tudo isto quando soube que o Caribe é pródigo em ventanias e que há uma seção densa em sargaços. Também recusei a bobagem de uma engenharia fora do nosso alcance, feita por deuses ao ver uma foto de blocos de pedras empilhadas cheias de imperfeições no interior de uma pirâmide egípcia. Por maior que seja nosso apreço pelo sobrenatural, somos demasiados humanos. Nosso desespero ou o que, em doses comedidas, chamamos de "necessidade" é o que nos move. Seja através do lançamento de foguetes em Cabo Canaveral, seja atravessando um mar pleno em furacões e tubarões para chegar à Flórida.

Pelo visto, os satânicos tentáculos já teriam alcançado as elites políticas de nossa sincrética cultura, pois o numero de casas de umbanda em Brasília é tão grande quanto na Bahia. Brasília seria um centro de adoração do demônio. Bem, se há algum "diabo", o safado é o verdadeiro responsável por inflacionar o preço das amantes...

Levar isto na brincadeira e na curiosidade, tudo bem, mas quando cheia às raias da cientificidade de quem vê provas, intenções ocultas é demais. Quem explica o Brasil não são os teóricos de direita ou esquerda, não são politicólogos e outros especialistas. Quem explica o país são antropólogos. Eu já vi por aqui até luterano se converter ao catolicismo para casar no religioso. O mesmo ex-luterano freqüentaria, mais tarde, um terreiro para ajudar um dos filhos. Isto não tem nada a ver com satanismo, isto tem a ver com cultura brasileira.

Parece que todos precisamos temer algo para justificar um polvo com seus tentáculos manipulando tudo ao seu redor. Tal é a leitura satanista de Marx. Interpretação fantasmagórica similar é a que atribui a Darwin, a origem sobre o nazismo porque era comum a sua época se expressar utilizando o termo "raça", o que fez de forma análoga ao de "espécie" em sua teoria da Seleção Natural quando se referiu à humanidade. Novamente, conveniência pouca é bobagem se meu intento é atacar a teoria da Evolução e salvaguardar o Criacionismo. Nesta querela ideológica, todos instrumentos se mostram úteis.

Digam-me, o que a irmandade americana Skull and Bones tem além de um clubinho colegial? Recentemente, ela adquiriu notoriedade devido à antiga participação dos Bush. Qualquer fato ou mera suposição pode muito bem se adequar à teoria, como o de que alunos que não tenham cursado nenhuma faculdade de Direito da Ivy League serem preteridos em grandes firmas de advocacia nos Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, a pluralidade cultural se dá de forma burocrática, com seitas, organizações, clubes. Aqui em nosso país é mais "fluída". Um território continental, antes povoado por tribos em estado neolítico, recebeu levas de africanos e seus descendentes não ficariam imunes ao animismo. Também não me basta o argumento de que a urbanização e o "progresso" diluem isto tudo. Um exemplo de reciclagem de mitos está nesta onda de eco-turismo, fototerápicos, engajamento ambientalista, nutrição "natural" etc., na qual a referência ao culto pagão de Wicca não passa imune. O bom nisto tudo é sua apropriação via mercado, mas por outro lado, também é sintomático que qualquer fiel assentado em crenças mais tradicionais, veja aí algo demoníaco, o retorno daquilo pelo qual sua Igreja lutou durante séculos. É um pavor, não pode ser gratuito, tem que haver alguém por trás manipulando tudo. Simplesmente não se pode aceitar a espontaneidade de várias ações somadas, tem que haver uma "mente inteligente" que tira proveito da situação e, logo, induziu ao atual estado de coisas.

Uma das mais interessantes é a de que o atentado ao WTC seria obra do próprio governo Bush e seus falcões, para obter apoio do congresso americano e fazer suas estripulias no Oriente Médio. E, mais doida ainda é a que aponta uma conspiração dos Democratas para atacar a administração atual. A primeira, obra da esquerda americana que foi, paranóica e devidamente, rechaçada por outra de igual pendor, a de que opositores estariam imiscuídos de um bem articulado plano para reduzir, quando não derrubar mesmo a influência dos Republicanos no governo do país. Choques espetaculares de aviões, implosões controladas, tudo para obter o monopólio do petróleo no Oriente Médio.

E os intentos de tão magnânima operação? O óbvio, o "ouro negro". Como Alan Greenspan afirmou que a guerra do Iraque é pelo petróleo está revelada toda a causa do conflito. Apesar de simplista, a afirmação, o que isto teria de conspiratório? Uma vez que seria o argumento mais previsível, declarado e exposto de todos? "Conspiração" pressupõe segredo, o que não há no caso das declarações do ex-presidente do Federal Reserve. Apenas há a asseveração taxativa de alguém que analisa tudo por uma lógica economicista. Pouco importa, novamente, que foi no governo Clinton que o boicote ao petróleo iraquiano tenha ocorrido e, com uma commodity destas escasseando seu preço tenderia a subir. Ora, se a locomotiva mundial precisa de petróleo mais que tudo a preços baixos, por que boicotá-lo? Para depois, se gastar ainda mais no saco sem fundo da guerra? Simplesmente, não faz sentido. Dizer também que as administrações Clinton e Bush têm estratégias distintas não faz jus às políticas americanas que, em se tratando de ações de longo prazo, não são de governo, mas de estado.

Ainda há outra hipótese, a conspiração cristã por um messias... Seria o próprio Bush? Antes do 11 de Setembro, a prioridade americana estava na China. Por exemplo, o incidente com o EP-3 Orion de reconhecimento e caças chineses. No Oriente Médio, o problema era o Irã com fome de Iraque. A simples possibilidade de este ser tomado, especialmente o sul, na proximidade dos campos petrolíferos sauditas já fazia a luz vermelha acender em Washington. Para os americanos, não se tratava de tomar mais campos petrolíferos, mas assegurar o fornecimento dos atuais, tal como foi o motivo da 1ª Guerra do Golfo por ocasião da invasão iraquiana do Kuwait. Com poucas divisões norte-americanas na região, daí sim uma operação de envergadura se faria necessária sem um necessário atentado ao próprio território.

Não se trata de confiar ou não em Bush, de toma-lo por sábio, ignorante, "iluminado" ou o que quer que seja. Uma coisa é o Bush, sua administração, outra bem diferente é o atentado que alguns chamam de "plano bem arquitetado". Lembre-se que, os maiores inimigos dos ordotodoxos na Europa Oriental não eram os muçulmanos. Os inimigos costumam estar mais próximos do que pretendemos que estejam. No caso dos ortodoxos eram os católicos mesmo. Quero dizer com isto que na briga com Bush e os Republicanos estão os Democratas, como rivais imediatos. Nesta disputa, a primeira vitima é a verdade. Então, se profere a idéia de complôs. Complô para tomar o petróleo, para atacar o Iraque... Ora, Washington não precisaria de tanta acrobacia para atacar quem quer que seja. Razões mais tangíveis poderiam ser alegadas, especialmente com uma oposição mal das pernas, como demonstravam os Democratas.

E o argumento técnico? O Airbus da TAM colidiu com um prédio que não tinha estrutura de aço e o mesmo não ruiu, já o WTC veio abaixo. E o impacto do Airbus foi equivalente aos dos jumbos no WTC? O desmoronamento lá de cima, com todo o peso não traria uma maior força ribanceira abaixo que um avião tentando frear na pista de Congonhas? Sem entrar em considerações técnicas que não são a minha praia, eu pergunto se um plano tão bem arquitetado, caso o fosse, não teria que ter todos seus passos já previstos e tomados? Como então, não pensaram nisto e planejaram mal as quedas das torres deixando que transparecessem ser estruturas frágeis?

Lutar contra o terrorismo pode ser propaganda. Longe de ser consensual, realmente há assessores na Casa Branca que criam nisto. Vide as divergências entre Wolfowitz e Cheney. O primeiro vê os EUA como tendo uma causa, o segundo mais pragmático se importava com o numero de soldados no Iraque.

Se bin Laden não tivesse capacidade operacional para uma operação de tal monta, se não houve divergências entre a CIA e o FBI que levaram a falhas na segurança, então os atentados às embaixadas americanas na África também não teriam sido obra dos fundamentalistas. Bali na Indonésia, Zamboanga nas Filipinas, também não teriam sido obras de grupos simpatizantes a al Qaeda? Seria uma obra do Pentágono... É o que falta aos teóricos conspiracionistas alegarem, assim como dizer que o caso de Wacko no Texas em 1993 pelos davidianos teria sido também algo forjado.

As alianças que correspondem a planos são conhecidas, tal é o caso do apoio americano a Saddam para retaliar Khomeini. Mas, nada aí de ultra-secretas conspirações que ninguém fica sabendo. Apenas, simples realismo político que dita os métodos da Realpolitik entre estados beligerantes, o que não significa que tais estratégias não sejam discutíveis ou condenáveis.

Se admitíssemos que a engenharia norte-americana tivesse que prever tudo, mesmo uma colisão de jumbos, por que uma ponte também não teria que ser projetada para agüentar a pressão e atrito dos veículos até 40 anos depois? O incidente às margens do Mississipi, no estado de Minnesota joga um banho de água fria nas teorias conspiratórias sobre a impossibilidade estrutural das torres ruírem. Não sou físico, mas contra o argumento conspiratório basta um pouco de lógica. Por que em um dos casos de desmoronamento, temos que ter confiança na engenharia que não poderia ter falhado e noutro podemos perdoar a falha ao admitir que foi um mero acidente? Se um raciocínio conspiratório vale para o WTC, por que não deveria valer igualmente para uma ponte na qual alguém também deveria ter tramado sua ruptura? Se não há "algo mais" para se levar em consideração, os "patriotas" só têm paranóia ao acusar os Democratas de conspirarem contra Bush ao derrubarem o WTC. Esta é novidade para mim, eu só ouvira falar da conspiração neocon ou de Israel já que se alegou que "não havia nenhum judeu nas torres que caíram"... Mas, paranóia por paranóia, agora se inventa outra de direita para retrucar a original, de esquerda.

O canal HBO anda veiculando um excelente documentário Protocolos de Sião de 2005, que aborda o ressurgimento do anti-semitismo. A paranóia é tanta que chega a ser hilária. Em determinado momento um jovem afirma que todos os poderosos são judeus, inclusive o ex-prefeito de Nova York, Rudolf Giuliani. Sua prova consistente é a primeira sílaba do sobrenome de Rudolf, "Giu" pronunciada como jew, judeu em inglês. Não é demais?! Não adianta tentar argumentar, sempre se terá justificativas para qualquer conspiração.

Enquanto que algumas teorias da conspiração nunca saem de moda, como atribuir os males do mundo aos judeus, outras são inovadoras, mais ou menos consistentes que, como as demais, são cheias de falhas. A teoria conspiratória da moda no Brasil é a do Foro de São Paulo, organização que congrega lideranças latino-americanas em prol do comunismo, embora os velhos comunistas tenham preferido denominar seu objetivo de modo mais suave como "socialismo". Seus investigadores, articulistas da mídia alternativa em grande parte, blogueiros, uma direita não raro tão ensandecida quanto uma velha esquerda comunista acusam a grande maioria dos cidadãos de ser presa de uma grande conspiração. Reiteram que estamos em plena revolução comunista gramscista onde não se propõe mais uma revolução via proletariado ao estilo bolchevique, nem a do tipo rural, maoísta, mas sim uma cultural. Tomando os centros de divulgação das idéias, das universidades ao mainstream midiático, teríamos a preparação do terreno para a inoculação de idéias marxistas sem que se perceba. Antes de tomarmos ciência do ocorrido já estaríamos todos vivendo em pleno comunismo. "As provas estão aí", dizem. Um exemplo incontestável estaria nas atas do último congresso nacional do PT, nas quais o Foro é citado. Vejamos como é secreta tal conspiração: tão secreta que é mencionada em congresso feito pelo partido governista e veiculada pelos meios de comunicação!

Vejamos um testamento do site Pravda:

É nesse preciso momento que o PT lança a formidável proposta de criar o Foro de São Paulo, trincheira onde nós pudéssemos encontrar os revolucionários de diferentes tendências, de diferentes manifestações de luta e de partidos no governo, concretamente o caso cubano. Essa iniciativa, que encontrou rápida acolhida, foi uma tábua de salvação e uma esperança de que tudo não estava perdido. Quanta razão havia, transcorreram 16 anos e o panorama político é hoje totalmente diferente.

Claro que não se trata do jornal soviético. O famoso jornal teve suas propriedades confiscadas pelo ex-presidente Boris Ieltsin, cujos jornalistas, na sua grande maioria pediram demissão. E o tradicional jornal não tem a ver com novas versões de dissidentes comunistas.

Mas, pesquisando na versão do "Pravda", que muitos tomam como a nova voz do Kremlin, repassada como verdade pelos quatro cantos do mundo virtual, me deparo com um link curioso (em 23 de setembro de 2007) que deve estar contribuindo em muito para a causa desta "revolução continental":

Bárbara Paz vai ser a gostosa de setembro

Tem mais:

Elvis Presley está vivo e mora na Argentina

E, para que não pensem que o site não tem caráter científico vejamos a seção correspondente:

Pescadores russos capturaram um alienígena e comeram-no (vídeo)

A notícia acima pode fazer parte de alguma conspiração comunista também. Subliminarmente, há uma apologia ao velho regime: os russos agora estão tendo que apelar para alienígenas para aplacar sua fome. Como me lembraram alguns amigos, nos áureos tempos soviéticos, seu cardápio mais diversificado incluía apenas criancinhas. Ou pode ser um alienígena-filhote... Já nem sei se é conspiração comunista ou capitalista. Comer alienígenas pode ser retratado como uma evolução gastronômica, já que outrora o mais freqüentemente encontrado, era um bolinho de carne de cavalo estupidamente apimentado no meio de um prato com sopa rala (para comer devagar). Destarte temos inegáveis subsídios para compreender os mecanismos ocultos, que regulam nosso mundo evidenciados na internet: Elvis, alienígenas, Foro de São Paulo... Realmente, Shakespeare tinha razão em dizer que há muito mais entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia.

Parece que o mundo inteiro virou comunista. Quem ajuda ou, em interesse próprio, negocia com a América Latina acaba beneficiando lideranças que são membros do Foro. Logo, em Bruxelas, na sede da União Européia, devemos ter uma seção desta intrincada rede de conspiradores. Entre 2007 e 2010, o bloco europeu irá destinar US$ 614 milhões ao comércio externo para a América Latina. Ora, quem diria? Estão financiando o Foro! Tampouco importa que Evo Morales, presidente da Bolívia tenha lesado o Brasil ao estatizar uma refinaria da Petrobrás. Trata-se de uma "ação entre amigos". Morales, o cocalero bem que poderia ter prometido a redenção aos seus companheiros incas através do mote "a coca é nossa!" Mas, não se fazem mais típicos idiotas latino-americanos como antigamente... Que coca que nada! O que é isto para quem pode ter uma refinaria de graça! O resguardo de ativos de empresas se torna um eufemismo para a perda da soberania nacional. Então, um roubo institucionalizado se faz em nome do populismo e com o aval do Foro. No Brasil, setores de esquerda como nossa CUT que impregnam a Petrobras estariam ganhando na parada, pois são "farinha do mesmo saco". Para rescindir contratos sem aviso prévio basta que não seja mais interessante ao governo em questão e, dane-se a empresa contratada. Ou seja, a Petrobras influenciada pela CUT jogou contra si mesma. Se as mudanças nas leis que regem gás e petróleo na Bolívia e na Venezuela causaram perdas financeiras para a Petrobras em 2006, de mais de mais de R$ 1 bilhão em relação a 2005, tudo não passou de "jogada". Não seria muito mais fácil criar uma linha de crédito para estes países? Precisava toda uma acrobacia geopolítica para lesar uma empresa em benefício de uma organização de propaganda ineficaz de dinossauros comunistas? Alguém perdeu, mas em que pese fatos em contrário, o que vemos não é o que vemos: tudo se explica pelo avesso na lógica conspiratória.

Não vejo racionalidade econômica nas ações bolivianas. Por outro lado há uma centralização política a exemplo do que ocorre na "revolução bolivariana" na Venezuela. Ao se aliar à Venezuela, Chávez tem Lula e Morales nas mãos, se tornando o principal fornecedor de hidrocarbonetos. O caudilho venezuelano, isto é verdade, tem objetivo e seu principal inimigo não são os Estados Unidos, mas o Brasil. Alguém crê que a compra de armamentos por Chávez possa fazer frente aos porta-aviões, submarinos e marines americanos? Não sejamos ingênuos. No entanto, contra o Brasil e suas forças armadas estagnadas e sucateadas, têm sentido os sinais de atrito que se formam ao norte do cone sul. Chávez ainda soube manipular a ideologia ao colocar a Bolívia em sua órbita de influência e tornar o país sem saída marítima um sócio-dependente. Ao descartar a possibilidade de se tornar o principal fornecedor de energia externa ao Brasil, a Bolívia selou seu destino econômico. Se há alguma racionalidade em pertencer ao Foro, ela é antieconômica. Chávez é a real pedra no sapato dos liberais e, ele tem que ser deposto de alguma forma. Sua recente aproximação ao Irã, ora em curso, é um risco inaceitável.

Outro demagogo que perdura no poder é o presidente argentino Nestor Kirchner que instou os argentinos a boicotarem a Shell fechando a empresa no país, para abri-la tão logo a empresa se comprometesse com o investimento em "medidas ambientais". É bom que se diga que a clausura da empresa não tinha nada a ver com meio ambiente, mas com preços reajustados em 4,2%. De um sonoro "não compre nem uma lata de óleo da empresa", o macho de fôlego-curto porteño orçou a liberação da empresa em um módico suborno de US$ 60 milhões. Isto não me parece objetivo nem tática comunista, mas caudilhismo puro. Houve aí uma moeda de troca bem visível em que o estado surrupiou os ativos da empresa para depois barganhar sua devolução. Diferente de uma estatização geral comunista, o que vimos foi mais uma excrescência latino-americana onde contratos e propriedade não valem nada.

Querem apostar que o saldo final da ação de grupelhos esquerdistas que querem reestatizar a Vale do Rio Doce redundará em uma "saída de consenso", na qual a empresa será obrigada a pagar mais por sua atuação? Esta não é uma nova forma de arranjo produtivo, é apenas o típico despotismo do cone sul. Por outro lado, no Brasil, antes de um setor produtivo se firmar, como é o caso da infra-estrutura, a empresa privada é incentivada a ampliar sua presença. É o caso das estradas que podem ter mais concessões à iniciativa privada. Onde está o comunismo aí? Nosso risco real é de uma "mexicanização política", com um partido se sustentando por décadas através do puro fisiologismo na criação de dezenas de milhares de cargos comissionados. Este aparelhamento do estado brasileiro, seguido igualmente em esferas estaduais e municipais visa tornar a máquina pública um mero instrumento partidário.

Esse negócio de Foro está fora de foco. Pois o que se vê são ações parciais, ora estatizantes, ora tributaristas, ora liberalizantes às vezes dentro de um mesmo país. O que importa é arrecadar, arrecadar e arrecadar e quando não há capital constituído se incentiva o mesmo para depois, quem sabe, lesa-lo. Isto vem de antes de qualquer Foro, isto vem de Vargas, Peróns i tutti quanti.

Mas, agora que o influente jornalista Ali Kamel comentou a manipulação político-ideológica nos livros didáticos, muitos setores que acusam as teorias conspiratórias têm sua prova. Embora o jornalista, sabiamente, rejeite a formulação conspiratória no inicio de seu texto, muitos dos que leram, interpretaram o que quiseram. Há tempos venho afirmando isto em relação às provas de vestibular, assim como outros antes de mim em relação à educação de uma forma geral. Doutrinação esquerdista nas escolas não têm a ver com um plano, uma conspiração bem montada que só agora se revela. Veio bem antes de qualquer Foro, assim como leis ambientais não são fruto de uma conspiração de ONGs estrangeiras e da ONU para formatar um governo mundial antinacional. Algumas de nossas leis de preservação ambiental foram criadas durante o regime militar. O Código Florestal, por exemplo, data de 1965, ora bolas! Vão me dizer agora que os militares brasileiros também eram comunistas?

Há quem atribua a Gramsci a autoria desta estratégia. Isto é ingênuo. É puro delírio atribuir ao preso político do fascismo, um plano que está em plena execução na América Latina. Alguém aí já leu Gramsci? Eu li A Questão Meridional sobre o Mezzogiorno italiano, muito referenciado por "geógrafos" para "entender" o Nordeste. Fora deste círculo, nas "Ciências Sociais", o livro passa desapercebido. Se há algum "mérito" em Gramsci é ter analisado a esfera política como portadora de uma "autonomia relativa", como não o fez Marx devido a sua carga teórica economicista.

Outra é dizer que FHC é especialista em Gramsci… Bem, se for tão "especializado" como foi em suas teorias sobre o desenvolvimento feitas para a Cepal, isto não significa muita coisa. Mais uma: "Marilena Chauí é a intelectual que embasa o PT". Lendo a professora de filosofia, eu apenas vejo uma caroneira em defesa do partido, nada mais. Seus argumentos não chegam nem a ser um escorregadio wishful thinking, de tão toscas que são suas tentativas de justificar as falcatruas petistas. Isto não quer dizer nada, o que diz algo é o que acontece. Por exemplo, o Chile não destruindo reformas via Pinochet, Colômbia em rota de colisão com uma Venezuela (já dividida internamente)… A América Latina se explica mais pelo que conhecemos, o caudilhismo (travestido de comunismo com nova roupagem chavista) que qualquer outra coisa.

Atualmente, o Chile da "esquerdista" Bachelet está prestes a integrar o grupo Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) e intensificar políticas liberalizantes no comercio externo. Alguma coisa não bate... Depois que o Partido Revolucionário Institucional (PRI) foi derrotado pelo Partido da Ação Nacional (PAN) no México, alegaram que o país estava se submetendo ao Consenso de Washington em reformas liberais. Mas, agora o mesmo PAN propõe um novo imposto de 5,5% aos combustíveis a partir do ano que vem. Alguma coisa não bate de novo. Isto é América Latina, onde o estado sempre se antepôs à sociedade. Não há liberalismo strictu sensu por que não há movimentos antiestatistas legítimos. Em que medida um PL é liberal? Em que medida o PSDB traçou política social-democrata? Nada, nada e nada. São somente rótulos. E mesmo os que se dizem liberais, ao tomar o estado se vêem premidos por uma crise de governabilidade devido à falta de fundos carcomidos pela burocracia. Comunismo? Não, parasitismo mesmo.

Imagine se o PT (no governo federal) vai querer estatizar, ao invés de, simplesmente, tributar mais. A segunda opção é muito mais eficaz para seu roubo institucionalizado. Ao invés de pôr os brasileiros a trabalhar para o estado, apenas se toma o fruto do trabalho criado sob a égide produtiva do setor privado. Quer melhor do que isto? Vejo o que acontece e não o que direita e a esquerda dizem que vai acontecer. Hoje, o Brasil "apenas" exagera seus vícios de longa data que, aliás, não deixaram de existir em plena ditadura militar. Durante o período, estes apenas foram mais centralizados.

Voltando à manipulação na educação... A maioria dos estudantes não engole nenhum lixo didático denominado "livro", como o descrito por Kamel. A maioria não engole nada. Nos áureos tempos do comunismo, o materialismo histórico e dialético era ensinado como educação moral e cívica no extinto paquiderme soviético: os estudantes saíam aliviados das salas de aula por mais uma sessão de tortura mental encerrada. Nada além disto.

Acho engraçado quando alegam que os professores universitários, notadamente da USP terem lido Gramsci, seria uma prova incontestável de seus intentos manipulatórios. Ainda bem que eles, professores da USP, leram Gramsci, pois é obrigação de um politicólogo ou sociólogo conhecê-lo. Eu também li. Vai ver que é por isso então que estou argumentando em contrário: fui infectado!

Em Maquiavel, a Política e o Estado Moderno, Gramsci nada mais faz do que tentar justificar Maquiavel para os marxistas. O que faz mal, pois para Maquiavel o fim justificava os meios e para marxistas, em geral, o método tem que ser "dialético" (entre aspas, por favor).

O que explica a realidade não é, nunca foi e nunca vai ser um medíocre como Gramsci. É Maquiavel quem explica. Por isto gosto de maquiavelistas (o que difere do simples adjetivo "maquiavélico"), aquela linha da ciência política que, realmente, objetiva a pesquisa percebendo formas de dominação em qualquer estrutura política. Nos dando, assim, a chance de escolher a "menos pior".

A educação marxista não foi casual, o que não quer dizer que foi "arquitetada". Ela se deu porque é mais facilmente digerível. Tem uma "lógica" própria onde "tudo se explica". Desobriga o sujeito a pensar muito. Como disse Popper, uma vez que a coisa toda parecia ser científica até mesmo, cientistas fora do circuito das humanidades (biologia etc.), se diziam "marxistas".

Portanto, nada de estratégia como se a educação fosse um detalhe de um plano maior de domínio. Ela antecedeu tudo isto. E hoje, tudo o que resta é uma acrobacia teórica para tentar justificar fenômenos familiares como a corrupção, patrimonialismo, nepotismo, fisiologismo como "de esquerda" enquanto que são apenas, tipicamente, brasileiros.

Não creio em Marx satanista. Não creio nos custos justificáveis de atentados forjados para se ativar uma operação militar. Não creio em congregações de chefes de estados-pária como tendo sinergia geopolítica. Não creio em um polvo chamado "ONU" e seus tentáculos de ONGs. Não creio na organização inteligente do professorado, esta classe que vê educação apenas como um reflexo de seus contra-cheques. Não creio na perspicácia e articulação de tantos agentes com interesses díspares que são facilmente cooptáveis, seja por um cargo de confiança, seja pelo sinal de crédito fácil a título de saneamento ambiental. Não creio em nada, apenas creio que muita gente precisa acreditar nisto tudo.

Tais crenças não são coisas antigas e datadas. São elementos bem atuais, assim como a aspirina, com a diferença de que a necessidade de explicar o mundo com urgência nos trai. Caros crentes, vocês não têm nada a temer, o mundo cético e empirista não triunfará. Vocês têm o mundo em sua imaginação.

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* Agradeço a André Balsalobre as dicas sobre a situação geopolítica envolvendo os Estados Unidos no contexto pré-2ª Guerra do Golfo e durante o decurso das operações.

Anselmo Heidrich

Professor de Geografia no Ensino Médio e Pré-Vestibular em S. Paulo. Formado pela UFRGS em 1987.

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