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26 Set 2007

Uma Busca Sem Fim

Escrito por 
Ora, se vivemos única e exclusivamente a procura de nossa sobrevivência, nós e um cão não teríamos muita diferença.

 

O pensamento e a vida estão ligados à linguagem de maneira tal que, muitas vezes este dado escapa Sa nossa compreensão. A força viva da palavra transmite, gera e preserva de modo dinâmico o que pensamos e sentimos. Sem a palavra, nossa percepção da realidade seria confusa ou nem sequer chegaria a ocorrer, como muito bem nos lembra o professor Luiz Jean Lauand.

Seguindo por essa vereda, apontamos para o seguinte fato: toda vez que vislumbramos um teórico da educação que apresenta a sua compreensão sobre o ato de educar, temos diante de nossas vistas não apenas a apresentação de uma técnica de ensino. Através desta temos a apresentação de toda uma visão do que se entende por ser humano e, devido a isso, acabamos construindo toda uma expectativa em relação ao infante que se apresenta diante de nossas vistas através do olhar deste ou daquele teórico.

Todas as nossas práticas, todos os nossos gestos acabam denotando um determinado juízo frente a vida. Todas as nossas ações acabam narrando algo sobre nós que, muitas das vezes, nem nós mesmos temos uma clara compreensão expressando algo sobre nosso ser e sobre a vida que nem mesmo nós tínhamos consciência.

Na verdade, não paramos para refletir sobre esta descontinuidade de nosso ser em com relação aos nossos discursos, aos nossos ensinamentos. Neste descompasso freqüente, acabamos por edificar uma imagem disforme do que vem a ser o ser humano a tal ponto que, em muitos casos, nem mesmo nós mesmos somos passíveis de sermos compreendidos dentro desta imagem.

Exacerbamos de modo impróprio determinada dimensão da experiência humana em detrimento das demais, reduzindo a pessoa humana e, deste modo, inevitavelmente, desumanizando-a. Por exemplo: se nós reduzimos tudo o que o ser humano é a um mero jogo de relações econômicas (leia-se, luta de classes ou coisa do gênero), estamos reduzindo o entendimento do que é o ser humano ao ser de um animal qualquer.

Ora, se vivemos única e exclusivamente a procura de nossa sobrevivência, nós e um cão não teríamos muita diferença.

Mas, como muito bem nos aponta uma de minhas alunas, a vida humana é muito mais do que a mera sobrevivência. Alias, o que nos torna singulares no cenário da criação (tanto para o Bem como para o mal) são traços que pouco ou nada tem haver com a questões de ordem material.

E, sobre este ponto, o finado Pontífice João Paulo II, em sua Constituição Apostólica SAPIENTIA CHRISTIANA, afirma que a sabedoria cristã “[...] incita continuamente os fiéis a que se esforcem por concatenar numa única síntese vital as vicissitudes e as atividades humanas justamente com os valores religiosos, sob cuja elevada ordenação todas as coisas se hão de coordenar para a maior gloria de Deus e para o aperfeiçoamento integral do homem, o qual compreende os bens do corpo e bens do espírito”.

Todavia, infelizmente, nos indagamos: qual é o cabedal de palavras que utilizamos para nos religar com essa realidade? Qual é a linguagem básica utilizada em nosso sistema educacional? Qual é a linguagem básica utilizada pela maioria dos teóricos da educação?

Bem, é justamente neste ponto que encontramos o grande problema da educação moderna. No que tange a compreensão dos bens do corpo e do espírito e na carência de uma linguagem apropriada para se refletir sobre estes temas.

Alias, no que concerne a diferenciação da natureza desses bens, temos a edificação de um imenso cipoal de confusões e desencontros. Para tanto basta indagarmos sobre o que vem a ser um bem de ordem espiritual que o trem já desanda praticamente por completo. E, deste modo, acabamos por compreender porquê muitos invertem com tamanha facilidade a ordem destes bens, invertendo totalmente o sentido das coisas e elevando praticamente tudo aquilo que simplesmente desejamos por uma pulsão qualquer em um patamar que seja por si justo, como se esta pulsão fosse naturalmente um direito divinal.

Neste cenário, qualquer desejo é válido, desde que não procure elevar o indivíduo a algo melhor do que um mero conjunto de insatisfações. Eis o cidadão moderno. Eis o indivíduo liberto dos laços da tradição.

 

O pensamento e a vida estão ligados à linguagem de maneira tal que, muitas vezes este dado escapa Sa nossa compreensão. A força viva da palavra transmite, gera e preserva de modo dinâmico o que pensamos e sentimos. Sem a palavra, nossa percepção da realidade seria confusa ou nem sequer chegaria a ocorrer, como muito bem nos lembra o professor Luiz Jean Lauand.

Seguindo por essa vereda, apontamos para o seguinte fato: toda vez que vislumbramos um teórico da educação que apresenta a sua compreensão sobre o ato de educar, temos diante de nossas vistas não apenas a apresentação de uma técnica de ensino. Através desta temos a apresentação de toda uma visão do que se entende por ser humano e, devido a isso, acabamos construindo toda uma expectativa em relação ao infante que se apresenta diante de nossas vistas através do olhar deste ou daquele teórico.

Todas as nossas práticas, todos os nossos gestos acabam denotando um determinado juízo frente a vida. Todas as nossas ações acabam narrando algo sobre nós que, muitas das vezes, nem nós mesmos temos uma clara compreensão expressando algo sobre nosso ser e sobre a vida que nem mesmo nós tínhamos consciência.

Na verdade, não paramos para refletir sobre esta descontinuidade de nosso ser em com relação aos nossos discursos, aos nossos ensinamentos. Neste descompasso freqüente, acabamos por edificar uma imagem disforme do que vem a ser o ser humano a tal ponto que, em muitos casos, nem mesmo nós mesmos somos passíveis de sermos compreendidos dentro desta imagem.

Exacerbamos de modo impróprio determinada dimensão da experiência humana em detrimento das demais, reduzindo a pessoa humana e, deste modo, inevitavelmente, desumanizando-a. Por exemplo: se nós reduzimos tudo o que o ser humano é a um mero jogo de relações econômicas (leia-se, luta de classes ou coisa do gênero), estamos reduzindo o entendimento do que é o ser humano ao ser de um animal qualquer.

Ora, se vivemos única e exclusivamente a procura de nossa sobrevivência, nós e um cão não teríamos muita diferença.

Mas, como muito bem nos aponta uma de minhas alunas, a vida humana é muito mais do que a mera sobrevivência. Alias, o que nos torna singulares no cenário da criação (tanto para o Bem como para o mal) são traços que pouco ou nada tem haver com a questões de ordem material.

E, sobre este ponto, o finado Pontífice João Paulo II, em sua Constituição Apostólica SAPIENTIA CHRISTIANA, afirma que a sabedoria cristã “[...] incita continuamente os fiéis a que se esforcem por concatenar numa única síntese vital as vicissitudes e as atividades humanas justamente com os valores religiosos, sob cuja elevada ordenação todas as coisas se hão de coordenar para a maior gloria de Deus e para o aperfeiçoamento integral do homem, o qual compreende os bens do corpo e bens do espírito”.

Todavia, infelizmente, nos indagamos: qual é o cabedal de palavras que utilizamos para nos religar com essa realidade? Qual é a linguagem básica utilizada em nosso sistema educacional? Qual é a linguagem básica utilizada pela maioria dos teóricos da educação?

Bem, é justamente neste ponto que encontramos o grande problema da educação moderna. No que tange a compreensão dos bens do corpo e do espírito e na carência de uma linguagem apropriada para se refletir sobre estes temas.

Alias, no que concerne a diferenciação da natureza desses bens, temos a edificação de um imenso cipoal de confusões e desencontros. Para tanto basta indagarmos sobre o que vem a ser um bem de ordem espiritual que o trem já desanda praticamente por completo. E, deste modo, acabamos por compreender porquê muitos invertem com tamanha facilidade a ordem destes bens, invertendo totalmente o sentido das coisas e elevando praticamente tudo aquilo que simplesmente desejamos por uma pulsão qualquer em um patamar que seja por si justo, como se esta pulsão fosse naturalmente um direito divinal.

Neste cenário, qualquer desejo é válido, desde que não procure elevar o indivíduo a algo melhor do que um mero conjunto de insatisfações. Eis o cidadão moderno. Eis o indivíduo liberto dos laços da tradição.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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