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13 Set 2007

Médico? Professor? O Que?

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Preocupar-se com as escolhas feitas pelos filhos é uma atitude, a um só tempo, emocional, racional, salutar e necessária.

Preocupar-se com as escolhas feitas pelos filhos é uma atitude, a um só tempo, emocional, racional, salutar e necessária. Opções como a da profissão, do cônjuge, da fé, das leituras, dos hábitos, dos gostos, das amizades e muitas outras, embora sejam decisões pessoais e intransferíveis, devem ser sempre acompanhadas de perto pelos bons pais, no exercício do direito e do dever de orientar os filhos, especialmente quando ainda jovens.

Lembro-me da alegria de minha sogra quando o mais novo de seus filhos resolveu seguir a carreira de Medicina e da que meus pais sentiram quando comecei a ensinar em uma faculdade. Eram outros tempos, em que o relativismo moral ainda permanecia sob certo controle e, portanto, as fronteiras entre o certo e o errado e o bem e o mal eram bem demarcadas e, na média, os políticos eram menos corruptos. Os pais de hoje não diferem dos de ontem, mas as coisas andam tão deterioradas que justificam seu receio quando um filho, a quem tanto amam, anuncia-lhes que decidiu ser médico ou professor. O que seria orgulho sadio e esperança justa já brota tisnado pelas nódoas da dúvida e da inquietação.

Como professores e médicos vêm sendo progressivamente maltratados no Brasil! Como são humilhados! Como estão sendo vitimados pelo crime da deterioração paulatina de suas condições de trabalho! Como sua dignidade profissional vem sendo crescentemente agredida! Como falta senso de bem comum e honradez à maioria de nossos políticos! E como têm sido ineficientes e ineficazes os sindicatos de suas categorias, mais preocupados com proselitismos partidários do que com os que deveriam representar!

É desnecessário descrever o calvário dos que dedicam suas vidas a transmitir os bens mais preciosos que podemos imaginar: a vida e o conhecimento, a boa saúde e a boa educação, o bem do corpo e o do espírito. Basta olharmos para nossas escolas e hospitais públicos. Quanto ganha aquele médico de um hospital do governo que, após tantos anos de estudo e de residência, trabalha com equipamentos deteriorados (quando existem) e apavorado com a iminência de alguma invasão de traficantes para resgatar algum companheiro? O que vem impresso no contracheque daquela professora dedicada que, muitas vezes, precisa levar de casa até giz e apagador e que também vive sobressaltada ante a impendência de eclosão, nas cercanias da escola, de mais um episódio da guerra entre policiais e bandidos, ou porque estes podem “decretar” que, naquele dia ou noite, não haverá aulas, em protesto contra a prisão ou morte de algum marginal?

E pensar, apenas para exemplificar, que o atual ministro da Saúde, diante de tantos problemas, preocupa-se com um plebiscito para legalizar o crime do aborto; que em hospitais públicos em que não há aparelhos para hemodiálise já se realizam cirurgias para troca de sexo; que os pedagogos de gabinete da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, com a anuência e o incentivo do prefeito (um ex-professor universitário!) estão em luta com o legislativo, que colocou óbices à estúpida e nefanda Resolução SME 946, de 25/4/07, que simplesmente assassina a autoridade do professor, ao abolir o “ótimo” e o “insuficiente” das avaliações escolares; e que, na própria Faculdade de Economia da UERJ, estou sem computador há onze meses, pois não há recursos para repor o que pifou.

Por que os políticos de todos os partidos, naquele embuste antidemocrático que é o horário eleitoral gratuito, juram, com nariganga de Pinóquio, respeito à saúde e à educação? Apenas para ganhar votos? Médico? Professor? O quê? Não, meu filho! Perdeu o juízo? Ficou maluco? Você é brasileiro! Por que não segue a carreira política, ou filia-se ao PT ou a algum partido aliado, para ter um emprego público garantido, com DAS? Triste pátria amada e idolatrada, mas sempre saqueada por filhos que não a merecem como mãe gentil...

Preocupar-se com as escolhas feitas pelos filhos é uma atitude, a um só tempo, emocional, racional, salutar e necessária. Opções como a da profissão, do cônjuge, da fé, das leituras, dos hábitos, dos gostos, das amizades e muitas outras, embora sejam decisões pessoais e intransferíveis, devem ser sempre acompanhadas de perto pelos bons pais, no exercício do direito e do dever de orientar os filhos, especialmente quando ainda jovens.

Lembro-me da alegria de minha sogra quando o mais novo de seus filhos resolveu seguir a carreira de Medicina e da que meus pais sentiram quando comecei a ensinar em uma faculdade. Eram outros tempos, em que o relativismo moral ainda permanecia sob certo controle e, portanto, as fronteiras entre o certo e o errado e o bem e o mal eram bem demarcadas e, na média, os políticos eram menos corruptos. Os pais de hoje não diferem dos de ontem, mas as coisas andam tão deterioradas que justificam seu receio quando um filho, a quem tanto amam, anuncia-lhes que decidiu ser médico ou professor. O que seria orgulho sadio e esperança justa já brota tisnado pelas nódoas da dúvida e da inquietação.

Como professores e médicos vêm sendo progressivamente maltratados no Brasil! Como são humilhados! Como estão sendo vitimados pelo crime da deterioração paulatina de suas condições de trabalho! Como sua dignidade profissional vem sendo crescentemente agredida! Como falta senso de bem comum e honradez à maioria de nossos políticos! E como têm sido ineficientes e ineficazes os sindicatos de suas categorias, mais preocupados com proselitismos partidários do que com os que deveriam representar!

É desnecessário descrever o calvário dos que dedicam suas vidas a transmitir os bens mais preciosos que podemos imaginar: a vida e o conhecimento, a boa saúde e a boa educação, o bem do corpo e o do espírito. Basta olharmos para nossas escolas e hospitais públicos. Quanto ganha aquele médico de um hospital do governo que, após tantos anos de estudo e de residência, trabalha com equipamentos deteriorados (quando existem) e apavorado com a iminência de alguma invasão de traficantes para resgatar algum companheiro? O que vem impresso no contracheque daquela professora dedicada que, muitas vezes, precisa levar de casa até giz e apagador e que também vive sobressaltada ante a impendência de eclosão, nas cercanias da escola, de mais um episódio da guerra entre policiais e bandidos, ou porque estes podem “decretar” que, naquele dia ou noite, não haverá aulas, em protesto contra a prisão ou morte de algum marginal?

E pensar, apenas para exemplificar, que o atual ministro da Saúde, diante de tantos problemas, preocupa-se com um plebiscito para legalizar o crime do aborto; que em hospitais públicos em que não há aparelhos para hemodiálise já se realizam cirurgias para troca de sexo; que os pedagogos de gabinete da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, com a anuência e o incentivo do prefeito (um ex-professor universitário!) estão em luta com o legislativo, que colocou óbices à estúpida e nefanda Resolução SME 946, de 25/4/07, que simplesmente assassina a autoridade do professor, ao abolir o “ótimo” e o “insuficiente” das avaliações escolares; e que, na própria Faculdade de Economia da UERJ, estou sem computador há onze meses, pois não há recursos para repor o que pifou.

Por que os políticos de todos os partidos, naquele embuste antidemocrático que é o horário eleitoral gratuito, juram, com nariganga de Pinóquio, respeito à saúde e à educação? Apenas para ganhar votos? Médico? Professor? O quê? Não, meu filho! Perdeu o juízo? Ficou maluco? Você é brasileiro! Por que não segue a carreira política, ou filia-se ao PT ou a algum partido aliado, para ter um emprego público garantido, com DAS? Triste pátria amada e idolatrada, mas sempre saqueada por filhos que não a merecem como mãe gentil...

Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

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