Sáb04042020

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

13 Set 2007

Pensando a Educação do Modo Cristão

Escrito por 
Talvez, um bom começo para a resolução desta confusa situação seja nos perguntar sobre o que é um “fim último” e refletirmos sobre o que foi eleito para educação na sociedade brasileira atual.

"Estranho que o homem, em quase todas as coisas,

deva parecer melhor ou pior do que já é". (Niccolo Tommaseo)

_ _ _ _ _ _ _

Praticamente, todo debate hodierno no Brasil sobre educação gira em torno de autores de orientação materialista marxista. Em certa feita, lembro-me de uma professora que havia me dito que muitas colegas suas afirmavam enfaticamente que se o teórico da educação não fosse marxista ela não o lia. Pior que isso é termos de ouvir Párocos fundamentarem suas preleções em Paulo Freire como meus ouvidos já testemunharam.

A forma como se desenha o cenário do debate sobre a educação em nosso país dá a impressão de que apenas a partir do século XVIII é que se passou a pensar com seriedade este assunto e que apenas autores seculares trataram do tema de modo coerente.

Bem, embuste maior não há. Alias, a discussão anterior ao “século das Luzes” é infinitamente mais profícua do que todo o trololó que vem sendo dito desde a décima oitava centúria até os dias de hoje sobre o tema. E, confesso, os autores cristãos tem uma contribuição colossal que é pouco explorada, para não dizer que é desdenhada em sua inteiresa.

Alias, se formos comparar a biografia dos autores com suas obras para averiguar se há coerência entre elas, perceberemos o imenso abismo que existe entre o que se entende por educação hoje e o que as sociedades tradicionais concebiam como tal e de que modo isso era perceptível na maneira como esses pensadores viviam as suas idéias.

Por isso, temos por intento através destas minguadas linhas trazer para a arena pública as considerações feitas pelo Papa São Pio XI em sua Encíclica DIVINI ILLIUS MAGISTRI – acerca da educação Cristã dos jovens, publicada em 31 de dezembro de 1929, no oitavo ano de seu Pontificado.

São Pio XI, lembra-nos que a educação consiste essencialmente “[...] na formação do homem como ele deve ser e portar-se, nesta vida terrena, em ordem a alcançar o fim sublime para que foi criado, é claro que, assim como não se pode dar verdadeira educação sem que esta seja ordenada para o fim ultimo...”.

Este ponto, o fim último da educação (que é o fim último da vida humana), é o ponto basilar para a construção de um projeto educacional coerente, pois, quando estamos falando em educação, estamos, inevitavelmente, falando de um conceito de pessoa humana e, fundamentalmente de um sentido para a existência humana. Por isso, todo educador deveria indagar-se sobre o que é um fim último e o qual fim eleger para ocupar esse pedestal teleológico.

Infelizmente tal indagação não é levantada. Basta perguntarmos: qual o fim último da educação? Qual o propósito do ato de educar? O máximo que se chegará no cenário atual é ao apontamento de fins segundos como se estes fossem uma pedra angular da vida humana.

Mais adiante o Santo Padre nos lembra que a educação moderna em seu intento de libertar as pessoas estava por embrutece-las e a escravizá-las. Afirma ele que os educadores modernos: “[...]iludem-se miseravelmente com a pretensão de libertar, como dizem, a criança, enquanto que antes a tornam escrava do seu orgulho cego e das suas paixões desordenadas, visto que estas, por uma conseqüência lógica daqueles falsos sistemas, vêm a ser justificadas como legítimas exigências da natureza pseudo-autônoma”.

E hoje, quando vemos professores e pais a se queixar da falta de respeito de muitos jovens, fica mais do que visível os problemas gerados pelas pedagogias ditas libertadoras que direta e indiretamente fomentam nos estudantes a insatisfação, o desejo por “justiça” (sem saber exatamente o que é isso) e, principalmente, o impulso a desprezar todo o senso de hierarquia de valores por ter aprendido que a medida de seus atos é o seu orgulho e vaidade.

Pio XI advertia que isso viria a ocorrer já no início do século XX e nós, até os dias atuais, continuamos a tatear em meio ao caos gerado pelos nossos atos (des)educativos.

Talvez, um bom começo para a resolução desta confusa situação seja nos perguntar sobre o que é um “fim último” e refletirmos sobre o que foi eleito para educação na sociedade brasileira atual. Isso se não nos encontrarmos enredados em demasia em nossos enganosos atos confundindo nossa existência com essa confusa trama.

_ _ _ _ _ _ _ _ _ _

Nota caustica: palavras do senhor Presidente da República no 3º. Congresso do PT: “Ninguém neste país tem mais autoridade moral, ética e política do que o nosso partido. Admitimos que tem gente igual a nós, mas não admitimos que tenha melhor”.

Obs.: A quem interessar possa: Encíclica DIVINI ILLIUS MAGISTRI encontra-se disponível na biblioteca de nosso web site.

"Estranho que o homem, em quase todas as coisas,

deva parecer melhor ou pior do que já é". (Niccolo Tommaseo)

_ _ _ _ _ _ _

Praticamente, todo debate hodierno no Brasil sobre educação gira em torno de autores de orientação materialista marxista. Em certa feita, lembro-me de uma professora que havia me dito que muitas colegas suas afirmavam enfaticamente que se o teórico da educação não fosse marxista ela não o lia. Pior que isso é termos de ouvir Párocos fundamentarem suas preleções em Paulo Freire como meus ouvidos já testemunharam.

A forma como se desenha o cenário do debate sobre a educação em nosso país dá a impressão de que apenas a partir do século XVIII é que se passou a pensar com seriedade este assunto e que apenas autores seculares trataram do tema de modo coerente.

Bem, embuste maior não há. Alias, a discussão anterior ao “século das Luzes” é infinitamente mais profícua do que todo o trololó que vem sendo dito desde a décima oitava centúria até os dias de hoje sobre o tema. E, confesso, os autores cristãos tem uma contribuição colossal que é pouco explorada, para não dizer que é desdenhada em sua inteiresa.

Alias, se formos comparar a biografia dos autores com suas obras para averiguar se há coerência entre elas, perceberemos o imenso abismo que existe entre o que se entende por educação hoje e o que as sociedades tradicionais concebiam como tal e de que modo isso era perceptível na maneira como esses pensadores viviam as suas idéias.

Por isso, temos por intento através destas minguadas linhas trazer para a arena pública as considerações feitas pelo Papa São Pio XI em sua Encíclica DIVINI ILLIUS MAGISTRI – acerca da educação Cristã dos jovens, publicada em 31 de dezembro de 1929, no oitavo ano de seu Pontificado.

São Pio XI, lembra-nos que a educação consiste essencialmente “[...] na formação do homem como ele deve ser e portar-se, nesta vida terrena, em ordem a alcançar o fim sublime para que foi criado, é claro que, assim como não se pode dar verdadeira educação sem que esta seja ordenada para o fim ultimo...”.

Este ponto, o fim último da educação (que é o fim último da vida humana), é o ponto basilar para a construção de um projeto educacional coerente, pois, quando estamos falando em educação, estamos, inevitavelmente, falando de um conceito de pessoa humana e, fundamentalmente de um sentido para a existência humana. Por isso, todo educador deveria indagar-se sobre o que é um fim último e o qual fim eleger para ocupar esse pedestal teleológico.

Infelizmente tal indagação não é levantada. Basta perguntarmos: qual o fim último da educação? Qual o propósito do ato de educar? O máximo que se chegará no cenário atual é ao apontamento de fins segundos como se estes fossem uma pedra angular da vida humana.

Mais adiante o Santo Padre nos lembra que a educação moderna em seu intento de libertar as pessoas estava por embrutece-las e a escravizá-las. Afirma ele que os educadores modernos: “[...]iludem-se miseravelmente com a pretensão de libertar, como dizem, a criança, enquanto que antes a tornam escrava do seu orgulho cego e das suas paixões desordenadas, visto que estas, por uma conseqüência lógica daqueles falsos sistemas, vêm a ser justificadas como legítimas exigências da natureza pseudo-autônoma”.

E hoje, quando vemos professores e pais a se queixar da falta de respeito de muitos jovens, fica mais do que visível os problemas gerados pelas pedagogias ditas libertadoras que direta e indiretamente fomentam nos estudantes a insatisfação, o desejo por “justiça” (sem saber exatamente o que é isso) e, principalmente, o impulso a desprezar todo o senso de hierarquia de valores por ter aprendido que a medida de seus atos é o seu orgulho e vaidade.

Pio XI advertia que isso viria a ocorrer já no início do século XX e nós, até os dias atuais, continuamos a tatear em meio ao caos gerado pelos nossos atos (des)educativos.

Talvez, um bom começo para a resolução desta confusa situação seja nos perguntar sobre o que é um “fim último” e refletirmos sobre o que foi eleito para educação na sociedade brasileira atual. Isso se não nos encontrarmos enredados em demasia em nossos enganosos atos confundindo nossa existência com essa confusa trama.

_ _ _ _ _ _ _ _ _ _

Nota caustica: palavras do senhor Presidente da República no 3º. Congresso do PT: “Ninguém neste país tem mais autoridade moral, ética e política do que o nosso partido. Admitimos que tem gente igual a nós, mas não admitimos que tenha melhor”.

Obs.: A quem interessar possa: Encíclica DIVINI ILLIUS MAGISTRI encontra-se disponível na biblioteca de nosso web site.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.