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11 Set 2007

Hematófago Profissional Toma Posse no STF

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No que a mim diz respeito, me inquieta a idéia de termos um hematófago profissional, que crê em mães virgens e em três deuses em um só, na suprema Corte do país.

Que o Supremo Apedeuta tenha afirmado sábado último, em discurso no 3º Congresso do PT, em São Paulo, que o PT é o mais ético de todos os partidos e que a legenda deve aprofundar o debate sobre uma candidatura própria em 2010, se entende. Mentiu toda sua vida, foi eleito em função de suas mentiras. Como em todo militante de esquerda, nele a mentira se tornou uma segunda natureza, e esta segunda natureza o reelegeu. "Ninguém tem mais ética e moral do que o PT", declarou com dedo em riste, sendo aplaudido pelos militantes. Se mentiu a vida toda e sempre deu certo, por que não continuar mentindo? De repente, rende até mesmo um terceiro mandato.

O Supremo Apedeuta falou também que houve "erros". O PT jamais comete crimes, apenas erros. Para Tarso Genro, atual ministro da Justiça, os marxistas não cometeram crimes, mas apenas desvios. "É verdade que podemos ter cometido erros" - disse o Apedeuta-Mór, mesmo após o STF ter aceito todas as denúncias por crimes de três de seus ministros, da cúpula do PT e de mais outros tantos bagrinhos - "e os erros cometidos estão sendo apurados como precisam ser apurados, mas ninguém nesse país tem mais autoridade moral, ética e política que o nosso partido".

Que um analfabeto que mente diga isto é perfeitamente previsível. Imprevisível é ver um letrado dizendo bobagens, só admissíveis em um Lula. Falo do celebrado novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Alberto Direito. Em entrevista na Folha de São Paulo deste domingo, o novel ministro, que se define como católico, é interrogado sobre a utilização de células-tronco de embriões humanos em pesquisas e a interrupção da gravidez nos casos de anencefalia.

"Talvez não exista lei específica sobre esta matéria" - disse Direito -. "Então se está trabalhando com interpretações. Teria eu o direito de ter vergonha ou de pedir desculpas pela minha fé católica? Será que um país como o nosso, tão bonito, com gente tão alegre, será que eu não tenho o direito de ter a minha fé católica?"

Em primeiro lugar, um ministro do STF não pode dizer "talvez não exista lei específica sobre esta matéria". Ou ele sabe se tem lei específica, ou não sabe e não tem condições de ser ministro de uma suprema Corte. Em segundo lugar, "um país como o nosso, tão bonito, com gente tão alegre" não tem nada a ver com o direito de ser ou não ser católico. O país poderia ser feio e triste e o ministro continuaria a ter o sagrado direito de ser católico. A falácia capenga de Direito é uma ofensa a quem quer que entenda - já não digo lógica - mas pelo menos o português.

"Sou uma pessoa que tem muita fé" - diz Direito -. "Agora, nunca a minha interferiu nos meus julgamentos. Pelo contrário, ela sempre os iluminou, alguns extremamente inovadores, do ponto de vista humano". O ministro está competindo entusiasticamente com Lula na arte de dizer uma coisa e desdizê-la na frase seguinte. Se a fé iluminou seus julgamentos é porque neles interferiu, ora bolas.

Não sei se o ministro sabe, e se não souber não me espanta, porque não passa dia em que eu não encontre católicos que nada entendem de sua fé. Mas se o ministro é católico, terá de crer que um homem nasceu de uma virgem, que não só era virgem quando o concebeu, como continuou sendo virgem após o parto. Fenômeno que, pelo que me consta, costuma ocorrer em certos pulgões da lavoura. Não bastasse isso, ao final de sua vida, subiu aos céus em carne e osso e por lá ainda hoje estará, em lugar incerto e não sabido. Terá também de crer que o tal de deus é três em um. Isto é, existe o Pai, o Filho e o Paráclito, mas tanto o Pai como o Filho como o Paráclito são deus ao mesmo tempo. Terá de crer que o Filho, como a mãe, também subiu aos céus, deixando apenas o prepúcio na Terra, já que era judeu. Terá também de crer que, quando comunga, não come o pão como um símbolo do corpo do Filho. Mas come literalmente a carne do Filho. E que quando o sacerdote bebe o vinho consagrado, não está bebendo um símbolo do sangue de Cristo, mas o próprio sangue do Cristo.

Ou o ministro admite que é um hematófago profissional, ou não é católico. No que a mim diz respeito, me inquieta a idéia de termos um hematófago profissional, que crê em mães virgens e em três deuses em um só, na suprema Corte do país. Se esta é a fé que ilumina seus julgamentos, protegei-nos, Senhor!

Que o Supremo Apedeuta tenha afirmado sábado último, em discurso no 3º Congresso do PT, em São Paulo, que o PT é o mais ético de todos os partidos e que a legenda deve aprofundar o debate sobre uma candidatura própria em 2010, se entende. Mentiu toda sua vida, foi eleito em função de suas mentiras. Como em todo militante de esquerda, nele a mentira se tornou uma segunda natureza, e esta segunda natureza o reelegeu. "Ninguém tem mais ética e moral do que o PT", declarou com dedo em riste, sendo aplaudido pelos militantes. Se mentiu a vida toda e sempre deu certo, por que não continuar mentindo? De repente, rende até mesmo um terceiro mandato.

O Supremo Apedeuta falou também que houve "erros". O PT jamais comete crimes, apenas erros. Para Tarso Genro, atual ministro da Justiça, os marxistas não cometeram crimes, mas apenas desvios. "É verdade que podemos ter cometido erros" - disse o Apedeuta-Mór, mesmo após o STF ter aceito todas as denúncias por crimes de três de seus ministros, da cúpula do PT e de mais outros tantos bagrinhos - "e os erros cometidos estão sendo apurados como precisam ser apurados, mas ninguém nesse país tem mais autoridade moral, ética e política que o nosso partido".

Que um analfabeto que mente diga isto é perfeitamente previsível. Imprevisível é ver um letrado dizendo bobagens, só admissíveis em um Lula. Falo do celebrado novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Alberto Direito. Em entrevista na Folha de São Paulo deste domingo, o novel ministro, que se define como católico, é interrogado sobre a utilização de células-tronco de embriões humanos em pesquisas e a interrupção da gravidez nos casos de anencefalia.

"Talvez não exista lei específica sobre esta matéria" - disse Direito -. "Então se está trabalhando com interpretações. Teria eu o direito de ter vergonha ou de pedir desculpas pela minha fé católica? Será que um país como o nosso, tão bonito, com gente tão alegre, será que eu não tenho o direito de ter a minha fé católica?"

Em primeiro lugar, um ministro do STF não pode dizer "talvez não exista lei específica sobre esta matéria". Ou ele sabe se tem lei específica, ou não sabe e não tem condições de ser ministro de uma suprema Corte. Em segundo lugar, "um país como o nosso, tão bonito, com gente tão alegre" não tem nada a ver com o direito de ser ou não ser católico. O país poderia ser feio e triste e o ministro continuaria a ter o sagrado direito de ser católico. A falácia capenga de Direito é uma ofensa a quem quer que entenda - já não digo lógica - mas pelo menos o português.

"Sou uma pessoa que tem muita fé" - diz Direito -. "Agora, nunca a minha interferiu nos meus julgamentos. Pelo contrário, ela sempre os iluminou, alguns extremamente inovadores, do ponto de vista humano". O ministro está competindo entusiasticamente com Lula na arte de dizer uma coisa e desdizê-la na frase seguinte. Se a fé iluminou seus julgamentos é porque neles interferiu, ora bolas.

Não sei se o ministro sabe, e se não souber não me espanta, porque não passa dia em que eu não encontre católicos que nada entendem de sua fé. Mas se o ministro é católico, terá de crer que um homem nasceu de uma virgem, que não só era virgem quando o concebeu, como continuou sendo virgem após o parto. Fenômeno que, pelo que me consta, costuma ocorrer em certos pulgões da lavoura. Não bastasse isso, ao final de sua vida, subiu aos céus em carne e osso e por lá ainda hoje estará, em lugar incerto e não sabido. Terá também de crer que o tal de deus é três em um. Isto é, existe o Pai, o Filho e o Paráclito, mas tanto o Pai como o Filho como o Paráclito são deus ao mesmo tempo. Terá de crer que o Filho, como a mãe, também subiu aos céus, deixando apenas o prepúcio na Terra, já que era judeu. Terá também de crer que, quando comunga, não come o pão como um símbolo do corpo do Filho. Mas come literalmente a carne do Filho. E que quando o sacerdote bebe o vinho consagrado, não está bebendo um símbolo do sangue de Cristo, mas o próprio sangue do Cristo.

Ou o ministro admite que é um hematófago profissional, ou não é católico. No que a mim diz respeito, me inquieta a idéia de termos um hematófago profissional, que crê em mães virgens e em três deuses em um só, na suprema Corte do país. Se esta é a fé que ilumina seus julgamentos, protegei-nos, Senhor!

Janer Cristaldo

O escritor e jornalista Janer Cristaldo nasceu em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul. Formou-se em Direito e Filosofia e doutorou-se em Letras Francesas e Comparadas pela Université de la Sorbonne Nouvelle (Paris III). Morou na Suécia, França e Espanha. Lecionou Literatura Comparada e Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina e trabalhou como redator de Internacional nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Faleceu no dia 18 de Outubro de 2014.

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