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02 Set 2007

Afundação do PT

Escrito por 
Nesse Congresso do PT estaremos assistindo a completa afundação de um partido que um dia se disse ético. Sendo ainda muito forte dele só nos salva a lei.

O acatamento da denúncia do Procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pelo Supremo Tribunal Federal, transformou em réus homens que ocuparam altos cargos na cúpula do governo Lula da Silva, que ainda comandam o PT, além dos que pertencem à base aliada.

O ato da Justiça foi louvado como o “julgamento do século” e lavou a alma de brasileiros dotados de cultura cívica, ressalvando-se que ainda não houve julgamento. Um longo processo se arrastará para que aconteça o desfecho dos casos, algo que não se sabe como terminará visto que o STF nunca condenou nenhum político. Em todo caso, é pertinente refletir sobre o acontecido que tanto impressionou.

Em primeiro lugar, se o Brasil não fosse o país da impunidade o acatamento da denúncia do mensalão pelo STF seria tido como regra e não como exceção que maravilhou brasileiros cansados de injustiça, coisa que, aliás, existe no país desde os tempos coloniais. Mas é preciso lembrar que, apesar do presidente da República e do seu companheiro, o “chefe da quadrilha” José Dirceu, repetirem que não houve mensalão, a CPI dos Correios acumulou um número impressionante de documentos, gravações e testemunhos sobre os mensaleiros. Tais provas, chamadas de indícios devem ter servido de base para a denúncia feita pelo Procurador-Geral ao Supremo. Ora, diante de tantas evidências não seria possível outra atitude do STF, mas, como anteriormente esse Poder deixou a desejar, surpreendeu agradavelmente ao cumprir com sua obrigação baseada na esfera legal.

O que empanou um tanto o brilho do “julgamento do século” foram atitudes como as da ministra Cármen Lúcia e do ministro Lewandowski, que ficaram a trocar bilhetinhos eletrônicos numa sessão de extrema importância para a vida nacional. Aquilo foi um misto de desrespeito para com o país e deboche para com a corte mais alta da Justiça a qual os dois pertencem. Para piorar, o ministro Lewandowski disse ao telefone que o STF analisou a denúncia do mensalão com a faca no pescoço e acuado pela imprensa, o que desmereceu seus pares.

Em que pese o ministro ter sido rebatido por seus colegas e por uma nota dada pela presidente do Supremo, Ellen Gracie, ficou a tônica dos tempos atuais em que a liturgia dos cargos se perdeu, e atitudes e palavreados de botequim são praticados pelo presidente da República e por vários de seus ministros. De todo modo, espera-se que o STF prossiga na mesma linha dando à “organização criminosa” (conforme o Procurador-Geral) um julgamento de acordo com a lei, o que quer dizer, justo.

Recorde-se ainda, que os ministros do STF são independentes perante a opinião pública porque não são eleitos pelo povo como os políticos, e isso os faz também independentes com relação à mídia. São, contudo, indicados pelo presidente da República quando deveriam ser eleitos por seus pares. Quem sabe um dia chegaremos a esse aperfeiçoamento desejável quando, então, o Poder Judiciário terá a independência que o tornará isento ou quase isento de injunções políticas.

Entre as reflexões propostas cabe ainda ressaltar as de cunho eminentemente político. Primeiramente, volta a indagação: É possível acreditar que o presidente da República, tendo escolhido e convivido no seu governo com companheiros que agora foram confirmados como quadrilheiros, nada via, nada sabia sobre suas ações criminosas?

Não se pode negar que os mentores do PT fizeram um trabalho de persuasão magnífico ao conseguir separar Lula da Silva do governo e do partido. Isso porquê, a continuidade da corte petista depende da figura símbolo do neotorneiro que, portanto, deve ser preservada a qualquer custo. E enquanto a propaganda funcionar, ainda que promessas e programas não sejam cumpridos, os pobres recebam suas bolsa-esmola e os ricos lucros nunca antes auferidos nesse país, não importará se Lula da Silva sabia ou não. Mas até quando o equilíbrio entre propaganda e calmaria econômica se manterá para conservar a crença na inocência do “pobre operário?”

Outro aspecto político relevante: o show de cinismo do chefe da quadrilha, ex-chefe da Casa Civil, deputado cassado, e ainda poderoso, José Dirceu. Ele convocou uma coletiva e disse estar morrendo de medo da ditadura da mídia. Não parece piada de salão o “capitão do time”, que chora emocionado diante de Fidel Castro e é amigão de Hugo Chávez, afirmar ter medo de ditadura?

Tal atitude cínica se alastra dentro do partido do DirZEUS. O PT come pizza para desagravar seus quadrilheiros e sem medo nenhum de ditadura quer um plebiscito e uma reforma exclusivamente política. Leia-se o terceiro mandato de Lula da Silva.

Nesse Congresso do PT estaremos assistindo a completa afundação de um partido que um dia se disse ético. Sendo ainda muito forte dele só nos salva a lei.

O acatamento da denúncia do Procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pelo Supremo Tribunal Federal, transformou em réus homens que ocuparam altos cargos na cúpula do governo Lula da Silva, que ainda comandam o PT, além dos que pertencem à base aliada.

O ato da Justiça foi louvado como o “julgamento do século” e lavou a alma de brasileiros dotados de cultura cívica, ressalvando-se que ainda não houve julgamento. Um longo processo se arrastará para que aconteça o desfecho dos casos, algo que não se sabe como terminará visto que o STF nunca condenou nenhum político. Em todo caso, é pertinente refletir sobre o acontecido que tanto impressionou.

Em primeiro lugar, se o Brasil não fosse o país da impunidade o acatamento da denúncia do mensalão pelo STF seria tido como regra e não como exceção que maravilhou brasileiros cansados de injustiça, coisa que, aliás, existe no país desde os tempos coloniais. Mas é preciso lembrar que, apesar do presidente da República e do seu companheiro, o “chefe da quadrilha” José Dirceu, repetirem que não houve mensalão, a CPI dos Correios acumulou um número impressionante de documentos, gravações e testemunhos sobre os mensaleiros. Tais provas, chamadas de indícios devem ter servido de base para a denúncia feita pelo Procurador-Geral ao Supremo. Ora, diante de tantas evidências não seria possível outra atitude do STF, mas, como anteriormente esse Poder deixou a desejar, surpreendeu agradavelmente ao cumprir com sua obrigação baseada na esfera legal.

O que empanou um tanto o brilho do “julgamento do século” foram atitudes como as da ministra Cármen Lúcia e do ministro Lewandowski, que ficaram a trocar bilhetinhos eletrônicos numa sessão de extrema importância para a vida nacional. Aquilo foi um misto de desrespeito para com o país e deboche para com a corte mais alta da Justiça a qual os dois pertencem. Para piorar, o ministro Lewandowski disse ao telefone que o STF analisou a denúncia do mensalão com a faca no pescoço e acuado pela imprensa, o que desmereceu seus pares.

Em que pese o ministro ter sido rebatido por seus colegas e por uma nota dada pela presidente do Supremo, Ellen Gracie, ficou a tônica dos tempos atuais em que a liturgia dos cargos se perdeu, e atitudes e palavreados de botequim são praticados pelo presidente da República e por vários de seus ministros. De todo modo, espera-se que o STF prossiga na mesma linha dando à “organização criminosa” (conforme o Procurador-Geral) um julgamento de acordo com a lei, o que quer dizer, justo.

Recorde-se ainda, que os ministros do STF são independentes perante a opinião pública porque não são eleitos pelo povo como os políticos, e isso os faz também independentes com relação à mídia. São, contudo, indicados pelo presidente da República quando deveriam ser eleitos por seus pares. Quem sabe um dia chegaremos a esse aperfeiçoamento desejável quando, então, o Poder Judiciário terá a independência que o tornará isento ou quase isento de injunções políticas.

Entre as reflexões propostas cabe ainda ressaltar as de cunho eminentemente político. Primeiramente, volta a indagação: É possível acreditar que o presidente da República, tendo escolhido e convivido no seu governo com companheiros que agora foram confirmados como quadrilheiros, nada via, nada sabia sobre suas ações criminosas?

Não se pode negar que os mentores do PT fizeram um trabalho de persuasão magnífico ao conseguir separar Lula da Silva do governo e do partido. Isso porquê, a continuidade da corte petista depende da figura símbolo do neotorneiro que, portanto, deve ser preservada a qualquer custo. E enquanto a propaganda funcionar, ainda que promessas e programas não sejam cumpridos, os pobres recebam suas bolsa-esmola e os ricos lucros nunca antes auferidos nesse país, não importará se Lula da Silva sabia ou não. Mas até quando o equilíbrio entre propaganda e calmaria econômica se manterá para conservar a crença na inocência do “pobre operário?”

Outro aspecto político relevante: o show de cinismo do chefe da quadrilha, ex-chefe da Casa Civil, deputado cassado, e ainda poderoso, José Dirceu. Ele convocou uma coletiva e disse estar morrendo de medo da ditadura da mídia. Não parece piada de salão o “capitão do time”, que chora emocionado diante de Fidel Castro e é amigão de Hugo Chávez, afirmar ter medo de ditadura?

Tal atitude cínica se alastra dentro do partido do DirZEUS. O PT come pizza para desagravar seus quadrilheiros e sem medo nenhum de ditadura quer um plebiscito e uma reforma exclusivamente política. Leia-se o terceiro mandato de Lula da Silva.

Nesse Congresso do PT estaremos assistindo a completa afundação de um partido que um dia se disse ético. Sendo ainda muito forte dele só nos salva a lei.

Maria Lúcia V. Barbosa

Graduada em Sociologia e Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências, Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de Nicolau Maquiavel Florentino".
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br

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