Dom05192019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

29 Ago 2007

O "Estado Raquítico" de Hunger-Pochmann

Escrito por 
Neste governo, em particular, parece viger um terceiro aforismo, que podemos denominar de “Princípio de Camargo”: “quanto pior, melhor para o cargo”...

Certos ocupantes de altos cargos na hierarquia pública parecem crer que os cidadãos são idiotas. Ao tomar posse na presidência do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), agora deslocado – na mais recente contra-dança do minueto que vem ensaiando desde a sua fundação – para a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo (sic), o economista (da Unicamp, naturalmente) Márcio Pochmann, secretário de Planejamento da ex-prefeita paulista, trombeteou a redefinição do papel Estado brasileiro, que, segundo suas doutas palavras, seria "raquítico".

É preocupante que o respeitado órgão da Av Presidente Antonio Carlos 51, abrigo de tantos economistas competentes, passe a ser comandado por quem, contra as evidências, emita juízo - falso e puramente ideológico - de tais proporções. Mais inquietante é que seu atual chefe, o excêntrico, ininteligível e “legendário” professor de Direito de Harvard, de sotaque e idéias tão claros quanto as águas do Tietê, Roberto Mangabeira Unger, o mesmo que há pouco tempo taxara o governo a que hoje pertence de "o mais corrupto da República", tenha debuxado, na solenidade de posse de seu subalterno, a necessidade de uma simbiose “dialética” entre economistas de diversas tendências. Para o simbiôntico professor, ao que parece, se alocarmos em uma mesma pesquisa um economista ortodoxo e uma heterodoxa e se ambos seguirem os nada cândidos conselhos relaxantes da atual ministra do Turismo, virá à luz, em nove meses, um genial bebê “moneterodoxo”, ou “desenvolvimentarista”, superior aos pais... Essa parvoíce hegeliana ignora que tal gestação é impossível, pela mesma razão que ou está chovendo ou não está: são atributos contraditórios, e não contrários, não admitindo meios termos.

Não é preciso explicar, para não subestimarmos a inteligência do leitor, mas é recomendável chamar a atenção para a gravidade das sandices fantasiadas de sabedoria pronunciadas naquele evento. Se nosso Estado é raquítico, só pode ser em termos da eficácia, caráter, eficiência, integridade, ética, moral, correção, idoneidade, honestidade, virtuosidade, dignidade e retidão de propósitos para com o bem comum, com que desenvolve as suas ações. É desnecessário buscar exemplos: basta observarmos que ano após ano trabalhamos para sustentá-lo até o dia 26 de maio, e lembrarmo-nos da própria assertiva do agora “Secretário da Bola de Cristal”, quando o qualificou como o mais deteriorado da República.

Não poucos dos que ocupam ou ocuparam o poder, incluindo vários ministros, ex-ministros, secretários e, obviamente, presidentes e ex-presidentes, não se limitam a validar o pitoresco “Princípio de Peter”, proposto por Laurence Peter em 1969 e hoje considerado um clássico no campo da gestão: "In a hierarchy, every employee tends to rise to his level of incompetence” (em uma hierarquia todo funcionário tende a ser promovido até o seu "nível de incompetência"), a partir do qual já não possui capacidade para exercer a função que ocupa. Vão além: tornam tímida a modificação ao Princípio de Peter proposta por Frey, para quem “há pessoas que sobem três níveis acima de seu nível de incompetência, até a ocasião em que sua incompetência é notada”. Três níveis, só? Mais, por favor... Neste governo, em particular, parece viger um terceiro aforismo, que podemos denominar de “Princípio de Camargo”: “quanto pior, melhor para o cargo”... Como as nomeações são feitas pelas hierarquias superiores, que se encontram num claro "nível de incompetência", podemos deduzir facilmente da máxima de Peter quão rasteiro deve ser o grau de nivelamento.

Estado raquítico no Brasil? “Dialética” entre liberais e intervencionistas? Pensar no “longo prazo”, justo um governo que há 56 meses ainda não deslanchou? Menos, por favor, até porque o grau de QI médio dos brasileiros é bem maior do que os 25 que caracterizam a idiotia...

Certos ocupantes de altos cargos na hierarquia pública parecem crer que os cidadãos são idiotas. Ao tomar posse na presidência do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), agora deslocado – na mais recente contra-dança do minueto que vem ensaiando desde a sua fundação – para a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo (sic), o economista (da Unicamp, naturalmente) Márcio Pochmann, secretário de Planejamento da ex-prefeita paulista, trombeteou a redefinição do papel Estado brasileiro, que, segundo suas doutas palavras, seria "raquítico".

É preocupante que o respeitado órgão da Av Presidente Antonio Carlos 51, abrigo de tantos economistas competentes, passe a ser comandado por quem, contra as evidências, emita juízo - falso e puramente ideológico - de tais proporções. Mais inquietante é que seu atual chefe, o excêntrico, ininteligível e “legendário” professor de Direito de Harvard, de sotaque e idéias tão claros quanto as águas do Tietê, Roberto Mangabeira Unger, o mesmo que há pouco tempo taxara o governo a que hoje pertence de "o mais corrupto da República", tenha debuxado, na solenidade de posse de seu subalterno, a necessidade de uma simbiose “dialética” entre economistas de diversas tendências. Para o simbiôntico professor, ao que parece, se alocarmos em uma mesma pesquisa um economista ortodoxo e uma heterodoxa e se ambos seguirem os nada cândidos conselhos relaxantes da atual ministra do Turismo, virá à luz, em nove meses, um genial bebê “moneterodoxo”, ou “desenvolvimentarista”, superior aos pais... Essa parvoíce hegeliana ignora que tal gestação é impossível, pela mesma razão que ou está chovendo ou não está: são atributos contraditórios, e não contrários, não admitindo meios termos.

Não é preciso explicar, para não subestimarmos a inteligência do leitor, mas é recomendável chamar a atenção para a gravidade das sandices fantasiadas de sabedoria pronunciadas naquele evento. Se nosso Estado é raquítico, só pode ser em termos da eficácia, caráter, eficiência, integridade, ética, moral, correção, idoneidade, honestidade, virtuosidade, dignidade e retidão de propósitos para com o bem comum, com que desenvolve as suas ações. É desnecessário buscar exemplos: basta observarmos que ano após ano trabalhamos para sustentá-lo até o dia 26 de maio, e lembrarmo-nos da própria assertiva do agora “Secretário da Bola de Cristal”, quando o qualificou como o mais deteriorado da República.

Não poucos dos que ocupam ou ocuparam o poder, incluindo vários ministros, ex-ministros, secretários e, obviamente, presidentes e ex-presidentes, não se limitam a validar o pitoresco “Princípio de Peter”, proposto por Laurence Peter em 1969 e hoje considerado um clássico no campo da gestão: "In a hierarchy, every employee tends to rise to his level of incompetence” (em uma hierarquia todo funcionário tende a ser promovido até o seu "nível de incompetência"), a partir do qual já não possui capacidade para exercer a função que ocupa. Vão além: tornam tímida a modificação ao Princípio de Peter proposta por Frey, para quem “há pessoas que sobem três níveis acima de seu nível de incompetência, até a ocasião em que sua incompetência é notada”. Três níveis, só? Mais, por favor... Neste governo, em particular, parece viger um terceiro aforismo, que podemos denominar de “Princípio de Camargo”: “quanto pior, melhor para o cargo”... Como as nomeações são feitas pelas hierarquias superiores, que se encontram num claro "nível de incompetência", podemos deduzir facilmente da máxima de Peter quão rasteiro deve ser o grau de nivelamento.

Estado raquítico no Brasil? “Dialética” entre liberais e intervencionistas? Pensar no “longo prazo”, justo um governo que há 56 meses ainda não deslanchou? Menos, por favor, até porque o grau de QI médio dos brasileiros é bem maior do que os 25 que caracterizam a idiotia...

Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.