Sáb04042020

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

29 Ago 2007

Crítica da Razão Turva

Escrito por 
Ora, se você é daqueles que deseja realmente entender o abismo em que nosso país se encontra, pouca serventia lhe terá a leitura solitária de uma revista Veja, Isto É, ou Época.

Um [de]formador de opiniões é bem quisto pela sociedade brasileira hodierna não pela sua capacidade de desvelar a realidade da vida humana, mas sim, pelo grau em que este fustiga suas “críticas” a tradição judaico-cristã e bem como a toda cultura clássica.

Se o figurão senta a pua na Igreja Católica e nas demais religiões tradicionais, ele é tido como “bom”, como uma pessoa lúcida e crítica. Se ele senta o sarrafo na economia de mercado, na livre iniciativa, ele também é tido em alta conta. Porém, frisamos mais uma vez, que assim o é, não pela capacidade que desta pessoa traduzir a realidade tal qual ela É, mas sim, pelo simples fato de este elemento comunicar uma mensagem, um colóquio que corresponde diretamente ao que nós, subjetivamente, estamos sentindo em relação a vida.

Trocando por dorso, em nome da “realidade da vida” negamos a realidade dos fatos para que possamos nos sentir melhor conosco mesmo e, neste exercício de negação do real, abdicamos voluntariamente de uma possível ação humana eficaz na resolução dos problemas que lá estão, no mundo da vida, mesmo que tenhamos conseguido cognitivamente negar a sua existência. Ou seja: negamos os problemas de uma maneira pacóvia e ingênua (muitas vezes maliciosa mesmo) para assim podermos fingir que estamos resolvendo eles. E se nada disso der certo, basta que, mais uma vez, atribuamos a causa destes males a algum bode-expiatório apontado por um destes [de]formadores de opinião que nós, mais uma vez, voltamos a nos sentir bem, sem nos responsabilizar pelo mal gerado pelas nossas ações turvas.

Agimos de modo superficial e apresada em nossos juízos axiológicos. Alias, somos tão volúveis em relação a eles que os trocamos levianamente como se estes fossem roupas que devem ser trocadas de acordo com a ocasião.

Agimos assim, não por uma característica pervertida inerente a nossa pessoa. Assim nos portamos por termos um gigantesco abismo em nossa formação. Em nossa sociedade, o que temos por valores elevados é nada mais que um conjunto superficial de condutas que ostenta com orgulho macunaímico frente ao desprezo pelos estudos, pela dedicação e, principalmente, uma impaciência maldita frente as questões que se apresentam. Concordo plenamente com um amigo meu que, em certa feita, afirmou que “a pressa pela resposta é a mãe da ignorância”.

No caso da sociedade brasileira, a constatação de meu amigo, faz-se regra primordial frente a maneira como agimos, como estudamos, como escolhemos nossos representantes, como confessamos nossa religião.

Reinventamos tudo a fim de podermos nos afirmar sob nossa nesciedade, para legitimarmos nosso puro “achismo”. Desejamos reinventar tudo na base do complexo de Chicó (não sei! Só sei que é assim). Deste modo matamos com grande orgulho a a filosofia (amor a sabedoria) em nome da filodoxia (amor as opiniões) e elevamos esta segunda no lugar da primeira.

Eric Voegelin, em sua obra EVANGELHO E CULTURA, nos aponta que: “Apenas a vida milenar da razão pode dissolver a sua deformação secular. Não temos de permanecer no gueto dos problemas contemporâneos ou modernos, prescritos pelos deformadores. Se a destruição remonta a séculos, nós podemos recuar milênios para restaurar a questão tão vastamente danificado no nosso tempo”.

Ora, se você é daqueles que deseja realmente entender o abismo em que nosso país se encontra, pouca serventia lhe terá a leitura solitária de uma revista Veja, Isto É, ou Época. Pouca serventia terá qualquer telejornal, pois, nestes casos, a referência civilizacional que lhe dará o suporte epistemológico será extremamente superficial, pois, de pouco adianta ter nas mãos uma e outra peça de um quebra-cabeças sem ter a menor idéia da imagem primordial do jogo.

Agindo assim, sem esta visão, a única coisa que pode sair é a confusão elevada a categoria de fundamento. Ou seja: qualquer bobagem facilmente é aceita como verdade provisória até que uma bobagem maior supra a nossa necessidade de besteirol maquiado de criticidade.

E neste embalo, segue a brasilidade.

---------------------

Obs.: Temos disponível na biblioteca de nosso web site algumas obras do filósofo Mário Ferreira dos Santos. Quem desejar conhecer o filósofo da história que, segundo as palavras de Olavo de Carvalho, teria alguma coisa de interessante a dizer a Platão e Aristóteles acesse http://dartagnanzanela.k6.com.br

Um [de]formador de opiniões é bem quisto pela sociedade brasileira hodierna não pela sua capacidade de desvelar a realidade da vida humana, mas sim, pelo grau em que este fustiga suas “críticas” a tradição judaico-cristã e bem como a toda cultura clássica.

Se o figurão senta a pua na Igreja Católica e nas demais religiões tradicionais, ele é tido como “bom”, como uma pessoa lúcida e crítica. Se ele senta o sarrafo na economia de mercado, na livre iniciativa, ele também é tido em alta conta. Porém, frisamos mais uma vez, que assim o é, não pela capacidade que desta pessoa traduzir a realidade tal qual ela É, mas sim, pelo simples fato de este elemento comunicar uma mensagem, um colóquio que corresponde diretamente ao que nós, subjetivamente, estamos sentindo em relação a vida.

Trocando por dorso, em nome da “realidade da vida” negamos a realidade dos fatos para que possamos nos sentir melhor conosco mesmo e, neste exercício de negação do real, abdicamos voluntariamente de uma possível ação humana eficaz na resolução dos problemas que lá estão, no mundo da vida, mesmo que tenhamos conseguido cognitivamente negar a sua existência. Ou seja: negamos os problemas de uma maneira pacóvia e ingênua (muitas vezes maliciosa mesmo) para assim podermos fingir que estamos resolvendo eles. E se nada disso der certo, basta que, mais uma vez, atribuamos a causa destes males a algum bode-expiatório apontado por um destes [de]formadores de opinião que nós, mais uma vez, voltamos a nos sentir bem, sem nos responsabilizar pelo mal gerado pelas nossas ações turvas.

Agimos de modo superficial e apresada em nossos juízos axiológicos. Alias, somos tão volúveis em relação a eles que os trocamos levianamente como se estes fossem roupas que devem ser trocadas de acordo com a ocasião.

Agimos assim, não por uma característica pervertida inerente a nossa pessoa. Assim nos portamos por termos um gigantesco abismo em nossa formação. Em nossa sociedade, o que temos por valores elevados é nada mais que um conjunto superficial de condutas que ostenta com orgulho macunaímico frente ao desprezo pelos estudos, pela dedicação e, principalmente, uma impaciência maldita frente as questões que se apresentam. Concordo plenamente com um amigo meu que, em certa feita, afirmou que “a pressa pela resposta é a mãe da ignorância”.

No caso da sociedade brasileira, a constatação de meu amigo, faz-se regra primordial frente a maneira como agimos, como estudamos, como escolhemos nossos representantes, como confessamos nossa religião.

Reinventamos tudo a fim de podermos nos afirmar sob nossa nesciedade, para legitimarmos nosso puro “achismo”. Desejamos reinventar tudo na base do complexo de Chicó (não sei! Só sei que é assim). Deste modo matamos com grande orgulho a a filosofia (amor a sabedoria) em nome da filodoxia (amor as opiniões) e elevamos esta segunda no lugar da primeira.

Eric Voegelin, em sua obra EVANGELHO E CULTURA, nos aponta que: “Apenas a vida milenar da razão pode dissolver a sua deformação secular. Não temos de permanecer no gueto dos problemas contemporâneos ou modernos, prescritos pelos deformadores. Se a destruição remonta a séculos, nós podemos recuar milênios para restaurar a questão tão vastamente danificado no nosso tempo”.

Ora, se você é daqueles que deseja realmente entender o abismo em que nosso país se encontra, pouca serventia lhe terá a leitura solitária de uma revista Veja, Isto É, ou Época. Pouca serventia terá qualquer telejornal, pois, nestes casos, a referência civilizacional que lhe dará o suporte epistemológico será extremamente superficial, pois, de pouco adianta ter nas mãos uma e outra peça de um quebra-cabeças sem ter a menor idéia da imagem primordial do jogo.

Agindo assim, sem esta visão, a única coisa que pode sair é a confusão elevada a categoria de fundamento. Ou seja: qualquer bobagem facilmente é aceita como verdade provisória até que uma bobagem maior supra a nossa necessidade de besteirol maquiado de criticidade.

E neste embalo, segue a brasilidade.

---------------------

Obs.: Temos disponível na biblioteca de nosso web site algumas obras do filósofo Mário Ferreira dos Santos. Quem desejar conhecer o filósofo da história que, segundo as palavras de Olavo de Carvalho, teria alguma coisa de interessante a dizer a Platão e Aristóteles acesse http://dartagnanzanela.k6.com.br

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.